Tratado Esotérico de Astrologia Hermética II

The Great Morning

The Great Morning

Nota

Como eu citei na primeira parte deste trabalho, existem muitas questões que se aproximam do estudo astrológico, mas não devemos inseri-las no conjunto do corpo do saber astrológico, a não ser de forma a orientar ou fundamentar certas analogias para o esclarecimento da astrologia.

Entre os motivos de precaução podemos citar basicamente dois: 1) Questões de natureza fenomenológica ou que tramitam no âmbito das pesquisas do conhecimento oculto devem ser feitas pelos estudiosos destes assuntos; 2) Nem todo mito ou alegoria simbólica terão seus fundamentos no saber cosmológico que estrutura os preceitos da doutrina astrológica.

É comum observar nos fenômenos de determinadas condutas humanas ou comportamentos bizarros imagens ou formas que naturalmente poderemos associar à algum signo astrológico ou mito que esteja relacionado com os planetas, mas atribuir ao planeta ou ao signo os elementos destes fenômenos é contrariar o próprio método de estudo da astrologia que se fundamenta na hierarquia planetária e nos princípios herméticos.

Por isso, quando se tratando de astrologia, por mais brilhante ou genial que possa ser o nosso narrador, se não estivermos devidamente esclarecidos sobre o que é astrologia, certamente ficaremos ainda mais céticos sobre ela ou acabaremos por não ver qualquer sentido no seu ensinamento.

Logo, considero oportuno antecipar ao leitor da necessária prudência durante a leitura de tudo que está sob o título de astrologia, porque pouca coisa ainda existe sob este título hoje em dia que realmente está falando do que se pretende falar. Mas, se soubermos discernir o ensinamento astrológico das questões que devem ser exploradas em outros ramos do saber, ficaremos sempre mais esclarecidos sobre o que é verdadeiro ou falso no campo estrelado do conhecimento astrológico.

César Augusto – Astrólogo

Samael Aun Weor

ESCORPIÃO

Escorpião

O Grande Hierofante Jesus, o Cristo, disse a Nicodemus: De certo, de certo te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. É necessário “nascer da Água e do Espírito” para poder entrar no reino do Esoterismo, no Magis Regnum. É urgente “nascer de novo” para ter pleno direito de entrar no Reino. É urgente que nos convertamos em seres “duas-vezes-nascidos”. Essa questão do “segundo nascimento” não foi entendida por Nicodemus, nem por todas as seitas bíblicas. É preciso que as pessoas façam um estudo comparativo entre as religiões, tendo a chave do arcano A. Z. F., se é que, de verdade, querem compreender as palavras ditas por Jesus a Nicodemus.

As diferentes seitas bíblicas estão plenamente convencidas de que compreendem realmente o que significa “nascer de novo”, interpretando isso das mais variadas formas. Porém, embora possuam muita erudição bíblica, embora relacionem um versículo com outro, tratando de explicar um versículo relacionado a outro ou outros, na realidade, não entendem a questão, porque não possuem a chave secreta, o arcano A. Z. F.

Nicodemus era um sábio que conhecia profundamente as Sagradas Escrituras e, sem embargo, não entendeu e chegou a ponto de responder: Como pode um homem nascer sendo velho? Pode, por acaso, entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer? Jesus, o Grande Kabir, respondeu a Nicodemus dando uma resposta eminentemente maia:

De certo, de certo te digo, aquele que não nascer da Água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

É claro que quem não possui mais informações além da letra morta, quem não entende o duplo significado dos versículos bíblicos e desconhece o arcano A. Z. F. interpreta essas palavras do Grande Kabir a seu modo, com a única informação que possui, com o que entende, crendo que, com o batismo de sua seita ou algo similar, já resolveu o problema do “segundo nascimento”.

Para os Maias, o Espírito é o Fogo-Vivo, razão pela qual eles diziam o seguinte: Há que unir o de cima com o de baixo por meio da água e do fogo. Os brâmanes hindustânicos simbolizam o “segundo-nascimento” de forma sexual. Na liturgia se confecciona uma vaca de ouro muito grande e o candidato ao “segundo nascimento” tem que passar três vezes, arrastando-se por meio do corpo oco da vaca, e saindo pela vulva.

Com isso ele é consagrado como verdadeiro brahmán dwipa ou “duas-vezes-nascido”: um nascimento de sua mãe e outro da Vaca. Assim, de forma simbólica, os brâmanes explicam o “segundo-nascimento” ensinado por Jesus a Nicodemus. Como já dissemos em precedentes capítulos, a Vaca representa a Mãe Divina, mas o interessante é o que os brâmanes dizem, de si mesmos, que são “duas-vezes-nascidos” e que o “segundo-nascimento” é sexual.

Este assunto é muito espinhoso, e a Raça Lunar o odeia mortalmente preferindo matar a Vaca e insultando a tudo que se fale dos mistérios do sexo e do arcano A. Z. F. Os brâmanes não são seres “duas-vezes-nascidos”, mas, simbolicamente, sim, o são. O Mestre-maçon tampouco é um Mestre de verdade, porém simbolicamente, sim, o é. O interessante é chegar ao “segundo-nascimento” que é uma questão cem por cento sexual.

Quem verdadeiramente quer entrar nessa Terra da quarta dimensão, nesses vales, montanhas, templos jinas e nesse reino dos “duas-vezes-nascidos” tem que trabalhar com a pedra bruta: cinzelá-la, dar-lhe forma, como dizemos em linguagem maçônica. Necessitamos respeitosamente levantar essa pedra maravilhosa que nos separa da terra das mil e uma noites, da terra das maravilhas onde vivem felizes os “duas-vezes-nascidos”. É impossível mover a pedra, levantá-la, se antes não lhe dermos a forma cúbica à base do cinzel e do martelo.

Pedro, o discípulo de Jesus, o Cristo, é Aladim, o intérprete maravilhoso, autorizado para alçar a pedra que fecha o santuário dos grandes mistérios. O nome original de Pedro é Patar com suas três consoantes que são radicais: P. T. R. O P nos recorda o Pai que está em segredo, o Pai dos Deuses, nossos Pais ou Pitaras. T, o Tau, o hermafrodita divino, representa o homem e a mulher unidos sexualmente durante o ato. O R é uma letra vital no mantra INRI, representa o fogo sagrado terrivelmente divino, o Ra egípcio. Pedro, Patar, o iluminador, é o Mestre da Magia Sexual, o Mestre bondoso que nos aguarda sempre à entrada do terrível caminho.

A Vaca, relacionada com o aspecto religioso e com o famoso minotauro cretense, é a primeira coisa que encontramos no subterrâneo místico que conduz à terra dos “duas-vezes-nascidos”. A pedra filosofal dos velhos alquimistas medievais é o sexo, e o “segundo nascimento” é sexual.

O capítulo VIII das Leis de Manu relata: Um reino povoado, sobretudo por sudras, cheio de homens ímpios e sem seres duas-vezes-nascidos habitando-o, perecerá por completo e rapidamente, atacado pela fome e pela enfermidade.

Sem a Doutrina de Pedro, resulta impossível o “segundo-nascimento”. Nós, os gnósticos, estudamos a Doutrina de Pedro. Os infra-sexuais, os degenerados, odeiam mortalmente a Doutrina de Pedro.

Muitos são os equivocados sinceros que creem que podem se autorrealizar excluindo a questão sexual. Muitos são os que insultam e falam mal do sexo; muitos cospem toda a baba difamatória no santuário sagrado do Terceiro Logos. Esses que odeiam e dizem que o sexo é grosseiro, imundo, animal, bestial são os insultadores e blasfemadores contra o Espírito Santo.

Quem se pronuncia contra a magia sexual e cospe sua infâmia no santuário do Terceiro Logos jamais pode chegar ao “segundo-nascimento”.

Em Sânscrito, o nome da magia sexual é maithuna. A Doutrina de Pedro é o maithuna, e Jesus disse: Tu és Pedro (pedra) e sobre essa pedra edificarei minha igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. A chave do maithuna é o lingam negro embutido no yoni, atributos do deus Shiva, o Terceiro Logos, o Espírito Santo.

No maithuna, o falo deve penetrar na vagina, porém sem jamais ejacular ou derramar o sêmen. O casal deve retirar-se do ato sexual sem chegar ao espasmo, para evitar o derrame do licor seminal. O desejo refreado transmutará o licor seminal em energia criadora e a energia sexual subirá até o cérebro. É dessa forma como o cérebro se “seminiza” e, por sua vez, o sêmen se “cerebriza”.

O maithuna é a prática que nos permite despertar e desenvolver a Kundalini, a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes. Quando a Kundalini desperta, sobe pelo canal medular ao longo da espinha dorsal. A Kundalini abre as sete igrejas do Apocalipse de São João. As sete igrejas estão situadas na espinha dorsal.

A primeira igreja, Éfeso, corresponde-se com os órgãos sexuais. No seu interior, a Serpente Sagrada dorme enroscada três vezes e meia. A segunda igreja, Esmirna, situada à altura da próstata, propicia o poder sobre as águas. A terceira igreja, Pérgamo, situada à altura do umbigo, proporciona o poder sobre o fogo. A quarta igreja, Tiatira, situada à altura do coração, faculta o poder sobre o ar e muitos poderes, tais como o desdobramento voluntário, o estado de jinas, etc. A quinta igreja, Sardes, situada à altura da laringe criadora, faculta o poder do “ouvido mágico”, permite-nos escutar as vozes dos mundos superiores e a música das esferas. A sexta igreja, Filadélfia, localizada entre as sobrancelhas, propicia o poder de ver os mundos internos e suas criaturas. A sétima igreja é Laodicéia. Esta maravilhosa igreja é o loto das mil pétalas, situado na glândula pineal, na parte superior do cérebro. Ela nos confere os poderes da polividência, através dos quais podemos estudar todos os mistérios do Grande Dia e da Grande Noite.

O Fogo Sagrado da Kundalini abre as sete igrejas, em ordem sucessiva, conforme vai ascendendo lentamente pelo canal medular. A Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes sobe muito lentamente, de acordo com os méritos do coração.

As correntes solares e lunares da energia sexual, quando fazem contato no tribeni, perto do cóccix, na base da espinha dorsal, têm o poder de despertar a Serpente Sagrada, fazendo-a subir pelo canal medular. O Fogo Sagrado ascendendo pela espinha dorsal tem a forma de uma serpente. O Fogo Sagrado tem sete graus de poder. É urgente trabalhar com os sete graus de poder do fogo.

O sexo em si mesmo é a Nona Esfera. A descida à Nona Esfera foi, nos antigos mistérios, a prova máxima para a suprema dignidade do Hierofante. Buda, Jesus, o Grande Kabir, Hermes, Zoroastro, Maomé, Dante, etc. tiveram que passar por essa prova máxima.

Muitos estudantes pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas, ao lerem a literatura ocultista ou pseudo-ocultista, anelam imediatamente entrar no país das maravilhas jinas, na felicidade do êxtase contínuo, etc. Esses estudantes não querem entender que, para poder subir, têm primeiramente que baixar. É necessário, primeiramente, baixar à Nona Esfera, pois, só assim, poderemos subir.

O Magistério do Fogo é muito longo e terrível. Quando o estudante comete o erro de derramar o Vaso de Hermes, perde seu trabalho precedente, e descende a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes.

Todas as escolas esotéricas mencionam cinco iniciações de Mistérios Maiores. Essas iniciações se encontram intimamente relacionadas com o Magistério do Fogo. O Fogo Sagrado tem o poder de fecundar a Prakriti sagrada do iniciado. Já dissemos antes e voltamos a repetir que a Prakriti é a simbólica “Vaca-Sagrada-das-Cinco-Patas”. Quando a Prakriti é fecundada dentro do iniciado, então, são gerados dentro de seu ventre, por obra e graça do Terceiro Logos, os corpos solares.

A Raça Solar, os “duas-vezes-nascidos”, tem corpos solares. As pessoas comuns e correntes, a humanidade em geral, pertence à Raça Lunar e só possui corpos internos de tipo lunar.

Certamente, os corpos lunares e protoplasmáticos são propriedades comuns de todas as bestas da natureza. Os corpos lunares e protoplasmáticos derivam de um remoto passado mineral, e retornam ao passado mineral, porque tudo retorna ao seu ponto de partida original. As chispas virginais, as ondas monádicas, fizeram surgir, no passado mineral, os corpos protoplasmáticos, que vestiram os “elementais-minerais”, gnomos ou pigmeus.

A entrada dos “elementais-minerais” na evolução vegetal produziu alteração nos veículos protoplasmáticos. O ingresso dos “elementais-vegetais” na evolução animal dos seres irracionais ocasionou, como é natural, novas mudanças nesses corpos protoplasmáticos lunares. Os protoplasmas sempre estão submetidos a muitas mudanças. A entrada dos “elementais-animais” em matrizes da espécie denominada de “animal intelectual” deu a esses corpos lunares o aspecto que têm agora.

A natureza necessita do “animal intelectual” equivocadamente chamado homem, assim como se encontra, no estado em que agora vive. Toda a evolução dos protoplasmas tem por objetivo criar essas máquinas intelectuais. As máquinas intelectuais têm o poder de captar as energias cósmicas do espaço infinito, transformá-las, inconscientemente, e, depois, transmiti-las, automaticamente, às capas interiores da Terra. Toda a humanidade, em seu conjunto, é um órgão da natureza, indispensável para o organismo planetário.

Quando qualquer célula de certo órgão vital, isto é, quando qualquer pessoa é excessivamente perversa ou esgota todo o seu tempo de cento oito vidas sem ter dado fruto, deixa de nascer para precipitar sua involução nos mundos infernais. Se alguém quer escapar dessa trágica lei da involução protoplasmática, deve criar, por si mesmo, e mediante tremendos superesforços, os corpos solares.

Em todos os elementos da natureza, em toda substância química, em todo fruto, existe seu correspondente tipo de hidrogênio, sendo o Si-12, o hidrogênio sexual. O fogo ou fohat fecunda o ventre da “Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas”, porém só com o hidrogênio sexual Si-12 é que se formam e se cristalizam os corpos solares. Se alguém quer escapar dessa trágica lei da involução protoplasmática, deve criar os corpos solares por si mesmo, mediante tremendos superesforços.

Dentro das sete notas da escala musical realizam-se todos os processos biológicos e fisiológicos, cujo último resultado é esse elixir maravilhoso, chamado sêmen. O processo se inicia com a nota dó, desde o momento em que o alimento entra na boca, continua com as notas ré mi fá sol lá, e, quando ressoa a nota musical si, o elixir extraordinário chamado sêmen já se encontra preparado.

O hidrogênio sexual encontra-se depositado no sêmen, e podemos passá-lo a uma segunda oitava superior através da escala: dó ré mi fá sol lá si, mediante um choque especial que se constitui no refreamento sexual do maithuna.

A segunda oitava musical cristaliza o hidrogênio sexual Si-12 na forma extraordinária e maravilhosa do corpo solar astral. Em um segundo choque através do maithuna, o hidrogênio sexual Si-12 passa para uma terceira oitava superior através da escala: dó ré mi fá sol lá si. A terceira oitava musical originará a cristalização do hidrogênio sexual Si-12 na forma solar magnífica do legítimo corpo mental. Um terceiro choque passará o hidrogênio sexual Si-12 para uma quarta oitava musical através da escala: dó ré mi fá sol lá si. A quarta oitava musical origina a cristalização do hidrogênio sexual na forma do corpo da vontade consciente, o corpo causal.

Quem já possui os quatro corpos conhecidos como físico, astral, mental e causal dá-se o luxo de encarnar o Ser para se converter em homem verdadeiro, em homem solar. Efetivamente, o Ser não nasce, nem morre, nem se reencarna, mas quando já temos os corpos solares, podemos encarná-lo e passamos a Ser realmente. Ao que sabe, a palavra dá poder, ninguém a pronunciou, ninguém a pronunciará, senão só aquele que a tem encarnado.

Muitos estudantes gnósticos se perguntam por que não mencionamos o corpo vital e só contamos quatro veículos e o excluímos. A resposta a esta interrogação é que o corpo vital é tão só a seção superior do corpo físico. Na terceira iniciação do fogo forma-se o corpo astral solar; na quarta iniciação do fogo forma-se o mental solar; na quinta iniciação do fogo forma-se o corpo causal ou corpo da vontade consciente.

As cinco iniciações de mistérios maiores só têm por objetivo fabricar os corpos solares. Em Gnosticismo e Esoterismo, entende-se por “segundo-nascimento” o ato de fabricar os corpos solares e encarnar o Ser. Os corpos solares são gestados dentro do ventre da Prakriti. O Ser é concebido por obra e graça do Terceiro Logos, dentro do ventre da Prakriti. Ela é virgem antes, durante e depois do parto.

Todo Mestre da Loja Branca é filho de uma virgem imaculada. Quem alcança o “segundo-nascimento” renasce na Nona Esfera (o sexo). Quem atinge o “segundo-nascimento” fica totalmente proibido de voltar a ter contato sexual, e essa proibição é por toda a eternidade. Quem atinge o “segundo-nascimento” ingressa em um templo secreto: o templo dos seres “duas-vezes-nascidos”. O “animal intelectual” comum e corrente crê que é homem, mas em realidade está equivocado, porque só os seres “duas-vezes-nascidos” são homens de verdade.

Trabalhando muito intensamente na Nona Esfera, sem se deixar cair, pode-se realizar o trabalho de fabricação dos corpos solares, em dez, vinte anos, ou, um pouco mais ou menos. A Raça Lunar odeia mortalmente esta Ciência da Vaca Sagrada, e antes de aceitá-la, prefere buscar escapatórias e justificativas, usando frases brilhantes e capciosas, permeadas por falsa inocência e pureza.

Os bonzos e dugpas de capacete vermelho, os magos negros, praticam o tantrismo negro, ejaculam o sêmen durante o maithuna e, assim, despertam e desenvolvem o abominável órgão kundartiguador. É urgente saber que o órgão kundartiguador é a Serpente Tentadora do Éden, é o “Fogo Sagrado” projetado para baixo, a cauda de satã cuja raiz está no cóccix. O abominável órgão kundartiguador fortalece o ego e os corpos lunares.

Aqueles que vivem prorrogando o “segundo-nascimento” para futuras vidas, terminam por perder a oportunidade e, depois de concluírem suas cento oito existências, ingressam aos mundos infernais, onde só se ouvem pranto e ranger de dentes.

Diógenes procurou com sua lanterna um homem de verdade em toda a Atenas, e não o encontrou. Precisamos procurar os seres “duas-vezes-nascidos”, os homens verdadeiros, com a lanterna de Diógenes, mas são muito difíceis de serem encontrados.

Por aí andam muitos estudantes pseudo-ocultistas e pseudo-esoteristas que querem, segundo dizem, a autorrealização, mas como são lunares e não conhecem esta ciência da Nona Esfera, escandalizam-se e nos amaldiçoam, lançando contra nós toda a baba difamatória. Se estivéssemos nos tempos de Esdras, imolariam a Vaca Sagrada dizendo: “Caia seu sangue sobre nós e sobre nossos filhos”.

O caminho que conduz ao Abismo está ladrilhado por boas intenções. Não só entram no Abismo os perversos. Recordemos a parábola da figueira estéril: “árvore que não dá fruto é cortada e jogada ao fogo”. Nos mundos infernais vivem também magníficos estudantes de pseudo-ocultismo e pseudo-esoterismo.

Escorpião é um signo muito interessante. A peçonha do escorpião fere mortalmente os inimigos do maithuna, os puritanos insultadores que odeiam o sexo, os que blasfemam contra o Terceiro Logos, os perversos fornicários, os degenerados da infra-sexualidade, os homossexuais, os masturbadores, etc.

O signo de Escorpião governa os órgãos sexuais. No sexo, encontra-se a raiz da grande batalha entre os magos brancos e os negros, entre as forças solares e lunares.

Os nativos de Escorpião podem cair nas mais espantosas fornicações ou se regenerarem totalmente. Na prática, podemos verificar que eles sofrem muito na primeira metade da vida, e até têm um amor que lhes ocasiona grandes amarguras. Porém, na segunda metade da vida tudo muda, a sorte deles melhora notavelmente. Os nativos de Escorpião têm certa tendência à ira e à vingança, pois dificilmente perdoam a alguém.

As mulheres de Escorpião correm sempre o risco de ficarem viúvas e de passarem por muitas necessidades econômicas durante a primeira parte de suas vidas. Os homens de Escorpião sofrem muita miséria durante a primeira parte de suas vidas, porém, na segunda metade, tudo muda e a sorte deles melhora consideravelmente. Os nativos de Escorpião são pessoas cheias de energia, ambiciosas, reservadas, enérgicas e francas. Como amigos, o são de verdade, sinceros, fiéis, capazes de se sacrificarem pela amizade. Todavia, como inimigos, são terríveis, vingativos e perigosos.

SAGITÁRIO

Sagitário

Desde Geber até o enigmático e poderoso conde Cagliostro, que transmutava chumbo em ouro e fabricava diamantes da melhor qualidade, existiu uma extensa série de alquimistas investigadores da pedra filosofal (o sexo). Sob todas as luzes, resulta bastante claro que somente aqueles sábios que dissolveram o ego lunar e que desprezaram as vaidades desse mundo tiveram verdadeiro êxito em suas pesquisas.

Dentre todos esses alquimistas e adeptos vitoriosos que trabalharam no laboratório da Alquimia Sexual, destacam-se: Basílio Valentín, Ripley, Bacon, Honks Roger, etc. No entanto, Nicolas Flamel é muito discutido. Alguns supõem que ele não alcançou a difícil meta durante sua vida. Como se negou a revelar ao rei seu segredo, terminou seus dias encarcerado na terrível Bastilha.

Nós estamos francamente convencidos de que Nicolas Flamel, o grande alquimista, logrou o transmutar todo o chumbo de sua personalidade no ouro maravilhoso do Espírito. O famoso Trevisan gastou toda sua fortuna buscando a pedra filosofal e só alcançou descobrir o segredo já tarde demais, aos setenta e cinco anos de idade.

A pedra filosofal é o sexo e o segredo é o maithuna, a magia sexual, porém o pobre Trevisan, apesar de possuir uma inteligência formidável, só na velhice é que veio a descobrir o segredo. Muitos supõem que Paracelso teve uma morte violenta, assassinado ou até por suicídio, por haver revelado uma parte dos mistérios, porém, a realidade é que Paracelso desapareceu sem se saber como e por quê.

O famoso doutor John Dee buscou a pedra filosofal e nunca a encontrou, e ficou reduzido a uma espantosa miséria. Nos últimos anos de sua vida, o pobre doutor degenerou-se horrivelmente com o mediunismo, convertendo-se em um brinquedo das entidades inferiores que vivem no mundo molecular.

Todos esses fracassos e centenas de outros revelam que o verdadeiro Ocultismo prático e seus terríveis poderes mágicos exigem a mais espantosa santidade, sem a qual é impossível enfrentar os perigos da alquimia e da magia.

Falar de santidade nesses tempos resulta algo muito difícil, porque o mundo está cheio de santarrões estúpidos que se presumem santos.

O delito se veste de santo, de mártir e de apóstolo. Milhões de pessoas aficionadas à literatura ocultista se presumem santas, não comem carnes, não fumam, não bebem, mas em casa brigam com o cônjuge, surram seus filhos, fornicam, adulteram, não pagam suas dívidas, prometem e não cumprem, etc.

No mundo físico, muitas pessoas alcançaram a castidade absoluta, porém quando são submetidas a provas nos mundos internos, então, são espantosamente fornicárias. Muitos são os devotos da senda que no mundo físico jamais beberiam uma taça de vinho, porém nos mundos internos, quando submetidos a provas, são ébrios perdidos. Muitos são os devotos da senda que no mundo físico são mansas ovelhas, porém, quando são submetidas a provas nos mundos internos, são verdadeiros tigres.

Diversos devotos da senda não cobiçam dinheiro, mas cobiçam poderes psíquicos. No mundo, existem muitos devotos da senda que assombram por sua humildade, podem dormir tranquilamente na sarjeta, à porta de um rico, contentando-se com as migalhas de pão que caem da mesa do amo, contudo têm o orgulho de possuírem muitas virtudes, ou supõem que são humildes.

Muitas pessoas aspiram à santidade quando são informadas de que existem casos de verdadeiros santos. Inúmeros são os que invejam a santidade de outros e, por isso, querem também ser santos. Inúmeros indivíduos não trabalham na dissolução do ego lunar por pura preguiça mental. Inumeráveis aspirantes à Luz comem três banquetes diários, são terríveis glutões.

Muitos não murmuram com os lábios, no entanto rumorejam com a mente e, sem embargo, creem que nunca murmuraram. Raros são os aspirantes que sabem obedecer ao Pai que está em segredo. Quase todos os estudantes de Ocultismo, querendo dizer verdades, mentem, falam mentiras, afirmam o que não experimentaram, e isso se constitui em embuste. Hoje em dia, é muito comum e corrente levantar falsos testemunhos e os estudantes do Ocultismo o fazem sem saber que cometem delito.

A vaidade também se veste de farrapos e são muitos os aspirantes que se vestem mal e andam pelas ruas em completo desalinho, porém através dos furos de suas vestes se pode ver a vaidade deles. Inúmeros aspirantes não podem deixar o amor próprio, quando querem demasiadamente a si mesmos, e sofrem o indizível quando alguém lhes faz alguma afronta.

Multidão de aspirantes estão cheios de maus pensamentos porque não aprenderam a controlar suas mentes e, sem embargo, creem que vão muito bem. Muitos pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas, quando não são avarentos com o dinheiro, são avarentos com os conhecimentos, não puderam transcender a avareza. Milhares de aspirantes levam a mundanidade dentro de si mesmos, embora jamais tenham frequentado um baile ou uma festa.

Inúmeros devotos da senda não podem deixar de roubar; eles roubam os livros, entram em todas as escolas esotéricas para levarem algo, mesmo que sejam teorias ou segredos. Fingem lealdade, enquanto cumprem seu trabalho de rapina, e depois não voltam mais. Diversos devotos falam palavrões; alguns somente os pronunciam mentalmente, mesmo quando seus lábios falam doçuras. Muitos virtuosos são cruéis com as pessoas.

Conhecemos o caso de uma pessoa dita virtuosa que feriu com duras frases a um infeliz que lhe compôs um verso. O desditado tinha fome, e como era poeta, compôs um poema para o “virtuoso”, com o propósito de conseguir uma moeda. A resposta foi dura, e o “virtuoso”, presumindo-se de modéstia e humildade, insultou o faminto. Inúmeros aspirantes à Luz são maltratados e humilhados cruelmente pelos preceptores de certas escolas.

São muitas as pessoas que seriam capazes de tudo na vida, exceto matar alguém. Não obstante, matam com suas ironias, com suas más ações, com suas gargalhadas ferinas e duras palavras. Muitos esposos matam suas esposas com suas más ações e más condutas, através de seus horríveis ciúmes, da ingratidão, etc. Muitas esposas matam seus esposos por meio do caráter negativo, através dos ciúmes torpes, de exigências sem consideração, etc.

Não devemos esquecer que toda enfermidade tem causas psíquicas. O insulto, a ironia, a gargalhada estrondosa e ofensiva e os palavrões causam danos, enfermidades e mortes. Muitos pais e mães de família poderiam viver um pouco mais se seus filhos tivessem permitido. Quase todos os seres humanos, de forma inconsciente, são matricidas, parricidas, fratricidas, uxoricidas, etc. Falta piedade aos estudantes do Ocultismo; eles são incapazes de se sacrificarem por seus semelhantes que sofrem e choram.

Falta a muitos aspirantes a verdadeira caridade. Eles presumem ser caridosos, mas, quando os chamamos para lutarem para estabelecer uma nova ordem social no mundo, fogem apavorados ou se justificam dizendo que a Lei do Carma e da Evolução resolverão tudo. Os aspirantes à Luz são cruéis e desapiedados. Dizem que amam, mas não amam; predicam a caridade, porém não a praticam.

O signo de Sagitário nos convida a reflexionar sobre tudo isso. Sagitário está simbolizado por um ser metade cavalo, metade homem, tendo uma flecha na mão. O cavalo representa o ego animal, o eu pluralizado vestido com seus corpos lunares. O eu não é algo individual, porque não tem individualidade, é plural. O ego lunar está constituído pela soma de pequenos ‘eus’. Cada defeito psicológico está personificado por um pequeno eu. O conjunto de todos os nossos defeitos está representado pelo eu pluralizado.

O problema mais grave a ser resolvido por todos aqueles que querem alcançar o “segundo-nascimento” é o de dissolver o ego lunar. Um Mestre “recém-nascido” está vestido com seus corpos solares, porém seu ego está vestido com os corpos lunares. Diante de um Mestre “recém-nascido”, abrem-se dois caminhos: o da direita e o da esquerda. Pelo caminho da direita, andam os que trabalham na dissolução de ego lunar. Pelo caminho da esquerda, andam aqueles que não se ocupam com a dissolução do ego lunar.

Os Mestres que não dissolvem o ego lunar convertem-se em hanasmussianos. Um hanasmussen é um sujeito com duplo centro de gravidade. Um Mestre se veste com seus corpos solares; ego lunar se veste com seus veículos lunares, constituindo-se numa dupla personalidade, num hanasmussiano. Um hanasmussen é metade anjo, metade besta, tal como o centauro de Sagitário. Ele possui duas personalidades internas: uma de anjo, outra de demônio.

Dissolver o ego lunar é básico na grande obra. Quem alcança o “segundo-nascimento”, sente a necessidade de eliminar os corpos lunares, mas isso não é possível sem que antes tenha dissolvido o ego lunar. Os “duas-vezes-nascidos” ficam paralisados em seu progresso interior, quando lhes falta amor.

Todo aquele que se esquece de sua Mãe Divina, estanca-se, e seu progresso é paralisado. Existe falta de amor quando cometemos o erro de nos esquecermos de nossa Mãe Divina. É impossível eliminar todos os pequenos ‘eus’ que constituem o ego lunar sem a ajuda da Mãe Divina.

Compreender qualquer defeito é básico e indispensável, quando se quer eliminar o pequeno eu que o personifica; contudo, o trabalho de eliminação, em si mesmo, resulta impossível sem a ajuda da “Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas”, a Mãe Divina que elimina as garrafas quebradas. Cada pequeno eu é uma garrafa dentro da qual se encontra engarrafada uma fração da Essência. Isso significa que a Essência, o Budhata, a Alma ou fração de Alma humana que todo “animal intelectual” possui transformou-se em milhares de partes que estão engarrafadas.

Um exemplo é a ira que está representada por centenas ou milhares de ‘eus’. Cada um deles é como uma garrafa que enfrasca a Essência. A cada garrafa lhe corresponde uma fração de Essência. Todas essas “garrafas”, a exemplo da ira e demais ‘eus’, vivem em cada um dos quarenta e nove departamentos ou regiões do subconsciente. Compreender a ira em qualquer departamento subconsciente significa romper uma garrafa, para que a fração correspondente da Essência se liberte.

Quando isso ocorre, a Mãe Divina intervém eliminando a “garrafa quebrada”, o cadáver do pequeno eu destroçado. Cada cadáver já não tem no seu interior a fração da Alma que antes aprisionava. Por isso, pouco a pouco, o ego vai desintegrando-se nos mundos infernais. Nesse caso, é necessário saber que a Mãe Divina só intervém quando a garrafa é destroçada, quando a Essência que está engarrafada é libertada. Se a Mãe Divina eliminasse a garrafa com o pequeno “gênio” em seu interior, a fração da Alma teria que entrar também nos mundos infernais. Quando todas as “garrafas” são rompidas, a Essência liberta-se em sua totalidade, a Mãe Divina dedica-se a eliminar os respectivos cadáveres.

Compreender a ira em vinte ou trinta regiões subconscientes não significa tê-la compreendido em todos os quarenta e nove departamentos. Compreender a ira no terceiro ou quarto departamento significa quebrar, romper uma garrafa, respectivamente, no terceiro ou quarto departamento. Por outro lado, muitos ‘eus’ da ira, muitas “garrafas”, podem continuar em todos os outros departamentos subconscientes. Cada defeito se processa em cada uma das quarenta e nove regiões do subconsciente e tem inumeráveis raízes.

A ira, a cobiça, a luxúria, a inveja, o orgulho, a preguiça e a gula têm milhares de garrafas, milhares de pequenos ‘eus’, dentro dos quais estão engarrafadas as partes da Essência. Quando o eu pluralizado é morto e eliminado, a Essência se une com o Ser, com o Íntimo, e os corpos lunares são eliminados durante um transe místico que tem a duração de três dias. Depois desses três dias, o Mestre, vestido com seus corpos solares, regressa a seu corpo físico. Isso representa a ressurreição iniciática.

Todo Mestre ressurrecto tem os corpos solares, porém não possui corpos lunares. Os Mestres ressurrectos têm poderes sobre o fogo, o ar, as águas e sobre o elemento terra. Os Mestres ressurrectos governam a vida e a morte; podem conservar o corpo físico durante milhões de anos; conhecem a quadratura do círculo e o movimento perpétuo; possuem a Medicina Universal e falam, no horto puríssimo, a divina palavra que, como um rio de ouro, corre deliciosamente sob a selva espessa do Sol.

Quem está morrendo nos defeitos, de momento a momento, é submetido a milhares de provas esotéricas, em cada um dos quarenta e nove departamentos subconscientes de Jaldabaoth. Muitos iniciados, depois de saírem vitoriosos em alguns departamentos ou regiões do subconsciente, fracassam em outros departamentos, em tais ou quais provas relacionadas com determinado defeito psicológico.

A Mãe Divina sempre nos ajuda a compreender, quando, sob a flama da Serpente, a chamamos. A Mãe Divina roga por nós à Loja Branca e elimina, um a um, os ‘eus’ que já foram destruídos. A Mãe Divina, a “Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas” é a Mãe-Espaço, a Mãe da Mônada espiritual que se refugia no eterno “Nada-Todo” do Pai Inefável, no Absoluto Silêncio e na Obscuridade Absoluta.

Se Artemisa Loquia foi Lua no céu, para os gregos e, na Terra, a casta Diana foi a Divina Mãe, presidindo o nascimento e a vida do menino; se, para os egípcios, foi Hékate no Inferno, a Deusa da Morte que imperava sobre os encantamentos e a magia sagrada, Hékate-Diana-Lua é a Mãe Divina, tripla e ao mesmo tempo una, tal como a Trimurti hindustânica: Brahma-Vishnú-Shiva.

A Mãe Divina é Ísis, a Ceres dos mistérios de Elêusis, a Vênus celeste; aquela que, no princípio do mundo, originou a atração dos sexos opostos e propagou, com fecundidade eterna, as gerações humanas. É Prosérpina, a senhora dos noturnos latidos, em sua tríplice aparência: celeste, terrestre e infernal. Ela oprime os terríveis demônios do Averno, mantendo as portas das prisões subterrâneas fechadas, percorrendo triunfalmente os sagrados bosques. Soberana da Estígia morada, ela brilha em meio às trevas do Aqueronte e, de igual forma, sobre a Terra e sobre os Campos Elísios.

Devido a certo equívoco por parte de alguns indivíduos sagrados, nos tempos arcaicos, o pobre “animal intelectual” recebeu o abominável órgão kundartiguador. Esse órgão constitui-se na “cauda de satã”, o fogo sexual se dirigindo para baixo, para os infernos atômicos do ego lunar.

Quando o “animal intelectual” perdeu o órgão kundartiguador, dentro de cada pessoa ficaram as más consequências, constituídas pelo eu pluralizado ou ego lunar. À base de profunda compreensão e meditação interior, podemos e devemos eliminar, com ajuda da Mãe Divina, as más consequências do nosso abominável órgão kundartiguador.

O signo de Sagitário, com seu famoso centauro, metade homem, metade besta, é algo que jamais deve ser esquecido.  Na prática, verificamos que os nativos de Sagitário são muito passionais e fornicários. Os nativos de Sagitário amam as viagens, explorações, aventuras e os esportes. Irritam-se facilmente, mas logo perdoam. Os sagitarianos são muito compreensivos, amam a bela música, possuem uma maravilhosa inteligência e são muito tenazes.

Quando parece que fracassaram definitivamente, ressuscitam das próprias cinzas, como a ave Fênix da Mitologia, deixando assombrados a todos os seus amigos e inimigos. Eles são capazes de assumir grandes empreendimentos, mesmo quando estão rodeados de imensos perigos. Às vezes, a vida econômica dos sagitarianos é muito boa, contudo, também passam por grandes amarguras e por dificuldades econômicas. O defeito que mais prejudica os sagitarianos é a luxúria.

Capricórnio 1

Capricórnio

O Ser, o Íntimo, a Mônada, tem duas Almas: a primeira é a Alma espiritual, a Beatriz de Dante, a bela Helena, a Sulamita do sábio Salomão, a inefável esposa adorável, o Buddhi da Teosofia. A outra é a Alma humana, o princípio causal, o nobre esposo, o Manas Superior da Teosofia.

Ainda que pareça extraordinário e estranho, enquanto a Alma humana trabalha, a Alma espiritual brinca. Adão e Eva integram-se dentro da Mônada, cujo valor cabalístico é 10. Isso nos recorda IO, quer dizer, as vogais IIIIIII… .OOOOO, a união sacratíssima do eterno masculino com os contrários, dentro da Mônada essencial divina. A divina tríade, Atman-Buddhi-Manas, o Ser, já dissemos e voltamos a repetir, nos “animais intelectuais” comuns e correntes, não nasce, não morre e nem se reencarna.

Indubitavelmente, podemos e devemos afirmar que só uma fração da Alma humana vive dentro dos corpos lunares, a Essência, o material psíquico para elaborar e desenvolver a Alma humana e, por transfusão, a Alma espiritual.

A Mônada, o Ser, cria, fabrica e desenvolve suas duas Almas que lhe devem servir e obedecer. Devemos distinguir entre Mônadas e Almas. Uma Mônada ou um Espírito se é; uma Alma se tem. Distinga-se entre a Mônada de um mundo e a Alma de um Mundo; diferencie a Mônada de um homem da Alma de um homem; entre a Mônada de uma formiga e a Alma de uma formiga.

O organismo humano é composto, em última síntese, por bilhões e trilhões de infinitésimas Mônadas. Existem várias classes e ordens de elementos primários de toda existência, de todo organismo, assim como os germens de todos os fenômenos da natureza. A estes, podemos chamá-los de Mônadas, empregando o termo de Leibnitz, por falta de outro mais expressivo, para indicar a simplicidade da mais rudimentar existência.

A cada um destes germens ou Mônadas, corresponde-lhe um átomo como veículo de ação. As Mônadas atraem-se, combinam-se e se transformam. Elas dão forma a todo organismo, a todo mundo, micro-organismo, etc. Entre as Mônadas, há hierarquias. As Mônadas inferiores têm que obedecer às superiores, isso é Lei. As Mônadas inferiores pertencem às superiores. Todos os trilhões de Mônadas que animam o organismo humano têm que obedecer ao seu dono, ao seu chefe, à Mônada principal.

A Mônada reguladora ou primordial permite a atividade de todas as suas subordinadas, dentro do organismo humano, até o tempo assinalado pela Lei do Carma. Quando os bilhões ou trilhões de Mônadas ou germens vitais abandonam o corpo físico, então, a morte é inevitável. As Mônadas são em si mesmas indestrutíveis; abandonam suas antigas conexões para realizar, em breve, novas conexões.

O retorno, reingresso ou reincorporação a esse mundo seria impossível sem o trabalho das Mônadas. Estas, com suas percepções e sensações reconstroem novas células, criando novos organismos. Quando a Mônada primordial está totalmente desenvolvida, pode dar-se o luxo de utilizar seus trilhões de Mônadas para criar um mundo, um sol ou um cometa, convertendo-se na Mônada reguladora de um astro qualquer. No entanto, isso já é coisa para deuses.

As Mônadas ou germens vitais não são exclusivos do organismo físico. Dentro dos átomos dos corpos internos existem aprisionadas muitas ordens e categorias de Mônadas vivas. A existência de qualquer corpo físico ou suprassensível, angélico ou diabólico, solar ou lunar tem por fundamento os bilhões ou trilhões de Mônadas. O ego lunar, em si mesmo, é composto de átomos do inimigo secreto.

Desafortunadamente, dentro desses átomos estão aprisionadas as Mônadas ou germens vitais. Agora compreenderemos por que a Ciência Oculta diz: O demônio é Deus ao inverso. A cada átomo lhe corresponde um germe vital, uma Mônada. Todas as inumeráveis e infinitas modificações e transformações resultam das variadas combinações das Mônadas.

A natureza deposita nos três cérebros do ser humano certo capital de valores vitais. Quando esses capitais vitais se esgotam, a morte é inevitável. Os três cérebros são:

1. O centro intelectual;
2. O centro emocional;
3. O centro do movimento.

Depois da morte do corpo físico, o ego, vestido com seus corpos lunares, continua no mundo molecular. Três coisas vão para o cemitério ou sepulcro: o corpo físico, o corpo vital e a personalidade. O corpo vital flutua perto do sepulcro e se vai desintegrando. Concomitantemente com a desintegração do corpo físico, a Mônada vai se liberando.

A personalidade fica dentro do sepulcro, mas sai quando alguém leva flores, quando algum doente a visita, então, perambula pelo panteão e depois volta ao seu sepulcro. A personalidade tem um princípio e um fim e, lentamente, vai desintegrando-se no cemitério.

Prosérpina, a Rainha dos Infernos, é também Hékate, a bendita deusa Mãe-Morte, sob cuja direção trabalham os Anjos da Morte. A Mãe-Espaço convertida em Mãe-Morte ama profundamente a seus filhos e por essa razão, os leva. Os “anjos da morte”, quando estão trabalhando, revestem-se com seus trajes funerais, assumem figuras espectrais, empunhando a foice para cortar o “cordão de prata”, que conecta os corpos internos ao corpo físico. Os Anjos da Morte cortam o “fio da vida” e tiram o ego para fora do corpo físico.

Os Anjos da Morte são muito sábios e se desenvolvem sob o raio de Saturno. Os Anjos da Morte não somente conhecem os aspectos relacionados com a morte do corpo físico como, ademais, esses ministros da morte são profundamente sábios em tudo o que se relaciona com a morte do eu pluralizado.

Depois da morte do corpo, o desencarnado cai num desmaio que dura três dias e meio. O Livro Tibetano dos Mortos diz: Hás permanecido em um estado de desmaio durante os últimos três dias e meio. Logo que te recobres desse desmaio, terás o seguinte pensamento: “o que aconteceu?” Ocorre que, nesse momento, todo o Samsara (Universo Fenomênico) estará em revolução.

O valor cabalístico do ego é cinquenta e seis; este é o número de Tiphon, a mente sem espiritualidade. O ego leva sua mundanidade para além do sepulcro, do corpo físico, e a visão retrospectiva da vida que acaba de passar é algo muito terrível.

Depois do grande desmaio de três dias e meio, os defuntos têm que reviver lentamente, de forma retrospectiva, toda a vida que acaba de passar. O conceito de tempo é algo muito importante neste trabalho de visão retrospectiva da vida que acaba de passar, a visão retrospectiva do Samsara. Nos mundos infernais, todas as escalas do tempo são minerais, espantosamente lentas, e oscilam em ciclos de 80.000, 8.000, 800 e 80 anos. Nesta região celular em que vivemos, a gestação dura dez meses lunares; já a infância dura cem meses lunares; e a vida, mais ou menos mil meses lunares. No mundo molecular, os acontecimentos podem ser medidos na escala de tempo, que vai de um mês aos quarenta minutos. No mundo eletrônico, a escala de tempo oscila entre quarenta minutos e dois segundos e meio.

Na visão retrospectiva do Samsara (vida que acaba de passar), no instante da morte e durante os três dias e meio subsequentes, temos um processo de tipo eletrônico. Por isso, cada acontecimento pode ser medido com o padrão de tempo eletrônico. A visão retrospectiva do Samsara, no mundo molecular, é menos rápida; razão pela qual, cada acontecimento é medido com o padrão de tempo molecular.

O Íntimo, a Mônada, o Ser com suas duas Almas, antes de nascermos neste vale de lágrimas, vive na Via Láctea, e mesmo durante a vida do corpo físico aqui embaixo, continua vivendo nas estrelas. O fundamental para a Essência depois da morte é atingir o estado búdico relativo e a libertação intermediária. Isto só é possível para o embrião de Alma que temos internamente, ascendendo ao mundo eletrônico. É urgente saber que no mundo eletrônico vive nossa Divina Tríade Imortal, nosso Ser, nosso Buda.

Unir-se ou unificar-se à Tríade Imortal, depois da morte, significa, efetivamente, converter-se em um Buda relativo, conseguir a libertação intermédia e gozar de umas boas férias, antes de voltar a um novo organismo humano. Se, no momento supremo da morte, a clara luz primordial for devidamente reconhecida pelo defunto, é sinal inequívoco que ele alcançou a libertação intermediária. Porém, se, no momento supremo da morte, o defunto só percebe a clara luz secundária, é sinal de que terá que lutar muito para atingir o estado búdico relativo.

O mais difícil para a Essência é desengarrafar-se, escapar de sua prisão, sair dos corpos lunares e abandonar o eu pluralizado. Nesse aspecto, o carma de cada qual é definitivo. Quando o defunto revive em forma retrospectiva toda a vida que acaba de passar, então, terá que se apresentar ante os Tribunais do Carma para ser julgado.

A Lenda de Zoroastro diz: Todo aquele cujas boas obras excedam em três gramas os seus pecados, vai ao Céu. Todo aquele cujo pecado é maior, vai para o Inferno. Por outro lado, as pessoas que possuem suas boas e más obras em igualdade, permanecem no Hamistikan até o corpo futuro ou ressurreição. Hoje em dia, nestes tempos de perversidade e cru materialismo ateu, a maior parte dos desencarnados ingressam, depois do juízo, ao reino mineral submerso, aos mundos infernais.

Também são milhares de pessoas que penetram em uma nova matriz, de forma imediata ou mediata, sem se darem ao luxo de umas boas férias nos mundos superiores. Certamente, o processo de seleção existe em toda a natureza, e são poucos os que conseguem a libertação intermediária e o estado búdico relativo.

Os desencarnados ingressam e saem da eternidade sob as influências da Lua, através de suas portas.

Vimos, na lição de Câncer, que toda a vida de uma pessoa se processa sob as influências da Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno, encerrando com o ciclo lunar. Realmente, a Lua nos leva e também nos traz. Os sete tipos de vibrações planetárias, em sua ordem clássica indicada, repetem-se também depois da morte: ‘tal como é em cima é embaixo’.

As Essências que, depois de serem julgadas, tiverem o direito à libertação intermediária e ao estado búdico relativo, necessitarão de certo tipo de êxtase muito especial, além de um reto e constante esforço para se desengarrafar e poder escapar dos corpos lunares e do ego.

Afortunadamente, distintos grupos de Mestres assistem aos desencarnados, ajudando-lhes nesse trabalho com os raios da graça. Assim como, neste mundo celular em que vivemos, existem repúblicas, reinos, presidentes, reis, governadores, etc., assim também, no mundo molecular, existem muitos paraísos, regiões e reinos onde as Essências gozam de estados indescritíveis de felicidade.

Os desencarnados podem entrar nos reinos de felicidade paradisíaca, quais sejam: o da densa concentração; o reino dos cabelos longos (Vajrapani); ou Vihara iluminado da radiação do loto (Padma Sambhava). Os desencarnados que marcham para a libertação intermediária devem ajudar-se a si mesmos, concentrando a mente em qualquer desses reinos do mundo molecular.

Realmente, é muito doloroso vagar de existência em existência, viver errando através da “cloaca” horrível do Samsara, sem gozar não só do estado búdico como da libertação intermediária. Existem reinos de inconcebível felicidade, e o desencarnado deve esforçar-se para adentrá-los. Recordemos o reino ditoso do Oeste, governado por Buda Amitaba. Recordemos o Reino de Maitreya, os Céus de Tushita. Nesse reino de suprema dita, também podem ingressar os desencarnados que caminham para o mundo eletrônico.

Os desencarnados devem orar muito ao Grande Compassivo e também à sua Divina Tríade; devem ser firmes em seus propósitos, sem se deixarem desviar por nada. Tudo isso, se é que, de verdade, não querem cair em uma nova matriz, sem terem gozado do estado búdico intermediário no mundo dos elétrons livres. A felicidade nas regiões eletrônicas, a libertação intermediária, depois de se ter passado pelos paraísos moleculares, é algo impossível de ser descrito com palavras humanas.

Os Budas viajam através do inalterável infinito entre as sinfonias indescritíveis dos mundos que palpitam no seio da Mãe-Espaço. Porém, todo prêmio ou capital também se esgota. Quando o Darma de felicidade se esgota, o retorno a uma nova matriz é, então, inevitável.

A Essência perde o êxtase atraída pelo ego lunar e, já engarrafada novamente entre os corpos lunares, retorna a uma nova matriz. O instante em que a Essência perde o êxtase é aquele em que ela volta a se separar de seu Buda Íntimo para ficar engarrafada nos corpos lunares e no eu pluralizado. O retorno a uma nova matriz realiza-se de acordo com a Lei do Carma.

O ego continua através dos seus descendentes de existências anteriores. As Mônadas de seu corpo físico anterior têm o poder de reunir os átomos e as moléculas para reconstruir células e órgãos. É assim que regressamos a este mundo celular “vestidos” com um novo corpo físico.

O pobre “animal intelectual” começa sua vida, neste mundo, como uma simples célula original, sujeito ao velocíssimo tempo celular, terminando próximo aos setenta, oitenta anos ou um pouco mais, carregado de recordações e experiências de toda índole. É urgente saber que, também, no processo de reingresso ou retorno, ocorre certa seleção. O eu é uma soma de pequenos ‘eus’, e nem todos eles retornam a um novo organismo humano. O eu é uma soma de entidades distintas, diversas, sem ordem de nenhuma espécie.

Nem todas essas entidades reingressam a um novo organismo humano. Muitas delas se reincorporam em corpos de cavalos, cachorros, gatos, porcos, etc. Certa vez, o Mestre Pitágoras passeava com um amigo e observou que ele bateu em um cachorro. O Mestre, então, o repreendeu, dizendo: Não bata no cachorro, porque, em seu latido lastimoso e sofredor, reconheci a voz de um amigo meu que morreu.

É claro que, ao chegar a esta parte deste capítulo, os fanáticos do dogma da evolução lançarão, contra nós, toda a sua baba difamatória e protestarão dizendo que o ego não pode retroceder; dizem, também, que tudo evolui e, por isso, deve-se chegar à perfeição, etc. Esses fanáticos ignoram que o ego é uma soma de pequenos ‘eus’ animais e que semelhante atrai semelhante. Esses fanáticos ignoram que o ego nada tem de divinal; que o ego se constitui em uma soma de entidades animais, e que a Lei da Evolução jamais poderá conduzi-los à perfeição.

Esta é a Doutrina da Metamorfose ou Metempsicose de Pitágoras e se fundamenta nas mesmas leis da natureza. Na obra intitulada “O Asno de Ouro” de Apuleio, está completamente documentada a Doutrina de Pitágoras. Apuleio menciona que, na Tessália das feitiçarias, as pedras não eram, senão, homens petrificados; os pássaros, homens com asas; as árvores, homens com folhagens; as fontes, corpos humanos que sangravam a clara linfa.

Que admirável e simbólica forma de representar o que se constitui em um fato indubitável para todo ocultista: o de que as diversas entidades que constituem o eu pluralizado podem reincorporar-se em organismos de bestas ou ingressar no reino mineral, vegetal, etc. Os místicos cristãos, com justa razão, falam com amor da “irmã planta”, do “irmão lobo”, da “irmã pedra”.

Rudolf Steiner, iniciado alemão, disse que, na época polar, só existia o homem, e que os animais existiram mais tarde; eles estavam dentro do homem e foram eliminados pelo homem. Esses animais foram as diferentes partes ou entidades do eu pluralizado dos homens originais. Aquelas entidades que foram eliminadas de suas naturezas internas, certamente, devido ao estado protoplasmático da Terra naquela época, seguiram para a cristalização física atual. Algumas pessoas são tão animalescas que, se lhes tirassem todo esse aspecto, não lhes restaria nada.

Saturno é o planeta da morte, e se exalta no signo de Capricórnio. Este signo está simbolizado por um cabrito, recordando-nos a pele de bode, os “animais intelectuais com pele de bode”, ilustrando a necessidade de eliminarmos o que temos de animalidade: as entidades animais que carregamos dentro de nós.

A pedra de Capricórnio é o ônix negro como também, as demais pedras negras em geral. O metal é o chumbo e o seu dia é o sábado. Na Idade Média, no sábado, as bruxas celebravam seus horríveis conciliábulos, mas também o sábado é o sétimo dia, tão sagrado para os judeus. Saturno representa a vida e morte. A senda da vida está formada com “as pegadas dos cascos do cavalo da morte”.

As correntes magnéticas que sobem da Terra, depois de passarem pelas “peneiras dos pés”, continuam através das panturrilhas e, ao chegarem aos joelhos, carregam-se com o chumbo de Saturno, adquirindo solidez, forma e força. Aqui falamos do chumbo em seu estado grosseiro, mas do chumbo no estado coloidal, sutil.

Aquário 1

Aquário

O significado oculto de Aquário é saber. Aquário, o signo do aguador, é um signo zodiacal eminentemente revolucionário. Existem quatro classes de conhecimento ou ciência secreta. Necessitamos saber quais são essas quatro classes de conhecimento.

Primeiro: Yajna Vidya que é o conhecimento que se adquire com certos poderes ocultos despertos dentro de nossa própria natureza interior mediante certos rituais mágicos.

Segundo: Maha Vidya cabalística, que é a Ciência da Cabala com todas suas invocações, matemáticas, símbolos e liturgia, podendo ser angelical ou diabólica, tudo depende do tipo de pessoa que a use.

Terceiro: Guhya Vidya, a ciência dos mantras, a magia do Verbo que se fundamenta nos poderes místicos do som e na ciência da harmonia.

Quarto: Atma Vidya é a real sabedoria do Ser, de Atman, da Mônada superior.

Todas essas formas de conhecimento, exceto a quarta, constituem-se na raiz de todas as Ciências Ocultas. De todas essas formas de conhecimento, excetuando-se a quarta, advém a Cabala, a Quiromancia, a Astrologia, a Fisiologia Oculta, a Cartomancia Científica, etc.

De todas essas formas de conhecimento e ramos ocultistas, a Ciência já descobriu alguns segredos, mas o sentido espacial desenvolvido não é representado pelo Hipnotismo e nem pode ser adquirido por essas artes.

Este livro astrológico-hermético-esotérico nada tem que ver com a Astrologia de feira mencionada pelos jornais. Aqui ensinamos a ciência do Atma Vidya. O fundamental é o Atma Vidya que inclui as demais ciências em seu aspecto essencial, e até pode valer-se delas ocasionalmente. No entanto, só utiliza seus extratos sintéticos, depurados de toda escória.

A porta de ouro da sabedoria pode se transformar na ampla porta e no largo caminho que conduz à destruição: a porta das artes mágicas praticadas com fins egoístas. Estamos na Idade de Kali Yuga, a Idade Negra ou de Ferro, e todos os estudantes de Ocultismo estão predispostos a se extraviarem pelo caminho negro.

Assombra-nos vermos esse conceito tão equivocado que os “irmãozinhos” têm sobre o Ocultismo. Causa-nos espanto ver a facilidade com que eles creem que podem chegar até a porta e traspassarem o umbral do mistério, sem um grande sacrifício.

Resulta impossível lograr o Atma Vidya sem os Três Fatores da Revolução da Consciência e sem se ter chegado ao “segundo-nascimento”. É impossível o Atma Vidya sem a morte do eu pluralizado e sem o sacrifício pela humanidade. Não é a Lei da Evolução e nem a Lei da Involução que nos conferem o Atma Vidya. Só à base de tremendas e espantosas revoluções íntimas, chegamos ao Atma Vidya.

O caminho da Revolução da Consciência é a Senda do Fio da Navalha, terrivelmente difícil, cheia de perigos por dentro e por fora. Agora vamos estudar, neste capítulo, cada um dos Três Fatores da Revolução da Consciência em forma ordenada e separadamente, a fim de que os estudantes gnósticos possam orientar-se corretamente.

Nascer

O “segundo-nascimento” é uma questão totalmente sexual. O sagrado touro Apis, entre os antigos egípcios, devia ser jovem, são e forte para simbolizar a pedra filosofal (o sexo). Os gregos que foram instruídos pelos hierofantes egípcios representavam a pedra filosofal com um ou vários touros como se vê também na fábula do minotauro cretense.

Tiveram igual significado alquímico os touros que Hércules roubou de Gerión. O mesmo simbolismo é encontrado na lenda dos sagrados bois do Sol, que passeavam calmamente na ilha da Sicília e que foram roubados por Mercúrio. Nem todos os touros sagrados eram negros ou brancos; alguns eram vermelhos como os de Gerión ou como aqueles sacrificados pelo sacerdote israelita, porque a pedra filosofal, em certo momento alquímico, é vermelha, e isso é sabido por todo alquimista.

O famoso boi Apis, tão adorado nos mistérios egípcios, era o criador e também o fiscal das Almas. O boi Apis simbólico foi consagrado a Ísis, porque, efetivamente, ele está relacionado com a Vaca Sagrada, a Mãe Divina, Ísis, de quem nenhum mortal levantou o véu. Para que um boi tivesse a alta honra de ser ascendido a tal categoria, era preciso que fosse negro e que tivesse, na testa ou no dorso, uma mancha branca em forma de lua crescente.

Também é verdadeiro que o boi sagrado devia ter sido concebido sob a impressão do raio, tendo, sob a língua, a marca do escaravelho sagrado. Apis era o símbolo da Lua, tanto por causa de seus cornos em forma de lua crescente como também durante os seus períodos, exceto nos ciclos de lua cheia, quando a Lua tem sempre uma parte tenebrosa indicada na pele pela cor negra; a outra parte é resplandecente e está simbolizada pela mancha branca.

Apis é a matéria filosofal, o ens seminis (sêmen), essa substância semi-sólida, semilíquida, o vitriolo dos alquimistas. Dentro do ens seminis encontra-se todo o ens virtutis do fogo. É necessário transformar a Lua em Sol, quer dizer, fabricar os corpos solares.

Esses são os mistérios de Ísis, os mistérios do boi Apis. No velho Egito dos faraós, quando se estudava a runa IS, analisavam-se seus dois aspectos, o masculino e o feminino. A sagrada palavra Ísis é decomposta em duas sílabas IS-IS. A primeira sílaba é masculina e a segunda é feminina. O boi Apis é o boi de Ísis, a pedra filosofal. O homem e a mulher devem trabalhar no laboratorium-oratorium com essa matéria filosofal para transformar a Lua em Sol.

É urgente adquirir esse poder mágico que se chama Kriya-Shakti, o poder da vontade e da Ioga; o poder mágico dos homens solares, o poder supremo de criação, sem geração, e isto só é possível através do maithuna (ver o capítulo oito). É necessário aprender a combinar inteligentemente as águas da vida nas duas ânforas de Aquário, o signo zodiacal do aguador. É indispensável combinar o elixir vermelho com o elixir branco, quando se quer chegar ao “segundo-nascimento”.

A Lua simboliza Ísis, a Mãe Divina, a Prakriti inefável. O boi Apis representa a matéria filosofal, a pedra sagrada do alquimista. No boi Apis está representada a Lua, Ísis, a substância primordial, a pedra filosofal, o maithuna. O signo de Aquário está governado por Urano, planeta que controla as glândulas sexuais. Resulta impossível chegar ao “segundo-nascimento”, ao adeptado, à autorrealização íntima do Ser, se não estudarmos os mistérios de Ísis. Se desprezarmos o culto ao boi Apis e não aprendermos a combinar o elixir vermelho com o elixir branco, nas duas ânforas de Aquário.

Na terminologia cristã, fala-se de quatro corpos humanos. O primeiro é o corpo carnal; o segundo é o corpo natural; o terceiro é o corpo espiritual; o quarto, segundo a terminologia esotérica cristã, é o corpo divino. Falando em linguagem teosófica, diremos que o primeiro é o corpo físico; o segundo é o corpo astral; o terceiro é o corpo mental; o quarto é o corpo causal ou corpo da vontade consciente.

Nossos críticos ficarão irritados porque não citamos o lingam sarira, o corpo vital, também chamado duplo etérico. Certamente, não mencionamos esse corpo, devido ao fato concreto de que ele é somente a secção superior do corpo físico, o assento básico fundamental de todas as atividades físicas, químicas, calóricas, reprodutivas, perceptivas, etc.

O “animal intelectual”, comum e corrente, não nasce nem com o corpo astral, nem com o corpo mental e muito menos com o corpo causal. Esses corpos só podem ser formados “artificialmente” por meio da frágua acesa de Vulcano (o sexo). O veículo astral não é um corpo indispensável para o “animal intelectual”. É um grande luxo a que muitos poucos podem se dar. Apesar disso, o “animal intelectual” tem um corpo molecular, um corpo de desejos semelhante ao corpo astral, mas de tipo lunar, frio, fantasmal, espectral.

O “animal intelectual” não tem corpo mental, mas possui um veículo intelectual animal, sutil, lunar, muito similar ao corpo mental, mas de natureza fria e fantasmagórica. O “animal intelectual” não tem corpo causal ou corpo da vontade consciente, mas tem a Essência, o Budhata, o embrião de Alma, que é facilmente confundido com o corpo causal. Os corpos sutis que Leadbeater, Annie Besant, Steiner e muitos outros clarividentes estudaram no pobre “animal intelectual”, comum e corrente, são os veículos lunares.

Quem quiser chegar ao “segundo-nascimento” deve fabricar os corpos solares, o autêntico corpo astral, o legítimo corpo mental e o verdadeiro corpo causal ou corpo da vontade consciente. Há algo que pode surpreender aos estudantes gnósticos: os corpos astral, mental e causal são de carne e osso, e depois de ter nascido do ventre imaculado da Mãe Divina, necessitam de alimento para seu crescimento e desenvolvimento.

Existem dois tipos de carne: a primeira é carne que vem de Adão; a segunda é carne que não vem de Adão. Os corpos solares são de carne que não vem de Adão. Resulta interessante saber que o hidrogênio sexual Si-12 sempre se cristaliza em carne e osso. O corpo físico e também os corpos solares são de carne e osso.

O alimento básico do corpo físico é o hidrogênio quarenta e oito. O alimento fundamental do corpo astral é o hidrogênio vinte e quatro. O alimento indispensável do corpo mental é o hidrogênio doze. O alimento vital do corpo causal é o hidrogênio seis.

O corpo físico está controlado por quarenta e oito leis. O corpo astral está governado por vinte e quatro leis. O corpo mental está controlado por doze leis. O corpo causal depende de seis leis.

É urgente que desçamos à frágua acesa de Vulcano (o sexo) para trabalhar com o fogo e com a água, origem de mundos, bestas, homens e deuses. É urgente que baixemos à Nona Esfera para fabricar os corpos solares e conseguirmos o “segundo-nascimento”. Causa muita dor saber que muitos dos que se presumem mestres e santos estão vestidos com corpos lunares.

A Morte

Equivoca-se completamente o conde Gabalis ao dizer que as salamandras, os gnomos, os silfos e as ninfas necessitam se casar como o ser humano para alcançarem a imortalidade. É estúpida essa afirmação do conde Gabalis, quando diz que nós precisamos renunciar completamente às mulheres para conseguirmos a imortalidade das sílfides e das ninfas.

Os elementais dos “elementos”, das plantas, dos minerais e dos animais serão os homens do futuro sem necessidade do imundo coito recomendado pelo conde Gabalis. É uma pena que muitos médiuns do Espiritismo estejam casados com elementais, e que muitas pessoas, durante o sonho, coabitem com íncubos, súcubos e elementais de todo tipo.

Os mundos internos estão cheios de toda classe de criaturas: algumas boas, outras más e outras indiferentes. Os Devas ou Anjos jamais são inferiores ao homem. Os Devas ou Anjos são homens solares verdadeiros são seres “duas-vezes-nascidos” e isso é tudo.

Para os chineses, as duas classes mais elevadas de habitantes invisíveis são os Thien, de natureza totalmente celeste, e os Thi, Thu ou intermediários. Nos desfiladeiros de Kuen-lun, a região central da Terra ou montes lunares, a tradição colocou todo um mundo estranho e misterioso governado por deuses. Esses seres divinos são os Ko-han ou Lohanes, deuses governadores de milhões de criaturas.

Os Thi vestem roupagem amarela e habitam criptas ou cavernas subterrâneas; alimentam-se de gergelim, coriandro e outras flores e frutos da árvore da vida. Eles são seres “duas-vezes-nascidos”, estudam a Alquimia, a Botânica Oculta e a pedra filosofal, ao modo do Mestre Zanoni e de seu sábio colega, o grande Mejnour.

Uma terceira classe de habitantes invisíveis são os fabulosos Shen ou Shain, nascidos aqui embaixo, no mundo sublunar, quer para trabalhar para o bem, quer para pagar seu carma ancestral.

A quarta classe de habitantes dos mundos internos citados pelos chineses são os tenebrosos Maha-Shan, gigantes feiticeiros da magia negra. Os seres mais raros e mais incompreensíveis são os terríveis Marut ou Turam, mencionados pelo Rig Veda como legiões de hanasmussianos. A letra h se pronuncia com som de r assim: ranasmussianos.

É lamentável que esses hanasmussens sejam adorados por certos muçulmanos e brâmanes. Os hanasmussianos têm, como já dissemos no capítulo nove deste livro, duas personalidades: uma angélica e outra diabólica. É claro que a personalidade solar ou angelical de um hanasmussiano jamais se dispõe a instruir qualquer candidato à iniciação, sem antes lhe dizer com inteira franqueza o seguinte: Guarda-te, porque nós somos a tentação que te pode converter em um infiel.

A personalidade solar de todo marut, turam ou hanasmussiano sabe muito bem que possui outra personalidade lunar, diabólica e tenebrosa capaz de desviar o candidato da iniciação.

Diante de todo ser “duas-vezes-nascido” abrem-se dois caminhos: o da direita e o da esquerda. O caminho da direita é para os que resolvem morrer de momento em momento, dos que dissolvem o eu. O caminho da esquerda é o caminho negro, o caminho para os que, em vez de morrerem de momento em momento, de dissolverem o eu, fortificam-no dentro dos corpos lunares.

Aqueles que vão pelo “caminho da mão esquerda” convertem-se em marut ou turam, quer dizer, em hanasmussianos. Quem quiser conseguir a libertação final deve morrer de instante em instante. Somente quando o “mim mesmo” morrer, é que nos converteremos em Anjos perfeitos.

Existem três classes de tantrismo: branco, negro e cinza. O maithuna com ejaculação do ens seminis caracteriza o tantrismo negro. O maithuna praticado às vezes com ejaculação do ens seminis e, às vezes sem ejaculação caracteriza o tantrismo cinza.

No maithuna praticado sem ejaculação, Devi Kundalini sobe pelo canal medular desenvolvendo os poderes divinos e nos convertendo em anjos. No maithuna praticado com a ejaculação do sêmen, a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes, ao invés de subir, baixa, precipita-se desde o osso coccígeo até os infernos atômicos do homem, convertendo-se na cauda de satã. O maithuna, às vezes praticado com ejaculação e em outras vezes praticado sem ejaculação, é algo incoerente, mórbido, bestial, que só serve para fortalecer o ego lunar. Os tantristas negros desenvolvem o abominável órgão kundartiguador.

Em tempos que se perdem na noite profunda de todas as Idades, o pobre “animal intelectual” compreendeu sua triste condição de ser uma pequena máquina necessária para a economia da natureza, e, por causa disso, desejou morrer. Por causa disso, foi necessária a intervenção de certos indivíduos sagrados que cometeram o erro de dar a este triste formigueiro humano o abominável órgão kundartiguador.

Quando o “animal intelectual” esqueceu sua triste situação de “maquininha” e se apaixonou pelas belezas deste mundo, o abominável órgão kundartiguador foi eliminado. No entanto, desgraçadamente, as más consequências desse órgão tornaram-se indeléveis e ainda permanecem depositadas nos cinco cilindros da máquina.

O primeiro cilindro é o do intelecto e se encontra no cérebro. O segundo é o das emoções e reside no plexo solar, na altura do umbigo. O terceiro é o do movimento que tem base na parte superior da espinha dorsal. O quarto é o do instinto, que se encontra na parte inferior da espinha dorsal. O quinto é o do sexo, que reside nos órgãos sexuais.

As más consequências do abominável órgão kundartiguador estão representadas por milhares e milhões de pequenos ‘eus’ animalescos, perversos. No “animal intelectual”, não existe um centro único de comando nem tampouco um eu ou ego permanente. Cada ideia, sentimento, sensação, cada desejo, cada “eu desejo tal coisa”, cada “eu desejo outra coisa”, “eu amo”, “eu não amo” representa um eu diferente.

Todos esses pequenos e briguentos ‘eus’ lutam entre si pela supremacia da máquina, eles não estão unidos entre si e também não estão coordenados. Cada um deles depende das mudanças das circunstâncias da vida e das alterações de impressões. Cada pequeno eu tem suas próprias ideias, seu próprio critério. Não existe uma verdadeira individualidade no pobre “animal intelectual”. Seus conceitos, atos e ideias dependem do eu que, no momento, esteja dominando a situação.

Quando um eu se entusiasma pela Gnosis, jura lealdade eterna a nosso Movimento Gnóstico. No entanto, esse entusiasmo dura até que outro eu, contrário a esses estudos, tenha o poder de atuação. Então, vemos, com assombro, que a pessoa se retira da Gnosis e até se volta como nossa inimiga.

O eu que hoje jura amor eterno a uma mulher, logo após, é deslocado por outro eu que nada tem a ver com tal juramento; então, a mulher sofre uma grande decepção. Depois, automaticamente, segue-se outro eu, apesar de alguns deles aparecerem sempre acompanhados de outros. Não obstante, não existe, entre os ‘eus’, nenhuma ordem ou sistema.

Cada um desses ‘eus’ crê, em um momento dado, ser o todo, mas não é mais do que uma ínfima parte de nossas funções, ainda que o eu tenha a impressão de ser a totalidade, a realidade, o homem completo. O curioso é que damos crédito ao eu que atua em dado momento, mesmo que, instantes depois, seja deslocado por outro eu. O ego lunar é uma soma de ‘eus’ que devem ser eliminados de forma radical.

É preciso saber que cada um dos cinco cilindros da máquina possui suas características próprias, que jamais devemos confundi-las. Entre os cinco centros da máquina, existem diferenças de velocidade. As pessoas elogiam muito o pensamento, mas, em realidade, o centro intelectual é o mais lento de todos.

Depois, muito mais rápidos, temos o centro instintivo e o centro do movimento ou motriz, que possuem, entre si, mais ou menos a mesma velocidade. O mais rápido de todos é o centro sexual seguido em ordem de rapidez pelo centro emocional.

Existe uma grande diferença de velocidades entre cada um dos cinco centros da máquina. Estudando os ‘eus’ em nós mesmos através da auto-observação, veremos, à simples observação, que o centro do movimento é mais veloz do que o centro do pensamento; que qualquer emoção é mais rápida do que qualquer movimento ou pensamento. Os centros motor e instintivo são, cerca de trinta mil vezes, mais rápidos do que o centro intelectual.

O centro emocional, quando trabalha na velocidade que lhe é própria, é trinta mil vezes mais rápido que os centros motor e instintivo. Cada um dos diversos centros tem um tempo completamente diferente.

A velocidade dos centros explica um grande número de fenômenos bem conhecidos que a Ciência ordinária e tradicional não pode explicar. Basta recordar a assombrosa velocidade de certos processos psicológicos, fisiológicos e mentais.

Cada centro está dividido em duas partes: uma positiva e outra negativa. Esta divisão é particularmente clara para os centros intelectual e instintivo. Todo o trabalho do centro intelectual divide-se em duas partes: afirmativa e negativa, sim e não, tese e antítese.

No centro instintivo, existe a mesma luta, porém é entre o que é agradável e o que é desagradável: sensações agradáveis e desagradáveis, que estão relacionadas com os cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. No centro motor ou do movimento, existe uma luta entre o movimento e o repouso. No centro emocional, existem emoções agradáveis e desagradáveis. A alegria, a simpatia, o afeto, a confiança em si mesmo, etc. são positivas.

Quanto às emoções desagradáveis, podemos citar o aborrecimento, o ciúme, a inveja, a cólera, a irritabilidade e o medo, que são totalmente negativas. No centro sexual, existem, em eterno conflito, a atração e a repulsão, a castidade e a luxúria.

O “animal intelectual” sacrifica seus prazeres, se for necessário, mas é incapaz de sacrificar seus próprios sofrimentos. Quem quiser dissolver o eu pluralizado deve sacrificar seus próprios sofrimentos. Os ciúmes produzem sofrimentos, e, quando aniquilamos os ciúmes, acaba-se com o sofrimento, pois a dor é sacrificada. A ira produz dor. Quando eliminamos a ira, sacrificamos e destruímos a dor.

É necessário auto-observar-se de momento em momento, pois o eu pluralizado trabalha em cada um dos cinco centros da máquina. Às vezes, é um eu do centro emocional que reage colérico, ciumento ou invejoso; às vezes, são os preconceitos e as calúnias do centro intelectual, com toda fúria, atacando violentamente; noutras vezes, são os hábitos perversos e equivocados que nos levam ao fracasso, etc.

Cada centro tem quarenta e nove regiões subconscientes, e, em cada uma dessas regiões, vivem milhões de ‘eus’ que precisamos descobrir através da meditação profunda. Quando nos autodescobrimos e tomamos consciência das atividades dos ‘eus’ nos cinco centros da máquina e nas quarenta e nove regiões subconscientes, então, despertamos a Consciência. Conscientizar-se de todos os processos dos ‘eus’ nos cinco cilindros da máquina é o mesmo que tornar consciente o subconsciente.

Resulta impossível eliminar os diferentes ‘eus’, se antes não forem compreendidos conscientemente nas quarenta e nove regiões do subconsciente. Podemos trabalhar com Prosérpina, a Rainha dos Infernos, para eliminar ‘eus’, sob a condição de, primeiramente, compreendermos o defeito que queremos extirpar (ver capítulo oito). Prosérpina só elimina os ‘eus’ que personificam os nossos defeitos que foram compreendidos integralmente.

É impossível alguém atingir o Atma Vidya, sem antes se conhecer a si mesmo. Nosce te ipsum: “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses”. Conhecer as atividades dos cinco cilindros da máquina, em todos os quarenta e nove corredores ou regiões subconscientes de Jaldabaoth, significa conhecer-se a si mesmo, tornar consciente o subconsciente, se autodescobrir.

Quem quiser subir deve primeiro baixar. Quem quiser chegar ao Atma Vidya deve primeiro baixar aos seus próprios infernos atômicos. O erro de muitos estudantes do Ocultismo é querer primeiro subir, sem antes haver baixado. Na convivência com as pessoas, os nossos defeitos se afloram espontaneamente, e, se estivermos alertas, descobriremos de qual centro procedem. Então, por meio da meditação, descobriremos cada eu em todas e em cada uma das quarenta e nove regiões subconscientes. Só quando o eu morrer totalmente, atingiremos o Atma Vidya, a iluminação absoluta.

Sacrifício

O sacrifício sáttvico é feito, segundo os mandamentos divinos, concentrando-se no culto, somente pelo culto, por homens que não desejam o resultado. O sacrifício rajásico é feito por meio da tentação, quando se desejam os resultados ou frutos. O sacrifício tamásico é feito sempre contra os mandamentos, sem fé, sem os mantras, quando não se tem caridade com ninguém, sem amor à humanidade, sem oferecer o óbolo sagrado aos sacerdotes ou gurus, etc.

O Terceiro Fator da Revolução da Consciência é o Sacrifício, mas aqui se trata do sacrifício sáttvico, sem desejar os frutos da ação, sem desejar recompensa. Trata-se do sacrifício desinteressado, puro e sincero da pessoa que dá sua vida para que outros vivam, mas sem pedir nada como recompensa.

O leitor deve voltar a estudar a lição de Virgem, no capítulo seis, para que compreenda bem o que são as três gunas da Prakriti, denominadas de: sattva, rajas, e tamas.

A lei do Logos Solar é o Sacrifício. O Logos se crucifica no Amanhecer da Vida, em todo novo mundo que surge do Caos para que todos os seres tenham vida, e a tenham em abundância. Todo aquele que chegou ao “segundo-nascimento” deve sacrificar-se pela humanidade, deve levantar a tocha bem alto para ensinar aos outros o caminho que conduz à Luz. Aquele que se sacrifica pela humanidade atinge a “iniciação venusta”. É urgente saber que a “iniciação venusta” é a encarnação do Cristo no homem. Quem encarna o Cristo em si mesmo tem que viver todo o drama cósmico.

A “iniciação venusta” tem sete graus, começa com o acontecimento de Belém e termina com a morte e a ressurreição do Senhor. Quem alcança a “iniciação venusta” converte-se em um Cristo também. Só por meio dos Três Fatores da Revolução da Consciência, é possível se chegar à “iniciação venusta”.

PEIXES

Peixes

Chegamos à Noite-Mãe da Cosmologia egípcia, ao Oceano profundo de Peixes, à iniciática escuridão sem limites do Espaço Abstrato Absoluto. É o primeiro elemento do Abismo, onde as ondinas guardam o ouro do Rhim ou o fogo do pensamento divino e genesíaco.

O signo de Peixes está sabiamente simbolizado por dois peixes; o peixe, o pescado, é o soma dos mistérios de ÍSIS. O peixe é o símbolo vivo do Cristianismo Gnóstico Primitivo. Os dois peixes desse signo, enlaçados por um cordão, têm um profundo significado gnóstico. Representam as duas Almas dos Elohim primordiais submersas nas águas profundas da Noite-Mãe.

Já explicamos em capítulos anteriores que o Íntimo, o Ser, Atman, tem duas Almas: uma feminina, outra masculina. Explicamos também que a Alma espiritual, Buddhi, é feminina. Dissemos e voltamos a repetir que a Alma humana, Manas Superior, é masculina.

O sagrado casal, o divino casal eterno, está sempre simbolizado por dois peixes enlaçados por um fio que representa o Ser, Atman. O sagrado casal, os dois peixes eternos, trabalham nas águas do Abismo, quando chega a Aurora do Mahamanvantara. Os dois peixes inefáveis trabalham sob a direção de Atman, quando chega a Aurora da Criação.

Por outro lado, é bom recordar que Ísis e Osíris não poderiam trabalhar, jamais, na Grande Obra sem o famoso mercúrio da filosofia secreta. Nesse mercúrio sexual, encontra-se a chave de todo o poder. Um círculo com uma linha vertical atravessada, no simbolismo hierático, é a união sacratíssima do eterno feminino com o eterno masculino; é a integração dos contrários na Mônada essencial, inefável e divinal.

Do interior da grande Mãe-Espaço, surge a Mônada, o Ser. Do interior do Grande Oceano, levantam-se os Elohim para trabalharem na Aurora do Mahamanvantara. A água é o elemento feminino de toda a criação, de onde provém a mater latina, a letra “M”, terrivelmente divina. No Cristianismo Gnóstico, é Maria, a mesma Ísis, a Mãe do Cosmo, a eterna Mãe-Espaço, as Águas Profundas do Abismo. A palavra Maria se divide em duas sílabas: a primeira é MAR, que nos recorda o Oceano Profundo de Peixes. A segunda é IA, que é uma variante de IO (IIIOOOO), o nome augusto da Mãe-Espaço, o Círculo do Nada, de onde tudo emana e para onde tudo volta. É o Uno, o “Uno-Único” do manifestado Universo, depois da Noite do Grande Pralaya ou Aniquilamento.

Separadas as águas superiores das inferiores, fez-se a luz, quer dizer, surgiu a vida, o Verbo animador do Cosmo, o Filho. Essa vida tomou como elemento transmissor o Sol, o qual se encontra no centro de nosso Sistema Solar, tal como o coração dentro de nosso organismo.

As fecundas vibrações do Sol se constituem no vivo fogo-elemental, que se condensa no centro de cada planeta, constituindo-se no coração de cada um deles. Toda essa luz e essa vida estão representadas pelos Sete Espíritos ante o Trono dentro do “Templo-Coração” de cada um dos sete planetas do Sistema Solar.

O trabalho de separar as águas das águas corresponde ao sagrado casal. Cada um dos sete Espíritos diante do Trono emanou de si mesmo, o sagrado casal de peixes, para que eles trabalhassem na Aurora da Criação através do poder de Kriya-Shakty, o poder da palavra perdida, o poder da vontade e da Ioga.

O amor dos amores, a paixão mística do último fogo entre o eterno esposo e a divina esposa, é vital para separar as águas superiores das águas inferiores. Nesse trabalho, existe o maithuna transcendental: kriya-shakty, a palavra criadora. Ele chega com o fogo e ela transmuta as águas, separando as águas superiores das inferiores. Em seguida, os dois peixes projetam o fogo e a água superiores transmutados sobre as águas do Caos, sobre a matéria cósmica, sobre o material para os mundos, sobre os adormecidos germens da existência para fazer brotar a vida.

Todo o trabalho se realiza com ajuda da palavra, da vontade e da Ioga. No princípio, o Universo é sutil, depois se condensa materialmente, passando por sucessivos períodos de cristalizações progressivas. Existem milhões de universos no espaço infinito, dentro do seio da Mãe-Espaço. Alguns universos estão saindo do Pralaya, brotando das Águas Profundas de Peixes. Outros estão em plena atividade e outros mais, se dissolvendo nas águas eternas.

Ísis e Osíris nada poderiam fazer sem o mercúrio sexual. Os dois peixes eternos amam-se, adoram-se e vivem sempre criando e recriando. O peixe é o símbolo mais sagrado do Gnosticismo Cristão Primitivo. É uma pena que milhares de estudantes do Ocultismo esqueceram-se da Gnosis de Peixes.

A Idade de Peixes não deveria ter sido um fracasso como, realmente, foi. A causa causorum do fracasso da Era de Peixes aconteceu, porque certos elementos tenebrosos traíram a Gnosis e pregaram certas doutrinas agnósticas ou antignósticas. Eles subestimaram o peixe, desprezaram a Religião-Sabedoria e submeteram a humanidade da época ao materialismo.

Recordemos a figura de Lúcio chegando à cidade de Hypatia, hospedando-se na casa de Milon, cuja esposa Pánfila era uma perversa feiticeira. Em seguida, Lúcio sai para comprar peixe (o ictus, símbolo do nascente Cristianismo Gnóstico, o peixe, o pescado, o soma dos mistérios de Ísis).

Os pescadores venderam-lhe, por miseráveis vinte denários, com desdém espantoso, o peixe que antes pretendiam vender por cem escudos. É uma terrível sátira na qual está envolto o maior desprezo para com o nascente e já fugaz Cristianismo Gnóstico.

O resultado do Cristianismo Agnóstico ou antignóstico foi o surgimento da dialética materialista marxista. A reação contra o Agnosticismo foi o materialismo repugnante sem Deus e sem lei. Pode-se assegurar que a Idade de Peixes fracassou por causa do Agnosticismo. A traição à Gnosis foi o crime mais grave cometido durante a Idade de Peixes. Jesus, o Cristo, e seus doze pescadores iniciaram uma Idade que bem poderia ter sido de grandes esplendores.

Jesus e seus doze apóstolos gnósticos indicaram o caminho preciso para a Idade de Peixes, o Gnosticismo, a Sabedoria do Peixe. É lamentável que todos os livros sagrados da divina Gnosis tenham sido queimados, esquecendo-se também do sagrado símbolo do peixe.

Tratado Esotérico de Astrologia Hermética

Tratado Esotérico de Astrologia Hermética