Tratado Esotérico de Astrologia Hermética I

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Der kleine Morgen

Samael Aun Weor

Nota

Em nossa vida na Terra todo o processo evolutivo desde sua origem até o seu fim pode ser narrado através da linguagem dos símbolos astrológicos e dos signos zodiacais. Este processo de vida obedece a uma hierarquia e o zodíaco descreve esta ordem hierárquica dentro dos ritmos e ciclos aos quais estamos conectados neste mundo sublunar.

Quando falamos em ritmos e ciclos estamos também apontando para uma lei hermética: O Princípio do Ritmo. Neste princípio podemos compreender como os ciclos descrevem no tempo a história de uma civilização ou de uma estrela. No caso da astrologia esta descrição vem permeada de mitologia e significados profundos ligados à essência da vida que se estrutura sobre cada planeta.

Como para cada signo existe uma miríade de significados pertinentes aos seus mitos, na nossa sociedade também construímos uma realidade permeada por muitas especialidades pertinentes as profissões; por exemplo: na medicina existem muitas especialidades como na astronomia, na engenharia, na agricultura e assim por diante.

Então quando falamos de Astrologia Hermética ou Esotérica estamos definindo dentro do corpo do conhecimento astrológico uma área de estudo mais ligada aos mitos e aos seus significados profundos que se relacionam com os longos processos evolutivos de nossa vida na Terra.

Devemos, no entanto, discernir se o que está sendo dito nos mitos ou nas escrituras sagradas tem de fato alguma relação com a astrologia ou não. No âmbito do esoterismo a imaginação prevalece sobre os demais critérios que deveriam orientar o estudo e dissipar as nossas fantasias. Destarte existem grandes dificuldades para associar aos mitos seu verdadeiro significado astrológico.

No caso de Aun Weor, quando ele fala de astrologia, existem alguns descuidos ao transmitir a tradição esotérica para o contexto astrológico em razão do seu conhecimento esotérico prevalecer sobre a didática astrológica, ou seja, quando alguém de alguma outra área do conhecimento se propõe a falar de astrologia sem estudar a matéria com amplitude, pouco compreenderá sobre as regras astronômicas que compõe o corpo astrológico de conhecimento.

Por este motivo um engenheiro químico não é contrato para construir prédios e por esta razão também não contratamos um médico para fazer nosso mapa astrológico. Mas como a astrologia está profundamente enraizada nos mitos e religiões da humanidade, um homem com a verve intuitiva de Aun Weor certamente compreendeu em um nível mais simbólico aquilo que a astrologia nos revela em seus grandes ciclos e com isso ele ousou, ao fazer este estudo sobre Astrologia Esotérica, narrar a história desta evolução humana através dos signos do zodíaco.

Por este motivo suprimi algumas das fantasias desta narrativa que ilustram mais o seu ensejo em encontrar o supranatural do que propriamente os significados dos mitos e das religiões no contexto do saber astrológico. O Tratado completo pode ser lido neste link.

César Augusto – Astrólogo

ÁRIES

Áries

Existem quatro estados de Consciência possíveis para o ser humano:

1- O sonho;
2- A consciência de vigília;
3- A autoconsciência;
4- A consciência objetiva.

Imagine, por um momento, querido leitor, uma casa de quatro andares. O pobre “animal intelectual”, equivocadamente chamado homem, vive normalmente nos dois andares inferiores, porém jamais em sua vida usa os andares superiores. O “animal intelectual” divide sua vida dolorosa e miserável entre o sono comum e corrente e o “mal chamado estado de vigília”, que é, por desgraça, outra forma de sono.

Enquanto o corpo físico dorme na cama, o ego, envolto em seus corpos lunares, anda com a Consciência adormecida, como um sonâmbulo, movendo-se livremente pela região molecular. Na região molecular, os egos projetam e vivem seus sonhos. Não existe lógica alguma entre seus sonhos; não há continuidade, nem causas ou efeitos; todas as funções psíquicas trabalham sem direção alguma, aparecem e desaparecem em imagens subjetivas, cenas incoerentes, vagas, imprecisas, etc.

Quando o ego volta a seu corpo físico, os sonhos continuam no interior. O chamado “estado de vigília” é realmente um processo de sonho com a pessoa acordada. Ao sair o Sol, as estrelas se ocultam, porém não deixam de existir. Os sonhos, no estado de vigília, são assim: continuam secretamente, não deixam de existir. Isso significa que o “animal intelectual”, equivocadamente chamado homem, só vive no mundo dos sonhos. Com justa razão, o poeta disse que a vida é sonho.

O animal racional dirige carros, trabalha na fábrica, no escritório, no campo, etc., sonhando. As pessoas enamoram-se e casam-se em estado de sonho, e, muito raramente na vida, elas estão despertas. Vivem no mundo dos sonhos e creem firmemente que estão despertas.

Os quatro evangelhos exigem o despertar, mas, lamentavelmente, não explicam os procedimentos para despertar. Antes de tudo, é necessário compreender que estamos adormecidos. Somente quando alguém se dá conta cabalmente de que está adormecido, entra realmente no caminho do despertar. Quem chega a despertar torna-se autoconsciente, adquire consciência de si mesmo.

O erro mais grave de muitos pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas ignorantes é presumirem-se autoconscientes, acreditando, ademais, que todas as pessoas estão despertas, que estão autoconscientes. Se todas as pessoas tivessem a Consciência desperta, a Terra seria um paraíso, não haveria guerras, não existiria nem o meu, nem o seu, tudo seria de todos e viveríamos em uma Idade de Ouro.

Quando alguém desperta a Consciência, torna-se autoconsciente e adquire Consciência de si mesmo, realmente vem a conhecer a Verdade sobre si mesmo.

Antes de alcançar o terceiro estado de Consciência (a Autoconsciência), uma pessoa realmente não conhece a si mesma, ainda que acredite conhecer-se. É indispensável adquirir o terceiro estado de Consciência, subir ao terceiro andar da casa, antes de ter o direito a passar para o quarto andar.

O quarto estado de Consciência, o “quarto andar da casa”, é realmente formidável. Só quem chega à Consciência objetiva, ao quarto estado, pode estudar as coisas em si mesmas, o mundo tal como ele é. Quem chega ao “quarto andar da casa”, é, sem dúvida, um iluminado que conhece, por experiência, os mistérios da vida e da morte. Esta pessoa possui a sabedoria e o seu sentido espacial está plenamente desenvolvido.

Durante o sono profundo, podemos ter alguns lampejos do estado de vigília. Durante o estado de vigília, podemos ter clarões de Autoconsciência. Durante o estado de Autoconsciência, podemos ter lampejos de Consciência objetiva.

Se quisermos chegar ao despertar da Consciência, à Autoconsciência, teremos que trabalhar com a Consciência aqui e agora. É precisamente aqui, neste mundo físico, onde devemos trabalhar para despertar a Consciência. Quem desperta aqui, desperta em todas as partes, em todas as dimensões do Universo.

O organismo humano é um Zodíaco vivo e, em cada uma de suas doze constelações, a Consciência dorme profundamente. É urgente despertar a Consciência em cada uma das doze partes do organismo humano, e é para isso que existem os exercícios zodiacais. É muito lamentável que este Zodíaco vivo do microcosmo-homem durma tão profundamente. Faz-se indispensável lograr, à base de tremendos superesforços, o despertar da Consciência em cada um dos nossos doze signos zodiacais.

Luz e Consciência são dois fenômenos de uma mesma coisa. Ao menor grau de Consciência, corresponde o menor grau de luz; ao maior grau de Consciência, corresponde o maior grau de luz. Necessitamos despertar a Consciência, para fazer brilhar cada uma das doze partes de nosso próprio Zodíaco microcósmico. Todo o nosso Zodíaco deve converter-se em luz e esplendor.

TOURO

Touro

Sendo Touro o signo zodiacal que governa a laringe criadora, este útero maravilhoso onde se gesta a Palavra e o Verbo é conveniente compreendermos nesta lição as Palavras de João, que disse: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus; por Ele todas as coisas foram feitas e sem Ele, nada do que foi feito, houvera sido feito”.

Existem sete ordens de mundos, sete Cosmos criados com o poder do Verbo através da música e do som. O primeiro Cosmo encontra-se submerso na luz “incriada” do Absoluto. A segunda ordem de mundos está constituída por todos os mundos do espaço infinito. A terceira ordem de mundos está formada por todos os sóis do espaço estrelado. A quarta ordem de mundos é o Sol, que nos ilumina com todas as suas leis e dimensões. A quinta ordem de mundos está composta por todos os planetas do Sistema Solar. A sexta ordem de mundos é, em si mesma, a Terra com suas sete dimensões e regiões, povoada por infinitos seres. A sétima ordem de mundos está formada por essas esferas concêntricas ou mundos infernais do reino mineral submerso, debaixo da crosta terrestre.

A Música, o Verbo, disposta pelo Logos em sete oitavas musicais, sustenta o Universo firmemente em sua marcha. A primeira ordem de mundos corresponde à nota dó. A segunda ordem de mundos, à nota si. A terceira ordem de mundos, à nota lá. A quarta ordem de mundos, à nota sol. A quinta ordem de mundos, à nota fá. A sexta ordem de mundos, à nota mi. A sétima ordem de mundos, à nota ré. Depois tudo volta ao Absoluto com a nota dó.

Sem a Música, sem o Verbo, sem a Grande Palavra, seria impossível a existência maravilhosa dos sete Cosmos. Dó ré mi fá sol lá si e si lá sol fá mi ré dó são as sete notas da grande escala do Verbo criador ressoando em toda a criação, posto que: “No princípio era o Verbo”.

A primeira ordem de mundos está sabiamente governada por essa Única Lei, pela Grande Lei. A segunda ordem de mundos está governada por três leis. A terceira ordem de mundos está governada por seis leis. A quarta ordem de mundos está governada por doze leis. A quinta ordem de mundos está governada por vinte e quatro leis. A sexta ordem de mundos está governada por quarenta e oito leis. A sétima ordem de mundos é governada por noventa e seis leis.

Quando se fala da Palavra, fala-se também do Som, da Música, dos ritmos, do Fogo com seus três compassos do Mahavan e do Chotavan que sustentam o Universo firmemente em sua marcha. Os pseudo-ocultistas e os pseudo-esoteristas só mencionam o microcosmo e o macrocosmo. Citam somente duas ordens de mundos, quando, na realidade, são sete Cosmos, sete ordens de mundos sustentadas pelo Verbo, pela Música, pelo “Fiat luminoso e espermático” do primeiro instante. Cada um dos sete Cosmos é, sem dúvida, um organismo vivo que respira, sente e vive.

Do ponto de vista esotérico, podemos assegurar que todo progresso é resultado de um processo descendente. Não se pode subir, sem baixar. Primeiro há que baixar para depois subir. Se quisermos conhecer um Cosmo, devemos primeiro ter conhecimento dos dois Cosmos adjuntos: o que está em cima e o que está embaixo, porque ambos determinam todas as circunstâncias e fenômenos vitais do Cosmo sobre os quais queremos estudar e dos quais, saber.

A criação dos sete Cosmos só foi possível mediante o Verbo, a Palavra, a Música. Nossos estudantes gnósticos não devem esquecer jamais o que são as três forças: Pai, Filho e Espírito Santo. Essas três forças constituem o Sagrado Triamazikamno. Noutras palavras, é a Sagrada Afirmação, a Sagrada Negação e a Sagrada Reconciliação. O Santo Deus, o Santo Firme e o Santo Imortal. Em se tratando de eletricidade, representam os polos positivo, negativo e neutro. Sem o concurso destes três polos, resulta impossível toda e qualquer criação.

Em ciência esotérica gnóstica, as três forças independentes levam os seguintes nomes: Surp Otheos, Surp Skiros e Surp Athanatos. A primeira é a força impulsora, afirmativa ou positiva; a segunda é a força negativa, força de negação e de resistência. A terceira é a força reconciliadora, libertadora ou força neutralizadora.

Estas três forças, no raio da criação, parecem três vontades, três consciências ou três unidades. Cada uma dessas forças contém em si mesmas todas as possibilidades das outras duas. Entretanto, em seu ponto de conjunção, cada uma delas manifesta unicamente o seu princípio, seja o positivo, o negativo ou o neutro. É interessantíssimo ver as três forças em ação: elas se separam e se afastam, para depois se reencontrarem formando novas trindades que originarão novos mundos e criações.

No Absoluto, as três forças constituem o Logos Único, o Exército da Voz, dentro da grande unidade da vida livre em seu movimento. O processo criador do Sagrado Triamazikamno Cósmico Comum iniciou-se com o conúbio sexual da Palavra, posto que: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Por Ele todas as coisas foram feitas, e à parte Dele nada do que foi feito haveria sido feito”.

De acordo com a Sagrada Lei do Heptaparaparshinok, (a Lei do Sete), estabeleceram-se no Caos sete templos para a construção deste Sistema Solar. Segundo a Sagrada Lei do Triamazikamno (a Lei do Três), os Elohim se dividiram em três grupos dentro de cada templo, para cantar de acordo com a Liturgia do Fogo.

O trabalho de fecundar a Prakriti, isto é, fecundação do Caos, da Mãe Cósmica, do Grande Ventre, é sempre obra do sacratíssimo Teomertmalogos, a terceira força. Dentro de cada templo, organizaram-se três grupos, assim: primeiro um sacerdote, segundo, uma sacerdotisa; terceiro, um grupo neutro de Elohim.

Se levarmos em conta que os Elohim são andróginos, então, é óbvio que eles tiveram que se polarizar voluntariamente em forma masculina, feminina e neutra, de acordo com a Sagrada Lei do Triamazikamno Cósmico Comum. O sacerdote e sacerdotisa punham-se diante do altar, e na parte de baixo do templo, o coro andrógino dos Elohim. Os rituais do fogo foram cantados e o conúbio sexual da Palavra fecundou o Grande Ventre do Caos, e o Universo foi criado. Os Anjos criam com o poder da Palavra. A laringe é um útero, donde se gesta a palavra.

Devemos despertar a Consciência através da Palavra na laringe criadora, para que um dia possamos também pronunciar o “Fiat luminoso e espermático” do primeiro instante. A Consciência dorme em nossa laringe e, por isso, somos inconscientes no uso da Palavra. Necessitamos ter plena Consciência da Palavra.

Dizem que o silêncio é ouro, mas preferimos dizer que existem silêncios criminosos. Que é tão mau falar quando se deve calar, tanto quanto calar quando se deve falar. Há ocasiões em que falar é um delito. Noutras vezes, calar se constitui num delito.

Semelhantes a uma bela e colorida flor cheia de aromas, são as palavras formosas, porém estéreis no caso das pessoas que não obram de acordo com o que dizem. Por outro lado, são formosas e fecundas para os que obram de acordo com o que falam. É urgente acabar com a mecanicidade no uso das palavras. Mister se faz falar com precisão, de forma consciente e oportuna. É preciso que nos conscientizemos do Verbo.

Existem responsabilidades com as palavras, e brincar com o Verbo é um sacrilégio. Ninguém tem o direito de julgar ninguém; é absurdo caluniar o próximo; é estúpido murmurar sobre a vida alheia. As palavras criminosas caem sobre nós, cedo ou tarde, como um raio de vingança. As palavras caluniosas e infames sempre retornam à pessoa que as proferiram, convertidas em pedras que ferem.

Em outros tempos, quando os seres humanos não estavam tão mecanizados com esta falsa civilização, os vaqueiros levavam o gado ao estábulo cantando de maneira simples, natural e maravilhosa. O touro, a vaca e o bezerrinho comovem-se com a música e correspondem ao signo zodiacal de Touro, à constelação do Verbo, da Música.

Na grande alegoria puránica, a Terra perseguida por Prithu foge, transforma-se em Vaca e se refugia em Brahma, a primeira pessoa da Trimurti hindustânica. A segunda pessoa é Vach, a vaca, e Virah, o varão divino, o bezerrinho, o Kabir. O Logos é a terceira pessoa. Brahma é o Pai; a Vaca é a Mãe Divina, o Caos; o bezerro é o Kabir, o Logos. Pai, Mãe, Filho constituem a Trimurti puránica. O Pai é sabedoria; a Mãe é amor; o Filho é o Logos, o Verbo. A “Vaca-Astral-de-Cinco-Patas” que o Coronel Olcott acreditou ter visto fisicamente, frente ao maravilhoso hipogeu de Karli, é a mesma Vaca estranha e misteriosa vista por certo mineiro nos Andes.

Gautama ou Gotama, o Buda, significa literalmente: o condutor da vaca. (…) O signo de Touro nos convida à reflexão. Recordemos que Mercúrio roubou as vacas do Sol. Esse signo governa a laringe criadora. É urgente que a Kundalini floresça em nossos lábios fecundos, como Verbo. Só assim, poderemos usar o fogo jaino para entrarmos no reino dos jinas. Durante o período de Touro, devemos levar luz a nossa laringe criadora, com o propósito de prepará-la para o advento do fogo.

Gêmeos 1

Gêmeos

A identificação e a fascinação conduzem ao sono da Consciência. Exemplo: Você vai muito tranquilo pela rua, de repente ele se junta a uma manifestação pública; vociferam as multidões, falam os líderes do povo, tremulam, ao ar, as bandeiras, todas as pessoas parecem loucas, pois falam e gritam.

Aquela manifestação pública vai ficando muito “interessante” a ponto de você já se esquecer de tudo o que tinha que fazer. Identifica-se com a multidão e com as palavras dos oradores, que lhe convencem. Chega a ponto de levá-lo ao esquecimento de si mesmo. Você está tão identificado com a manifestação que já não pensa em outra coisa, está tão fascinado que cai no sono da Consciência.

Misturado com a turbamulta que vocifera, você também grita, profere insultos e até apedreja; está mergulhado em sono profundo, já nem sabe quem é, esqueceu-se de tudo.

Agora vamos colocá-lo em outro exemplo mais simples: Você está na sala de sua casa, sentado diante da televisão, onde aparecem cenas de caubóis, tiroteios, dramas de namorados, etc. O filme fica muito interessante e chama totalmente sua atenção; com isso, você já se esqueceu tanto de si mesmo que grita entusiasmado; ficou identificado com os caubóis e com o casal de namorados. A fascinação é agora terrível e já, nem remotamente, recorda-se de si mesmo, pois você entrou em um estado de sono muito profundo. Nesse ponto, só quer ver o triunfo do herói do filme, alegra-se com isso e até se preocupa com o que pode ocorrer com o herói.

São milhares de circunstâncias que produzem a identificação, a fascinação e o sonho. O povo se identifica com as pessoas, com as coisas, com as ideias. A todo tipo de identificação, segue-se a fascinação e depois, o sonho. As pessoas vivem com a Consciência adormecida; trabalham sonhando, conduzem carros sonhando e matam os pedestres que também vão sonhando pelas ruas, absorvidos em seus próprios pensamentos.

Durante as horas de repouso do corpo físico, o ego (ou eu) sai do corpo físico e leva seus sonhos aonde quer que vá. Ao voltar ao corpo físico, ao entrar novamente no estado de vigília, continua com os mesmos sonhos e assim passa toda a vida sonhando. As pessoas que morrem deixam de existir, mas o ego, o eu, continua nas regiões suprassensíveis, mais além da morte. Na hora da morte, o ego leva consigo seus sonhos e mundanidades, permanecendo no mundo dos mortos, com a Consciência adormecida, perambulando como um sonâmbulo inconsciente.

Quem quiser despertar a Consciência deve trabalhar aqui e agora. Temos a Consciência encarnada e por ela devemos trabalhar aqui e agora. Quem despertar a Consciência aqui, neste mundo, despertará também em todos os mundos. Quem despertar a Consciência neste mundo tridimensional despertará na quarta, quinta, sexta e sétima dimensões. Quem quiser viver conscientemente nos mundos superiores deve despertar aqui e agora.

Os quatro Evangelhos insistem na necessidade de despertar, mas as pessoas não entendem isso. As pessoas dormem profundamente, porém creem que estão despertas. Quando alguém aceita que está adormecido, é um sinal claro de que já começa a despertar. É muito difícil fazer outras pessoas compreenderem que estão com a Consciência adormecida; as pessoas não aceitam jamais a tremenda verdade de que estão adormecidas. Quem quiser despertar a Consciência deve praticar, de momento a momento, a íntima recordação de si mesmo.

Isso de estar se recordando de si mesmo de momento em momento é, de fato, um trabalho intensivo. Basta um instante de esquecimento para se começar a sonhar profundamente. Necessitamos, com urgência, vigiar todos os nossos pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, hábitos, instintos, impulsos sexuais, etc. Todo pensamento, emoção, movimento, ato instintivo ou qualquer impulso sexual, deve ser observado imediatamente conforme vai surgindo em nossa psique; qualquer descuido na atenção é suficiente para cairmos no sono da Consciência.

Muitas vezes você caminha por uma rua, absorto em seus próprios pensamentos, identificado, fascinado e sonhando intensivamente com eles. De repente, passa um amigo por perto de você e lhe cumprimenta. No entanto, você não responde ao aceno porque não o vê, está sonhando; o amigo se ofende e supõe que você é uma pessoa sem educação ou que, possivelmente, você está aborrecido; o amigo também vai sonhando, porque se estivesse desperto, não faria semelhante conjectura, e se daria conta, de imediato, que você está adormecido.

Diversas vezes você se equivoca e bate numa porta errada porque está adormecido. Você vai num veículo de transporte coletivo e tem que descer em determinada rua, porém como segue identificado, fascinado, e sonhando profundamente com um negócio em sua mente, ou com uma recordação ou com um afeto, de repente, dá-se conta de que passou da rua. Com isso, tem que parar o ônibus para imediatamente voltar a pé algumas ruas.

É muito difícil manter-se desperto de momento em momento, porém é indispensável.

Quando aprendemos a viver despertos, de instante a instante, deixamos de sonhar aqui e também fora do corpo físico. É necessário saber que as pessoas, ao dormirem, saem de seus corpos, levando seus sonhos e vivendo nos mundos internos sonhando. Ao voltarem aos seus corpos físicos, continuam no mesmo estado, ou seja, permanecem sonhando. Quando alguém aprende a viver desperto de instante a instante, deixa de sonhar aqui e também nos mundos internos.

É necessário saber que o ego (ou eu), envolto em seus corpos lunares, sai do corpo físico quando o corpo adormece. Desgraçadamente, o ego vive dormindo nos mundos internos. Dentro dos corpos lunares, existe, além do ego, isso que se chama Essência, Alma, fração de Alma, Budhata ou Consciência. É essa Consciência que devemos despertar aqui e agora.

Aqui, neste mundo, temos a Consciência e é aqui que devemos despertá-la, se é que, de verdade, queremos deixar de sonhar para vivermos conscientemente nos mundos superiores. A pessoa com Consciência desperta, enquanto seu corpo descansa na cama, vive, trabalha e atua conscientemente nos mundos superiores.

A pessoa consciente não tem dificuldade com o desdobramento astral, pois o problema de aprender a se desdobrar à vontade é somente para os adormecidos. A pessoa desperta nem sequer se preocupa em aprender a se desdobrar porque vive conscientemente nos mundos superiores, enquanto seu corpo físico dorme na cama. Nesse estado, a pessoa desperta já não sonha, e, durante o repouso do corpo, vive conscientemente nas regiões onde as pessoas vivem sonhando, porém, ela permanece com a Consciência desperta. Ela desperta está em contato com a Loja Branca, visita os templos da Grande Fraternidade Universal Branca, conversa com seu “Guru-Deva”, enquanto seu corpo dorme.

O sentido espacial inclui, em si mesmo, visão, audição, olfato, paladar, tato, etc. O sentido espacial é um funcionalismo da Consciência desperta. Os chacras, sobre os quais falam a literatura ocultista, com relação ao sentido espacial, são equivalentes a um pavio em comparação com o Sol.

Da mesma forma como é certo que a íntima recordação de si mesmo, de momento a momento, é fundamental para despertar a Consciência, não é menos certo também o fato de se ter que aprender a manejar a atenção. Os estudantes gnósticos devem aprender a dividir a atenção em três partes: sujeito, objeto e lugar.

Sujeito: Não cair no esquecimento de si mesmo diante de nenhuma representação. Objeto: Observar detalhadamente toda coisa, toda representação, fato ou sucesso, por mais insignificante que pareça, sem o auto-esquecimento de si mesmo. Lugar: Observação rigorosa do lugar onde estejamos, perguntando-nos a nós mesmos: Que lugar é este? Por que estou aqui? Dentro deste fator “lugar”, devemos incluir a questão dimensional, pois poderia dar-se o caso de nos encontrarmos na quarta ou na quinta dimensão da natureza durante o momento da observação. Recordemos que a natureza tem sete dimensões. No mundo tridimensional reina a lei da gravidade. Dentro das dimensões superiores da natureza existe a lei da levitação.

Ao observarmos um lugar, não devemos esquecer, jamais, a questão das sete dimensões da natureza. Convém, então, nos perguntarmos em qual dimensão estamos. Logo, é necessário verificar isso dando um salto, o mais longo possível, com a intenção de flutuar no ambiente circundante. É lógico que, se flutuarmos, significa que estamos fora do corpo físico. Jamais devemos esquecer que quando o corpo físico “adormece”, o ego, junto com os corpos lunares e a Essência embutida, perambula inconscientemente como um sonâmbulo no mundo molecular.

A divisão da atenção em sujeito, objeto e lugar nos conduz ao despertar da Consciência. Muitos estudantes gnósticos, depois de se acostumarem com esse exercício, dividindo a atenção em três partes, formulando essas perguntas, efetuando o salto, etc., (durante o estado de vigília, de momento a momento) terminaram repetindo o mesmo exercício durante o sono do corpo físico, quando realmente estão nos mundos superiores. Ao darem o famoso salto experimental, flutuam deliciosamente no ambiente circundante e, então, despertam a Consciência, recordam que o corpo físico ficou adormecido na cama. Com isso, cheios de prazer, eles podem se dedicar ao estudo dos mistérios da vida e da morte, nas dimensões superiores.

É lógico dizer que um exercício que se pratica diariamente, de momento a momento, converte-se em um hábito e fica bem gravado nas distintas zonas da mente. Por conta disso, depois é repetido automaticamente durante o sono, quando a pessoa estiver fora do corpo físico. O resultado é o despertar da Consciência.

CÂNCER

Câncer

Ao deixar o corpo, tomando a senda do fogo, da luz do dia, da quinzena luminosa da Lua e do solstício setentrional, os conhecedores brâmanes vão a Brahma.

Capítulo VIII, versículo 24, Bhagavad Gita

O iogue que, ao morrer, vai pela senda do fumo, da quinzena obscura da Lua e do solstício meridional, chega à esfera lunar e logo renasce.

Capítulo VIII, versículo 25, Bhagavad Gita

Essas duas sendas, a luminosa e a obscura, são consideradas permanentes. Através da primeira, pode-se emancipar; através da segunda, pode-se renascer.

Capítulo VIII, versículo 26, Bhagavad Gita

O Ser não nasce, não morre e nem se reencarna; não tem origem, é eterno, imutável, o primeiro de todos, e não morre mesmo quando o corpo é destruído.

Capítulo II, versículo 20, Bhagavad Gita

O ego nasce e morre. Distinga-se entre o ego e o Ser. O Ser não nasce, não morre e nem se reencarna. Os frutos das ações são de três classes: desagradáveis, agradáveis e a mistura de ambos. Esses frutos se aderem, depois da morte, aos que não renunciaram, porém, jamais, no caso do homem que renuncia.

Capítulo XVIII, versículo 12, Bhagavad Gita

Aprende de mim, ó tu, de poderosos braços! Aproxima-te dessas cinco causas relacionadas com o cumprimento das ações, segundo a mais alta sabedoria, que é o fim de toda ação.

Capítulo XVIII, versículo 13, Bhagavad Gita

O corpo, o ego, os órgãos, as funções e as deidades (planetas) que presidem os órgãos, são as cinco causas.

Capítulo XVIII, versículo 14, Bhagavad Gita

Qualquer ato devido ou indevido, seja físico, verbal ou mental, tem essas cinco causas.

Capítulo XVIII, versículo 15, Bhagavad Gita

Sendo assim a questão, aquele que, pela defeituosa compreensão, considera o Atman (o Ser), o Absoluto, como ator, é um tolo que não enxerga a realidade.

Capítulo XVIII, versículo 16, Bhagavad Gita

Portanto, o Bhagavad Gita faz uma diferenciação entre o ego, o eu, e o Ser, Atman. O “animal intelectual”, equivocadamente chamado homem, é composto de corpo, ego (eu), órgãos e funções. É uma máquina movida por deidades ou, melhor dizendo, por planetas.

Muitas vezes, basta qualquer catástrofe cósmica para que as ondas que chegam a Terra enviem essas máquinas humanas adormecidas aos campos de batalhas. Milhões de máquinas adormecidas contra milhões de outras máquinas.

A Lua traz os egos à matriz e também os levam. Max Heindel disse que a concepção se realiza sempre quando a Lua está no signo de Câncer. Sem a Lua não é possível que haja concepção.

Os primeiros sete anos da vida são governados pela Lua. Os sete anos seguintes são mercurianos em cem por cento. Por isso, a criança vai à escola, fica muito inquieto e em incessante movimento.

O terceiro septenário da vida, a terna adolescência, compreendida entre os quatorze e os vinte e um anos de vida, está governado por Vênus, a estrela do amor. É o período da aflição, da pontada, o período do amor, o ciclo em que vemos a vida cor-de-rosa.

Dos vinte e um anos até os quarenta e dois temos que ocupar nosso posto inferior ao Sol e definir nossa vida. Esse período é governado pelo Sol.

O septenário compreendido entre os quarenta e dois e quarenta e nove anos de idade é cem por cento marciano. Nesse período, a vida se torna um verdadeiro campo de batalha, porque Marte representa a guerra.

O período compreendido entre os quarenta e nove e cinquenta e seis anos de idade é jupteriano. A pessoa que tem Júpiter bem situado em seu horóscopo, é claro que, durante esse ciclo de sua vida, é respeitado por todo mundo, e se não possui as desnecessárias riquezas mundanas, pelo menos tem o necessário para poder viver muito bem. Outra é a sorte de quem tem o planeta Júpiter mal situado em seu horóscopo; essas pessoas sofrem o indizível, carecem de pão, abrigo, refúgio e são maltratados pelos outros.

O período de vida compreendido entre os cinquenta e seis e sessenta e três anos é governado pelo Ancião dos Céus, o Velho Saturno. Realmente, a velhice começa aos cinquenta e seis anos. Passado o período de Saturno, retorna o ciclo da Lua trazendo o ego ao nascimento para depois levá-lo.

Se observarmos cuidadosamente a vida dos anciões de idade muito avançada, podemos verificar que eles voltam à idade das crianças; os velhinhos voltam a brincar, respectivamente, de carrinhos e de bonecas. Os anciões maiores de sessenta e três anos e as crianças menores de sete anos são governados pela Lua.

Entre mil homens, talvez um intente chegar à perfeição; entre os que intentam, possivelmente, um logre a perfeição; e entre os perfeitos, quem sabe, um me conheça perfeitamente.

Capítulo VII, versículo 3, Bhagavad Gita

O ego é lunar, e, ao deixar o corpo físico, segue pelo caminho do fumo, da quinzena obscura da Lua e do solstício meridional e depois retorna a uma nova matriz. A Lua leva e também traz o ego lunar, essa é a lei. O ego está vestido com corpos lunares. Os veículos internos estudados pela Teosofia são de natureza lunar.

As Escrituras Sagradas dos jainos dizem: O Universo está povoado por diversas criaturas existentes no Samsara, nascidas de famílias e de castas distintas, por haverem cometido várias ações; e, segundo sejam essas assim, vão algumas vezes ao mundo dos deuses; em outras vezes, ao inferno; em algumas vezes se convertem em asuras (pessoas diabólicas). Por tal razão, os seres viventes que nascem sem cessar por culpa de suas más ações, não repugnam o Samsara.

A Lua leva todos os egos, porém não trazem todos novamente. Por estes tempos, a maior parte deles entra nos mundos infernais, nas regiões sublunares, no reino mineral submerso, nas trevas exteriores onde somente se ouve o pranto e o ranger de dentes.

Hoje em dia, são poucos os desencarnados que se podem dar o luxo de umas férias no mundo dos deuses, antes de voltar a uma nova matriz pelas portas da Lua. São muitos os que retornam de forma mediata ou imediata, levados e trazidos pela Lua, sem haverem gozado das delícias dos mundos superiores.

Os perfeitos, os eleitos, aqueles que dissolveram o ego, que fabricaram seus corpos solares e se sacrificaram pela humanidade, são bem-aventurados. Ao deixarem os corpos físicos, com a morte, tomam o caminho do fogo, da luz do dia, da quinzena luminosa da Lua e do solstício setentrional. Eles encarnaram o Ser, conhecem Brahma (o Pai que está em segredo) e é claro que vão a Brahma (o Pai).

O Jainismo diz que, durante este Grande Dia de Brahma, descem a este mundo, vinte quatro profetas maiores que já alcançaram a perfeição total. As Escrituras Gnósticas dizem que há doze salvadores, quer dizer, doze Avataras. Mas se pensarmos em João Batista como precursor, e em Jesus como Avatara para a Era de Peixes que acabou de passar, então, poderemos compreender que, para cada uma das doze Eras Zodiacais, existem sempre um precursor e um Avatara, totalizando vinte e quatro profetas. Mahavira foi o precursor de Buda e João Batista o de Jesus.

O Sagrado Raskoarno (morte) está cheio de profunda beleza interior. Só conhece a verdade a respeito da morte aquele que experimentou, de forma direta, sua profunda significação. A Lua leva e traz os falecidos, os extremos se tocam. A morte e a concepção encontram-se intimamente unidas. A senda da vida está formada com as “pegadas dos cascos do cavalo da morte”.

A desintegração de todos os elementos que constituem o corpo físico origina uma vibração muito especial que passa invisivelmente através do espaço e do tempo. Semelhantes às ondas de uma televisão que emitem imagens, assim também são as ondas vibratórias dos falecidos. O que é a tela para as ondas da estação emissora é o embrião para as ondas da morte.

As ondas vibratórias da morte carregam a imagem do falecido que fica depositada no ovo fecundado. Sob a influência lunar, o zoosperma penetra através da capa do ovo voltando instantaneamente a fechar-se, aprisionando-o. Aí é gerado um interessantíssimo campo de atração, que atrai e é atraído em direção ao núcleo feminino que o espera tranquilamente no centro do ovo.

Quando esses dois núcleos fundamentais se fundem em uma só unidade, os cromossomos iniciam sua famosa dança, enredando-se e voltando a se enredar em um instante. É assim como o desenho de alguém que agonizou e morreu cristaliza-se no futuro embrião. Cada célula comum do organismo humano contém quarenta e oito cromossomos, e isto nos recorda as quarenta e oito leis do mundo em que vivemos.

As células reprodutivas do organismo contêm um cromossomo de cada par, mas em sua união produzem uma combinação nova de quarenta e oito cromossomos que fazem com que, cada embrião, seja único e diferente. Toda forma humana, todo organismo é uma máquina preciosa. Cada cromossomo leva em si mesmo o selo de alguma função, qualidade ou característica especial. Um par determina o sexo, pois a sua dualidade é o fator que faz surgir à fêmea.

A parte ímpar dos cromossomos origina machos. Recordemos a lenda bíblica de Eva, feita de uma costela de Adão e tendo, portanto, uma costela a mais que ele. Os cromossomos, em si mesmos, são compostos por genes, e cada um deles, por poucas moléculas. Realmente, os genes constituem a fronteira entre este mundo e o outro, entre a terceira e a quarta dimensões.

As ondas dos moribundos, as ondas da morte, atuam sobre os genes ordenando-os dentro do ovo fecundado. Desse modo, o corpo físico perdido é refeito e o desenho dos falecidos se torna visível no embrião.

LEÃO

Leão

Annie Besant conta um caso a respeito do Mestre Nanak, que bem vale a pena transcrever:

Naquele dia de terça-feira, ao chegar o momento da oração, amo e criado encaminharam-se para a mesquita. Quando o kari (sacerdote muçulmano) começou as orações, o nabab e seu séquito se ajoelharam, segundo prescreve o rito maometano. No entanto, Nanak permaneceu de pé, imóvel e silencioso. Terminada a oração, o nabab encarou o jovem e perguntou-lhe indignado:

– Por que não tens cumprido as cerimônias da lei? És um embusteiro, um farsante.

Não devias ter vindo aqui para ficar como um poste.

Nanak, então, replicou:

– Prostraste o rosto no solo, enquanto a tua mente vagava pelas nuvens, porque estiveste pensando em trazer cavalos de Candar, e não em recitar a prece. Por outro lado, o sacerdote praticava automaticamente as cerimônias de prosternação, ao passo que colocava seu pensamento, imaginando como salvar a burrica que pariu dias atrás. Como eu poderia orar com as pessoas que se ajoelham por rotina e repetem as palavras como um papagaio?

O nabab confessou que, em realidade, estivera pensando, durante toda a cerimônia, projetando a compra dos cavalos. Por outro lado, no tocante ao kari, ele manifestou abertamente o seu desgosto e constrangeu o jovem fazendo-lhe muitas perguntas.

Realmente, é necessário aprender a orar cientificamente. Quem aprender a combinar, inteligentemente, a oração com a meditação obterá resultados objetivos e maravilhosos. No entanto, é urgente compreender que existem diferentes orações e que seus resultados são diferentes. Existem orações acompanhadas de petições, mas nem todas as orações vêm acompanhadas de súplicas. Existem orações antigas que são verdadeiras recapitulações de acontecimentos cósmicos e podemos experimentar todo seu conteúdo, se meditarmos em cada palavra, em cada frase, com verdadeira devoção consciente.

O Pai-Nosso é uma fórmula mágica de imenso poder sacerdotal, contudo é urgente compreendermos profunda e totalmente, o significado profundo de cada palavra, de cada frase e de cada súplica. O Pai-Nosso é uma oração petitória que pretendia falar com o Pai que está em segredo. O Pai-Nosso combinado com a meditação profunda produz resultados objetivos maravilhosos.

Os rituais gnósticos e as cerimônias religiosas são verdadeiros tratados de sabedoria oculta para quem sabe meditar e também para os que compreendem com o coração. Quem quiser percorrer a senda do coração tranquilo deve fixar o Prana, a vida ou força sexual no cérebro, fixando a mente no coração.

É urgente aprender a pensar com o coração e depositar a mente no Templo-Coração. A cruz da iniciação se recebe sempre no templo maravilhoso do coração. Nanak, o Mestre fundador da religião Sikh na terra sagrada dos vedas, ensinou o caminho do coração. Nanak ensinou a fraternidade entre todas as religiões, escolas, seitas, etc. Quando atacamos as religiões, ou, em particular, alguma religião, cometemos o delito de violar a lei do coração. No Templo-Coração, há lugar para todas as religiões, seitas, ordens, etc. Todas as religiões são pérolas preciosas engastadas no colar de ouro da Divindade.

Nosso Movimento Gnóstico está constituído por pessoas de todas as religiões, escolas, seitas, sociedades espirituais, etc. No Templo-Coração, há lugar para todas as religiões e para todos os cultos. Jesus disse:

Em que vos ameis uns aos outros, provareis que sois meus discípulos. As Escrituras Sikhs, tais como as de todas as religiões, são realmente inefáveis. Entre os sikhs, Omkara é o Primário Ser Divinal que criou o Céu, a Terra, as águas e tudo o que existe. Omkara é o Espírito Primário Imanifestado e Imperecível, sem princípio nem fim de dias, cuja luz ilumina as quatorze moradas. Ele é o conhecedor instantâneo e o regulador interno de todo coração.

O espaço és tu, Potestade. O Sol e a Lua são tuas lâmpadas. O exército de estrelas, tuas pérolas, ó Pai! A odorífica brisa dos Himalaias é teu incenso. O vento te areja e o reino vegetal te oferece flores. Ó luz! Para ti, os hinos de louvor, ó destruidor do medo! O anatal shadbha (som virgem) ressoa como teus tambores. Não tens olhos, e aos milhares os tens; não tens pés, e aos milhares os tens; não tens nariz, e aos milhares os tens. Esta tua maravilhosa obra nos perturba a razão. Tua luz, ó Glória, está em todas as coisas. De todos os seres, irradia a luz de tua luz. Dos ensinamentos do Mestre, irradia esta luz. És um Arati.

O grande Mestre Nanak, de acordo com os Upanishads, compreende que Brahma (o Pai), é Uno, e que os deuses inefáveis são, tão somente, suas manifestações parciais, reflexos da absoluta beleza.

O “Guru-Deva” é aquele que já é Uno com o Pai (Brahma). Ditoso aquele que tem um “Guru-Deva” por guia e orientador. Bem-aventurado quem encontrou o Mestre de Perfeição. O caminho é apertado, estreito e espantosamente difícil. Necessita-se do “Guru-Deva”, o orientador, o guia. No Templo-Coração, encontraremos Hari, o Ser e o “Guru-Deva”. Agora transcreveremos algumas estrofes sikhs sobre a devoção ao “Guru-Deva”:

Ó Nanak! Reconheça-o como verdadeiro Guru, o bem-amado que te une ao todo. Oxalá que eu pudesse me sacrificar cem vezes ao dia por meu Guru que me converteu em um deus em pouco tempo. Ainda que luzissem cem luas e mil sóis, sem o Guru, reinariam profundas trevas. Bendito seja meu venerável Guru que conhece Hari (o Ser) e nos ensinou a tratar, de igual forma, tanto os amigos como os inimigos.

Ó Senhor! Favorece-nos com a companhia do Guru-Deva, para que, juntamente com ele, possamos nós, pecadores extraviados, fazer a travessia a nado. O Guru-Deva, o verdadeiro Guru, é Parabrahman o Senhor Supremo. Nanak se prosterna ante o Guru-Deva Hari.

No Hindustão, um sanyasin do pensamento é quem serve ao verdadeiro “Guru-Deva” e quem já o encontrou no coração e trabalha na dissolução do ego lunar. Quem quiser acabar com o ego ou eu deve aniquilar a ira, a cobiça, a luxúria, a inveja, o orgulho, a preguiça e a gula. Só eliminando todos esses defeitos, em todos os níveis da mente, o eu morre de forma radical, total e definitiva.

A meditação no nome de Hari (o Ser) permite-nos experimentar o Real, o Verdadeiro. É necessário que se aprenda a orar o Pai-Nosso e falar com Brahma (o Pai), que está em segredo. Apenas um Pai-Nosso, bem orado e sabiamente combinado com a meditação, constitui-se numa obra completa de alta magia. Um único Pai-Nosso bem orado é feito ao longo de uma hora ou mais. Depois da oração, é preciso saber aguardar a resposta do Pai e isso significa saber meditar, ter a mente quieta, em silêncio, vazia de todo pensamento, aguardando a resposta do Pai.

Quando a mente está quieta, por dentro e por fora, em absoluto silêncio, depois de se libertar do dualismo, então, advém o “novo”. É necessário esvaziar a mente de toda classe de pensamentos, desejos, paixões, apetências, temores, etc., para que surja em nós a experiência do Real. A irrupção do vazio e a experiência no vazio iluminador só são possíveis, quando a Essência, a Alma ou o Budhata se liberta da “garrafa intelectual”.

A Essência está engarrafada em meio ao tremendo batalhar dos opostos: frio e calor, gosto e desgosto, sim e não, bem e mal, agradável e desagradável. Quando a mente está quieta e em silêncio, então, a Essência se liberta, proporcionando a experiência do Real no vazio iluminador.

Bom discípulo, ore e, depois, com a mente bem quieta e em silêncio, vazia de toda classe de pensamentos, aguarde a resposta do Pai: Pedi e dar-se-vos-á, batei e abrir-se-vos-á. Orar é conversar com Deus, e certamente há que se aprender a conversar com o Pai, com Brahma.

O Templo-Coração é casa de oração. No Templo-Coração, as forças que vêm de cima se encontram com as forças que vêm de baixo, formando o selo de Salomão. É necessário orar e meditar profundamente. É urgente saber relaxar o corpo físico para que a meditação seja correta.

VIRGO

Virgem

A Prakriti é a Mãe Divina, a substância primordial da natureza. No Universo, existem várias substâncias, distintos elementos e subelementos, porém tudo isso se constitui em diferentes modificações de uma Substância Única. A Matéria Primordial é o Akasha Puro, contido em todo o Espaço, a Grande-Mãe, a Prakriti.

Mahamanvantara e Pralaya são dois termos sânscritos muito importantes com os quais os estudantes gnósticos devem familiarizar-se. Mahamanvantara é o “Grande Dia Cósmico”. Pralaya é a “Grande Noite Cósmica”. Durante o “Grande Dia”, o Universo existe. Quando chega a “Grande Noite”, o Universo deixa de existir, dissolvendo-se no Seio da Prakriti.

O incomensurável espaço infinito está cheio de sistemas solares que têm seus Mahamanvantaras e seus Pralayas. Enquanto alguns estão em Mahamanvantara, outros estão em Pralaya.

Milhões e bilhões de universos nascem e morrem entre o seio da Prakriti. Todo Cosmo nasce da Prakriti e dissolve-se nela própria. Todo o mundo é uma bola de fogo que se incendeia e se apaga entre o seio da Prakriti. Tudo nasce da Prakriti e tudo retorna à Prakriti. Ela é a Grande Mãe.

O Bhagavad Gita diz: A Grande Prakriti é minha matriz, ali coloco o gérmen, e dela, oh Bharata nascem todos os seres! Oh Kountreya, a Prakriti é a verdadeira matriz de qualquer coisa que nasce de distintas matrizes, e eu sou o germinador paterno. Oh impecável! Deles, o sattva que é puro, luminoso e bom, ata o ser encarnado mediante o apego, a felicidade e o conhecimento. Oh Kountreya, tu sabes que rajas é de natureza passional, sendo, portanto, a fonte do desejo e do apego; essa guna ata fortemente o ser encarnado à ação. Oh Bharata! Sabes que tamas nasce da ignorância e alucina todos os seres; tamas ata o ser encarnado através da inobservância, da preguiça e do sonho (Consciência adormecida, sonho da Consciência).

Durante o Grande Pralaya, essas três gunas estão em perfeito equilíbrio na Grande Balança da Justiça. Quando ocorre o desequilíbrio das três gunas, inicia-se a aurora do Mahamanvantara, e o Universo nasce dentro do seio da Prakriti.

Durante o Grande Pralaya, a Prakriti é unitotal, íntegra. Durante a manifestação ou Mahamanvantara, a Prakriti diferencia-se em três aspectos cósmicos, a saber: o primeiro é o do espaço infinito; o segundo é o da natureza e o terceiro é o do homem.

A Mãe Divina no espaço infinito, a Mãe Divina na natureza e a Mãe Divina no homem. Estas são as três Mães, as Três-Marias do Cristianismo. Os estudantes gnósticos devem compreender muito bem os três aspectos da Prakriti, pois é fundamental no trabalho esotérico.

Ademais, é urgente saber que a Prakriti tem sua particularidade em cada homem. Os estudantes gnósticos não devem estranhar quando afirmamos que a Prakriti particular de cada homem tem até o seu nome individual. Isto significa dizer que, cada um de nós tem uma Mãe Divina. Compreender isto é fundamental para o trabalho esotérico O “segundo-nascimento” é outra coisa. O Terceiro Logos, o fogo sagrado, deve primeiramente fecundar o ventre sagrado da Mãe Divina, advindo o “segundo-nascimento”. A Prakriti é sempre virgem antes, durante e depois do parto.

Todo Mestre da Loja Branca tem sua Mãe Divina particular, sua Prakriti. Todo Mestre é filho de uma virgem imaculada. Se estudarmos as religiões comparadas, descobriremos, em qualquer parte, as imaculadas concepções. Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo, pois a Mãe de Jesus é sempre uma virgem imaculada.

As escrituras religiosas dizem que Buda, Júpiter, Zeus, Apolo, Quetzalcóatl, Fu-ji, LaoTsé, entre outros, foram filhos de virgens imaculadas, antes, durante e depois do parto. Na terra sagrada dos Vedas, Devaki, a virgem do Hindustão, concebeu Krishna. Já em Belém, a Virgem Maria concebeu Jesus.

Na “China Amarela”, às margens do rio Fu-Ji, a virgem Hoa-Se pisa a planta do grande homem; ela é coberta com um maravilhoso resplendor e suas entranhas concebem, por obra e graça do Espírito Santo, o Cristo chinês Fu-Ji. É condição básica para o “segundo-nascimento” que primeiro intervenha o Terceiro Logos, o Espírito Santo, fecundando o ventre virginal da Mãe Divina.

No Hindustão, o fogo sexual do Terceiro Logos é conhecido com o nome de Kundalini, simbolizado por uma Cobra de Fogo ardente. A Mãe Divina é Ísis, Tonantzín, Kali ou Parvati, a esposa de Shiva, o Terceiro Logos, e seu símbolo mais poderoso é o da Vaca Sagrada. Ele deve subir pelo canal medular da Vaca Sagrada e deve fecundar o ventre da Mãe Divina. Somente dessa forma, surge a imaculada concepção e o “segundo-nascimento”.

A Kundalini, em si mesma, é um Fogo Solar que se encontra encerrado dentro de um centro magnético situado no osso do cóccix, na base da espinha dorsal. Quando o fogo sagrado desperta sobe pelo canal medular ao longo da espinha dorsal, abrindo os sete centros da espinha dorsal e fecundando a Prakriti. O fogo da Kundalini tem sete graus de poder, e é necessário ascender pela escala septenária de fogo, para se lograr o “segundo-nascimento”. Quando a Prakriti é fecundada pelo Fogo Flamígero, dispõe de poderes formidáveis para nos ajudar.

“Nascer de novo” equivale a entrar no Reino. É muito raro encontrar um “duas-vezes-nascido”. Raro é aquele que nasce pela segunda vez. Quem quiser nascer de novo e lograr a liberação final deve eliminar de sua natureza as três gunas da Prakriti. Quem não elimina a guna sattva, perde-se no labirinto das teorias e abandona o trabalho esotérico. Quem não elimina a guna raja, fortifica o ego lunar mediante a ira, a cobiça e a luxúria.

Não devemos olvidar que rajas é a própria raiz do desejo animal e das paixões mais violentas. Rajas é a raiz de toda concupiscência que, em si mesma, origina todo desejo. Quem quiser eliminar o desejo, deve primeiro eliminar a guna rajas. Quem não eliminar a guna tamas, terá sempre a Consciência adormecida, será preguiçoso, abandonará o trabalho esotérico por causa da indolência, da inércia, da preguiça, da falta de vontade, da fraqueza e da falta de entusiasmo espiritual; será vítima das tolas ilusões deste mundo e sucumbirá na ignorância.

Já foi dito que depois da morte, as pessoas de temperamento sáttvico, gozarão férias nos paraísos ou reinos moleculares e eletrônicos onde desfrutarão de felicidade infinita, antes de retomarem a uma nova matriz.

Os iniciados sabem muito bem, por experiência direta, que as pessoas de temperamento rajásico se reincorporam ou retornam a este mundo em forma imediata; outra opção é permanecerem no umbral, aguardando a oportunidade para ingressarem em uma nova matriz, mas sem terem direito à dita de umas férias nos distintos reinos da felicidade.

Todo iluminado sabe perfeitamente que depois da morte, as pessoas de temperamento tamásico, ingressam nos mundos infernais descritos por Dante em sua Divina Comédia, sob a crosta terrestre, dentro das entranhas do mundo subterrâneo. É urgente eliminarmos de nossa natureza interior as três gunas, se é que, verdadeiramente, queremos realizar o trabalho esotérico exitosamente.

O Bhagavad Gita relata: Quando o sábio vê que somente as gunas é que atuam e conhece aquele que está mais além das gunas, então, chega a meu Ser.

Aquele que se mantém o mesmo, tanto diante do prazer quanto da dor, que mora em seu próprio Ser, que dá igual valor a um pedaço de argila, a uma pedrinha ou a uma pepita de ouro; aquele que se mantém equânime ante o agradável e o desagradável, ante a censura e ao elogio, na honra ou na desonra, ante o amigo ou o inimigo; aquele que renunciou a todo novo intento egoísta e terrenal já eliminou as três gunas e dissolveu o ego lunar.

Aquele que já não tem concupiscência, que extinguiu o fogo da luxúria em todos os quarenta e nove departamentos subconscientes da mente eliminou as três gunas e dissolveu o ego lunar. Assim está escrito, e estas são as palavras do Bendito: A terra, a água, o fogo, o ar, o espaço, a mente, o intelecto e o ego são as oito categorias em que está dividida minha Prakriti.

Quando amanhece o Grande Dia Cósmico, todos os seres se manifestam provenientes da Imanifestada Prakriti. Na Grande Noite Cósmica, desaparecem na Imanifestada Prakriti. Por trás da “Imanifestada Prakriti”, está o “Imanifestado Absoluto”. É necessário ingressar primeiro na “Imanifestada”, antes de submergir-se no seio do “Imanifestado Absoluto”.

A bendita Deusa Mãe do Mundo é isso que se chama Amor. Ela é Ísis, a quem nenhum mortal levantou o véu. Na chama da Serpente, nós a adoramos. Todas as grandes religiões renderam culto à Mãe Cósmica. Ela é Adonía, Insoberta, Rea, Cibeles, Tonantzín, etc.

O devoto da Virgem Mãe pode pedir, e as sagradas escrituras dizem: Pedi e dar-se-vos-á, batei e abrir-se-vos-á. No grande ventre da Mãe Divina, são gestados os mundos.

O signo de Virgem governa o ventre, está intimamente relacionado com os intestinos e, de forma muito especial, com o pâncreas e com as ilhotas de Langherans que segregam a insulina, tão importante para a digestão dos açúcares. As forças que sobem da terra, ao chegarem ao ventre, carregam-se com os hormônios adrenais, que as preparam e as purificam para sua ascensão até o coração.

lIBRA

Libra

A mente decrépita dos ocidentais, ao criar o dogma intransigente da evolução, esqueceu-se totalmente dos processos destrutivos da natureza. É curioso que a mente degenerada não possa conceber o processo inverso, involutivo, em grande escala.

A mente no estado de decrepitude confunde uma caída com uma descida; nesse caso, o processo de destruição, de degeneração, de dissolução em grande escala, etc., é qualificado como processo de mudança, progresso e evolução.

Tudo evoluciona e involuciona, sobe e baixa, cresce e decresce, vai e vem, flui e reflui. Em tudo, existe uma sístole e uma diástole, de acordo com a Lei do Pêndulo. A Evolução e sua irmã gêmea, a Involução, são duas leis que se desenvolvem e se processam de forma coordenada e harmoniosa em toda a criação. A Evolução e a Involução constituem-se no eixo mecânico da natureza. São duas leis mecânicas da natureza que nada têm que ver com a autorrealização íntima do homem.

A autorrealização íntima do homem jamais pode ser o resultado de nenhuma lei mecânica; ao contrário, é o resultado de um trabalho consciente, feito sobre si mesmo e dentro de si mesmo, à base de tremendos superesforços, compreensão profunda, de sofrimentos intencionais e voluntários.

Tudo retorna ao ponto de partida original, e o ego lunar retorna, depois da morte, a uma nova matriz. Está escrito que a todo ser humano são consignadas cento e oito vidas para que se auto-realize. No caso de muitas pessoas, o período está se acabando. Quem não se autorrealizar dentro do tempo assinalado deixa de renascer, para ingressar nos mundos infernais.

Em apoio à Lei da Involução ou Retrocesso, o Bhagavad Gita diz o seguinte: “A eles, os malvados, cruéis e degradados, arrojo-os perpetuamente nos ventres azúricos (demoníacos), para que nasçam nesses mundos (mundos infernais). Oh, Kountreya! Essa gente alucinada vai às matrizes demoníacas durante muitas vidas e segue caindo em corpos cada vez mais inferiores (involução). Tríplice é a porta deste Inferno destruidor, que é constituída de luxúria, ira e cobiça; por causa disso, há que abandoná-la”.

A antessala dos mundos infernais representa o descenso involutivo em corpos cada vez mais inferiores, de acordo com a Lei da Involução. Quem desce pela espiral da vida cai em matrizes demoníacas durante várias existências, antes de ingressar nos mundos infernais da natureza (situados, segundo Dante, dentro do interior do organismo terrestre).

Certos hindustânicos não dão por cumpridos seus deveres sagrados, enquanto não dão cento e oito voltas em torno da Vaca, com o rosário nas mãos; depois, enchem um copo com água, colocam o rabo da vaca por um momento e bebem o líquido como o mais sagrado e delicioso licor divino. É urgente recordar que o colar de Buda tem cento e oito contas. Tudo isso nos convida a reflexionar sobre as cento e oito vidas que são consignadas ao ser humano. É claro que quem não aproveita essas cento e oito vidas ingressa na involução dos mundos infernais.

A involução infernal é uma queda para trás, até o passado, passando por todos os estados animais, vegetais e minerais, através de sofrimentos espantosos. A última etapa da involução infernal é o estado fóssil, e depois ocorre a desintegração dos perdidos. A única coisa que se salva de toda essa tragédia, a única parte que não se desintegra é a Essência, o Budhata, essa fração de Alma humana que o pobre “animal intelectual” carrega dentro de seus corpos lunares.

A involução nos mundos infernais objetiva, precisamente, liberar o Budhata, a Alma humana, para que, a partir do caos original, reinicie sua ascensão evolutiva pelas escalas mineral, vegetal e animal, até alcançar o nível de “animal intelectual”, equivocadamente chamado homem. É lamentável que muitas Almas reincidam, voltem uma e outra vez aos mundos infernais.

O tempo nos mundos infernais, dentro do reino mineral submerso, é espantosamente lento e aborrecedor. Após cem anos espantosamente longos nesses infernos atômicos da natureza, se paga certa quantidade de carma.

Quem se desintegra totalmente nos mundos infernais fica em paz e livre da Lei do Carma. Depois da morte do corpo físico, todo ser humano, depois de revisar a vida que acaba de passar, é julgado pelos Senhores do Carma. Os perdidos ingressam nos mundos infernais, depois de colocarem as suas obras boas e más na Balança da Justiça Cósmica.

A Lei da Balança, a terrível Lei do Carma, governa toda a criação. Toda causa se converte em efeito e todo efeito se transforma em causa. Modificando-se a causa, modifica-se o efeito. Faz boas obras para que pagues tuas dívidas. Ao leão da Lei se combate com a Balança.

Se o prato das más obras pesa mais, aconselho-te a aumentar o peso no prato das boas obras, e, dessa forma, inclinarás a balança a teu favor. Quem tem capital para pagar, paga e sai bem nos negócios; quem não tem capital deve pagar com dor. Quando uma lei inferior é transcendida por uma lei superior, a lei superior lava a lei inferior.

Milhões de pessoas falam sobre as Leis de Reencarnação e do Carma, sem haver experimentado diretamente a sua profunda significação. Realmente, o ego lunar retorna, reincorpora-se, penetra em uma nova matriz, porém isso não pode ser chamado de reencarnação. Falando precisamente, diremos que isso se constitui no processo do Retorno. Reencarnação é outra coisa, é só para Mestres, para indivíduos sagrados, para os “duas-vezes-nascidos”, para aqueles que já possuem o Ser.

O ego lunar retorna e, de acordo com a Lei da Recorrência, repete em cada vida as mesmas ações e os mesmos dramas das vidas pretéritas. A linha espiral é a linha da vida, e cada vida se repete, quer em espiras mais elevadas ou evolutivas, quer em espiras mais baixas ou involutivas. Cada vida é uma repetição da existência passada, acrescida de suas consequências boas ou más, agradáveis ou desagradáveis.

Muitas pessoas, de forma resoluta e definitiva, descendem de vida em vida pela linha espiral involutiva até, finalmente, entrarem nos mundos infernais. Quem quiser se autorrealizar profundamente deve libertar-se do círculo vicioso das leis evolutivas e involutivas da natureza. Realmente, quem quiser sair do estado de “animal intelectual” para converter-se em homem de verdade, deve libertar-se das leis mecânicas da natureza.

Todo aquele que quiser se converter em um “duas-vezes-nascido” e se autorrealizar intimamente deve meter-se no caminho da Revolução da Consciência. Esta é a senda do fio da navalha, cheia de perigos por dentro e por fora.

O Dhammapada afirma: Dentre os homens, poucos são os que alcançam a outra margem. Os demais andam nesta margem, correndo de um lado para outro. Jesus, o Cristo, disse: De mil que me buscam, um me encontra; de mil que me encontram, um me segue; de mil que me seguem, só um é meu.

O Bhagavad Gita relata: Entre milhares de homens, talvez um tente chegar à perfeição; entre os que tentem, possivelmente, um a consiga; e entre os perfeitos, quiçá um me conheça perfeitamente.

O Divino Rabi de Galiléia nunca disse que a Lei da Evolução levaria todos os seres humanos à perfeição. Jesus, nos quatro evangelhos, põe ênfase na dificuldade para se entrar no reino. Esforçai-vos para entrar pela porta estreita, porque vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.

Depois que o pai de família tiver levantado e fechado a porta, logo após, estando fora, começareis a chamar à porta dizendo: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta”. O Senhor responderá dizendo: “Não sei de onde sois”. Então, direis: “Diante de ti temos comido e bebido, e em nossas praças ensinastes”. Porém Ele dirá: “Digo que não sei de onde sois, apartai-vos todos de mim, fazedores de maldades”.

Então, ali será lugar de pranto e de ranger de dentes, quando virdes a Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no reino de Deus, enquanto vós sereis excluídos. A Lei da Seleção Natural existe em toda a criação. Nem todos os estudantes que ingressam em uma faculdade tornam-se profissionais.

O Cristo Jesus nunca disse que a Lei da Evolução conduziria todos os seres humanos à meta final. Alguns pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas dizem que por muitos caminhos se chega a Deus. Este é um sofisma com o qual querem sempre justificar seus próprios erros. O Grande Hierofante Jesus, o Cristo, só assinalou uma única porta e um só caminho: Apertada é a porta e estreito é o caminho que conduz à Luz, e pouquíssimos o encontram.

A porta e o caminho estão selados por uma grande pedra. Ditosos são aqueles que podem mover essa pedra, porém isso não é coisa desta lição, porque pertence à lição do período de Escorpião. Agora estamos estudando o signo zodiacal da Balança ou Libra.

Necessitamos nos tornar conscientes de nosso próprio carma e isso só é possível mediante o estado de alerta-novidade. Todo efeito da vida ou acontecimento tem sua causa em uma vida anterior, porém necessitamos nos conscientizar disso. Todo momento de alegria ou de dor deve ser continuado e analisado em meditação, com a mente quieta, em profundo silêncio. O resultado vem a ser a experimentação do referido evento em uma vida anterior. Então, tomaremos consciência da causa do evento, seja ele agradável ou desagradável.

Quem desperta a Consciência pode viajar em seus corpos internos fora do corpo físico com plena vontade consciente, e também pode estudar seu próprio livro do destino.

No templo de Anúbis e de seus quarenta e dois Juízes, o iniciado pode estudar seu próprio livro. Anúbis é o supremo regente do carma. O templo de Anúbis encontra-se no mundo molecular, chamado por muitas pessoas de mundo astral. Os iniciados podem negociar diretamente com Anúbis. Podemos cancelar todas as nossas dívidas cármicas com boas obras, mas teremos que negociá-las com Anúbis. A lei do carma ou da balança cósmica, não é uma lei cega. Também podemos solicitar crédito aos Senhores do Carma, mas todo crédito tem que ser pago com boas obras. Quando não se paga, então, a lei cobra o pagamento com dor.

Libra, o signo zodiacal da Balança, governa os rins. É o signo das forças equilibrantes, e, nos rins, as forças de nosso organismo devem equilibrar-se de forma total.

Tratado Esotérico de Astrologia Hermética II