O Astrólogo

O objetivo da divulgação das pesquisas, estudos e artigos astrológicos no site Espaço Astrológico

César Augusto

Quando o ser humano tem uma religião, uma crença, um gosto, ou ama perdidamente alguém ou alguma coisa, é natural desejar defender aquilo que julga ser sua verdade, seu caminho, sua necessidade de segurança e sua razão de viver.

Lutamos por aquilo que acreditamos e é isso que nos torna humanos, mas existe nesta luta um sentimento demasiado humano, além da valentia e da sinceridade e que acaba se sobrepondo ao sentido maior de toda luta: a desilusão sobre aquilo que julgávamos ser verdadeiro.

E este sentimento resistente que fortalece nossas convicções revela veladamente a nossa idiossincrasia, ou seja, fazemos da nossa luta a única verdade absoluta do universo. Por isso existem tantas religiões e cultos que diferem entre si e causam guerras e conflitos, por isso existem tantas misérias e preconceitos que fazem da vida humana um vale de lágrimas para alguns e para outros um palco de vaidade e loucura.

Toda decepção humana é precedida pelo encanto, pela crença, pelo que julgamos ser o amor, e as desilusões destes pequenos mimos que guardamos em nossos corações alimentam a dureza da certeza a qual futuramente usaremos para enfrentar esta batalha por nossas convicções.

E a este tipo de conduta ou insurgimento existe uma denominação quando se manifesta: chama-se niilismo. Estas desilusões do homem que acreditou em algo fora de si mesmo e agora se revolta contra o mundo ofendendo e duvidando de tudo o que antes era tão encantador e digno de confiança.

A Astrologia é mais uma divindade, neste panteão de divindades que o homem cria para si mesmo e, que depois a destrói porque à sua devoção não lhe foram concedidas a felicidade e a eternidade desejadas.

Nossa sociedade está profundamente fragilizada e iludida com seus deuses materiais, carente de conhecimento esclarecedor, perdida em crenças que não duram mais que um breve momento e neste mundo fugaz de uma luta inglória pela sobrevivência o homem perdeu claramente o senso e discernimento sobre o que é a vida.

Contudo, se elencarmos séculos de luta na tentativa de justificarmos nossa conduta, considerando a evolução das leis ou das religiões ou se consagrarmos à ciência o mérito de nossas bem aventuranças temporais, ainda assim, não deixaremos de ser pessoas profundamente dependentes de crenças e de sistemas políticos e sociais.

Seria isso o ideal para uma civilização? Teria este esforço diário pela nossa sobrevivência, todo este sofrimento e toda a injustiça e crimes cometidos, uma razão para justificar nossa evolução e nosso pseudoconceito de modernidade? Ou será que tudo o que estamos criando não passa de mais um produto de nossas crenças que amanhã nos deixarão profundamente decepcionados com o que defendemos hoje, convictos e armados; e destarte será muito difícil antever o nível da nossa desilusão com nós mesmos considerando nossos delírios atuais.

Por isso costumo dizer aos amigos do conhecimento: fatos que observamos ou que julgamos serem aparentemente verossímeis em suas circunstâncias não deixam de ser apenas mais uma idiossincrasia; a polêmica ou discussão sobre o que é melhor ou sobre o que deve ser considerado prioritário numa sociedade é apenas um discurso de niilistas e, em última análise, mais um delírio que está fadado ao desencanto.

Mas, por que, o ser humano tornou-se uma criatura tão vulnerável, tão necessitada de heróis, de salvadores e de mentiras? Por que ainda preferimos acreditar numa mentira ao invés de questionar os caminhos da verdade?

Existem muitas armadilhas que construímos para enganar nossos semelhantes; acontece que nossa memória não é tão boa quanto pensamos que é, e fatalmente amanhã cairemos na armadilha que construímos hoje e assim, geração após geração, acreditaremos que aquela armadilha que gerou um mal entendido e causou tanto sofrimento é uma verdade, necessária e comum a todos.

E por esta razão o homem de hoje é um homem assombrado e mesmo o mais cético tem medo de morrer, tem medo de doenças, tem medo que lhe roubem, tem medo de quase tudo. Esta não é uma postura de alguém que parece ter evoluído. Sabe-se que no conceito de civilizações muito mais privilegiadas do que a nossa como a civilização egípcia, a morte nunca foi um desencanto.

Crenças, medos, fome, mentiras, dor, guerras, e ainda julgamos estar diante de um momento privilegiado da história do homem. Será que nossa memória é tão limitada ao ponto de não conseguirmos enxergar mais o que nossos antepassados enxergavam?

O homem ancestral ou paleolítico era muito mais sábio do que nós somos hoje em dia em relação às coisas da vida. Olhar para o céu naquele tempo era uma grande reverência ao sentido da origem da vida. A religião ou a fé não existiam, naquele tempo, como uma crença ou como um desejo, não existia o sentimento de distinção entre o céu e a terra. E o temor o qual hoje acusamos o homem paleolítico de tê-lo possuído em relação ao céu e ao universo, estava muito mais cheio de respeito do que o respeito que nós fingimos ter por deus ou pela sociedade.

Por isso vivemos como um bando de animais famintos apinhados em centros urbanos, com medo de tudo o que não é urbano. Porque perdemos a conexão com o cosmos e quando olhamos para o alto, seja com um grande telescópio ou através de um céu límpido cheio de estrelas tudo o que somos capazes de ver é um grande vazio.

E o homem se julga o senhor dos animais: engana, mata, rouba, vende coisas falsas, faz promessas de ganhos, comete traições, destrói a beleza natural do seu meio. Agora me pergunto: Se este é o senhor dos animais, onde estão os verdadeiros seres humanos como existiram a 10 mil anos atrás? Talvez demore ainda muito para um homem voltar a ser digno de se chamar de humano, enquanto viver se matando dentro destas cidades poluídas e cheias de vícios, continua se enganando e mentindo em tudo o que sente, pensa e faz.

Portanto, ao falar de Astrologia, o homem deveria no mínimo possuir preservado em seu coração o sentimento que possuía a 10 mil anos atrás, para então começar a entender o que significa isso.

Tudo o que somos capazes de entender sobre a Astrologia é o que entendemos de nossas crenças e das ilusões que não abandonamos.

Mas felizmente o conhecimento maior da vida e a própria vida não é algo tão frágil e vulnerável como o animal humano. Felizmente a natureza não precisa de alguém lutando por ela ou roubando e matando para justificar a perpetuidade de sua grandeza.

A Astrologia também não precisa de adeptos, nem de crentes, nem de aprovadores ou reprovadores, ela não pertence ao mundo do homem mundano, não está circunscrita dentro das crenças falíveis de um coração decepcionado, nem subjugada por leis que são criadas diante das necessidades. Não está limitada ao senso da ciência e também nunca estará sujeita ao que o homem pode pagar ou matar para conseguir.

A Astrologia nunca poderá ser uma religião nem produto de consumo, tudo o que o homem pensa estar usando em seu benefício, seja em nome de deus, da vida de sua família, dos seus interesses sociais ou de seu próprio interesse é apenas sua ilusão alimentada por uma fome sem fim, gerada por uma carência doentia e pela demência causada por estar demasiado tempo acreditando ser uma criatura que não é.

Por isso o Espaço Astrológico não foi idealizado com o intuito de se aproximar de uma filosofia qualquer que esteja em maior ou menor consonância com os postulados astrológicos que agradam ou desagradam a maioria ou a mídia ou qualquer pessoa que, imbuída de sobranceiros títulos acadêmicos, se julga apta para avaliar os conceitos do que é verdadeiro ou não.

A percepção do que é verdadeiro ou falso é tão alterada pela situação do tempo em que vivemos como de igual modo a percepção de cada animal sobre o mundo ao seu redor depende dos instrumentos que a natureza lhe proporcionou para a sobrevivência, por isso acreditar ou não em deuses, ciências, economias, ídolos e tantos outros ícones da idolatria é nada mais do que um ponto de vista oriundo de uma necessidade de sobrevivência, fato que apenas obscurece a razão e o discernimento do que realmente é verdadeiro.

No Espaço Astrológico a divulgação da Astrologia está destinada ao que vai muito além daquilo que trazemos conosco como bagagem cultural ou crença inata da educação ou dos diletantismos próprios, a finalidade deste site é levar ao mundo o entendimento de que sua percepção sobre as coisas da vida é tão alterada e suscetível quanto ao seu variado humor em relação ao seu apetite, ou seja, o Espaço Astrológico não está vendendo Astrologia ou lutando pela sua validade, o conhecimento astrológico não precisa de agiotas ou mártires. Este conhecimento é uma condição universal.

Então os comentários sobre quem faz a Astrologia séria ou quem vende bagatelas astrológicas nos camelôs populares, não é o tipo de discussão e interesse deste site, pessoas que vivem enganando e matando para viver não chegaram ao nível do pensamento, quem não pensa não é capaz de entender a Astrologia.

Quando um ser humano consegue alcançar o nível de consciência da sua diferenciação entre o animal e o ser espiritual que habita dentro dele, então ele já se tornou capaz de refletir além dos conceitos binários do certo e do errado, ou do bem e do mal; sua consciência já se ampliou na direção das proporções que se ampliam nas órbitas planetárias, levando-o ao alcance de juízos muito mais esclarecedores do que a sua percepção mundana sobre o verdadeiro ou o falso.

Neste ponto o homem começará a caminhar em direção ao que ele já foi, lá no paleolítico, talvez, e voltará a olhar para o universo com a capacidade de entender a vida em todos os níveis de realidade.

Para atingirmos esta consciência de nível planetário e universal, temos que aceitar todos os níveis de realidades que compõe a natureza humana e as outras naturezas do mundo espiritual, sem esquecer de que os fatos, que julgamos ser tão reais, são apenas percepções dirigidas pelo senso comum e que a realidade nunca é aquilo que descrevemos como um fato.

Mas para atingir este poder de compreensão sobre as coisas da vida o homem necessita refletir demoradamente, por vezes, durante várias vidas até entender a dinâmica destes processos que envolvem os ciclos planetários e a sua relação com os mundos habitados. Este estudo não é para os fracos, estudar Astrologia não é um hobby ou apenas um lazer de místicos desorientados; o caminho da Astrologia é uma via de evolução inevitável pelos escarpados mundos do universo.

Pessoas que se limitam em crenças e medos não estão ainda preparadas para o entendimento da Astrologia, por isso mais uma vez eu digo que: o site Espaço Astrológico não é uma prateleira de mimos astrológicos. O nível da percepção da consciência astrológica de cada ser humano e o seu julgamento sobre a sabedoria é o que vai discernir sobre isso.

A objetivo do Espaço Astrológico é abrir uma janela para o universo e para a percepção superior do homem neste processo de transição de Era, pois o que ouvimos falar como a Era de Aquário ainda está longe de se materializar, seja pelas vias astronômicas ou pelas vias da consciência do homem.

O que posso dizer que compartilharmos como uma realidade neste momento de vida neste planeta é que não estamos nem perto de alcançarmos aquilo que imaginamos ter alcançado.

A ilusão sobre todos os fenômenos da vida que julgamos serem construídos pela legislação da religião, da política ou da ciência como fatos dignos de fé ou da razão aumenta cada vez mais a esquizofrenia do espírito humano sobre sua relação espiritual com o mundo superior que habita na consciência astrológica de um ser universal.

O ser humano ainda cheio de desilusão e fome pouco se distingue, na luta pela sobrevivência, dos outros mamíferos da natureza, e enquanto ainda colocarmos nossas expectativas espirituais no coração de um deus burguês e acreditarmos no progresso como a salvação de nossas almas continuaremos ruminando religiões e fazendo política como miseráveis avarentos famintos.

Os velhos discursos cheios de máximas poéticas que impregnam a boca de todo pastor de ovelhas deve ser refutado na mente de quem pensa em crescer como um ser humano mais evoluído em relação às outras civilizações do universo.

Este tipo de entendimento superior sobre a vida no universo voltará a ocupar nossa rotina em função da verdadeira necessidade da evolução de nossa espécie, mas ao incauto capitalista sofisticado abriremos parênteses: isso só vai começar a acontecer quando atingirmos a libertação da miopia humana e dos miseráveis padecimentos das consequências de nossa atual ignorância, até lá, aqueles que já são capazes de construir sua própria realidade, fora do âmbito das ilusões em que vivemos absortos, devem começar a treinar, porque mil anos passa rápido e na consciência do homem atual mil anos é a mesma coisa que um dia na vida de um macaco: um dia e uma noite complementam uma era astrológica em torno de uma constelação, ou seja, amadurecemos pouco no curso destes últimos dois mil anos, caminhamos em direção a uma nova era mais perdidos do que estávamos quando esta começou.

Para a reflexão deste nosso estágio de vida, ofereço esta janela para o céu, para que pessoas ao redor do mundo comecem a entender a vida de um modo menos infantil e mais evoluído.

Tropic of Cancer