A Classificação dos Seres no Lapidário de Alfonso X, o Sábio II

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Carlinda Maria Fischer Mattos

O Céu da Corte de Alfonso X

Estampies & Danses Royales

Como dissemos, se nem todo astrônomo era astrólogo, no Oriente medieval, todo astrólogo culto tinha que conhecer a astronomia, acompanhar e usar aparelhos de visualização sofisticados, bem como as tábuas de cálculos acerca dos movimentos dos astros no céu; precisava calcular sua adequação aos graus relativos ao local de onde a observação era feita, conhecer seu comportamento para poder saber qual seria sua localização dentro de um período de tempo futuro, a fim de tecer prognósticos válidos, para uma situação particular.

Isto quer dizer que toda prática astrológica lidava com um modelo de céu, teorias que, como vimos, eram diversas, adotando, por vezes, diferentes tradições e balizas de observação.

Para os muçulmanos tradicionais, por exemplo, era sete o número de céus acima da Terra, cada qual correspondendo a um planeta: Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Sol, Júpiter, Saturno. Para outros, havia oito céus acima da Terra, sendo o último a das estrelas fixas: todo o céu, ornado com as estrelas, se moveria, realizando um movimento de 24 horas, orientado de leste a oeste, animando todas as demais abaixo dela. Para outros, enfim, era nove o número de esferas, correspondendo sete a cada um dos planetas girando ao redor da Terra, uma oitava, correspondendo à das estrelas fixas, sendo a nona, uma esfera anastra, ou seja, sem astros, movendo as demais.

Para quem se posiciona na Terra, entendendo ser esta o centro imóvel de todo o cosmos, idéia basicamente unânime, era muito difícil entender os avanços e retrocessos observados nos percursos dos planetas: não deveriam ser movimentos circulares e uniformes, movendo-se em esferas perfeitas, constituídas por um elemento incorruptível, o éter, diferente dos quatro sublunares – terra, água, ar e fogo-, mutáveis?

O astrólogo/astrônomo podia adotar a posição aristotélica para explicar esses movimentos desconcertantes. Segundo o Filósofo, o cosmos é esférico, contendo sete planetas que circulam em esferas concêntricas constituídas de éter, realizando um movimento uniforme em torno de um centro, a Terra. Tais esferas são, por sua vez, animadas; uma oitava, a das estrelas fixas, realiza um movimento uniforme do leste para o oeste. Para explicar os movimentos retrógrados e de avanços que se observam no comportamento dos astros, o filósofo acrescenta um grande número de esferas àquelas básicas, portadoras dos planetas: o Sol teria nove, a Lua cinco, e assim por diante, de forma a totalizar 55 esferas, cada qual combinando-se com o movimento das demais.

O astrólogo/astrônomo podia adotar a posição Ptolomaica, que combinava a teoria dos epiciclos de Hiparco (século II a.C.), associando-a com a das esferas excêntricas de Aristarco (século III a.C.). Para Ptolomeu o céu é esférico, tendo a Terra como centro imóvel. As setes esferas etéreas por onde se deslocam os planetas seriam concêntricas e superpostas. Todas elas são envolvidas por uma oitava esfera, a das estrelas fixas, e acima dela ainda haveria uma nona, anastra (sem astros), que imprimiria o movimento a todas as demais. Mas inspirando-se na teoria de Hiparco, cada planeta desenvolveria um movimento circular uniforme (epiciclo) em torno de um centro, e, perfazendo esse movimento circular, se deslocaria ao longo de sua própria esfera em torno da Terra. Já influenciado pela teoria de Aristarco, as esferas de alguns dos planetas (Sol, Mercúrio e Vênus, e Lua) teriam seu eixo ligeiramente não coincidentes – excêntricos.

Ainda outras teorias, como a de Tabit Ibn Qurra (836-901), a da trepidação, tiveram longa vida no cálculo dos deslocamentos dos astros. Observando o deslocamento do Sol, o matemático harranita percebeu que havia um movimento nunca antes descrito. Em sua trajetória, o Sol forma um trajeto que é oblíquo ao equador celeste; os pontos de encontro são os dos equinócios, em que o dia e a noite têm a mesma duração, marcando a entrada da Primavera e a do Outono. Essa angulação não é a mesma sempre. Há um movimento de retrocesso e de avanço, como se toda a eclíptica fizesse um movimento circular, muito lento, em torno do eixo dos equinócios, ou seja, naquele em que sua trajetória encontra a linha do horizonte, o equador celeste. O ângulo que esse movimento circular atinge é de aproximadamente 8° a cada 4.000 anos. Esse valor alterava significativamente as tabelas de cálculo que prediziam as localizações dos planetas em grandes períodos de tempo. Essa idéia foi retomada e matematizada por Azarquiel (1029-1100), grande astrônomo andaluz, e serviu de parâmetro para os cálculos astronômicos até o século XVI, quando as teorias de Tycho Brahe a colocaram por terra.

O mesmo pode ser dito de al-Battani (853-929), outro harranita e contemporâneo de Ibn-Qurra. Al-Battani tinha o objetivo de corrigir as tabelas de cálculo de seu tempo, embora mantivesse o ponto de vista ptolomaico. Construiu sofisticados aparelhos para poder medir os deslocamentos dos astros, tais como um relógio solar, um novo tipo de esfera armilar, entre outros. Concluiu que o ângulo da eclíptica em relação ao equador celeste deveria ser corrigido, tendo um valor igual a 23°30’ 481. Rejeitando a teoria da trepidação de Ibn Qurra, afirma que a precessão (movimento para trás) dos equinócios é regular e contínua, igual a 1° a cada 60 anos, e completaria a volta depois de 25.800 anos. Ou seja, se a entrada da primavera já iniciou em Touro, agora ocorre em Áries, um dia será em Peixes, e ao final do périplo de 25.800 anos voltará a sua posição original. Sua obra Libro de los Cânones de Albatani já era conhecido no século X, em Córdoba, e foi traduzido para o castelhano por Alfonso X. Há ainda duas versões dela para o latim. Traz importantes inovações na área da trigonometria.

Ecliptica

Adotar uma ou outra teoria significa alterar a base de cálculos, e, por conseguinte, os valores que predizem quais serão as posições de astros e planetas ao longo de um determinado período.

De toda e qualquer maneira, esse nível de abordagem exige o manejo de instrumentos de medição, local apropriado para observação, conhecimentos matemáticos de grande complexidade, bem como de ótica e de física. Astronomia e/ou astrologia astronômica eram práticas que demandavam grande investimento de tempo, de formação intelectual, de recursos materiais, meios de transmissão de informações, enfim, supunham apoio extensivo, contínuo, de mecenas.

O interesse que Alfonso X manifesta pela tradução de obras que versam sobre o uso de instrumentos astronômicos, testemunha a importância que tais práticas tinham na corte. Entre essas obras temos o Libro de las armiellas, Libro de la lámina universal, Libro de las laminas de los siete planetas, Libro del cuadrante para rectificar, Libro de la açafea, Libro del astrolabio llano – que compõem o Libro del saber de astronomia.

Podemos ver no Libro del astrolabio llano capítulos que ensinam como calcular a entrada dos planetas nos signos, por exemplo, ou mais especificamente, como saber “en qual signo es el sol et en quantos grados es en aquel signo” (cap.VIII); ou “como saber tomar la altura de sol” (cap XIII); ou “como saber tomar la altura de las estrellas” (cap. XIV); ou “como saber las revoluciones de los començamientos de los annos del mundo et de las nascencias et de los sus ascendentes con ell astrolabio” (cap. XXIV).

E mais ainda: Alfonso X manda compor as Tábuas Alfonsinas, que serão usadas, corrigidas e discutidas na Europa até o século XVII. No mesmo dia em que ocupa o lugar de seu pai, Fernando III, em junho de 1252, as Tábuas são promulgadas e vêm, a partir daí, a percorrer um caminho muito singular no reino castelhano e mesmo nos outros reinos europeus.

As Tábuas foram escritas em castelhano, e em seguida ganharam uma versão latina. Os sábios encarregados de elaborá-las acreditavam que as Tábuas de cálculos anteriores não expressavam adequadamente o movimento da esfera estelar. Para explicá-lo, eles resolveram associar o movimento diurno, o movimento de rotação da esfera – fazendo-a girar do Ocidente para o Oriente – e o movimento de trepidação tal como fora formulado pelo toledano Abu ishaq al-Zarqali (1029-1100) – ou Azarquiel (já citado) -, embora com valores diferentes. E, por fim, adicionaram duas esferas anastras (sem estrelas), à oitava, entre outras tantas inovações.

Alfonso X não teria aprovado esse conjunto teórico e, em 1256, fez traduzir para o castelhano, pelo judeu Rabbi Judá, o Libro de las figuras de las estrellas fijas, composto em torno de 964 pelo persa Abd al-Rahman al-Sufi, bastante ortodoxo quanto à teoria ptolomaica. No preâmbulo o rei dizia que desaprovava a idéia da trepidação, e que preferia a tese de al-Battani, a de uma precessão regular de um grau a cada 60 anos.

A versão latina, contudo, difundia-se, indo parar no círculo parisiense no final do século XIII, contendo ainda outras posições, diferentes das que constavam da primeira: associava a trepidação de Azarquiel ao movimento de precessão dos equinócios, por exemplo – e foram essas Tábuas que ganharam longa vida nos meios da astronomia européia, até a modernidade.

Por sua vez, a obra de Abd Abd al-Rahman al-Sufi, O tratado das estrelas fixas, teve um papel preponderante na elaboração da tradução e composição pictórica do Lapidário, como veremos.

Todas essas traduções e discussões dão testemunho da intensa atividade e da imensa riqueza e complexidade das discussões científicas que eram travadas na corte do rei, da gama de obras que estava ao seu alcance, e de que toda escolha de tradução a ser realizada correspondia a um projeto investigativo de um conjunto de pessoas, do qual Alfonso X se posicionava como estimulador, mecenas, e, mesmo, partícipe.

Alfonso X e todos os sábios que circulavam em sua corte são tributários, na verdade, de uma tradição científica inaugurada pelos muçulmanos estabelecidos em terras ibéricas, desde a tomada de boa parte do território em 711.

Como vimos no capítulo 1, Abd al-Rahman I, último sobrevivente da dinastia real dos Omíadas, perseguido pelos Abássidas, instalou-se na Espanha e fez de Córdoba a capital de seu emirado. Mesmo enfrentando oposições, tanto por parte de habitantes cristãos, quanto dos berberes de islamização recente que haviam participado militarmente da invasão, como também dos partidários Abássidas e Fatímidas, o governo dos Omíadas levou al-Andalus, do século VIII ao século XI, a um grande desenvolvimento urbano e cultural. Um intenso comércio o liga com o Sudão, com o norte da Europa, com o Oriente muçulmano. Os filhos das elites da Espanha muçulmana eram enviados a Bagdá para seguir os cursos dos grandes mestres; tecidos, estofaria, vestimentas, etiqueta e alimentação do Oriente eram copiados na corte cordobesa e demais centros, como Sevilla e Toledo. As idéias e os livros conheciam percurso semelhante. A biblioteca real de Muhammad (852-886), a de Abd al-Rahman III (912-961) – que se proclama califa, em 929 -, bem como a de seus filhos, ficaram famosas. Al-Rahman II (821-852) foi o primeiro emir a introduzir tábuas astronômicas.

No entanto, a elaboração e a assimilação de um pensamento científico denso e comum a todo um segmento cultural, e particularmente na área da astronomia, só acontece no século XI, quando Abû-l-Qâsim Maslama al-Maÿritî se destaca nessa área*. O estudioso adapta as tábuas de al-Khwarizmi (Kiva, 780 – Bagdá 850) segundo suas próprias observações; comenta Ptolomeu e al-Battani; escreve obras de aritmética e álgebra; expõe sofisticados procedimentos trigonométricos; escreve sobre aparelhos de medição, como o astrolábio, os quadrantes, os relógios, o equatório (que permite ver a longitude de um planeta numa determinada data). Maslama também ficou famoso como astrólogo.

* RONAN, 1997, op cit; SAMSÓ, 1992, op cit. ; SAMSÓ, J. Alfonso X y los Orígenes de la astrologia hispânica. Discurso de Recepción leído el dia 2 de Abril de 1981, en la Academia Real de Buenas Letras de Barcelona. Barcelona: Real Academia de Buenas Letras, 1981. p. 11-40.

Miniature in an illustrated copy of al-Sufi’s Kitab suwar al-kawakib

Em 1031, o breve califado divide-se em reinos, ou taifas. Cada emir, regendo sobre sua taifa, procurava cercar-se de mais pompa e sábios.

As taifas rivalizavam em produção científica. Al-Mamum (1037-1074), espelhando-se em seu homônimo (809-833) de Bagdá, à frente da taifa de Toledo, construiu o maior observatório da Península, da época. Aqui, al-Zarqali (1029-1100), já citado, desenvolveu boa parte de sua atividade. Sendo exímio construtor de instrumentos de medição astronômicos, pôde observar com rara precisão o movimento dos astros, e daí, elaborar as Tábuas Toledanas, em que propunha importantes correções ao modelo celeste ptolomaico, bem como alterações nas tábuas de al-Khwarizmi, incluindo os efeitos da teoria da trepidação de ibn Qurra, como dissemos antes.

Em 1085, no entanto, com a tomada de Toledo pelos cristãos, Azarquiel vai para Sevilla, onde passa a ser subvencionado pelo emir al-Mutamid. Já no ano seguinte, os Almorávidas reagem ao avanço cristão, e vindos do norte da África, invadem a península. Muito conservadores em matéria teológica e em costumes, trazem, num primeiro momento, rigidez e contenção, reunificam o território que ainda lhes resta, mas logo absorvem o mundo de cultura que caracteriza essa parte da península.

Azarquiel continua trabalhando e escreve o Tratado da Açafea e o Libro de las láminas de los siete planetas – dois daqueles textos, versando sobre instrumentos astronômicos que Alfonso X, no século XIII, manda traduzir.

Azarquiel desenvolve idéias curiosas para seu tempo. Inspirado por uma observação de Hiparco, afirma que a Terra faz um movimento semelhante ao de um peão quando gira, alterando a percepção que temos acerca do movimento dos astros. Chama a esse movimento de precessão. É o primeiro astrônomo a propor uma órbita oval para Mercúrio. A primeira idéia colocava em xeque o princípio de uma Terra como centro imóvel; a segunda, o de um céu perfeitamente circular, com esferas circulares lá se superpondo.

Não nos deve surpreender, portanto, que o século XII seja o palco de astrônomos que reagem a tantas inovações e que postulam um retorno às teorias Aristotélicas acerca do modelo de mundo.

É também a época em que uma nova onda de invasores vindos do norte da África, iniciada em 1146, os Almôadas, ainda mais severos que os Almorávidas, traz novos desafios. Muitos judeus, entre eles filósofos e médicos, como Maimônides (1135-1204), tiveram que exilar-se em outras regiões. Também foi o caso do lógico Abu ibn Rushd (1126-1198), ou Averróis, que além de filósofo – lógico brilhante -, foi médico, juiz, escreveu sobre astronomia, foi tradutor e comentador de obras de Aristóteles.

Averróis posicionou-se ao lado daqueles que postulavam uma volta ao modelo de mundo aristotélico. Era possível explicar todos os fenômenos visíveis sem o auxílio de engenhosos artifícios matemáticos. Postulava os mesmos movimentos circulares e regulares, desenhados pelos planetas, ao redor de uma Terra imóvel, cada um em suas numerosas esferas etéreas – reduzindo-as, contudo, de 55 para 47, após cuidadosa observação dos movimentos dos corpos celestes.

A ciência muçulmana andalusa do fim do século XII e século XIII sofre com a situação de cruzada, enfrentamentos contínuos entre mouros e cristãos, intolerância dogmática – fatores que se reforçavam para estimular a migração dos intelectuais, bem como de camadas menos favorecidas, para o Magreb. Alguns nomes se destacam, mas a tônica recai nas teorias dos grandes astrônomos do período anterior, os do século XI e meados do XII.

Um nome, em particular, chama a atenção: o de Jabir Ibn Aflah (1100-1160). Originário de Sevilla, suas idéias foram primeiramente conhecidas no Egito, graças a Maimônides, depois no Oriente, e apenas no fim século XII, na Europa, e graças a Gerardo de Cremona (1114-1187) e logo depois a Alfonso X, que manda traduzir seu Libro del cuadrante sennero.

Aflah critica fortemente Ptolomeu, suas enunciações presentes no Almagesto. Embora ele se encaixe na ordem de questionamentos dos postulados ptolomaicos e siga uma orientação para um retorno às teorias cosmológicas de Aristóteles, Aflah é um astrônomo matemático, e suas formulações concernem a esse âmbito de abordagem: não entra nas questões propriamente filosóficas e teológicas que a escolha dos modelos sugere. Segundo Aflah, Ptolomeu posiciona Vênus e Mercúrio entre a Lua e o Sol, mas não demonstra adequadamente por que o faz. A única forma de explicar matematicamente os deslocamentos dos planetas do céu é alterando suas posições para além do Sol – solução muito difundida tanto no Oriente quanto no Ocidente.

Os Almôadas são derrotados na célebre batalha de Las Navas de Tolosa (julho de 1212), praticamente marcando o fim do poder muçulmano em al-Andalus. A dinastia Nazari se mantém em Granada até 1492, mas já em 1243 se declara vassalo da corte castelhana.

Houve uma evasão de estudiosos em direção a Granada e Magreb depois da batalha de Tolosa, de forma contínua. Mesmo Alfonso X tentou atrair alguns dos nomes mais expressivos, mas sem sucesso.

Nesse breve esboço de uma linha de acontecimentos científicos na área da astronomia, tentamos mostrar o lugar que Alfonso X ocupa nesse contexto, bem como o fato de que o rei – e/ou seus sábios -, ao apontarem as obras a ser traduzidas, sabiam exatamente a relevância que as mesmas tinham no panorama: há um fio condutor.

O modelo de céu que prevalece na corte de Alfonso X é o da tradição ptolomaica – com uma oitava esfera estelar e, uma nona, anastra -, mas nutrida pela idéia de um conjunto perfeitamente circular, divino.

O Céu do Primeiro Tratado do Lapidário de Alfonso X

SIGNO DE VIRGEM PRIMEIRO LAPIDÁRIO DE ALFONSO X, EL SÁBIO. EDICIÓN FACSÍMIL DEL MSH.i.15

Todos os tratados que compõem o Lapidário são acompanhados de belas figuras que ilustram ricamente o que está a ser dito, e mesmo o não dito.

O primeiro tratado traz, ao final de cada capítulo, cada qual dedicado a um signo do zodíaco, a imagem da constelação, tal como concebida na época. Ela fica no centro de um círculo.

Cada signo possui trinta graus: então, imediatamente acima da figura central, estão as 30 divisões que correspondem a cada grau. Dentro de cada uma, está reproduzida, em tamanho menor, a constelação, e dentro dela, está assinalada a estrela que rege aquele grau, e da qual um tipo de pedra, na Terra, ganha suas propriedades.

O primeiro grau está na linha do horizonte, no lado esquerdo da ilustração. O segundo, e os que lhe seguem, vem imediatamente, perfazendo o círculo.

A figura que trazemos como exemplo corresponde ao signo de Virgem. Além dessa constelação, o signo exerce poder sobre estrelas de outras constelações: Cântaro (graus 2, 5, 7, 12), o Homem Que Emite Vozes (graus 3, 4, 6, 21, 23, 24 e 26), Nave (grau 8), Dragão (graus 10 e 11), Corvo (graus 16, 17, 19 e 20).

A escolha do círculo não é aleatória: ela está presente ao longo de todo o volume, em todos os tratados, e sempre que aparece, está a referir-se à forma do mundo, da maneira como está organizado.

Poderíamos estranhar que cada um dos 12 medalhões tenha, não a Terra no seu centro, unida ou relacionada às estrelas que naquele grau fazem incidir sua influência sobre as pedras, mas, antes, a imagem de um dos signos no centro – Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário, Peixes.

Na verdade, o círculo é a forma geométrica do mundo, mas é também a representação gráfica da forma como os seres e as coisas se relacionam. Da figura do centro emana sua influência para todos os graus e seres a ela vinculados. O signo como um todo ordena e cunha um perfil que se imprime em cada uma de suas partes, em cada estrela sobre a qual exerce seu poder. Nos extremos, por sua vez, estão colocados os anjos, cada qual em um grau, também velando sobre tudo o que está sob seu domínio. Embora o texto do primeiro tratado que compõe o Lapidário não mencione os anjos, as figuras que ilustram cada um dos signos os tornam presentes e partícipes do jogo de influências que se operam entre o macro e o microcosmo.

Ana Dominguez Rodriguez, em seu trabalho sobre a iconografia do Lapidário, observa a importância desse ser angélico na concepção astromágica que orienta a composição da obra:

A segunda série de figuras que se alojam nos trinta campos exteriores das rodas do Lapidário, está integrada por trinta anjos, todos iguais, que se sentam em um assento em atitude frontal; aparecem emoldurados por um arco gótico muito simples; vestem só uma túnica e levam o nimbo e as asas que são seus distintivos. Os arcos góticos a modo de dossel, e o fato de que em muitas das rodas se pintasse o fundo de azul, contribui para indicarmos que se trata de personagens celestes. Estes anjos são chaves para entendermos esta “astrologia divina” na qual diversas esferas ou céus recebem suas virtudes e seus movimentos da parte de Deus.*

* RODRIGUEZ, Ana Dominguez. Astrologia y arte en el Lapidário de Alfonso X el Sábio.In: El Primero Lapidário de Alfonso X, el Sábio. Volumen Complementario de la edición facsimil del Ms. h. I.15 de la Biblioteca de El Escorial. Madrid: Edilán, 1982. p. 21.

No modelo de mundo do primeiro tratado do Lapidário, os céus se superpõem e, cada qual, cada nível da Criação, recebe e comunica suas virtudes, seus poderes, sua força, aos seres que se escalonam na hierarquia divina e, por fim, aos seres do plano sublunar. É por meio dos astros que causas universais operam sobre causas particulares, sobre fenômenos naturais, sobre a atividade dos elementos. Cada grau tem a regência de uma estrela e de uma entidade vigilante, representada na imagem como um anjo, portando asas sob um fundo estelar.

Nesse mesmo sentido, no Prólogo do segundo tratado do Lapidário, que apresenta um resumo do tratado anterior, está dito que, acerca das coisas todas que estão interligadas, das mais baixas às mais altas, que:

(…) esta é a regra geral de todos os planetas e das estrelas fixas e das pedras que com elas concordam, e das ervas e dos animais, pois todos têm virtude e força que recebem de Deus por meio de seus anjos, e em virtude dos céus e das estrelas que neles estão, e depois, por meio dos quatro elementos, e assim até que chega a alcançar a criança que nasce.

Também essa hierarquia de comunicação fica patente pela escolha do modelo de cosmos adotado.

Gerado de Cremona (ca. 1114-1187) já havia traduzido o Almagesto, de Ptolomeu, por volta de 1170. Herman da Caríntia (1110-1184), o Planisfério, do mesmo autor. Agora, Alfonso X mandava traduzir o Liber Quadripartitum, ou Tetrabiblos, para o castelhano. Nessa obra, o autor, que tanta influência exerceu sobre a forma de se entender o céu, explica de que maneira os astros influenciam a vida dos seres no mundo sublunar, agindo até mesmo no interior dos corpos:

(…) um certo poder emana da substância etérea eterna; ele é distribuído e permeia toda a região terrestre, que está sujeita à mudança. Dos elementos primordiais sublunares, o fogo e o ar são envolvidos e mudam em decorrência dos movimentos do éter, e por sua vez, envolvem e mudam tudo o mais – terra e água e plantas e animais. O Sol, como o ambiente, está sempre, de alguma forma, afetando tudo na terra, não apenas pelas mudanças que acompanham as estações ao longo do ano, (…), mas também pelas revoluções diárias que fornecem calor, umidade, secura e frio, numa ordem singular.

Ptolomeu explica, na obra, como cada planeta, em seus movimentos e encontros com outros astros, forma, através dos elementos primários, o temperamento dos homens, as causas de suas doenças, a conformação dos diversos climas, bem como dos povos que habitam o planeta. Ptolomeu, como tantos outros autores que foram traduzidos na corte do rei, oferece uma teoria para explicar os seres a partir do movimento dos astros no céu.

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Todas as figuras das constelações apresentadas pelo primeiro tratado do Lapidário são as mesmas que ilustram a obra Libro de las figuras de las estrellas fijas, do persa Abd al-Rahman al-Sufi (903 – 986) que, como dissemos antes, Alfonso X manda traduzir em 1256, depois que desaprova a versão castelhana das Tablas Alfonsinas, a teoria da trepidação, a inclusão de uma décima esfera, a junção de três movimentos ao modelo cósmico.

Al-Sufi segue de perto a cosmologia de Ptolomeu. Na obra o autor faz uma revisão do catálogo de estrelas presentes do Almagesto, adicionando e alterando algumas representações baseadas em suas próprias observações. Apresenta desenhos das constelações, informa o brilho e a grandeza das estrelas que as compõem, sua ordem e localização no céu.

No Prólogo da obra está dito:

O oitavo céu, ou oitava esfera, que é a mais nobre de todas por estar mais perto de qualquer outra do nono céu, está toda cheia de estrelas, umas grandes, outras medianas, outras menores (…). E cada uma tem sua própria virtude, segundo a virtude que Deus pôs na esfera em que estão. (…) Este oitavo céu é alma, espírito e corpo de todos os outros céus que estão debaixo dele. E da mesma forma que o corpo do homem recebe a alma do entendimento que procede da virtude de Deus, assim este céu a recebe do outro que está sobre ele [o nono céu], de onde ganha toda a virtude.

Al-SUFI. Libro de las figuras de las estrellas fijas.

O modelo de cosmos que al-Sufi propõe é o ptolomaico, com a distribuição das estrelas numa oitava esfera, tendo acima uma nona que é anastra, e decorrendo desta todas as virtudes que incidem sobre todas as demais esferas. E tal é o modelo adotado pela corte do rei sábio, expresso também pelas escolhas das obras a serem traduzidas.

A longa citação que agora segue é a do Prólogo do primeiro tratado do Lapidário, onde fica exposto o princípio que organiza a obra, o modelo de cosmos adotado, a influência dos planetas sobre os seres, a vinculação com as estrelas e com os graus do círculo. Aristóteles aqui citado é um recurso à autoridade, usado freqüentemente nas traduções de Alfonso X, e pode estar se referindo a alguma das muitas obras pseudamente atribuídas ao filósofo.

Aristóteles, que foi o mais completo de todos os filósofos (…), disse que todas as coisas que estão sob o céu se movem e se endereçam pelo movimento dos corpos celestes, pelas virtudes que deles recebem, segundo ordenou Deus…; mostrou que todas as coisas do mundo estão entrelaçadas e recebem virtude umas das outras, as mais vis das mais nobres, e que esta virtude aparece de forma mais manifesta, como nos animais e nas plantas, e noutras mais escondida, como nas pedras e nos metais. Destas coisas os sábios fizeram livros, nos quais falaram dos corpos celestes, os quais não são compostos pelos quatro elementos; e o mesmo fizeram acerca das coisas que são por estes compostos, como os animais, que são todas as coisas vivas que têm alma de sentir e de se mover; e também as plantas, que são frutos que nascem da terra, como árvores e ervas; e falaram também das coisas mais duras que se fazem da terra, como pedras e metais.

(…) Mas entre aqueles, houve alguns que quiseram saber mais acerca delas e pensaram que não lhes bastava conhecer sua cor, seu tamanho e sua virtude, se não conhecessem quais eram os corpos celestiais, com os quais tinham atamento e dos quais recebiam sua virtude e pelas quais procuravam fazer suas obras segundo o estado dos corpos de cima, em todas as operações para o bem ou para o mal. Entre os sábios que mais trabalharam nisso, houve um cujo nome era Abolays (…).

Este Abolays tinha um amigo que buscava estes livros (da terra da Caldéia) e os fazia trazer; e entre aqueles que buscou, achou este que fala das 360 pedras, segundo os graus dos signos que estão no oitavo céu; fala de cada uma, que cor tem, qual seu nome e que virtude tem, em que lugar é encontrada; fala da estrela e da constelação que está no grau daquele signo, das quais ela recebe força e virtude; e isto conforme o sol corre ao longo do ano pelos graus da figuras dos doze signos, que somam entre todos 360, … e outras muitas figuras que estão no oitavo céu: umas na parte do setentrião, e as outras na parte do meio-dia. Pois há estrelas que estão dentro dos signos, e outras fora deles, formando, com aqueles, 48 signos.

Alfonso X

Grifamos as passagens que são exposições de princípios, que nos ajudam a perceber o modelo de cosmos que sustenta a composição da obra.

Sol-Luna-ecliptica

Há uma oitava esfera, ou céu, onde estão os signos ou figuras formadas pelas estrelas. Delas, todas as coisas recebem suas virtudes, das pedras aos animais. O Sol corre ao longo de uma faixa oblíqua, a eclíptica, pelas figuras formadas pelas estrelas e às quais damos o nome de signos. Como são doze signos, e perfazem o círculo da trajetória do Sol em torno da Terra, que é equivalente a 360 graus, cada um dos 12 signos está divido em 30 graus. Mas nessa passagem, o Sol dinamiza a energia de outras estrelas em outras constelações, ou seja, que estão fora dos signos propriamente ditos. Ao todo, entram em ação, 48 constelações, localizadas acima ou abaixo da faixa, a Setentrião ou Meio-dia.

Todas as coisas estão entrelaçadas. Das coisas mais nobres às mais vis, das estrelas lá no alto do céu, às pedras e metais no interior da terra, tudo está relacionado, recebendo as últimas as virtudes que emanam das primeiras.

Os desenhos das constelações são adaptações daquelas que constam da obra de al-Sufi, com bem poucas diferenças.

As constelações também são hierarquicamente definidas, sendo as principais aquelas que formam os 12 signos pelos quais passa o Sol: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário, Peixes.

No Prólogo à obra de al-Sufi, o tradutor acrescenta a forma de aquilatar a disposição das figuras ou constelações, conforme estejam no centro, acima, ou abaixo da eclíptica:

As três partes da oitava esfera, o setentrião, o círculo dos signos e o meio-dia concordam (como) um uno, assim como as três naturezas que tem o homem – alma, espírito e corpo. (…). Assim como o homem não pode mover-se, nem operar sem estas três coisas, o espírito que lhe dá vida, a alma que lhe infunde entendimento e razão, e o corpo que recebe de ambas e que opera com elas e nelas, (…) da mesma forma estas três partes do oitavo céu se relacionam entre si, e de tal maneira que, se algum faltar, o céu estará incompleto e suas obras não se realizarão.

AL-SUFI. Libro de las figuras de las estrellas fijas.

Os três conjuntos de figuras estelares formam, como no homem, uma unidade, sem cujas partes não poderia existir e agir. As constelações não são fruto de um acaso, mas são como órgãos num corpo; o conjunto de suas partes forma um todo, um ser, sendo a linha da eclíptica a parte mais nobre, o espírito de vida, o setentrião a alma, o meio dia a parte mais densa. O mundo como um todo, formado de algo como espírito, alma e corpo, é como um ser vivo.

Citamos anteriormente as figuras que formam os signos do zodíaco. Em seguida, citaremos as figuras que formam as estrelas do Setentrião, e depois, aquelas que formam as do meio-dia.

As do Setentrião são em número de 21: 1. Ursa Menor, 2. Ursa Maior, 3. Serpente (Dragão), 4. Cepheus, 5. o Homem que emite vozes (Bootes), 6. Coroa setentrional (coroa boreal); 7. o Homem com o joelho fincado [no chão] (Hércules), 8. o Galápago (Lira), 9. Galinha, 10. A mulher sentada na cadeira (Cassiopéia), 11. Perseu, 12. O que tem as rédeas (Auriga), 13. e 14. O caçador de cobras, 15. Seta, 16. Águia ou Abutre voando (águia), 17. Delfim, 8. Parte de cavalo (Cavalo Menor) 19. Cavalo Maior (Pégaso), 20. A mulher encadeada (Andrômeda), 21. Triângulo.

As constelações do Meio-dia são em número de quinze: 1. Caytoz (Baleia), 2. Orión, 3. Rio (Erídano), 4. Lebre, 5. Cão Maior, 6. Cão Menor, 7. Nave (Argo), 8. Hidra, 9. Cântaro (Copo), 10. Corvo, 11. e 12. Cantoriz (Centauro e Lobo), 13. Lareira (Ara), 14. Coroa Meridional (Coroa austral), 15. Peixe Meridional (Peixe austral).

As figuras que as estrelas formam correspondem a uma tradição: nesse caso, pertencem à mitologia greco-romana, fazem parte de uma história, e é a partir dela que poderíamos, talvez, entender o que são, que características têm, que tipo de poder operam – muito embora, como demonstraremos, o sentido dessas pequenas histórias e suas relações com as propriedades que as pedras operam não são transparentes. Em outras tradições, esses conjuntos de estrelas ganham outras figuras, outros enredos relacionados com seus respectivos panteons, sobretudo no período que antecede a homogeneização da doutrina astrológica realizada no período helenístico.

A figura de Virgem, que tomamos como emblema, aparece relacionada, no Lapidário de Alfonso X, com outras constelações: com o Cântaro (graus 2, 5, 7, 12), com O Homem Que Emite Vozes (graus 3, 4, 6, 21, 23, 24 e 26), com a Nave (grau 8), com o Dragão (graus 10 e 11), com o Corvo (graus16, 17, 19 e 20). De uma forma ou de outra, elas se vinculam a uma idéia central, ao elemento terra, que é frio e seco, no interior do qual se realizam as operações de transformação fundamentais para a manutenção da vida – tanto na perspectiva mais concreta, material, quanto na cósmica.

Tomemos de empréstimo, aleatoriamente, a significação da Nave e a do Cântaro.

A Nave, ou Nau, é descrita no Libro de las estrellas fijas como contendo duas possibilidades: a nau tanto pode ser a salvação dos que nela entram, como a perdição e o afastamento. A Nave faz menção à embarcação de Osíris, deus da vegetação, do poder renovador de toda a vida, através do ciclo recorrente de vida-morte-renascimento. A Nave é a embarcação de Osíris que transporta as almas em sua contínua peregrinação, ao longo dos ciclos de vida-morte-renascimento, tal como ocorre com toda a vida do planeta. Para os gregos, a constelação foi associada à embarcação Argos, que transportou Jasão e seus marinheiros por águas desconhecidas, e vivendo experiências extraordinárias – tal como ocorre com as almas, em seu itinerário.

A estrela que se encontra no timão, Canopus, é a segunda mais brilhante do céu egípcio, depois de Sirius/Isis. É ela que ainda hoje serve de bússola aos navegantes.

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A pedra que tem relação com a estrela que fica no castelo da popa é marmunia, que está no oitavo grau do signo de Virgem. É de natureza fria e seca, como todas as pedras e demais seres que correspondem a esse signo, e tem a propriedade de restringir muito. Quem bebe dela, aperta-lhe a garganta e morre sufocado. Mesmo aqueles que passam perto do local onde costumam ser encontradas, sentem o mesmo efeito. Seu modo de ação expressa bem seu vínculo com as qualidades da terra, fria e seca, corrosiva, adstringente, restritiva.

O outro exemplo: o Cântaro faz alusão ao vaso em que Otos e Efialto jogaram Marte. Os irmãos gigantes, desejosos de desafiar o poder dos deuses, arquitetaram um plano para prender Marte dentro do Cântaro. O grande deus guerreiro capitula diante da astúcia dos gêmeos, e fica preso por 13 meses, até que Hermes/Mercúrio negocia sua libertação. Marte é um planeta de fogo e rege as transformações radicais – como a morte, freqüentemente relacionada com o número 13. É do interior do Cântaro, após uma mutação radical, que Marte é libertado.

Por outro lado, há quem veja no Cântaro o vaso no qual o vinho, verdadeira obra de transmutação, vem a ser; segundo o mito, a fórmula dessa bebida foi ensinada por Dionísio a Icário, pai de Erígona, a Virgem.

O Cântaro é também o interior da terra, que tudo digere, fermenta e transforma.

O Libro de las figuras de las estrellas fijas diz que o Cântaro é o recipiente onde guardamos as coisas correntes que servem para comer e para beber, como o pão, o vinho, a água, a farinha, as verduras. Ele serve de advertência aos homens, para que realizem suas obras com diligência, denodo, porque o vaso cozinha e leva todas as coisas a termo, lenta e seguramente.

As pedras que têm relação com essa constelação são as dos graus 2, 5, 7, 12.

A pedra que está no segundo grau desse signo é a aliaza escura e tem a virtude natural de promover a doença melancolia que, como vimos anteriormente (cap. 2), está ligada à bile negra e à natureza terrosa. Como virtude oculta, quem a traz consigo angaria a inimizade dos homens, que o hostilizam gratuitamente. Ganha suas propriedades da estrela que se encontra no bocal do Cântaro.

A pedra que se encontra no quinto grau é a fardicaner. Quem a traz consigo não pode falar, e se bebe dela, emudece. Mas esse mutismo só dura o tempo em que ela fica no estômago, ou seja, cerca de sete dias. Supomos que quando ingerida, contrai a garganta e resseca a língua, criando dificuldades à fala. Trata-se de uma virtude natural, oriunda de sua natureza fria e seca extrema – tal como ocorre com a pedra marmunia, do oitavo grau, mas cunhada por uma estrela de outra constelação. Passa-se, no entanto, a uma virtude oculta, aquela que opera pelo contato: a pedra carregada junto do corpo também impede a fala. A estrela que lhe confere tais virtudes é a estrela setentrional que está no fundo do Cântaro.

Aquela que se encontra no sétimo grau é a azech çori. Seu cheiro é tão forte que faz vomitar; mas faz a mesma coisa mais fortemente em quem a bebe. É de natureza muito fria e seca: quem bebe dela tem os pulmões ressecados. Estanca o sangue que corre do nariz e aperta os nervos e os lugares que estão frouxos. Se colocada junto do corpo, enegrece a pele, mas moída e colocada por meio de um clister, é boa para aliviar as chagas nas pernas. A estrela que se encontra na boca do Cântaro, no lado do meio-dia, tem poder sobre essa pedra.

A pedra do décimo segundo grau é a harmunca. Cura as oftalmias e, sendo fria e seca, cura também a hidropisia, que é uma doença quente e úmida. Ganha suas virtudes da primeira das três estrelas que estão no fundo do Cântaro.

Todas as pedras ganham suas virtudes das estrelas: as naturais, decorrentes da ação destas sobre a composição elementar daquelas – no caso, frias e secas -, e cujos efeitos de ressecamento e constrição são delas decorrentes, podendo ser encontradas mesmo em outras pedras, cunhadas por estrelas de outras constelações, mas de mesma natureza; as ocultas, as que não se explicam pela composição elementar, são particulares e decorrem de sua relação privilegiada com tal ou qual estrela, como o fato de um homem carregar uma pedra consigo e ter como efeito o angariar a desafeição das pessoas próximas.

Ana Dominguez, referindo o General História, obra que Alfonso X manda compor, esclarece-nos que Virgem refere-se a Erígona. Icário, seu Pai, descobriu a vinha e o vinho. Dando-o de beber a alguns homens que se embebedaram, estes pensaram que Icário os havia envenenado e o mataram. O cãozinho permaneceu junto ao corpo do dono, guardando-o até não mais suportar a fome e a sede. Indo à casa abastecer-se, despertou a atenção de Erígona, que o seguiu depois, de volta ao corpo do dono. Vendo seu pai, a jovem desesperou-se, chorando e rasgando suas próprias roupas. Os deuses apiedaram-se dela, e deram-lhe asas para que viesse, junto com o cãozinho, para a abóbada celeste: tornou-se a Virgem da faixa zodiacal.

A Virgem da ilustração do Lapidário tem asas, e tem ao fundo o azul do céu. Suas mãos abertas sugerem, segundo observa aquela autora, que Erigona prepara-se para voar, buscando dar equilíbrio ao corpo com as mãos abertas e os braços destacados do corpo.

Virgem é um signo de natureza fria e seca, seu elemento é a terra – elemento que age degradando os corpos para transformá-los. É dessa digestão contínua que a vida se gesta no seu interior. O planeta que tem ali seu domicílio é Mercúrio, o mensageiro que perambula entre todos os meios e planos, comunicando as coisas entre si, impulsionando todas as energias. Em outras representações a Virgem traz espigas de trigo e o caduceu típico daquele deus.

Todas as pedras desse signo, inclusive as que são cunhadas por estrelas de outras constelações mas que têm vínculo com Virgem, são frias e secas, têm poder adstringente, constritivo, ressecante, agudo e, mesmo, corrosivo. E são essas as propriedades que se destacam nas descrições que colocamos abaixo a título de exemplo.

A pedra do primeiro grau desse signo, a venequem. Tem como propriedades naturais, ou seja, aquela que decorre de sua natureza fria e seca, a de deixar a madeira reta, a de curar os apostemas quentes, a de reter o vômito e, colocada como pó sobre o corpo do morto, a de evitar que apodreça. Ganha seu poder de duas estrelas que se encontram na capa da figura de Virgem (embora a figura do Lapidário não tenha capa, devendo fazer parte de uma outra tradição figurativa tomada de empréstimo).

A que se encontra no terceiro grau é a aliaza entreverada. Tem as mesmas propriedades da pedra anterior, mas as ganha da estrela que está na ponta da mão esquerda da figura que forma a constelação O Homem que Emite Vozes.

A que se encontra no quarto grau é a aliaza branca, e é um tóxico mortal quando ingerida. Seu antídoto é óleo quente. Ganha sua propriedade da estrela que está no centro da mão esquerda da figura que forma a constelação O Homem que Emite Vozes.

A pedra que se encontra no sexto grau do signo de Virgem é a pedra que aparece no mar quando Mercúrio se põe. Aquele que a traz consigo sente um imenso cansaço no corpo e sente seus membros lhe pesarem grandemente. Se ingerida, sente tais efeitos mais fortemente. Ganha sua propriedade da estrela que está no dedo polegar da mão esquerda da figura que forma a constelação O Homem que Emite Vozes.

No nono grau está a pedra calcatar. É tão fria e seca, é tão aguda sua ação, que queima a carne no lugar onde é colocada. Quando queimada essa pedra tem ação mais sutil, e é dessa forma que é empregada como colírio para secar a umidade dos olhos, no tratamento dos apostemas quentes. Ganha sua virtude da primeira das três estrelas que estão no braço direito da figura de Virgem.

No décimo grau está a pedra calcadiz, que é uma espécie de azech. Constrange ainda mais que azech çori do sétimo grau. É tão adstringente que chega a ser amarga. É usada para apertar os dentes nas gengivas e para enxugar a umidade das carnes do corpo. Tem sua virtude de duas das três estrelas que estão em linha reta na base da cabeça do Dragão.

A do décimo primeiro grau é a calcant, que pode ser pingada nas narinas para secar a umidade da cabeça. Ingerida, mata os vermes do intestino. Ganha suas propriedades das duas estrelas que estão na cabeça do Dragão.

As outras pedras secam a umidade dos olhos, curam a hidropisia, estancam o sangue, limpam os corpos, clareiam os dentes e os apertam nas gengivas, arrancam as unhas, curam as febres e a icterícia, retêm o vômito, a diarréia e a salivação excessiva, entre outras coisas.

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Frios e secos são também os signos de Touro e Capricórnio.

As pedras de Touro são igualmente frias e secas e têm propriedades naturais muito semelhantes às de Virgem: poder adstringente, constritivo, ressecante, agudo, corrosivo – embora operem diferentemente. Elas estancam hemorragias e diarréias, coalham leite, dificultam a urina, limpam outros corpos – e por isso são usadas nas obras de alquimia para limpar os metais -, apertam os dentes nas gengivas, secam a umidade dos olhos, corroem a nuvem branca que cresce nos olhos, esfriam as chagas, comem a carne excedente das feridas, atraem e arrancam a carne do corpo onde forem colocadas, causam insônia, e, quando as mulheres as colocam em suas naturezas, aperta-as muito.

As pedras de Capricórnio são igualmente frias e secas, e têm propriedades naturais muito semelhantes às de Virgem: poder adstringente, constritivo, ressecante, agudo, e mesmo, corrosivo – embora operem diferentemente. Elas são retentivas, secam as chagas, secam a umidade dos olhos, reforçam-nos, algumas são corrosivas, ácidas, retêm os humores, clareiam os dentes, deixam as gengivas vermelhas, tiram a carne podre das feridas, esfriam-nas, secam os pulmões doentes, tiram a sarna e as escrófulas, estancam as hemorragias e as diarréias, saram as rachaduras nas gengivas, retêm a urina, encolhem os nervos, curam a melancolia (doença oriunda do excesso de bile negra, de natureza terrosa – fria e seca), são usadas nas medicinas secantes, tiram as pedras dos rins.

O que torna as pedras de Touro, Virgem e Capricórnio semelhantes é sua natureza fria e seca. Divergem por suas qualidades ocultas – aquelas que não decorrem diretamente de sua natureza elementar. Exemplo: a pedra ecce: “Aquele que a traz consigo sente-se muito forte, perde o medo e torna-se ousado em todos os feitos de arma em que entra”.

Aquele que traz consigo, junto ao corpo, uma pedra de Virgem, pode angariar a hostilidade dos vizinhos, emudecer sem causa, ser invadido por um cansaço absoluto, pode estar protegido contra apostemas nos miolos.

Aquele que traz consigo uma pedra de Touro, tem, sobretudo, sua parte sexual afetada: não engendra de modo algum, seja homem, seja mulher; é tomado por um arroubo de lubricidade, ou o contrário, pode ficar casto todo o tempo que a tiver consigo. Mas também fica protegido de morrer afogado, do ataque dos demônios, do medo – pois conforta muito o coração; algumas pedras afugentam as serpentes, outras protegem contra a embriaguez, o mau-olhado, e as obras de nigromancia – embora algumas também ajudem a realizá-las contra outros; algumas concedem bom parto, outras já causam esquecimento, outras tornam as crianças que as carregam consigo muito choronas e babonas.

Aquele que carrega uma pedra de Capricórnio pode sentir uma tristeza profunda, adquirir uma capacidade de raciocínio claro, ficar corajoso, ter sua vista fortalecida; fica a salvo de morrer afogado, não consegue engendrar, não sua nem produz muita umidade no corpo, não envelhece.

Ou seja, são muitas e muito diversas as virtudes que as pedras desses signos oferecem. Apenas algumas se repetem aqui e ali. São essas virtudes que as singularizam: cada uma em seu grau, reúne propriedades naturais e ocultas que as tornam únicas; cada pedra ganha, de uma estrela em seu próprio grau, o conjunto de suas qualidades.

Não é óbvia, no entanto, a relação entre as estrelas e as virtudes que infundem. Não pudemos identificar uma relação entre a posição da estrela no corpo das figuras – mão, dedo, cabeça, pernas, braços -, orientação da posição na figura – direita, esquerda, em cima, embaixo – e atribuição de propriedades ocultas das pedras.

Ressaltamos o fato de que a atenção tão fina, que valoriza aspectos tão pontuais, como a estrela do dedo polegar da mão esquerda da figura da constelação O Homem que Emite Vozes, nos remete uma vez mais para o tipo de observação que emprega a técnica fisiognomônica, utilizada também para o exame do céu, ou seja, aquela que identifica no detalhe a significação de uma similitude; que, com base num traço, externa a essência de um conjunto; aquela que, partindo de um sinal, se desdobra e se resolve num outro conjunto de significações.

A relação entre o signo e os planetas também é mencionada no Lapidário.

O Sol, em sua trajetória ao redor da Terra, percorre uma esfera circular que está deitada obliquamente em relação à linha do equador celeste, perfazendo um ângulo de 23°30’, de acordo com os cálculos de al-Battani. Ao deslocar-se, passa por baixo de uma série de constelações – 12 principais – e das quais recebe o influxo de sua energia. Cada constelação ocupa 30° desse percurso circular: esta é sua casa. O zodíaco, portanto, é formado por 12 constelações, cada qual ocupando um espaço de 30°513, perfazendo os 360° da esfera.

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O Zodíaco sidéreo de Lapidário não é o mesmo Zodíaco tropical usado em astrologia na elaboração de mapas astrológicos.

César Augusto – Astrólogo

Além do Sol, outros planetas também fazem esse percurso, em momentos, esferas, e velocidades diferentes. Cada planeta sente a influência das estrelas de forma diferente: em alguns signos sente-se como chegando em casa; noutros, como um visitante apreciado, e tem sua energia exaltada, fortalecida; noutros, como um visitante indesejado, sente-se como em exílio, e suas forças decrescem.

Planetas também cunham os seres do mundo sublunar, tendo sua energia aumentada ou diminuída, de acordo com o lugar onde se encontram, de acordo com a casa ou signo que, em tal momento, estão ocupando.

O Lapidário nos ensina que para obtermos maior benefício das propriedades de uma pedra, é aconselhável que olhemos primeiramente para o signo em que se encontra o Sol – o signo do mês em que nos encontramos -, depois, para os planetas que naquele momento ou período estão passando por aquela casa. Certos planetas exercem influência positiva, outros negativa – entendidos assim sob a perspectiva humana. Alguns têm sua energia aumentada ou diminuída naquela posição, fazendo com que as pedras, e também os signos que os recebem, tenham suas propriedades reforçadas ou diminuídas:

Mas os antigos puseram regras gerais para que os homens pudessem obrar mais certamente com este saber, e mandaram que, a cada signo, olhassem também para o planeta que tinha maior poder sobre ele, e conforme entendessem qual era sua posição, que então fizessem suas obras – na boa para o bem, na má para o mal, segundo se mostra neste livro, de cada planeta no lugar onde convém.

Vimos, nos exemplos citados, que Mercúrio guarda uma relação de afinidade com a constelação de Virgem, regendo particularmente algumas pedras, como a pedra que aparece no mar quando Mercúrio se põe.

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De Áries, o Lapidário informa que ele “tem a figura de carneiro, e é casa de Marte e exaltação do Sol; e segundo a compleição que ele mostra em todas as suas obras, é quente e seco.”

De Touro, ele diz que:

Foram mostradas as trinta naturezas do signo de Touro e as forças que recebem das outras estrelas fixas que estão nas figuras que vão em parceria e atamento com este signo; mas, com tudo isso, convém ao que desta obra se quiser servir, que observe o planeta Vênus, cuja casa é o signo de Touro, e que olhe quando ele esteja bem recebido.

De Gêmeos, o Lapidário diz que “em todos estes trinta graus que foram ditos do signo de Gêmeos, é importante que quem por eles quiser obrar observe a posição do planeta Mercúrio, que tem senhorio sobre eles (…).”

A Câncer corresponde a Lua, embora o texto não traga o epílogo do capítulo, em que tal informação é dita, embora outros elementos do texto nos permitam afirmá-lo; ao signo de Leão corresponde o Sol; a Libra, Vênus; a Escorpião, Marte; a Sagitário, o planeta Júpiter; a Capricórnio e a Aquário, o planeta Saturno; a Peixes, o planeta Júpiter.

O fechamento do capítulo, e da obra, é como se segue:

Foram ditas as 30 maneiras segundo os trinta graus do signo de Peixes, e mostramos com quais estrelas têm atamento, de onde recebem a força e a virtude. Além disso, é importante que quem desta obra quiser usar, observe o planeta Júpiter: que esteja em bom estado nas obras do bem, e nas do mal, o contrário, pois esta é a regra geral de todos os planetas, das estrelas fixas e das pedras que estão de acordo com elas; e das ervas e dos animais, pois todas têm virtude dos céus, das estrelas que neles estão; e depois, dos quatro elementos, assim até que chega toda a coisa, pela virtude, a alcançar nascimento, crescimento e manutenção.

O Epílogo do signo de Peixes é, portanto, uma síntese de toda a filosofia, em sua forma genérica, que orienta a composição do Lapidário: todas as coisas sublunares, pedras, plantas, animais e homem, recebem sua composição elementar e todas as suas virtudes dos céus – das estrelas e dos planetas que lá estão. E para que os homens possam beneficiar-se dessas virtudes, eles precisam olhar o céu, ver qual o signo que rege aquele momento, em que grau e lugar está o planeta que ali tem domicílio, que outros planetas estão ali presentes, exaltando ou maleficiando sua influência sobre os seres. Pois que todas as coisas recebem suas virtudes do movimento dos céus, por elas nascem, crescem, e se mantêm até fenecer.

E quando olhar para o céu, o homem interessado em fazer uso das pedras deverá olhar também para a face, decanato em que o planeta está:

As trinta maneiras de pedras segundo os trinta graus do signo de Leão foram ditas, e é importante que aquele que do saber deste livro quiser usar, observe o estado do Sol, assim como foi dito dos outros planetas dos signos de que temos falado. E também o teor da face daquele grau do signo de que for a pedra; que quando estiver em boa situação, verá a virtude destas pedras mais forte para obrar para o bem; e quando para o mal, o contrário.

Lembramos que o decanato é a divisão dos 30 graus em três conjuntos de 10 graus. Cada decanato é regido por uma figura, uma constelação – aquela que aparece no horizonte no início de cada dez graus.

Embora o primeiro tratado do Lapidário não explique o que é o decanato, ele o menciona – e a informação, bem como a própria figura, pode ser encontrada no segundo tratado, e também na obra Astromagia.

O Lapidário também remete, freqüentemente, mas apenas mencionando-os, para os lugares do céu: meio e fundo do céu. São termos técnicos dentro da astrologia, que devem ser entendidos da seguinte forma: o meio do céu é o ponto mais alto do céu, o zênite. É identificado pela cúspide da casa 10, com a qual coincide. Significa a finalidade da existência de um ser, o seu destino, aquilo para o qual foi criado, seu lugar no mundo, que papel desempenha. Está diretamente relacionado com a raiz, o fundo do céu, que coincide com a cúspide da casa quatro, a casa da família, o lugar do nascimento, a base da qual o ser tira o impulso para atingir o alto. É o nadir, o chão de todos os elos que mantêm e suportam as pessoas.

Outros elementos da arte astrológica, necessários ao bom desempenho nessa área, não são expostos, embora sejam sugeridos. O primeiro tratado Lapidário não nos fala dos aspectos – conjunções, oposições, quadraturas, trígonos, sextis, quincúncios – ou dos nódulos da Lua, da cauda do Dragão, da qualidade das casas (bens, família, casamento, morte, doenças, viagens, etc.). É segura, no entanto, a sua recomendação:

Este livro é muito nobre e muito apreciado, e quem dele quiser tirar proveito, convém que observe três coisas: a primeira, que seja conhecedor de astronomia para que saiba conhecer as estrelas em que lugar estão, e em qual época delas vem maior virtude para as pedras…; a segunda coisa, é que saibam conhecer as pedras e as cores e as feições delas, e também que saibam certamente os lugares assinalados onde nascem e são encontradas, separar as falsas das verdadeiras, e distinguir as que naturalmente se assemelham, conhecendo-as pelo peso, pela dureza e outros sinais pelas quais o homem pode conhecer-lhes; a terceira coisa, é que seja sabedor da arte médica, porque há muito dela encerrada na virtude das pedras, segundo se mostra neste livro; que delas saiba fazer uso segundo nele se manda; que seja de bom juízo para que possa se ajudar daquelas que fazem bem e se guarde das que fazem dano.

E, para aquele que quiser aprender a astronomia, para aquele que quiser exercer a astrologia segundo os cálculos justos e certeiros usando as tábuas e as regras de cálculo próprias aos movimentos dos céus e dos astros, para aquele que quiser saber como construir e/ou usar os instrumentos astronômicos, para aquele que quiser conhecer e aplicar seus conhecimentos na Arte da Astrologia, para fazer remédios, amuletos ou talismãs, Alfonso X legou um vasto material de pesquisa, traduzido para o vernáculo, e algumas vezes para o latim, para que aquilo que se oculta aos olhos do homem pudesse ser conhecido e usado para fazer o bem, guardando-se de fazer o mal.

Também no Prólogo do Libro de las Cruzes, diz o tradutor:

E este nosso senhor sobredito (o nobre rei Alfonso X), que tantos e diversos ditos de sábios conheceu, lendo que duas coisas há no mundo que, enquanto estão escondidas não servem para nada, uma é conhecimento ocultado e que não se mostra, e outra é tesouro escondido na terra, e assemelhando-se a Salomão na busca e promoção dos saberes, e lamentando a perda e a míngua das ciências das significações sobreditas a que haviam (levado) os ladinos, achou o Libro de las Cruzes, composto pelos antigos (…).

Estudos Alfonsinos II

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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