Astrologia na Arte

A Dança dos Signos

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Ciro Marchetti

Aos Filhos dos Signos

O espetáculo musical a “Dança dos Signos”, de Oswaldo Montenegro, entrou em cartaz pela primeira vez em 1982, no Rio de Janeiro.

Desde então, tem uma história de sucesso tanto de público como de crítica. Mais de um milhão de pessoas, por todo o Brasil, já assistiram “A Dança dos Signos”.

Dentro de um universo de luz, sombras e poesia, o espetáculo passeia pelos doze signos do zodíaco.

Oswaldo Montenegro

Zoe

Aos Filhos de Áries

Áries, o primeiro signo, do carneiro apaixonado
Tem em Marte seu designo e no fogo seu reinado
Nas estrelas seu delírio, seu amor enciumado
Nos limites, seu martírio, seu mistério revelado
Louco signo das correntes e emoções arrebatadas
Ariana dos repentes e explosões descontroladas
Ariana, como o fogo, nunca será dominada
Decisiva como o jogo, e a primeira namorada
Signo da sinceridade, da vermelha cor do dia
Signo da velocidade, da impulsão e eu nem sabia
Que era tanta madrugada a derramar no coração
Como a rosa serenada se transforma e pinga ao chão
Derretendo ao fogo da paixão.

Aos Filhos de Touro

Mas eu topei
com a estrela bailarina na rua dançando rock
de frente uma vitrine toda sexy
vidrada num anúncio de baton no vidro
preso com durex
(dura lex – sed lex)
um carro, um vestido e um brinco de ouro
presente de um rico industrial do signo de touro
(dura lex – sed lex)

quando é touro
é um meio fecundo
em cada semente plantada
um sorriso de gratidão
haja bom tempo ou não.

Aos Filhos de Gêmeos

Curioso, dispersivo, você sempre tem algo a dizer
Signo dos opostos, signo dos vizinhos gêmeos, há de ser
Cada planeta, cada riso em cada esquina que houver
Cada extremo reunido, cada homem gêmeo da mulher.

Gêmeos como a luz do dia é vizinha do anoitecer
Gêmeos chuva e, quem diria, o sol que brilhará, dor e prazer
Cada planeta, cada riso em cada esquina que houver
Cada extremo reunido, cada homem gêmeo da mulher.

Aos Filhos de Câncer

Caranguejo, signo da última estação do segundo lugar
Do primeiro desejo que não há
Como dissimulando se esconder no porão
Caranguejo da canceriana, solidão de horizontalizar
No canteiro de beijos que não dá
Como dissimulando se esconder no porão do ser

Caranguejo cada vez que a gente se encontrar no cio
Pode ser que não, mas eu quase adivinho
que no coração alguém vai batucar
Caranguejo é o signo de quem só me chama de filho

E do meu coração, e do Gilberto Gil,
Caetano é leão e sempre vai reinar

Pois é
Caranguejo, símbolo da réplica fusão do que não caberá
Mas no primeiro ensejo brilhará como volatizando
Se acender um balão.

Aos Filhos de Leão

Cada diamante ama o sândalo e o cravo
ama o ouro, e alaranjado
o globo azul rodeia o sol
cada diamante imita a mágica
das tropicais florestas
onde reina o leão, Deus dos animais
cada brilho seu reflete o coração dourado
o fogo, o poder, a vitalidade, o pai
cada raio seu forma uma rua
que vai dar na luz da lua
doces caminhos astrais.

Aos Filhos de Virgem

Virgem como a natureza do desconhecido
virgem como quem se muda e como quem virá
virgem como a fruta esperando a tal mordida
virgem como o garoto que espera atento a hora do jantar
virgem como a nuvem que ainda não choveu e o guia
e como é virgem toda noite enquanto o dia não pintar
virgem como a tela branca da pintora linda ainda é virgem
como a lua antes do sol iluminar
virgem como o olho de quem não dormiu e o guia
virgem como a planta do pé de quem não andar
virgem como o pássaro desvirginou o dia
quando desenhou no céu o mapa de onde o sol pode brilhar
virgem como a música do cantor que era mudo
e como o passarinho é virgem quando não puder voar
virgem como a bailarina sem coreografia
e como a pérola azulada que ainda não saiu do mar.

Aos Filhos de Libra

Era de libra como a lua vista assim é de cor de sal
era de libra como a luz das sete estrelas
forma algum sinal
era de libra quando dá um passo atrás
pra caminhar legal
era a balança universal
era harmonia como o ritmo da vida e o carnaval
era de libra como a brisa quando passa
e ondula o trigal
mas tinha medo de saber que o jogo da verdade
era fatal
era a balança universal
era de libra e amava a paz e a justiça natural
era de libra pra poder unir a idéia
ao seu material
o simbolismo da figura da mulher
paixão arterial
era a balança universal
era de libra como a valsa, o antigo Egito e afinal
era de libra e tem a crença da beleza
e do encanto geral
a natureza da firmeza e oscilação
a simpatia e tal
era a balança universal.

Aos Filhos de Escorpião

É o reino da força
vermelho é a cor do teu coração
ferro em brasa na casa da morte
é o escorpião
a força criadora que habita o mundo
o animal da auto-regeneração
o homem que renova, signo fecundo
o fim planta o início
é a transmutação
cabala do grande sinal
cabala da força do ….

Aos Filhos de Sagitário

Era claro e sábio
Era manso metade animal
E livre como ancião
Que já não teme o final.

Eu amava e amava
Adormecia com gosto de sal
Na boca
E amava assim
Com a devoção natural
Dos deuses, dos animais
Ah, quanto tempo atrás
Ah, quantas noites passei
A galopar em você, doce centauro
Amo você, doce centauro.

Aos Filhos de Capricórnio

Madrepérola de cor
a teimosia tá no ar
signo da terra, da percussão
a dúvida não tem lugar
signo de capricórnio, ser
ser como se fosse escalar
a montanha negra do dia a dia
não saberia sonhar
signo da segurança total
signo da persistência, e afinal
na versão mais infinita do ser
capricórnio inda precisa aprender
que da estranha forma do caracol
foi que se inventou a clave de sol
simbolismo do prazer
tudo mágica ser.

Aos Filhos de Aquário

Brilho do signo do novo
do futuro – aquário
silfos da magia – ar virão
serpentina da revolução
brilho do signo do novo
do futuro – aquário.

Aos Filhos de Peixes

É peixe quando pula e descortina
A clara possibilidade de mudar de opinião
É peixe quando sem ligar a seta muda o rumo
Inverte a coisa, embola o pensamento e então
É peixe quando o germe da loucura
Se transforma em claridade e anda pela contramão
É peixe quando anda no oceano de quarenta correntezas
Sem nenhuma embarcação
É peixe quando salta o precipício da responsabilidade
E tem uma queda pra ilusão
É peixe quando anda contra o vento, desafia o sofrimento
E carrega o mundo com a mão
É peixe quando a luz do misticismo
Se transforma na procura do princípio e da razão
É peixe quando anda no oceano de quarenta correntezas
Sem nenhuma embarcação.

Oswaldo Viveiros Montenegro (Rio de Janeiro, 15 de março de 1956) é um músico brasileiro. Além de cantor, compõe trilhas sonoras para peças teatrais, balés, cinema e televisão. Foi casado com a atriz Paloma Duarte. Tem uma das parcerias mais sólidas da MPB ao lado de Madalena Salles, que o acompanha com suas flautas.

Biografia

“Ainda em 82, escrevi para o Núcleo Artístico de Belo Horizonte, A Dança dos Signos. Nessa época, Roberto Menescal era diretor artístico da Polygram e comprou os direitos do Cristal. Arquivou o projeto e lançou o disco A Dança dos Signos, com doze canções do ballet, cada uma sobre um signo do zodíaco.”

Zoe

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