Astrologia e Astrólogos

Redescobrindo a Verdadeira Essência da Astrologia

NEBULOSA.DE.ÓRION

Otávio Azevedo

“No céu de Indra dizem que há uma rede de pérolas de tal maneira arranjadas que, se olharmos para uma delas, veremos todas as outras nela refletidas. Da mesma maneira, cada objeto do mundo não é somente ele mesmo, mas inclui todos os outros objetos, e de fato é todos os outros objetos”.

(Sir Charles Eliot, Japanese Buddhism)

 Com a atual visão unilateral, a ciência é tão ou mais incoerente do que parece ser a astrologia.

A astrologia é um saber ancestral, milenar, perene. Mas, diferente do que muitos pensam,o fato da observação do céu comparada à vida na Terra ter se originado entre os nossos remotos ancestrais, não significa que a astrologia é um método de entendimento troglodita, resquício de uma forma rudimentar de ver a vida. Trata-se de uma verdade que, com mais de 5.000 anos de história, ainda está muitos anos à frente de todo saber que temos hoje disponível. A astrologia é a “Linguagem de Deus”, um alfabeto disponível aqui e agora, mas que certamente só será adequadamente compreendido e explorado ainda muitos anos à frente. Hoje, só podemos vislumbrar algumas das suas infinitas possibilidades, como seria de se esperar de uma linguagem tão abrangente. Com toda a sua idade a astrologia ainda está no seu alvorecer.

A astrologia é um saber que ao mesmo tempo é uma poesia e êxtase religioso. Mas não se trata absolutamente de uma religião nos moldes como esta é vista atualmente, uma vez que não implica em rituais, dízimos, crenças ou o que quer separe a busca do Divino em diferentes partidos. A astrologia une e religa, é a religião pura, o diálogo com o Divino que habita no mundo dos simbolismos, a máxima expressão do termo “religare”, já que é um puro saber de religação ao Todo, ao Cosmos.

Mas, uma coisa que a astrologia não é – e isso fica claro para quem a compreende verdadeiramente – é aquilo que hoje se denomina “ciência”. Poderíamos enquadrá-la seguramente numa forma superior ou mais abrangente de “Ciência”, já que este termo per si significa “saber que se adquire pela leitura e meditação; instrução, erudição, sabedoria” (Dicionário Aurélio). No entanto, a forma como a “ciência” encara hoje os fenômenos reside inteiramente nas relações de causa e efeito, uma relação horizontal, onde são buscadas as chamadas “equações”, e a astrologia não se enquadra neste tipo de modelo, já que o fenômeno astrológico não pode ser equacionado, sistematizado ou simplesmente metodizado. É perda de tempo querer tratar a astrologia com uma estrita metodologia científica, que não é – atualmente – ampla o suficiente para abranger um saber vertical. Trata-se de um conhecimento “acausal”, sem relação de causa e efeito. É um fenômeno sincrônico, vertical, cuja verdadeira essência, a ciência – em uma de suas vertentes – só está espreitando agora, através do chamado “modelo holográfico”.

Infelizmente, devido a esta confusão de modelos, a astrologia vem sendo incompreendida ao longo de sua existência, gerando críticas que, quando muito, poderiam ser dirigidas àqueles que apenas a utilizam em proveito próprio, sem nenhuma consideração pela sua origem sagrada. Entre estes críticos da astrologia que habitam o mundo científico, encontram-se especialmente os astrônomos, que são os verdadeiros cientistas do céu. E a criticam por dois motivos simples: em primeiro lugar, por mero ciúme, já que a astronomia nunca conseguiu desfrutar do apelo popular que tem a astrologia; e, em segundo lugar, pelo fato de que os astrônomos e cientistas de um modo geral não compreendem os fundamentos da astrologia, e a contemplam com uma visão estritamente horizontal, obviamente fundamentada em relações de causa e efeito, na qual a astrologia não se insere. Assim, passam a querer checar as questões astrológicas à luz do seu restrito modelo de causa e efeito. Vista sob esta ótica, é natural que a astrologia pareça mesmo uma brincadeira de idiotas, uma superstição. O que se lamenta é que estas pessoas (os cientistas), que tanto se gabam de terem ajudado a abrir a mente da humanidade, não tenham ainda aberto a sua própria mente o suficiente para estudar fenômenos que não são percebidos com o hemisfério cerebral esquerdo, responsável pela parte lógica, racional e horizontal da percepção. De tanto treinarem e se identificarem com este hemisfério cerebral, fica difícil perceber que existem outras formas de ver a realidade, tão ou mais fundamentais para a existência do que apenas a forma racional, lógica. E quanto mais insistirem que só se pode ver a verdade desta maneira lógica, mais a ciência ficará longe de descobrir respostas às mais antigas indagações do ser humano, entre elas, apenas para citar, o fenômeno da vida, visto que não se chegará jamais a uma resposta científica a esta questão enquanto não se considerar a existência do modelo vertical, onde poderíamos inserir a alma.

Os cientistas criticam a astrologia, mas são tão ou mais incoerentes do que parecem ser os astrólogos, quando tratam de lamber suas próprias feridas. Tentam explicar a vida através da evolução, da seleção natural entre as espécies, esquecendo-se que a própria ciência ao traçar as “Leis da Termodinâmica”, especialmente a primeira e a segunda lei, coloca o fato da existência diante de situações insustentáveis sob a ótica do modelo materialista, de um universo desprovido de alma, evoluindo apenas segundo reações químicas. Resumindo, quando a ciência tenta beliscar questões relacionadas à existência, se embanana toda, uma vez que estas questões fogem ao restrito modelo científico contemporâneo.

 A 1ª Lei da Termodinâmica, a da conservação da energia, diz que “a energia pode ser convertida de uma forma para outra, mas não pode ser criada ou destruída”. Isto demonstra de maneira bastante conclusiva que o Universo não se criou sozinho, o que implica na consideração de algo superior à própria existência, fora dos moldes científicos, ao que, na falta de palavras e entendimento para defini-lo, reverentemente denominamos de “Deus”.

A 2ª Lei da Termodinâmica, a famosa “Lei da Entropia”, diz que “em qualquer mudança física, a energia diminui constantemente em utilidade, tendendo a um estágio final de completo acaso e indisponibilidade”. Essa queda da ordem para a desordem elimina a possibilidade de uma lei básica de crescente organização, que transformaria sistemas existentes – como a própria vida – em sistemas superiores, ou seja, a evolução. Mas a evolução é um fato, ela existe! Por esta lei, haveria uma involução constante, e ao invés da bactéria se desenvolver ao longo de milhões de anos para constituir organismossuperiores, aconteceria o contrário, involuindo até voltar a ser um mineral. Aliás, por essa lei, a bactéria não teria jamais acontecido, pois implica numa ordem superior aos seus componentes. Aqui, os cientistas teimam em desconsiderar uma onda vertical, organizadora, que não pode ser equacionada, e que poderíamos denominar simplesmente de “Vida”. Esta onda organizadora é chamada de princípio “Filho” (Cristianismo); “2º Logos” (Teosofia); ou “Vishnu” (Hinduísmo), um dos três princípios básicos que constituem e sustentam o Universo. Na sua totalidade, estes três princípios são denominados de “Pai” (1º Logos, Shiva), “Filho” (2º Logos, Vishnu) e “Espírito Santo” (3º Logos, Brahma).

Como podemos observar a Lei da Termodinâmica requer que o Universo tenha tido um começo, mas a 1ª Lei não admite que tenha começado por si mesmo. Neste caso, a única conciliação possível para o problema seria reconhecer que o Universo foi criado por uma “Causa Transcendente”, e é aqui que o modelo científico dá um nó; mas, vai em frente. Ao mesmo tempo em que prega a evolução das espécies, a ciência nos fala da Entropia… (Ah!)

A falta de visão do modelo vertical é a origem das grandes incoerências da ciência. Mas, mesmo com a visão fragmentada no seu restrito modelo, os cientistas cismam em querer detectar as incoerências em outros sistemas, que só parecem assim pelo fato de não serem abordados de forma conveniente, ou seja, segundo sua própria natureza. Quando observamos um fenômeno vertical à luz de um modelo horizontal, é óbvio que apresentará inúmeras incoerências… E vice-versa!

Quando a “ciência” passar a ser “Ciência”, e se abrir o suficiente para abranger os dois modelos de compreensão da realidade, separando e ao mesmo tempo integrando as duas formas – horizontal e vertical -, utilizando ambos os hemisférios cerebrais e suas diferentes percepções, a razão e a intuição, aí terá se aberto o suficiente para alcançar a Grande Síntese; todas as atuais incoerências se tornarão extremamente coerentes, os paradoxos serão reconciliados, e tudo será visto como complementar, aspectos de uma visão polarizada, que, na síntese, se fundem num Todo cósmico, perfeitamente ordenado, como não poderia deixar de ser neste nosso Universo Perfeito.

Pi Holograma

O modelo astrológico (vertical) em contraposição ao modelo científico (horizontal)

“A sabedoria consiste em falar e agir segundo a verdade,
Observando cuidadosamente a natureza das coisas.”

Heráclito (Fragmentos)

Qualquer fórmula, relação ou lei natural não poderia existir se não houvesse uma ordem cósmica. Tanto o conhecimento científico quanto o saber esotérico estão subordinados a leis maiores – eu as chamaria de Leis Cósmicas – que são princípios abstratos que determinam coerência e ordem do Todo. Estes princípios podem ser encontrados no Caibalion, que através de suas sete leis herméticas formam uma espécie de “Constituição Cósmica”.

Os cientistas, por exemplo, vivem buscando equacionar todos os fenômenos que ocorrem no Universo, o que seria inviável se não houvesse uma relação de causa e efeito entre as ocorrências da natureza. Sem isso, seria impossível buscarem-se relações e equações que explicassem o universo visível. Da mesma forma, os astrólogos relacionam as “imagens” que permeiam o Universo, buscando um elo comum entre as infinitas “mensagens” que cruzam simultaneamente os mais diferentes planos de experiência, tanto os macrocósmicos quanto os microcósmicos. No entanto, diferente da mentalidade científica, os astrólogos não buscam relações de causa e efeito entre estes fenômenos, mas, sim, um elo simbólico entre os mesmos, como se houvesse algo maior que, com um “sopro”, colorisse com os mesmos tons os elementos simbolicamente análogos, desde as galáxias até os átomos e partículas infinitesimais, seja nos planos materiais ou nos planos sutis de experiência. E a forma como os astrólogos “sentem” este “sopro” é através de simbolismos, o que aproxima a astrologia de algo poético ou artístico.

O mais importante é que ambas as formas de se ver a realidade estão subordinadas a leis maiores. Curiosamente a Lei maior da ciência é ignorada pelos cientistas, não sendo jamais citada em tratados ou livros de ciência. Esta Lei é denominada “Princípio de Causa e Efeito”. Da mesma forma, há outra Lei que rege todos os fenômenos ditos esotéricos ou verticais, denominada “Princípio de Correspondência”. Estes são respectivamente o sexto e o segundo princípios do Caibalion.

O Princípio de “Causa e Efeito” é – como veremos – uma lei horizontal, que atua no universo material da existência e está ligado à entropia (ou Lei de Economia), regendo a distribuição da matéria, e atuando numa direção estritamente material. Daí a enorme dificuldade que os cientistas têm em abordar as questões relacionadas à existência, à vida e à alma.

Já o “Princípio de Correspondência” é uma lei vertical, acausal e, portanto, não se manifesta por relações de causa e efeito. É um princípio que comanda a dotação de vida a toda matéria que existe no Universo (Lei de Atração). Diz o “Princípio de Correspondência”:

“O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.”

 Deve-se entender perfeitamente este “é como”, que significa ser análogo, mas não igual ou semelhante. É ter uma função correspondente que expresse um mesmo princípio arquetípico, seja qual for o plano de manifestação. Seja, por exemplo, a função “centralizar”, ou “irradiar”. No Sistema Solar esta função arquetípica é expressa pelo Sol.

A função “sol” inclui outras atribuições como transmitir vitalidade, criatividade, nobreza, majestade, liderança, brilho, dramaticidade. O astro Sol cumpre tudo isto no Sistema Solar. Um rei é o “sol” para o seu reino, assim como o coração é o “sol” do corpo humano, já que expressam funções análogas em relação ao seu sistema. O leão, o rei dos animais, expressa o princípio solar através do seu porte, conduta e aspecto. Entre os pássaros, temos o pavão, nas flores o girassol. Enfim, em cada plano de manifestação ou sistema, iremos encontrar elementos que expressam este princípio. Poderíamos adotar o mesmo procedimento para os outros princípios arquetípicos. Aqui, é importante considerar que ao interpretar um mapa astrológico, o astrólogo não está lidando com planetas físicos tipo Sol, Lua, etc., mas sim com o princípio que este planeta expressa.

O ponto mais importante do “Princípio de Correspondência” é que se trata de uma lei acausal. Ele estabelece apenas uma relação “funcional” entre os variados planos de manifestação sem que haja aí nenhuma relação de causalidade. É através desta lei que funciona o esoterismo e todos os mecanismos em que se reconhece o Todo pela parte, ou outros planos a partir de certo plano específico. Os astrólogos, portanto, observam a posição dos planetas no Sistema Solar e “sentem” o que ocorre nos outros planos de manifestação; no entanto, poder-se-ia “sentir” o mesmo a partir de qualquer outro plano de referência, da mesma forma como pode-se conhecer condições de todo corpo humano através da íris, das unhas ou das palmas das mãos. No seu significado mais profundo, é o “Princípio de Correspondência” que mostra a interligação de todas as coisas do Universo, como se fossem partes de um grande Todo Cósmico.

A astrologia, portanto, lida com esta projeção vertical expressa no “Princípio de Correspondência”. O que se manifesta no macrocosmo é espelhado no microcosmo e vice-versa. A natureza é um espelho de infinitas faces, que a cada momento reflete uma mesma mensagem arquetípica.

Já a ciência, cuja função é estabelecer relações de causa e efeito, manifesta-se no sentido horizontal, perpendicular ao esoterismo. É regida pelo princípio de “Causa e Efeito”, que diz:

“Toda a causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o acaso é simplesmente um nome dado a uma lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei.”

O saber científico é, em suma, a busca de interligações, relações causais, formulações, ao que não se submete a astrologia, por ser expressão de um princípio acausal. No esquema seguinte podemos ver melhor as projeções verticais (esoterismo) e as projeções horizontais (ciência).

Pelo “Princípio de Correspondência”, vertical, podemos associar Saturno à disciplina, ossos e porta. Sob o simbolismo deste planeta podemos ter problemas ósseos ou as “portas podem ser batidas na nossa cara”. No entanto, estas são relações acausais. Não é Saturno que causa reumatismo e nem o responsável por nos ter sido negada uma oportunidade. Da mesma forma, se eu cair de uma árvore e partir a perna num aspecto difícil de Saturno, uma segunda pessoa poderia passar por um período de depressão e medo, manifestando a função no plano emocional ao invés de no plano físico. E, por essa linha, as possibilidades são infinitas, e inclusive pode-se optar por alternativas saudáveis para “canalizar” o tal aspecto tenso. Esta possibilidade é uma das grandes riquezas da astrologia. A situação de Saturno relacionada a nós é apenas um reflexo, que em suma poderia ser verificado em outros planos de referência, pois cada reino de manifestação tem “Saturnos” arquetípicos. A relação astrológica é, portanto, acausal. Não poderemos encontrar uma fórmula “científica” que equacione porta, disciplina e ossos.

Já no sentido horizontal, podemos estabelecer fórmulas e relações, uma vez que aí se manifesta o “Princípio de Causa e Efeito”. Esta é a tarefa da ciência. Os astrônomos estudam o céu e suas relações físicas, os psicólogos estudam as neuroses e suas causas, os biólogos analisam o funcionamento dos organismos, etc. Podemos estabelecer relações causais no sentido horizontal, mas não no vertical. Daí ser incorreto considerar a astrologia uma ciência – pelo menos nos moldes atuais em que esta palavra se insere – ou atribuir “influência” aos astros. Tenho visto pessoas que, para mostrar a “influência” dos astros, recorrem a situações físicas, como a influência da Lua sobre as marés ou das manchas solares sobre a Terra, com se estes efeitos físicos, e, portanto científicos, tivessem relação com a astrologia. Não têm. No sentido astrológico, os astros não predispõem e nem influenciam nada, apenas refletem uma função arquetípica, pois comodiz o Princípio da Correspondência: “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.

intersecção

O paradigma holográfico: onde a ciência começa a se aproximar da astrologia

O holograma é uma invenção dos anos 60, e grosso modo é um mecanismo ótico que produz imagens tridimensionais. Seu princípio foi descoberto em 1947, mas o modelo só pôde ser construído após a invenção do laser. Para produzi-lo, divide-se um único raio laser em dois feixes separados. O primeiro feixe é projetado no objeto a ser fotografado. Então, faz-se com que o segundo feixe colida com a luz refletida do primeiro. Quando isso acontece, eles produzem um padrão de interferência que é então registrado num filme. Iluminada pela luz natural, a imagem do filme não se parece em nada com o objeto fotografado, mostrando um conjunto de curvas concêntricas entremeadas, num desenho indecifrável. Mas, assim que um outro feixe de raio laser ilumina o filme, uma imagem tridimensional do objeto original reaparece em pleno espaço, podendo ser vista por cima, por baixo ou por qualquer lado, mas não podendo ser tocada. Esta imagem holográfica apresenta algumas características que estão deixando os cientistas intrigados e perplexos.

Suponhamos que o objeto fotografado seja uma maçã. Peguemos então o filme holográfico e vamos dividi-lo ao meio, em dois pedaços. Projetemos agora o laser sobre uma dessas metades. O que vemos projetado no espaço a três dimensões? Meia maçã? Nenhuma maçã? Não! Se projetarmos o laser em qualquer uma das metades, ainda assim obteremos a maçã inteira projetada no espaço. E se continuarmos partindo a foto em milhares de pedaços e projetarmos o laser sobre um minúsculo fragmento, ainda assim obteremos a maçã inteira projetada a três dimensões. Uma imagem menos nítida, mas ainda assim a maçã inteira.

Nesta foto mágica, cada parte contém a totalidade, cada uma das partes da imagem interpenetra todas as outras.

O Todo nas Partes

Esta característica do holograma – a parte no todo e o todo nas partes – tem assustado os cientistas e modificado algumas concepções importantes sobre o Universo. Segundo o físico nuclear David Bohm, o Universo inteiro funciona como um holograma, em que cada uma das partes interpenetra as outras. Qualquer alteração se transmite ao Todo. Cada célula do nosso corpo reflete o cosmo inteiro. Da mesma forma, todo passado e as implicações para todo futuro também estão presentes em cada minúscula porção do espaço e do tempo. Resumindo, a totalidade de tempo e espaço encontra-se presente em cada ponto de tempo e de espaço. Impressionante!

Nós contemos o Universo inteiro no nosso mundo, no nosso corpo, nas nossas células. É devido a este princípio que a acupuntura permite alcançar todo corpo através de uma determinada parte do mesmo, por exemplo, a orelha. O corpo inteiro está presente na orelha, como mostra o diagrama do “Homenzinho na Orelha”. Os iridologistas, por suavez, vislumbram as condições de todo corpo pelos desenhos da íris; no “Do-in” pode-se fazer o mesmo pelos pés, e os quiromantes lêem a vida física e temporal na palma das mãos. São todos desdobramentos do mesmo princípio que rege o holograma. Na verdade, cada parte do corpo o contém inteiro, numa perspectiva espaço-temporal, da mesma forma que cada pequena entidade do Universo reflete o padrão de sistemas infinitamente maiores, e da própria totalidade. Esta idéia foi maravilhosamente expressa por William Blake no seu célebre verso em “Auguries of Innocence”:

Enxergar o mundo num grão de areia
E o céu numa flor silvestre,
Segurar o infinito na palma da sua mão,
E a eternidade em uma hora.

O Cérebro Holográfico

O princípio holográfico, além de ser um modelo de reflexo do Universo nas partes, tem sido usado para explicar como o cérebro processa a informação. Neurologistas têm ficado cada vez mais surpresos com pesquisas que demonstram que a memória se distribui por todo cérebro indistintamente, e as lembranças não se localizam numa região específica, como se pensava anteriormente. O Prêmio Nobel em neurofisiologia, Dr. Karl Pribam, sugere que, como num holograma, as sensações que chegam até o cérebro são gravadas em todas as suas partes. O processo de evocar uma determinada memória equivale à reprodução de uma imagem holográfica. Segundo Pribam, o cérebro é um holograma e reproduz um padrão holográfico.

 Para provar que Pribam estava errado, o biólogo da Universidade de Indiana, Paul Pietsch, idealizou uma experiência um tanto quanto tétrica. Pietsch havia observado que podia remover o cérebro de uma salamandra sem matá-la e, embora o animal permanecesse em letargia sem o cérebro, seu comportamento voltava completamente ao normal assim que este era recolocado. Pietsch tomou os hábitos alimentares da salamandra como referência para suas experiências. Então, inverteu os hemisférios, esquerdo e direito do cérebro e, para seu espanto, assim que ela se recuperou rapidamente voltou à alimentação normal. Pietsch tentou várias outras alternativas: virou o cérebro de cabeça para baixo, cortou-o em fatias, embaralhou, e, chegou a picar em pedacinhos os cérebros de suas infelizes cobaias. No entanto, sempre que recolocava o que havia sobrado desses cérebros, ou parte deles, o comportamento dos animais voltava ao normal. Desnecessário dizer que Pietsch mudou de ideia, passando a considerar a teoria de Pribam.

A Memória Infinita

Entre várias características peculiares ao holograma, vale a pena destacar outra, além da que relaciona o todo com as partes. Esta segunda característica é o fato de que os hologramas têm uma capacidade fantástica de armazenar informações, podendo gravar uma infinidade de imagens sobre uma mesma chapa. Assim, quando modificamos o ângulo da chapa, uma determinada imagem aparece e a outra que estava projetada desaparece. Esse efeito se relaciona ao ângulo de incidência no qual os dois feixes de raio laser atingiram o filme fotográfico ao gravar uma determinada imagem. Ela só se projetará no espaço tridimensional quando for iluminada por um raio laser projetado no mesmo ângulo em que a imagem foi gravada originalmente. Assim, é possível registrar muitas imagens diferentes sobre a mesma superfície, cada uma com o seu respectivo “ângulo de reprodução”. Os pesquisadores calcularam que um pequeno pedaço de filme poderia armazenar milhões de imagens, cada uma podendo ser evocada através do seu ângulo original de gravação. Uma chapa assim gravada mostra uma multiplicidade de imagens projetando-se seguidamente ao ser girada diante do laser.

Esta segunda característica explica possíveis mecanismos de recordação de fatos. Sendo o cérebro um holograma, quando nos colocamos num determinado “ângulo de lembrança”, iremos evocar aquela recordação em particular, ou seja, a nossa capacidade de lembrar é análoga ao ato de emitir um feixe de raio laser em direção a um desses pedaços de filme evocando uma imagem específica. Da mesma forma, quando somos incapazes de lembrar alguma coisa, isto corresponde a emitir vários feixes a um pedaço de filme com múltiplas imagens, mas sem encontrar o ângulo certo para recuperar a “imagem” que estamos procurando. Os pesquisadores dessa área estão convictos que a visão que os moribundos têm na hora da morte, quando “vêem” a vida inteira numa fração de segundo, equivale, no sistema holográfico cerebral, ao ato de girar rapidamente uma chapa holográfica com milhões de imagens gravadas diante do laser.

Simetrias do Universo

 A Astrologia: Um Sistema Holográfico

Em decorrência dessas recentes descobertas, a ciência começa a descobrir o que os místicos já haviam percebido há milhares de anos atrás: que somos parte de uma totalidade que está em nós. O princípio do “Universo Holográfico” já estava presente no célebre aforismo hermético:

“O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.

Os astrólogos observam e interpretam a mensagem do Sistema Solar para traduzir os acontecimentos tão pequenos e localizados que se passam na nossa vida aqui na Terra. Somos um conjunto de partes e, ao mesmo tempo, partes de um conjunto. De várias maneiras chegamos à conclusão de que cada indivíduo se relaciona intimamente com o Universo. Cada um de nós pode ser considerado um pedaço do holograma universal; portanto, carregamos o padrão da totalidade, não apenas em nosso registro do momento do nascimento, mas também numa perspectiva dinâmica, no “holomovimento” contínuo.

Estudar o fenômeno astrológico é estudar o holograma cósmico. Somos partes do Sistema Solar e, assim, somos seu reflexo. Esta analogia “vertical” está no âmago do todos os fenômenos ditos “esotéricos”.

Aqueles que se dedicam ao estudo da astrologia observam, com certa admiração, como as diferentes relações e posições planetárias se refletem simbolicamente na vida e nos acontecimentos cotidianos aqui na Terra. O fato de a parte refletir o todo não implica em que o todo esteja “influenciando” esta parte. O menor e o maior obedecem, juntos, a um possível movimento holográfico universal. Por esse caminho, talvez pudéssemoschegar ao Todo Maior, àquilo que se denomina a Totalidade Cósmica: estamos todos submissos à Sua Vontade. Sem dúvida, a ciência chega aqui bem próxima a uma conceituação mística, esotérica, religiosa. O mundo holográfico foge aos padrões usuais da ciência – o das relações de causa e efeito – e, por isso, os cientistas que atuam nessa área encontram-se tão espantados e relutantes. É um mundo fantástico, que evoca uma natureza mística, como diz Richard Zarro:

“Alguns dos modernos conceitos da Física, Biologia e Psicologia começam a parecer inspirações espirituais e universais que encaram toda a manifestação como relacionada a uma realidade maior – uma realidade em que a consciência e a matéria estão inexoravelmente interligadas.”

Assim, não é de se espantar, que desde a época da “revolução quântica”, cinqüenta anos atrás, vários físicos descobriram intrigantes paralelismos entre os resultados de suas investigações e certos sistemas religiosos, místicos e esotéricos. Heisenberg, Bohr, Eddington e até Einstein sustentaram uma concepção místico-espiritual do mundo. É reconfortante verificar que correntes tão divergentes – a ciência e o esoterismo – começam a se aproximar. Há de existir uma conexão, um ponto comum na cruz formada pelo saber científico – horizontal e lógico – e o saber esotérico – vertical, simbólico, intuitivo. E este ponto de encontro parece ser o modelo holográfico.Por que as objeções que os cientistas colocam à astrologia não têm fundamento

“There is really no astrological evidence that science is anything more than a medieval superstition.”

“Não há realmente nenhuma evidência astrológica de que a ciência é algo mais do que uma superstição medieval.”

Stephen James – Astral Engineer

A jocosa citação de Stephen James encerra uma meia-verdade: vista sob o paradigma astrológico (vertical), a ciência apresenta inúmeras contradições, da mesma forma que a astrologia quando enfocada sob o modelo científico (horizontal).

Relembrando o ponto principal que foi explanado nesta série de artigos, a astrologia e todos os saberes esotéricos estão regidos pelo “Princípio de Correspondência”, que afirma que “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”. Esta Lei Cósmica é, em última instância, a indicação da presença inerente do Todo em Tudo, onde, a cada instante, existe um mútuo reflexo entre o macrocosmo e o microcosmo, uma espécie de qualidade abstrata que se propaga por todos os planos de manifestação. É a este princípio que a Bíblia nos remete quando diz que “fomos feito à Sua imagem e semelhança”. Desta forma, podemos conhecer a natureza do infinitamente pequeno através do infinitamente grande, e vice-versa. É notável como homens de grande desenvoltura espiritual afirmam que não é necessária nenhuma busca nem anseio exterior, já que através de conhecer a si próprio pode-se conhecer o universo inteiro. No seu próprio mundo interior o iluminado encontra a totalidade cósmica.

 No entanto, o caminho inverso é igualmente válido. Quando conseguimos compreender a mensagem simbólica escrita no céu, na grandiosidade que se encontra acima de nós, podemos entender o que se passa no nosso pequeno mundo, já que nós, seres humanos, assim como o universo, o sistema solar e os micróbios, somos, tudo, “farinha do mesmo saco”.

O ponto mais importante desta Lei Cósmica é que se trata de uma lei acausal, onde a sincronicidade que existe entre elementos análogos de diferentes planos de manifestação não obedece a nenhuma relação de causa e efeito. A lei estabelece apenas uma relação “funcional”, sem que haja aí nenhuma relação de causalidade. Não é correto, portanto, falar em influência dos astros ou coisas do gênero quando nos referimos à astrologia, já que os planetas, na verdade, não nos influenciam. Apenas refletem no céu o que se passa aqui na Terra… E vice-versa! Os cientistas e demais pessoas que tentam desacreditar a astrologia partem usualmente deste equívoco. Acham que os astrólogos pretendem estabelecer relações de causa e efeito entre os corpos celestes e os acontecimentos aqui na Terra, o que não é o caso. Assim, vêem e contestam a astrologia baseados no seu modelo científico, e não no modelo vertical que rege a astrologia. Partindo de pressuposições equivocadas, é claro que chegam a conclusões igualmente despropositadas.

Para quem consegue distinguir claramente os dois modelos, torna-se fácil responder a quaisquer ataques contra a astrologia, alguns baseados na lógica causal e outros baseados apenas em preconceito. E não são poucos os ataques que têm sido desferidos injustamente contra a astrologia ao longo dos últimos tempos.

Em Junho de 1990, por exemplo, a revista “Super-Interessante” publicou um artigo pretensamente científico, já que fora escrito por um cientista (o astrônomo americano Andrew Franknoi), e que atacava a astrologia de uma forma desleal, através de indagações que “deixariam qualquer um sem resposta”. O que torna mais insidiosa a matéria é que as respostas às perguntas do cientista foram dadas por ele mesmo, obviamente manipuladas numa lógica marota mesclada de preconceito. O título da reportagem era: “Como Defender-se da Astrologia”, onde o autor procura colocar este saber milenar numa posição marginal, como se fosse uma ameaça social da qual todos deveriam se cuidar e defender. Quanto à revista, repetindo uma atitude usual em grandes órgãos de informação, não deu oportunidade de defesa aos astrólogos nesta nem em outras edições.

Chicago Scorpio

Vamos, então, responder às perguntas do astrônomo, mostrando que todas partem de um pressuposto equivocado.

1- “Qual a probabilidade de que 1/12 da população mundial esteja tendo o mesmo tipo de dia?”

Astrônomo: Os astrólogos que publicam horóscopos nos jornais asseguram que você pode saber algo sobre seu dia lendo um dos doze parágrafos no seu matutino predileto. Uma divisão elementar mostra que 400 milhões de pessoas pelo mundo afora terão o mesmo tipo de dia, todo santo dia. Dada a necessidade de atender a tantas expectativas aomesmo tempo, torna-se claro o motivo pelo qual as previsões astrológicas vêm acondicionadas em um palavreado o mais vago e genérico possível.

Otávio Azevedo: O astrônomo se refere aos horóscopos de jornais. Estes “horóscopos”, quando feitos por profissionais competentes, podem apenas dar descrições simbólicas genéricas, geralmente considerações sobre signos, o que não é aplicável individualmente, como as colunas de jornais querem fazer parecer. Num nível individual, somente o próprio mapa astrológico do indivíduo, que depende do dia, hora e local em que este nasceu, é que irá refletir sua situação num determinado momento. Se os jornais procuram apontar os horóscopos como soluções individuais, isto não corresponde à realidade, e todos os verdadeiros astrólogos sabem disso e não pregam nada em contrário.

Deve-se lembrar que muitas profissões têm colunas análogas nos jornais, por exemplo, colunas de aconselhamento médico, psicológico, etc. No entanto, acredito que para um doente é mais prudente procurar seu médico do que basear-se em receitas genéricas de jornais, já que um mesmo sintoma pode demandar tratamentos diversos para pessoas diferentes. Esta analogia pode ser aplicada às demais atividades: geralmente têm uma abordagem genérica e outra particular.

2- “Por que a hora de nascimento, e não a da concepção é crucial para a Astrologia?”

Astrônomo: A astrologia parece científica para algumas pessoas porque o horóscopo é baseado num dado exato: o tempo do nascimento de cada um. Quando a astrologia foi estabelecida, há muito tempo atrás, o instante do nascimento era considerado o ponto mágico da criação da vida. Mas hoje entendemos o nascimento como o ponto culminante de um desenvolvimento ininterrupto de nove meses dentro do útero. Tanto assim que atualmente cientistas acreditam que muitos aspectos da personalidade de uma criança são estabelecidos muito antes do nascimento. Suspeito que o motivo pelo qual os astrólogos ainda se mantêm fiéis ao momento do nascimento tem pouco a ver com a “teoria” astrológica. Quase todo cliente sabe quando nasceu, mas é difícil (e talvez embaraçoso) identificar o momento da concepção de uma pessoa.

Otávio Azevedo: Um indivíduo como tal não nasce na concepção, da mesma forma que uma empresa não nasce no aluguel do escritório e nem um mandato presidencial nasce no início da campanha. O momento da concepção marca o nascimento da gestação, e este horóscopo está relacionado às condições que envolveram o feto e a mãe durante a fase da gestação. Tornar-se um indivíduo é conseqüência do ato de individualizar-se, ou tornar-se autônomo, o que implica em separar-se da mãe. O ato que marca o início da individualização de um ser humano é a sua primeira respiração após deixar o útero, que é a primeira coisa que se consegue fazer por conta própria. O mapa natal reflete este momento.

O fato de o feto ter sensações e reflexos no interior do útero, esta vivência, esta realidade, tudo isto poderia ser estudado a partir do horóscopo da gestação. Ao nascer, o feto passa a ser um bebê: rompe o vínculo com a realidade anterior, simbiótica, indiferenciada, imersa no oceano cósmico do líquido amniótico, e passa a sentir a própria pele a separá-lo do mundo, emerge numa nova realidade, numa nova consciência.

 Todo mapa astrológico reflete o tipo de realidade que nasce a partir dali. Poderíamos, inclusive, estudar o mapa do momento da morte, como reflexo de uma nova realidade a ser vivenciada a partir daquele momento. É possível que este mapa reflita a vida após a morte, as condições que virão adiante, àquilo que os cristãos aludem como céu, purgatório ou inferno.

Enfim, a astrologia estuda diferentes realidades, diferentes níveis de consciência, independente de considerações materiais, de quando surgiu uma primeira célula, um primeiro pedaço de carne e, também, independente de quando desapareceu a matéria. Por ser um estudo da alma das coisas, um estudo da vida, a astrologia se relaciona ao desenvolvimento da consciência nos seus diversos níveis de manifestação.

A conceituação materialista da ciência, que considera um feto igual a um bebê, não se aplica à conceituação astrológica, relacionada à consciência. A vida pré-natal, a vida propriamente dita e a vida após a morte são, obviamente, diferentes níveis de consciência. E cada diferente nível de consciência implica num novo mapa astrológico, que reflita o seu momento inicial.

3-“Se o útero da mãe pode afastar influências astrológicas até o nascimento, será que podemos fazer a mesma coisa com um pedaço de filé?”

Astrônomo: Se forças tão poderosas emanam do céu, por que elas são inibidas antes do nascimento por uma fina camada protetora feita de músculo, carne e pele? Se o horóscopo potencial de um bebê for insatisfatório, será que poderíamos retardar a ação das influencias astrológicas circundando imediatamente o recém-nascido com um naco de carne até que os signos celestiais ficassem mais auspiciosos?

Otávio Azevedo: Neste ponto o cientista inaugura uma série de perguntas onde irá fazer alusões do tipo “forças planetárias”, “influência gravitacional”, etc., para tentar colocar em cheque a astrologia. Já vimos que o mecanismo astrológico funciona como um espelho, através da analogia vertical, não tendo absolutamente nada a ver com influências, forças, energias, etc. Quando o bebê nasce, seu horóscopo reflete a qualidade abstrata daquele momento, expressa em todos os planos, macro ou micro que o circundam. Se, ao nascer, o bebê fosse coberto por um naco de carne por obra de um pai desnaturado, seria este evento impresso no seu mapa astrológico, já que esta ocorrência desagradável estaria de acordo com a qualidade abstrata daquele instante, e marcaria o início desta nova fase de consciência ao tornar-se um ser individualizado.

No seu mal gosto, o cientista mostra total ignorância da lei básica da astrologia e demonstra o que afirmamos no primeiro número desta série, que a ciência não tem sensibilidade para lidar com a vida e a alma: neste caso, para os fins do cientista, tanto faz o útero materno quanto uma peça de filé, já que considera ambos de mesmo valor “isolante”.

 Procuramos ressaltar o fato de que a astrologia não se baseia em relações causais, que, em última instância, são objeto de estudo da ciência. A astrologia se baseia em relações analógicas, funcionais. É um saber que se fundamenta no Princípio de Correspondência, que diz: “O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima”.

Deve-se entender que este “é como”, explícito na lei cósmica, significa ser análogo, mas não igual ou semelhante. É ter uma função correspondente, que expresse um mesmo princípio arquetípico. Seja, por exemplo, a função “centralizar”, ou “irradiar”. No sistema solar esta função é expressa pelo Sol. A função “sol” inclui outras atribuições como transmitir vitalidade, criatividade, nobreza, majestade, liderança, brilho, dramaticidade. O Sol cumpre tudo isto no sistema solar. Numa realeza, o rei representa o “sol”, assim como o coração é o “sol” no corpo humano. O leão, o rei dos animais, expressa o “sol” no reino animal, através do seu porte, conduta e aspecto. Enfim, em cada plano de manifestação iremos encontrar elementos que expressam este princípio. Ao interpretar um mapa astrológico, o astrólogo não está lidando com o Sol, mas, sim, com o “sol”, que tem uma correspondência no nosso corpo, família, trabalho, etc. Da mesma forma, quando lida com os outros planetas, não são dos planetas físicos tipo Sol, Lua, que o astrólogo está falando, mas, sim, dos princípios que estes planetas expressam.

Tendo em mente estes importantes conceitos, vamos continuar com as perguntas e as respostas que foram publicadas em Junho de 1990 na revista “Super-Interessante”.

4- “Se os astrólogos são tão bons quanto afirmam, por que eles não são mais ricos?”

Astrônomo: Alguns astrólogos respondem que não podem prever eventos específicos, apenas tendências amplas. Outros alegam ter o poder de prever grandes eventos, mas não pequenos acontecimentos. Mas, seja como for, os astrólogos poderiam ganhar bilhões prevendo o comportamento geral do mercado de ações ou do mercado futuro do ouro – e assim não precisariam cobrar consultas tão caras de seus clientes. Em Outubro de 1987, quantos astrólogos previram a Segunda-Feira Negra na Bolsa de Valores de Nova York e advertiram seus clientes a respeito?

Otávio Azevedo: Ao fazer esta pergunta, o astrônomo parece considerar o dinheiro como o item mais importante do seu sistema de valores, pois poderia igualmente perguntar “Por que é que os astrólogos não se divorciam menos?” ou “Por que é que os astrólogos não são mais felizes?”.

 Cada ser humano tem um conjunto de possibilidades implícitas no seu mapa astrológico, e a astrologia pode ajudar a ressaltar as qualidades e trabalhar os defeitos que todos nós trazemos em essência. No entanto, não há um “tempo ótimo” que consiga tornar alguém o que não é em essência, e isso se aplica a qualquer um, inclusive ao astrólogo. Uma árvore que nasceu de uma semente de abacate não pode virar bananeira, mesmo que conheça a fundo o segredo das bananas. Há astrólogos que parecem ser mais bem sucedidos segundo os diversos parâmetros valorizados pela sociedade, enquanto que outros parecem ser menos. Da mesma forma, existem médicos que são sadios e outros que são doentes, o que não tira o mérito de exercerem corretamente o seu ofício.

Seja o que for que se faça na vida, cada indivíduo tem sua natureza peculiar e seu sistema de valores. E aqueles que se tornam astrólogos têm – na imensa maioria – interesses muito mais fascinantes do que acumular dinheiro ou prever oscilações da bolsa. Quanto ao valor que os astrólogos cobram por suas consultas, este é regulado pelo mercado, pela competência individual e pelo prestígio no meio, aliás, como acontece em qualquer profissão liberal.

 A astrologia é, antes de mais nada, um caminho de evolução pessoal, mais da alma do que do bolso. No entanto, muitas pessoas já fizeram (e continuam fazendo) bons negócios – ou evitaram um mal passo – em decorrência de conselhos de astrólogos competentes.

Orion's Dreamy Stars - NASA Spitzer Space Telescope

5- “Estarão incorretos todos os horóscopos feitos antes da descoberta dos três planetas mais distantes?”

Astrônomo: Alguns astrólogos afirmam que o signo do Sol usado exclusivamente por muitos horóscopos de jornais, é um guia inadequado para os efeitos do cosmo. Esses praticantes “sérios” insistem que a influência de todos os corpos principais do Sistema Solar deve ser levada em consideração – incluindo Urano, Netuno e Plutão, que somente foram descobertos em 1781, 1846 e 1930, respectivamente. Nesse caso, o que será que acontece com a alegação de alguns astrólogos, segundo a qual sua arte tem permitido previsões corretas durante muitos séculos? Não estarão errados todos os horóscopos traçados antes de 1930? E que acontecerá se os astrônomos descobrirem um décimo planeta? E o que dizer dos asteróides e das luas de tamanho de planetas, localizados na periferia do Sistema Solar?

Otávio Azevedo: Aqui o “cientista” pretende negar a evolução, posto que esta interrogação seja o mesmo que perguntar “Que importância tiveram os astrônomos do século XV, já que nas suas cartas celestiais não apareciam estes mesmos planetas?”. Então estavam todos errados, pois só mostravam uma parte do céu! E ainda hoje estão todos errados, pois continuam descobrindo coisas e chegando à conclusão de que eternamente só irão mostrar partes, e nunca o Todo. Por esse processo poderíamos condenar tudo que foi feito de ontem para trás, inclusive este artigo e o do “cientista” em questão.

Na verdade, na astrologia pode-se trabalhar com o grupo de planetas que se quiser, pois a parte contém o todo. Um astrólogo que tenha alcançado a sabedoria, pode prosseguir seu trabalho sem ter nas mãos uma efeméride, apenas observando o vôo dos pássaros ou o comportamento das crianças, pois “o que está em cima é como o que está embaixo”. Colocar todos os planetas, mais asteróides, planetóides, cometas e luas, pode enriquecer o trabalho, mas há um limite neste processo, que é a capacidade do cérebro humano de interligar estas inúmeras partes num todo coerente.

6- “Não deveríamos condenar a astrologia como uma forma de intolerância?”

Astrônomo: Numa sociedade civilizada deploramos todos os sistemas que julgam os indivíduos meramente pelo sexo, cor da pele, religião, nacionalidade ou por quaisquer outros acasos de nascimento. No entanto, os astrólogos alardeiam que podem avaliar as pessoas baseados em outro acaso de nascimento – as posições dos corpos celestes. Será que a recusa em namorar alguém do signo de Leão ou de empregar alguém de Virgem não é tão condenável quanto a recusa em namorar um protestante ou dar emprego a um negro?

Otávio Azevedo: Um dos fatos mais interessantes é que as pessoas vêem no mundo aquilo que elas são em essência. Os teimosos costumam ver teimosos por toda parte, os irados só encontram raivosos pelo caminho, e para os intolerantes, sem dúvida, a intolerância está em todo lado. Leiam com atenção a pergunta e a resposta do “cientista”. O início da pergunta é “Não deveríamos condenar a astrologia…” E o início da resposta é “Numa sociedade civilizada deploramos todos os sistemas…”. E por aí prossegue o “cientista” com sua metralhadora de intolerância, fuzilando por todos os lados. Palavras como condenar, deplorar, etc., são constantes no seu vocabulário. Por ter uma intolerância tão exacerbada acaba vendo-a em espelhos cristalinos, mas, nestes casos, a reação é sempre a mesma: a culpa é do espelho!

 De qualquer forma, respondendo à pergunta, poderíamos contrapor que nesta linha de raciocínio qualquer escolha torna-se um ato de preconceito. Caso a moça prefira o rapaz de olhos azuis estará sendo preconceituosa para com os de olhos castanhos, da mesma forma que ao se aplicar um teste psicotécnico em candidatos a uma vaga, estaremos sendo preconceituosos em relação aos de menor Q.I., e assim por diante. Qualquer processo de escolha necessariamente terá que se basear em certos parâmetros básicos. Quem se vale da astrologia como um método de escolha vai basear-se nos seus fundamentos. O mesmo poderia ser dito para quem se vale da psicologia, grafologia, dinâmica de grupo, testes diversos, preferências pessoais, etc. Deve-se ressaltar que ao se utilizar a astrologia como um método de escolha, jamais se considera apenas um signo, como colocou o “cientista”, mas, sim, o mapa astrológico como um todo.

 7- “Por que diferentes escolas de Astrologia discordam tão frontalmente entre si?”

Astrônomo: Os astrólogos parecem discordar em relação às questões mais fundamentais do seu ofício: levar ou não em conta a precessão do eixo da Terra, quantos planetas e outros corpos celestes devem ser incluídos e, principalmente, que traços da personalidade devem ser atribuídos aos fenômenos cósmicos. Leiam-se dez colunas diferentes sobre astrologia, ou consultem-se dez diferentes astrólogos e provavelmente se sairá com dez interpretações diferentes. Se a astrologia fosse uma ciência, como seus proponentes sustentam, por que seus praticantes não estão convergindo para uma teoria consensual depois de milhares de anos de coleta de dados e de refinamento de sua interpretação?

Idéias científicas geralmente convergem com o passar do tempo, na medida em que são testadas em laboratórios e cotejadas com outras evidências. Em contraste, sistemas baseados em superstição ou em crença pessoal tendem a divergir, pois seus praticantes vão esculpindo nichos separados enquanto se acotovelam na disputa por poder, riqueza ou prestígio.

Otávio Azevedo: Como já expliquei anteriormente, a astrologia não é uma ciência, pelo menos nos moldes em que esta palavra hoje se insere, uma vez que o efeito astrológico é acausal, e a ciência se alicerça nas formulações de causa e efeito. Em segundo lugar, consultando-se dez astrólogos, ou dez psicólogos, ou dez médicos, ou dez engenheiros, ou dez seja lá o que for, ter-se-ão sempre dez pareceres ou dez tratamentos diferentes. Algumas semelhanças fundamentais prevalecerão quando se tratarem de profissionais competentes, mas os contornos serão diferentes, de acordo com a singularidade de cada um. Se não fosse assim, poderíamos armazenar todo o saber de cada matéria num computador e aposentar a humanidade inteira, inclusive o “nosso amigo” que escreveu esta asneira.

Quanto à discordância entre astrólogos no método de trabalho, é de admirar que um “cientista” seja radicalmente contra. Será que no seu meio não existem teorias discordantes? E a ciência não tem se desenvolvido cada vez mais por discordar do que já existe? Será que Einstein não discordou de Newton? E se ele tivesse feito um enorme esforço por concordar, teríamos alguma possibilidade de ter a “Teoria da Relatividade” a nosso trabalho?

Gostaria também que o “cientista” explicasse para onde converge a ciência, para onde converge a física, a engenharia, a medicina e a matemática. Será que a astronomia está convergindo para um grande buraco negro?

Com o passar do tempo as idéias científicas acabam convergindo todas para a lata do lixo, já que outras verdades mais verdadeiras vêm tomar o seu lugar.

Mais e mais perguntas do astrônomo no jogo do “agora eu te peguei”… Pegou quem?

8- “Se a influência astrológica é exercida por alguma força conhecida, por que os planetas dominam?”

 Astrônomo: Se os efeitos da astrologia podem ser atribuídos à gravidade, à força das marés ou ao magnetismo (cada qual evocado por uma escola diferente), mesmo um calouro em Física poderia realizar os cálculos necessários para ver o que realmente afeta um recém-nascido. Esses cálculos estão formulados para muitos casos diferentes no livro “Astrologia: Verdade ou Mentira” de Roger Culver e Philip Ianna. Por exemplo, o obstetra que faz o parto exerce uma força gravitacional cerca de seis vezes superior à de Marte e cerca de dois trilhões de vezes maior do que a da maré. O médico pode ter muito menos massa do que o planeta vermelho, mas está mais perto do bebê.

Otávio Azevedo: O cientista volta a propor uma questão baseada em influências físicas, que não tem nada a ver com a astrologia, como já mostramos exaustivamente. Não existe força gravitacional, força de maré, onda eletromagnética, ou força de espécie alguma que seja responsável por “efeitos astrológicos”. A astrologia trabalha com analogias entre funções, através do “Princípio de Correspondência”. Eu não conheço as escolas astrológicas às quais o cientista se refere, mas provavelmente foram onde ele aprendeu astrologia. Penso que ele deve ter passado um tempo na “Escola da Gravidade” e outro na “Escola da Maré” mas seguramente jamais frequentou algo que tivesse a ver com astrologia, que não tem nada a ver com tudo isso.

Parabenizo Roger Culver e Philip Ianna que devem ter gasto um bom tempo a serviço do nada. Ao aplicarem seu tempo e esforço para demonstrar coisas do tipo que a atração gravitacional do obstetra é seis vezes superior à de Marte (a do meu deveria ser sete, pois o homem era bem gordo), e dois trilhões de vezes maior que a da maré, falharam apenas ao colocar um título errado no livro, que deveria se chamar: “Acredite Se Quiser!”. Penso até que se tornaria um Best-seller, já que existe uma infinidade de pessoas interessadas nestes assuntos.

9- “Se a influencia astrológica é exercida por uma força desconhecida, por que não depende da distancia?”

Astrônomo: Todas as forças de longo alcance conhecidas no Universo ficam mais fracas à medida que os objetos se distanciam. Mas, como seria de esperar de um sistema que tem a Terra no seu centro, imaginado há milhares de anos, as influências astrológicas não dependem em nada da distância. A importância de Marte num horóscopo é idêntica, esteja o planeta do mesmo lado do Sol que a Terra ou sete vezes mais distante, do outro lado. Uma força independente da distância seria uma descoberta revolucionária.

Otavio Azevedo: O cientista volta a repetir a pergunta anterior com outras palavras. Aqui, como em várias outras alegações, ele antepõe fatores físicos a uma arte que se baseia em correspondências analógicas. Da minha parte não vou cansar o leitor repetindo as mesmas respostas para as mesmas perguntas. Vide resposta anterior.

10- “Se a influência astrológica não depende da distância, por que não existe astrologia de estrelas, galáxias e quasares?”

Astrônomo: O astrônomo francês Jean-Claude Pecker observou que os astrólogos parecem ter uma mente muito estreita quando limitam seu ofício ao nosso Sistema Solar. Bilhões de corpos espalhados por todo Universo deveriam somar sua influência à do pequeno Sol, Lua e planetas. Será que um cliente, cujo horóscopo omite os efeitos de Rigel, dopulsar do Caranguejo e da galáxia M31, recebeu um mapa astrológico realmente completo?

Otavio Azevedo: Nova repetição, desta vez da pergunta numero cinco. Faltava mais essa para completar o mágico número dez, e como não conseguia criar mais nada, o cientista resolveu dar uma nova pintura na quinta pergunta.

Apenas relembrando, todos estes conceitos, todos estes infinitos pontos e corpos do universo, são importantes para os astrônomos, mas não para os astrólogos. Pode-se trabalhar apenas com os planetas até Saturno, ou só com o Sol, Lua e Ascendente, ou com alguns planetas associados à observação do vôo dos pássaros, que também é uma mandala arquetípica, como tudo o mais na natureza. Os astrólogos usualmente utilizam como plano de referência o Sistema Solar, e trabalham com os pontos que conseguem associar e sintetizar. Isto tem um limite natural marcado pela capacidade do cérebro humano de interligar várias coisas. Como o fenômeno astrológico é acausal e não depende de forças, energias ou distâncias, é totalmente irrelevante o nível de intensidade solar ou a atração da Lua sobre as marés ou a posição de Marte no afélio ou no periélio. A astronomia é física e estuda distâncias, medidas e interações energéticas; a astrologia não é física e estuda a sincronicidade.

Aqui o cientista encerra seu discurso sugerindo um coquetel de planos de referência para a astrologia, misturando o Sistema Solar com planos cósmicos. Talvez ele ache que o mapa astrológico deva conter o Sol, os planetas, todas as estrelas do céu, buracos negros, cometas, naves espaciais, óvnis, satélites, asteróides, planetóides, o Alien, o Flash Gordon e o Michael Jackson. É um caso a se pensar a respeito.

Indra