Astrologia na História e na Mitologia

A Lua e seus Fascínios

Alvorada Lunar

A Lua e seus Fascínios

Elton Paiva, Fábia Barreto, Hilana Zeitune e Mariana Santos

Prelúdio

Fascínios são momentos de encantamentos lúdicos e ingênuos feitiços propiciados pela aparente pureza dos sentimentos. Entretanto o fascínio não deixa de existir na poética narração dos criteriosos cientistas modernos acerca de suas pueris e ingênuas crenças em sua “pura ciência”. É um tipo de sacerdócio encantado que lembra nitidamente a preleção dos santos padres. As narrações do discurso científico se revestem de uma humildade cristã sugerindo seu elevado e douto saber. No fundo o que a ciência mais almeja com sua revelação comprovada é atrair fiéis para o seu mundo de fantasias e ilusões como as religiões o fizeram em suas origens e ainda o fazem diante das emergentes carências humanas.

Mas é assim que o homem vive neste mundo e deste modo é que aprendemos e julgamos, balizados em morais e confinados em crenças, sejam elas místicas ou científicas.  Não há como descartar este processo de aprendizado. Por isso julgo útil a compreensão de todos os pontos de vista quanto a busca do conhecimento, mas julgo absolutamente inútil a crença em qualquer um deles. Porque, seja científico ou metafísico nosso ponto de vista sobre a vida, quem determinará a verdadeira natureza do destino de uma civilização sempre serão os ciclos superiores da vida que se desenvolvem num sistema solar independentemente da realidade que criarmos para vivermos em um mundo.

César Augusto – Astrólogo

Magical Moon

Quem nunca olhou a Lua e começou a pensar na vida? Ou nunca se impressionou com seu brilho e suas facetas e se deixou influenciar por sua beleza e seu poder? Que fosse nos tempos antigos ou nos tempos modernos, este corpo celeste sempre exerceu grande influência sobre as pessoas. Diversas tragédias da história e grandes romances da antiguidade, como Romeu e Julieta, tiveram a Lua como testemunha.

Único satélite natural da Terra, a Lua é o astro mais fácil de ser observado a olho nu e o que está mais perto também: em sua fase mais próxima, chamada perigeu, a distância é de 356.334 km. No apogeu, quando está mais distante, é de 406.610 km.

Há mais de seis mil anos, ainda na Mesopotâmia, os homens estabeleceram com a Lua uma relação de fascinação e fantasia. Observaram a regularidade dos fenômenos celestes e perceberam que, ao acompanhá-los, era possível marcar a passagem de tempo. Em função das mudanças de fase da Lua a cada sete dias, estabeleceram um calendário, criando o mês e a semana. Em italiano, espanhol e francês a segunda-feira é o “dia da Lua” (lunedi, lunes e lundi, respectivamente). A tradição judaica, árabe e chinesa ainda mantém o calendário de base lunar.

Galileu Galilei, astrônomo italiano morto no século XVII, foi o primeiro a construir uma luneta, com a intenção de observar o céu. Em 1610, ele registrou a presença de mares, crateras e montanhas na Lua. Ele observou também que Vênus tem as mesmas fases da Lua e concluiu que o planeta, assim como a Terra, orbita ao redor do Sol. Além disso, defendeu a teoria de um sistema heliocêntrico – no qual o sol é o centro do universo.

Em 20 de julho de 1969, o astronauta norte-americano Neil Armstrong disse a célebre frase: “Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”. O homem pisou na Lua há mais de 30 anos, e, desde então, muitos outros passos foram dados no ramo da ciência e da tecnologia, a fim de que os mistérios que este astro esconde pudessem ser desvendados.

Sempre a mesma face voltada para a Terra

magic moon

A Lua realiza, simultaneamente, o movimento de translação – pelo qual descreve uma órbita elíptica em torno da Terra em 27 dias, sete horas e 43 minutos – e o de rotação em torno de seu próprio eixo, que acontece em igual intervalo de tempo. Dessa forma, a Lua tem sempre a mesma face voltada para a Terra, pois a rotação lunar é um movimento praticamente uniforme.

A órbita lunar é oblíqua em relação à elipse que a Terra descreve em torno do Sol, o que impede seu alinhamento exato com o “astro-rei”. O alinhamento Lua-Sol ocorre somente quando se cruzam ambas as órbitas de translação, provocando eclipses solares, em fase de lua nova, e da Lua, em fase de lua cheia. A inclinação da órbita lunar impede que haja um eclipse a cada lua cheia. Os eclipses Lunares podem ser vistos de qualquer ponto dos hemisférios, diferentemente dos solares.

O termo “eclipse” tem origem grega e significa desmaio ou abandono, referindo-se ao obscurecimento da luz quando se observa o Sol ou a Lua durante o fenômeno. Os eclipses são fenômenos que ocorrem quando a Lua, no caso dos eclipses lunares, se coloca em posição alinhada e oposta ao Sol, visto a partir da Terra, e se esconde no cone de sombra que a Terra iluminada projeta atrás de si. Como não tem luz própria, a Lua fica total ou parcialmente obscurecida se não recebe raios de Sol, o que ocorre quando ela se encontra na fase cheia. É como se o satélite estivesse “de costas” para a Terra, com a frente iluminada. Para os povos da Antiguidade, como babilônios e gregos, os eclipses do Sol e da Lua constituem marcos que ajudaram a vincular a astronomia à história e à cronologia.

Através do estudo dos eclipses lunares foram feitas as primeiras estimativas das dimensões e das distâncias dos astros. Os eclipses foram a primeira prova que os astrônomos tiveram de que a Terra era redonda e de seus movimentos.

Fases da Lua “alimentam” crenças populares

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Na medida em que a Lua gira ao redor da Terra ao longo do mês, ela passa por um ciclo de fases, durante o qual sua forma parece variar gradualmente: nova, minguante, crescente e cheia. Parece, mas não varia. A forma da Lua é sempre a mesma. O que acontece é que, sendo ela um corpo iluminado pela luz do Sol, vemos sempre a mesma face, às vezes, mais, outras, menos iluminada.

Das quatro fases, a cheia é, sem dúvida, a que mais exerce fascínio no homem. A lua nova ocorre quando ela se coloca entre a Terra e o Sol, e a face voltada para o nosso planeta fica totalmente escura. Em seguida, surge uma região iluminada, que vai aumentando até chegar ao quarto crescente. A lua cheia acontece quando o disco lunar (projeção da lua sobre a esfera celeste) fica totalmente iluminado. Na seqüência, a porção iluminada decresce até o quarto minguante. A partir daí, diminui novamente até chegar à lua nova, recomeçando o ciclo.

Popularmente, são associados à lua cheia lendas de lobisomem, crimes, aumento no número de nascimentos e até especulações sobre transformações no comportamento feminino. Diversos estudos já foram feitos, mas até agora nenhum deles comprovou qualquer relação entre o fenômeno da lua cheia e o comportamento humano.

Até mesmo uma chamada “Dieta da Lua” já foi criada. No entanto, segundo a nutricionista Vanessa Valverde, “isso é uma bobagem”. Segundo a crença, reforçada por alguns astrólogos, diz que a dieta deve começar quando a Lua estiver num signo fixo – Touro, Leão, Escorpião ou Aquário – para prolongar os efeitos do regime. A pessoa deve ingerir apenas líquidos a partir da mudança de fase da Lua.

A nutricionista explica que “qualquer pessoa que passe 24 horas só ingerindo líquidos, vai ficar mais leve, desinchada, como as mulheres gostam. Mas isso é diferente de emagrecer”.

Outra associação feita constantemente inclui a Lua como um elemento que influencia no resultado dos cortes de cabelo: “Tem cliente que chega aqui pra cortar e pergunta, já sentada na cadeira, qual é a Lua. Eu sempre respondo a mesma coisa: é a que vai deixar seu cabelo espetacular”, diz o cabeleireiro Nestor Maia.

Segundo a crença, cortar o cabelo durante a Lua crescente apressa o crescimento. Na fase cheia, o volume capilar aumenta, enquanto que na Lua nova fortalece as raízes. Contudo, na fase minguante, os fios enfraquecem e caem. Sobre o assunto, o dermatologista Roberto Favillosa explica: “O crescimento de pêlos, cabelos principalmente, é controlado por hormônios, boa alimentação, entre outras coisas. A Lua não tem nada com isso”.

Lendas sobre a Lua são comprovadas cientificamente

Dream

Os pesquisadores Ivan Kelly, James Routton e Roger Culver, que escreveram livros e fizeram pesquisas sobre o assunto, apontam quatro fatores principais para a sobrevivência das lendas: efeitos da mídia, folclore e tradição, concepções errôneas e vícios cognitivos.

De fato, a Lua exerce uma grande força de atração gravitacional sobre a Terra, e seu efeito mais conhecido é a elevação das águas dos oceanos duas vezes por dia, provocando as marés. Mas isto, cientificamente, não tem relação com a taxa de natalidade. Esta lenda baseia-se na suposição de que, sendo o corpo humano formado por 80% de água – mesma proporção que a superfície da Terra – e, se a Lua influencia os oceanos, o mesmo acontece com o corpo humano, afetando seu comportamento. De acordo com os cientistas, a suposição é incorreta. Este astro afeta massas não confinadas, como os oceanos, enquanto a água no corpo humano está confinada. Além disso, a força para causar marés depende da distância da Terra, e não de sua fase.

As marés ocorrem em intervalos regulares de 12 horas e 12 minutos – a cada 24 horas e 50 minutos, o mar sobe e desce duas vezes constituindo o fluxo e refluxo das águas. Na medida em que a Terra gira, outras regiões passam a sofrer elevações, como se o nível da água se deslocasse seguindo a Lua. Durante sua conjunção e oposição, nas fases nova e cheia, a maré alta é muito alta e a baixa, muito baixa.

A Lua como instrumento de estudo da astrologia

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A astrologia, ciência estudada há milênios, sempre foi alvo de curiosidade e ceticismo. No entanto, apesar da disseminação de horóscopos pela mídia, poucos sabem que a Lua e o Sol são os principais planetas estudados em um mapa astral. Enquanto o Sol é o princípio vital, aparente e que nada esconde, a Lua é o oposto e, ao mesmo tempo, complementar, e incorpora o oculto.

O satélite natural da Terra apresenta suas fases no período de 28 dias que, coincidentemente, se iguala ao ciclo menstrual da mulher. A Lua representa o elemento água, o que engloba a nutrição, a criança no ventre materno.

Por isso é importante saber a hora exata do nascimento, “a posição da Lua é necessária para o rigor do mapa astral”, explica a astróloga Monique Yvonne Sourisseau. Segundo ela, a Lua indica a necessidade emocional de uma pessoa, análise que depende exclusivamente do signo e casa ocupados pelo satélite no momento do nascimento.

Uma Lua na casa seis, por exemplo, em qualquer signo que esteja, terá energia de Virgem, ou seja, ligada ao trabalho e à rotina. Entretanto, existem elementos que definem a influência da Lua: os aspectos fluentes e os difíceis. Os fluentes (representados no mapa astral pelas linhas azuis) fazem a pessoa mais receptiva, dócil e, muitas vezes, compassiva. Já uma Lua com aspectos difíceis tornam o indivíduo menos tolerante. São os aspectos que “suavizam” ou “sublinham” fortes tendências apontadas no mapa.

Lua exerce um importante papel nas religiões

River Church - Crescent Moon by John Robinette

As lendas sobre a Lua também estão presentes em algumas religiões, como o judaísmo, o islamismo, religiões incas e africanas, e, até mesmo, bruxaria. Cada qual com leis e costumes próprios, tão diferentes entre si, elas têm o satélite natural da Terra em comum.

A influência da Lua varia de religião para religião. A prática Wicca, que significa feitiçaria moderna, tem uma visão feminista da criação do mundo e se identifica com a natureza. Freqüentemente, os membros desta crença recorrem à magia e aos ritos para anular negatividade e alcançar crescimento espiritual. Estas práticas são marcadas pelas fases da Lua e pelas quatro estações do ano.

Entre os povos da África Austral, esta idéia está bastante difundida, como no caso dos hotentotes e dos bosquímanos, que vêem a Lua como uma figura boa e amigável. Nas religiões incas, originárias do Peru, os deuses eram as forças da natureza, principalmente o Sol e a Lua. A partir da observação destes astros, os sacerdotes incas criavam um calendário, que era utilizado para calcular um futuro próspero ou desfavorável. As festividades incas e os sacrifícios oferecidos também dependiam dos ciclos solar e lunar.

A Lua também está presente em religiões mais conhecidas, tal como o judaísmo e o islamismo. Apesar de serem, à primeira vista, bastante diferentes, estas religiões têm muito em comum. Ambas são monoteístas e seus calendários são lunares. Isto quer dizer que o dia começa a ser contado a partir do pôr do sol, quando está anoitecendo e a Lua aparece. As festividades judaicas e islâmicas são contadas através da Lua. Por exemplo, o Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, é contado a partir da aparição da Lua.

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Estudo sobre as Fases de Lua na Astrologia Tradicional

Clélia Romano

 Os autores tradicionais devotaram-se ao estudo da significação das diferentes fases lunares. O leitor encontrará referencias a esse respeito em Vettius Valens, na “Anthology” (traduzido por Robert Schmidt e editado por Robert Hand) Paulus Alexandrinus e Olimpiodorus, traduzido por Dorian Greenbaum, editado por ARHAT, Hephaisto de Tebas em seu “Apotelesmatics”, traduzido por Robert Schmidt, editado por Project Hindsight, “Liber Hermetis” traduzido por Robert Zoller, editado por Robert Hand, e em “Book of Astronomy” de Guido Bonatti, tradução Benjamin Dykes.

 Os antigos chamavam as fases da lua de “defluxos” e há basicamente duas abordagens para discutir seus significados. Neste estudo vou abordar o ponto de vista de Vettius Valens, mas podemos encontrar em livros tais como “Liber Hermeticus” outra abordagem, na qual a qualidade da Lua é verificada de acordo com o planeta ao qual ela está se separando ou aplicando.

 De acordo com Vettius Valens as fases da Lua reconhecidas são as seguintes:

 1. Conjunção

 2. O “nascer da Lua” ou simplesmente “luz”. Isto ocorre quando a Lua emerge pela primeira vez dos raios do Sol (15° ou 1º dia após a conjunção exata) e você vai ver uma fatia fina a oeste bem antes do por do sol. Esta é a “primeira luz da Lua”.

 3. A seguir vem o primeiro Crescente.

 4. A seguir o primeiro Quarto ou “Primeira Metade”.

 5. Depois a Primeira Dupla Convexa.

 6. A Lua Cheia.

 7. O “decrescer da luz” que é oposto a “luz” quanto a Lua se moveu 12-15º a partir da oposição.

8. O segundo Duplo-Convexo.

 9. O ultimo Quarto ou “Segunda Metade”.

 10. O Segundo Crescente.

 11. O “Ocaso” que é a ultima fatia fina da Lua que se vê na manhã bem cedo a Leste logo antes de raiar o dia, antes dela desaparecer completamente sob os raios do Sol. (O “nascer” da Lua, ou de qualquer planeta, e o seu “ocaso” não tem a ver com a posição do astro no horizonte, mas sim dela ou qualquer planeta estar entrando ou saindo de sob os raios do Sol, portanto é importante notar a primeira e a ultima “luz” antes da combustão).

Victorian Steampunk Poster

 Conforme vemos no Capitulo 36 do Segundo Livro de Valens, “Anthology”:

 “As 11 figuras da Lua em relação ao Poder e Seus Efeitos: As figuras da Lua são 7 na conta natural, mas nós encontramos 11, como em outros. Primeiro a Conjunção; Segundo, o Raiar, então quando está a 45º graus de distancia do Sol ela faz uma fase que é a Crescente; então até 90º, Meia; aí, até 135º a Dupla-Convexa; então até 180º, a Lua Cheia; então quando está 45° distante da Lua Cheia, que é a 225°, ela faz a segunda Dupla-Convexa; então até 270°, a segunda Meia; então até 315°, a Segunda Crescente; então até 360° a fase do Ocaso. Há também uma outra figura dela que é quando ela começa pela primeira vez a diminuir”.

 “O que cada fase significa e que tipo de efeito tem. Nós vamos acrescentar como as figuras em questão são também tomadas em relação a seus descritivos efeitos e como elas servem a certo deus.” 1

 1 Por “deus” ele está se referindo a um dos planetas.

 “A Conjunção, então, dá indicações da reputação e poder e majestade e disposições soberanas, e para toda atividade publica conectada com cidades, e para os pais e casamentos e mistérios, e para todo assunto cósmico em geral. De forma similar também o regente da Conjunção, tanto por latitude como por curso”.

 Aqui Valens afirma que não somente a Conjunção indica tais coisas, mas também o regente da Conjunção, isto é o planeta regendo o signo onde a Conjunção ocorre, segundo a maneira em que ele está disposto na carta, sua dignidade essencial e acidental. 2

 2 Em sua discussão no Livro III sobre longevidade e a respeito do “regente” do que ele chama predominator e que os árabes chamam Alchocoden do Hyleg, ele diz que o “regente” é o senhor dos bounds (termos). Desde que a indicação particular dessa fase da Lua tem a ver com o comprimento da vida e dá suporte para a Conjunção prévia é possível que neste caso ele use o regente do termo quando a Primeira Luz ocorra.

 “O Nascer da Lua (que é chamado “Luz”) e o regente dela, dá indicações relativas ao comprimento da vida e o que uma pessoa faz e concernente ao que está por vir e confirma as ações da Conjunção. É justo como o movimento cósmico e mensal são considerados da primeira visibilidade, assim o regente da Luz mostra seus efeitos gerais. Hermes (Mercúrio) também participa até o 4º dia da Lua”. 3

 Aqui, Valens diz que Mercúrio vai dar assistência a esta fase por 4 dias:

 “A formação Crescente (45°) significa distúrbio e expectativas na vida e o que diz respeito à mãe e mulheres. E Hermes assiste até o 8º (dia).” 3

 3 Aqui ele só especifica que Mercúrio assiste e não o senhor pelo qual o Quarto Crescente da Lua é governado.

 “A formação Meia (90°) dá indicações referentes a ferimentos e doenças e a tudo que acontece violentamente; e, além disso, concernente a crianças e valor e bens futuros. E Afrodite está configurada até que o 12º (dia) ocorra.”

 “A fase Dupla -Convexa (135°) dá indicações concernentes à felicidade e avanço futuro e estar longe do lar e simpatia do rei. E o Sol é também similar até que o 14º dia ocorra”

 “A Lua Cheia (180°) diz respeito à boa e má reputação e estar longe do lar, também diz respeito a coisas que acontecem violentamente, e coisas que emanam do excesso e coisas que aumentam a partir do nada, e diz respeito a simpatias e doenças e oposições políticas e simpatia de parentes. E também tem a cor (entendo eu que isto signifique um tom geral) do “zoidion” (signo) do ocaso” 4

 4 Devemos atentar que a Lua Cheia é “colorida” pelo signo na cúspide da 7º Casa, o chamado “ Zoidion do Ocaso” ou signo do ocaso, o que inclui o regente desse signo. Ora, a Lua Nova funciona como a primeira casa em relação à qual as demais fases da Lua vão tomando significados das tradicionais casas mundanas. Devemos atentar que não se está a falar de Sétima Casa do mapa, e sim da Lunação.

 ”O primeiro regente da luz decrescente, 12-15° depois da oposição, dá indicações relativa à diminuição dos pertences e dificuldades e coisas que vão em direção à depressão e relacionadas com quedas repentinas. E Ares divide o poder na pós descencional e é senhor até o 21º dia da Lua.” 5

 5 Aqui ele diz que a Lua passou 12-15 graus da oposição: isso representa um sentido de Casa 8, enquanto que a anterior um sentido de Casa 7. E um maléfico presta assistência, Marte.

 “A Segunda Dupla-Convexa (225°) dá sinais de estar fora de maiores ações e de felicidade. E Zeus divide o poder com o deus ou regente até o 25º dia da Lua” 6

 6 Aqui Valens deixa claro que não ha só o planeta a prestar assistência, mas há um regente da fase que é o regente do signo onde ela ocorre.

 “A segunda Metade (270°) dá sinais para assuntos antigos e doenças de longa duração e de crianças. Então Kronos divide o poder até que chegue o 30º dia.” 7

7 Neste ponto Saturno assiste até a Lua Nova ou até que a Lua “caia” sob os raios do Sol (under the Sun beans). Este período inclui o último Crescente a 315º

 “O regente da Crescente , até 315º, dá sinais concernentes à morte da esposa e inatividade e pilhagem.”

 “Finalmente, até o 360º, o ocaso dá sinais de limites e constrições e matérias ocultas , de acusações e privações.”

 “E a ordem das figures da Lua é assim, mas a mistura dos 5 deuses e do Sol são (em concordância) com os pontos pivôs”. 8

 8 Meu entendimento é que as principais fases da Lua tem a ver com a Primeira, a Quarta, a Sétima e a Décima casas. Tem, portanto o significado das casas pivotais. No entanto, a Segunda Meia, isto é 270º dá sinal de coisas antigas e ferimentos de longa duração e crianças, sendo regida por Kronos. A única explicação é que a partir de então, do mais alto pivot, começa a derrocada da vida.

Charles Altamont Doyle

Portanto concluímos que:

 A Conjunção ou Lua Nova, de 0-12 graus tem como regente o regente do signo onde a conjunções ocorre.

A “Luz Nascente”, 12 ou 15° até 45º, tem o regente de seu signo (ou talvez até do termo) além de Mercúrio.

O Primeiro Crescente, 45° até 90º, tem o regente de seu signo, além de Mercúrio.

A primeira Metade ou Primeiro Quarto, de 90º até 135º, tem o regente de seu signo, além de Vênus.

 A Primeira Dupla-Convexa, de 135º até 180º tem o regente de seu signo, além do Sol.

A Lua Cheia, de 180º até aproximadamente 192º tem o regente de seu signo.

A “Luz Decrescente”, 192º ou 195° até 225º, tem o regente de seu signo (ou talvez temos), além de Marte.

A Segunda Dupla-Convexa, 225° até 270º, tem o regente de seu signo, além de Júpiter.

A Segunda Metade ou Ultimo Quarto, 270° até 315º, tem o regente de seu signo, além de Saturno.

O Segundo Crescente, 315° até aproximadamente 345º ou 347º, tem o regente de seu signo, além de Saturno.

A “Luz do Ocaso”, de 345º a 347° até 360º, tem como regente o regente do signo onde ela acontece.

Notemos que os planetas assistentes em ordem Caldaica correspondem a cada fase e que Mercúrio significa o começo e Saturno o fim.

Moon over the road

Astrología Popular en Santander del Norte

Francisco Marquez Yañez

Publicamos a continuación algunas muestras de materiales folclóricos relacionados con ciertos fenómenos atmosféricos, astronômicos y meteorológicos, cuya interpretación por parte del pueblo campesino ha permitido forjar diversas e interesantes creencias. Este breve muestrario ha sido recolectado en zonas rurales del Departamento de Santander del Norte.

Bien sabido es que la luna ha sido objeto de observaciones desde los tiempos más remotos hasta nuestros dias; desde las indagaciones de los sabios asirios, persas, hindúes, chinos, griegos, etc., hasta los de nuestras éra atómica; desde las consideraciones de antiguos selenólogos como Anaxágoras, Demócrito, Filolao, Metan, Aristótele, Aristarco, Hiparco, Tolomeo, Ticho Brahe, Galileo, Lagalle, Scheiner, Fontana, Mellan, Sirsalis, Riccioli, Meyer, Hevelio, Schroeter, Kepler, Copérnico, Newton, Delaunay, Hansen, etc., hasta las recientes exploraciones y fotografias del “Ranger 7” con las interpretaciones del doctor Gerard P. Kuiper en el programa de investigaciones espaciales de la NASA en Estados Unidos. No obstante, continúan superviviendo creencias populares en torno a los fenómenos lunares y sus influencias en la vida del planeta terráqueo. Reseñemos algunas:

Fases de la Luna

a) Luna nueva (la luna en el tiempo de su conjunción con el sol);

b) Luna llena (la luna en el tiempo de su oposición con el sol);

c) Luna creciente o cuarto creciente (la luna desde su conjunción hasta el plenilunio);

d) Luna menguante o cuarto menguante (la luna desde el plenilunio hasta su conjunción);

e) Medía luna (cuando comienza a crecer).

Andar en la luna (andar distraido o elevado).

Luna de miel (úsase en lenguaje figurado para indicar la temporada subsiguiente al matrimonio, durante la cual los recién casados se complacen exclusivamente en su recíproca satisfacción). Por contraposición existe la luna de hiel (amarga).

Tiene cara de luna llena (por cara redonda).

Cabeza de luna llena (para señalar las testas calvas y brillantes).

Ser o estar lunático (ser o estar distraido o a veces también con el sentido de loco o medio-loco, chiflado, ido de la cabeza, porque los cambios de luna inciden en la formación o gravedad de los trastornos mentales).

Ladrarle a la luna (perder el tiempo con manifestaciones de ira o enojo contra una persona a quien no se puede ofender o causar daño. De ahi que los perros le ladren a la luna).

Pedir u ofrecer la luna (pedir u ofrecer un imposible. Obsérvese la similitud con pedir u ofrecer el cielo y otras frase de parecida estirpe, por ejemplo, pretender coger la luna con la mano o morderla o destrozarla a dentelladas, es decir, intentar la ejecución de una cosa imposible).

Crecer la luna (por estar en cuarto creciente).

Llenar la luna (esto es, llegar la luna a su punto de oposición con respecto del sol, de suerte que se nos manifieste completamente iluminada. De ahí que en el habla popular escuchemos que la luna crece y llena).

Alunarse (enconarse o inflamarse las mataduras, llagas o heridas de los animales, particularmente de las bestias de servicio doméstico por ludirles los arreos de carga y monta).

pure sky

Pronósticos del Tiempo a través de la Luna y el Sol

Cerco en la luna, agua ninguna.
Cerco en el sol, agua en montón.

En este punto la interpretación popular se refiere al fenômeno meteorológico conocido como halo (del griego alos, corona, circulo o cerco), fenómeno óptico que consiste en una serie regular de curvas luminosas que aparecen alrededor del sol o de la luna cuando el cielo está más o menos velado por nubes altas de la familia de los cirros o cirrostratos, cuyo origen se encuentra en la refracción y reflexión de la luz sobre las caras de los pequeños cristales que forman las nubes antedichas.

Debido al movimiento de la luna alrededor de la tierra y de ésta en torno al sol, la luna se corre, alejándose cada vez más del sol, en el sentido de poniente a levante. Asi, pues, cuando deja de ser luna nueva, aparece a la izquierda del sol (para un observador que mire ambos astros) y como desde la tierra se ve sólo la parte iluminada, ésta resulta ser al principio un finísimo creciente, visible únicamente en la puesta del sol. Empieza así la fase de cuarto creciente, durante la cual va aumentando la parte visible de la zona iluminada, al tiempo que la luna se aleja cada vez más del sol. De esta manera, continúa siendo visible por la tarde, cada vez más alta al ponerse el sol. De ahí nace aconsonantado y muy cornudo el siguiente verso popular:

Cuernos a occidente
Cuarto creciente.

Y a la inversa, cuando la luna se levanta en la puesta del sol, se desplaza a su derecha, toma nuevamente forma de menisco y se eleva magnífica sobre el horizonte de la noche para terminar siendo visible sólo al amanecer, nos encontramos con la estrofa complementaria:

Cuernos a levante
Cuarto menguante.

La imaginación del vulgo acuñó otra frase con los cuernos de la luna para denotar la acción de engrandecer, levantar o encumbrar a una persona:

Subir otrepar a alguien hasta los cuernos de la luna.

También se puede predecir el sexo de las criaturas humanas o animales por nacer, si se conoce la posición de los cuernos o cachos de la luna en el momento en que sobreviene el parto de las madres. (Difieren mucho las interpretaciones según las regiones: si los cuernos de la luna están hacia arriba la criatura por nacer será macho, y hembra cuando se encuentren en sentido contrario). (También he oido esta relación a la inversa).

Con la vuelta o cambio de la luna aparecen lluvias.
Los rayos solares “picantes”, son signo o presagio de lluvia o aguacero.

drinking with the moon ~ edwardian postcard

Creencias y Supersticiones en torno a la Luna y las Estrellas

Cuando cae o vuela una estrella (¿meteorito?, ¿bólido?) es peligroso levantar los ojos para mirarla, porque puede ocasionar graves daños en la salud de la persona que la mira.

Las estrellas beben agua de los ríos, quebradas o lagos, lo mismo que el arco iris (fenómeno físico que se produce cuando los rayos solares iluminan gotitas de agua suspendidas en la atmósfera, formándose así un arco que suele estar compuesto por los colores rojo, anaranjado, amarillo, verde, azul, añil y violado, que son precisamente los colores del espectro solar).

Exponer el cuerpo a la influencia del arco iris produce sarna, salpullido y otras erupciones de la piel. Generalmente estas dermatosis se conocen con el nombre de picadura de arco.

No hay que mirar las estrellas fugaces, pues el hacerlo atrae el rayo, la muerte o graves daños para la salud.

La aparición de un cometa (del griego Kome, cabellera, cuerpo celeste semejante a los planetas, que se deja ver en ciertos tiempos y que se mueve en una órbita más excéntrica para luégo desaparecer a nuestra vista dejándonos el rastro de su luz bajo formas de barba, cabellera o cola, según preceda, envuelva o siga a la porción central denominada núcleo) es señal de mal agüero. El año en que aparece será de ruina y calamidades. El día en que la cola de un corneta roce la tierra, se acabará el mundo.

Los niños no deben mirar fijamente la luna porque se vuelven lunáticos (locos, medio-locos o distraidos).

Por la posición de los cuernos lunares se puede predeterminar el sexo de las criaturas que están a punto de nacer.

La influencia que ejerce la luna en las mujeres fecundadas es tal que sus hijos “nacen varones si han sido concebidos en menguante, y nacen niñas si han sido concebidas en creciente”.

Existe la creencia de que los varones y animales machos nacen en menguante y de que las mujeres y animales hembras son expulsadas del claustro materno en creciente.

Asimismo se cree que durante los movimientos o câmbios de luna es cuando ocurren los abortos, menstruaciones y demás secreciones fisiológicas de la mujer relacionadas con el flujo catamenial. De donde se desprende la afirmación común y corriente de que “la menstruación se produce a cada cambio de luna”.

Durante el periodo prenatal, “las mujeres no deben mirar la luna, ni los eclipses, pues la criatura sale manchada”.

Las personas que se bañan en época de eclipse (ocultación transitoria y total o parcial de un astro) corren el riesgo de contraer grave enfermedad.

La persona que se halle enferma en tiempo de cambio de luna se agrava o se muere.

Los cambios de luna son en extremo debilitantes y afectan a los herniados, heridos y locos.

Para que el cabello no se caiga y, por el contrario, se vigorice, abunde y alargue, se debe cortar en luna creciente. De esta manera se obtendrán cabelleras hermosas, fuertes y abundantes.

Los animales deben ser castrados en luna llena o en cuarto menguante. De lo contrario, se alunan o hinchan.

Para que la madera se conserve y dure sin que el taladro de la carcoma la perfore, ni la pudra la intemperie ni la roa el comején, ha de cortarse en menguante. Algunos agregan que debe quitársele la corteza.

Hay que sembrar en creciente y cosechar en menguante. De lo contrario, se obtienen graves perjuicios en las siembras y en las cosechas.

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La influencia de la luna llena es nociva en los casos de animales que hayan sufrido mataduras o lesiones, puesto que contribuye a enconarlas en tal forma que su curación llega a ser en extremo dificil. Cierto informante, al referirse a estos aspectos, me dijo: la luz de la luna cuando no mata, inflama. Por tanto, las bestias de servicio doméstico (caballos, mulas, asnos, bueyes) heridas en sus lomos por la enjalma o la silla, no deben ser expuestas a los rayos lunares. Algunos añaden a estos efectos los producidos por otro fenómeno como el sereno (humedad de que está impregnada la atmósfera durante la noche).

Sin embargo, hemos encontrado en la medicina popular norte-santandereana que a los efectos del sereno se le atribuyen también propiedades terapéuticas especialmente cuando se trata de preparar medicamentos caseros a base de botánica. Tal cosa acontece con las siguientes fórmulas medicinales:

“Para la ceguera, irritación, ojos legañosos, son muy usados los baños con flores serenadas: amapola, rosa, flores y cogollos de saúco, delicia, jazmín”.

“Los baños de semilla de albahaca, ojalá serenada, son excelentes para sacar la suciedad o mugre de los ojos”.

“Las rodajas de naranja dulce con sal, expuestas al sereno durante toda una noche, son buenas para los males de estómago, principalmente para acabar con el rebote o ataque de lombrices“.

También los hombres y mujeres con heridas, fracturas, hernias, inflamaciones, erupciones, etc., deben preservarse de los perniciosos efectos del satélite terrestre y del sereno, evitando exponerse a los claros de luna o al sosegado relente de las serenatas.

Hasta los lunares (pequeñas manchas en el rostro u otra parte del cuerpo, producidas por una acumulación de pigmento en la piel) no han escapado en su génesis, tanto semántica como folclórica, al acentuado influjo del satélite, ya que a su formación contribuyeron las irradiaciones lunares, según nos cuentan las viejas lenguas comuneras y andariegas que han conservado intacta la leyenda.

Por lo demás, -y aparte de las apuntaciones folclóricas- sábese que los científicos ya han estudiado las otras caras bondadosas de la luna: como centro de cultos primitivos; como origen, de las divisiones del tiempo (calendario lunar y lunaciones); como fuerza atractiva en la producción de las mareas; como base en las teorias matemáticas del movimiento y la gravitación universales con todos los cálculos de la mecánica celeste; o como simple fuente de inspiración poética y meta de próximos viajes espaciales.

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