Comentários de Osho sobre a Astrologia

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Osho
Hidden Mysteries, Chapter 6
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Astrologia: Uma Porta para a Religiosidade.
É preciso que alguns assuntos sejam entendidos. Primeiro é necessário saber que, do ponto de vista científico, todo o sistema solar nasceu do sol. A Lua, Marte, Júpiter e todos os outros planetas, incluindo esta Terra, são todos partes orgânicas do sol. Lentamente, a vida brotou na Terra – das plantas ao homem. O homem é uma parte orgânica da Terra, a Terra é uma parte orgânica do sol. É como uma mãe que tem uma filha, que por sua vez também tem uma filha e em todos os três flui o mesmo sangue. Seus corpos são feitos de células similares. Os cientistas usam a palavra “empatia” significando sensibilidade compartilhada. Estas coisas que nasceram da mesma fonte possuem um tipo de experiência interior compartilhada.
A Terra brotou do sol e nossos corpos brotaram da Terra, e lá bem distante, o sol é o nosso grande avô. Tudo que acontece no sol cria uma vibração em cada célula de nossos corpos. Tem que ser dessa forma porque nossas células nasceram do sol. O sol parece estar a uma grande distância, mas ele não está tão longe. Em todo elemento de nosso sangue e em cada partícula de nossos ossos vivem os átomos do sol. Somos partes do sol, assim não é de admirar que nossas vidas sejam influenciadas por ele. Existe uma espécie de empatia entre nós e o sol. Se entendermos corretamente essa empatia, podemos penetrar numa dimensão da astrologia.
Ontem falei para vocês sobre gêmeos. Alguns experimentos sobre empatia podem ser conduzidos quando gêmeos nascidos do mesmo ovo são colocados em quartos separados. Durante os últimos cinquenta anos muitos desses tipos de experimentos foram realizados. Gêmeos foram colocados em quartos separados, uma campainha tocava e era dito para as crianças escreverem ou desenharem qualquer que fosse seu primeiro pensamento quando a campainha tocasse. Isso foi repetido vinte vezes e foi observado com grande admiração que noventa por cento das pinturas desenhadas pelos gêmeos eram semelhantes. O fluxo de pensamentos produzido em uma criança ao toque da campainha, e a palavra ou desenho trazido por esse pensamento era semelhante a do outro gêmeo.
Essa similaridade da experiência é descrita pelos cientistas como empatia.
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Há tanta similaridade entre gêmeos que eles vibram igualmente. Dentro dos corpos dessas duas crianças há uma comunicação ou um diálogo íntimo que flui através de canais desconhecidos.
Entre o sol e a Terra também há pontes de comunicação como essa e a todo o momento mensagens estão passando através dessas pontes. E semelhantemente, pontes de comunicação existem entre a Terra e o homem. Portanto há uma comunicação contínua entre o homem, a Terra e o sol. Mas essa comunicação é muito misteriosa; ela é sutil e interior. Vamos também tentar entender alguma coisa disso.
Há um centro de pesquisa na América conhecido como Centro de Pesquisas dos Anéis das Árvores. Se você cortar uma árvore, você irá encontrar um número de anéis ou círculos visíveis sobre a superfície cortada. Os belos desenhos decorativos na superfície dos móveis de madeira são devidos a esses círculos. Esse centro de pesquisa dedicou os últimos cinquenta anos trabalhando no estudo da formação desses círculos.
Professor Douglas, o diretor do centro, que passou a maior parte de sua vida estudando-os, descobriu uma série de fatos. Normalmente, todos sabemos que a idade de uma árvore pode ser calculada pelo número desses círculos. Todo ano surge um novo anel; uma nova camada é feita dentro da árvore a cada ano. Se a árvore tiver cinquenta anos de idade, se ela viu cinquenta outonos, então cinquenta anéis se formaram dentro da árvore.
Mas é surpreendente saber que estes anéis também indicam o tipo de estações que ocorreu num certo ano. Se as estações foram mais quentes ou mais úmidas que o normal, a formação do anel é mais larga. Se as estações foram mais frias e secas, o anel não será tão largo. É possível saber quando caíram fortes chuvas, quando houve seca e quando às estações foram muito frias.
Se Buda tivesse dito que boas chuvas caíram num certo ano, a árvore bodhi, sob a qual ele costumava sentar-se, confirmaria a verdade disso. Buda pode ter cometido um engano, mas não a árvore. O anel da árvore será mais largo ou mais estreito, indicando o tipo de estação daquele ano em particular.
Enquanto conduzia sua pesquisa, o Professor Douglas chegou à outra conclusão que estava muito além de qualquer coisa que ele pudesse ter previsto. Ele observou que os anéis são mais largos a cada onze anos – e a cada décimo primeiro ano há um máximo de atividade nuclear no sol; o sol se torna mais ativo. É como se o sol tivesse um ritmo periódico e então sua radiatividade chega ao máximo. Durante tal ano a árvore faz um anel mais largo – não numa floresta ou num lugar ou país, mas por toda a Terra todas as árvores comportam-se similarmente a fim de se protegerem da radiatividade intensificada. Para se proteger do poder excessivo que é liberado pelo sol, a árvore produz uma casca mais grossa a cada onze anos. Devido a esse fenômeno, os cientistas cunharam uma nova frase: “clima global”.
As estações são diferentes em lugares diferentes: estará chovendo num lugar, fazendo frio noutro e calor em algum outro lugar; e a ideia de haver um clima global nunca existiu antes. Portanto, se referindo aos efeitos desse décimo primeiro ano, o Professor Douglas cunhou o termo “clima global”. E embora não o percebamos, as árvores o percebem. Há um decréscimo gradual na largura dos anéis das árvores que são formados após o décimo primeiro ano e após cinco anos há novamente um crescimento gradual na largura até o décimo primeiro ano.
Se as árvores são tão sensíveis a ponto de gravar cuidadosamente um evento acontecendo no sol, então não seria possível que na mente do homem também houvesse alguma camada?! Que o corpo do homem tivesse uma sensibilidade sutil a atividade do sol que produza ondulações em sua psique? Até agora os cientistas não foram capazes de claramente encontrar quaisquer efeitos no corpo do homem – ainda assim parece impossível que o corpo não pudesse gravar tal atividade.
A astrologia é uma investigação da possibilidade de que tudo que acontece em algum lugar do universo também afeta o homem.
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Mas não é tão fácil investigar o corpo do homem porque este não pode ser aberto como uma árvore. Para abrir um ser humano é algo muito delicado e perigoso. E devido a que o homem tem uma mente, não é o corpo que registra eventos dessa maneira, mas a mente.
A árvore não possui tal mente e assim seu corpo tem que registrar os eventos.
Mais um ponto vale a pena notar. Assim como há tempestades radiativas no sol a cada onze anos, há similarmente outro ritmo periódico de noventa anos no sol. Isso só veio à luz recentemente, mas é um fato científico, e é tão surpreendente quanto o ritmo periódico que ocorre a cada onze anos. Os astrólogos não mencionam nada a esse respeito, mas estou lhes dizendo para facilitar a vocês entenderem a astrologia de uma maneira científica. Há um ciclo de noventa anos que tem sido pesquisado, e sua história é muito surpreendente.
Quatro mil anos atrás, um faraó Egípcio falou para seus cientistas para manter um registro com relação à frequência das águas do Rio Nilo que crescem e decrescem, e em que quantidade. O Rio Nilo é o único rio no mundo com uma “biografia” de quatro mil anos. Um registro foi mantido de quando o nível das águas do rio cresce ou decresce por pelo menos uma polegada. Esse registro vem dos tempos dos faraós, quatro mil anos atrás, até os dias de hoje.
“Faraó” é o nome dado a um imperador egípcio e na linguagem egípcia significa o sol. Havia uma crença no Egito que existe um diálogo contínuo entre o sol e o Rio Nilo. Os faraós, que eram devotos do sol, proclamaram que um registro completo do Nilo devia ser mantido. Eles disseram: “Nada sabemos sobre o sol no presente, mas um dia saberemos, e esse registro será útil”.
Assim, por quarto mil anos, tudo sobre o Rio Nilo foi registrado: o aumento do nível das águas, quando ocorreram inundações e quando não ocorreu nenhuma. E um estudante egípcio, Tasman, compilou sua história. Algumas coisas que não eram conhecidas nos tempos dos faraós são agora conhecidas, e tudo que aconteceu no Nilo foi comparado com eventos no sol. Um ritmo de noventa anos foi claramente indicado relacionado a acontecimentos no sol. Estes eventos são muito similares ao que chamamos de nascimento e morte.
Entenda dessa maneira: o sol é vigoroso por quarenta e cinco anos e então começa a declinar, a envelhecer, por quarenta e cinco anos. Por quarenta e cinco anos a energia que flui dentro do sol aumenta em direção a um pico de vigor. Após quarenta e cinco anos há um recuo no fluxo de energia, como dentro de um ser humano. Após noventa anos o sol se torna muito velho. Durante os últimos quarenta e cinco anos, a Terra é sacudida com terremotos. Os terremotos estão relacionados a esse ciclo de noventa anos. Ao fim do nonagésimo ano, novamente o sol começa a se fortalecer.
Essa é uma ocorrência cíclica muito importante.
Há mudanças tão grandes acontecendo no sol que também é natural para a Terra ser agitada. Quando um corpo tão imenso como a Terra começa a sacudir por terremotos devido às mudanças no sol, como pode o pequeno corpo do homem permanecer não afetado? Essa é a questão que os astrólogos vêm perguntando. Eles dizem que é impossível para o corpo do homem permanecer não afetado. As crianças que nasceram durante os quarenta e cinco anos quando o sol está crescendo, em sua fase vigorosa, são maravilhosamente saudáveis. Mas as crianças que nasceram durante os quarenta e cinco anos em que o sol está declinando não podem estar com boa saúde.
As condições das crianças nascidas durante o período quando o sol está na fase declinante é como aquela do navio que precisa viajar para o oriente quando os ventos estão soprando para o ocidente – um grande esforço físico é necessário para mover os remos. As velas não funcionam, então o timoneiro tem que trabalhar mais duramente. É como nadar contra a corrente. O sol é a fonte de energia vital para todo o sistema solar. Portanto, quando o sol está declinando, tudo que é vigoroso tem que nadar contra a corrente. Ele tem que suportar uma grande força.
E quando o sol está crescendo, todo o sistema solar é preenchido com energia e se move em direção ao pico. Quem nasce nesse período está em um navio que está velejando a favor do vento. Nenhum esforço é necessário; nem os remos nem o leme precisam ser movidos. As velas precisam apenas ser abertas e o navio é movido pelos ventos. Durante esse período o menor número de doenças prevalecem na terra. E quando o sol está declinando, temos o número máximo de doenças. Portanto, por quarenta e cinco anos há um aumento de doenças na Terra, e para os próximos quarenta e cinco anos há uma diminuição, e assim por diante.
O registro histórico do Rio Nilo de quarto mil anos mostra que há um aumento na quantidade de água fluindo nele durante os quarenta e cinco anos quando o sol está em seu vigor. Quando o sol entra em declínio, o nível das águas no Nilo cai e sua corrente também se torna menos forte e mais indolente.
O homem não é uma ilha, ele é parte de toda essa unidade.
Nem mesmo os melhores relógios feitos pelo homem mostram o tempo tão precisamente como faz a Terra. Leva vinte e três horas e cinquenta e seis minutos para a terra dar uma volta em torno de seu eixo. Com base nesse período de tempo projetamos um dia de vinte e quatro horas. E até agora não se tem conhecimento que a Terra tenha atrasado ou adiantado um segundo sequer para completar sua revolução. Mas a razão é que não temos tido recursos totalmente precisos com os quais estudar esse fenômeno, desse modo, temos feito apenas estimativas grosseiras. Mas quando o ciclo de noventa anos do sol se completa e se reajusta para um novo ciclo, o relógio da terra é agitado.
Na hora em que o sol experimenta um aumento da radiatividade, durante seu ciclo de onze anos, o relógio da Terra também é perturbado. Quando a Terra fica sob a influência de tais forças externas seu ritmo interno é perturbado. Qualquer nova influência cósmica como uma estrela, um meteoro ou um cometa passando perto da Terra também o perturba. Em uma escala cósmica, coisas muito distantes no céu estão realmente muito perto porque tudo está interconectado de uma forma invisível.
Contudo, a habilidade de nossa linguagem de expressar esse fenômeno é muito débil porque quando dizemos que uma estrela chega um pouco mais perto do nosso sol, pensamos nisso no sentido ordinário de uma pessoa chegando mais perto de outra pessoa. Ainda assim, essas distâncias são muito grandes, mesmo uma ligeira mudança nas distancias entre objetos cósmicos e o eixo da terra é perturbado – embora possamos não estar absolutamente cônscios disso. Para perturbar a Terra, uma grande força é necessária. Para um desvio de uma polegada na Terra, poderosos corpos cósmicos precisam passar perto de sua órbita.
Quando esses grandes corpos cósmicos passam perto da Terra, eles também passam perto de nós. Quando a Terra é sacudida, não é possível que as árvores que estão crescendo nela não se agitem. Não é possível que o ser humano que vive e caminha nela não seja afetado. Não, tudo é afetado, mas a agitação é muito rápida, e o homem não possui instrumentos para mensurá-la.
Contudo, agora temos instrumentos eletrônicos tão sensíveis, que uma vibração de um milésimo de segundo de duração também pode ser medida. Mas a vibração no ser humano ainda não pode ser medida. Até agora não temos feito quaisquer instrumentos com os quais mensurá-la.
O homem é uma criatura muito sutil e é necessário que ele seja assim; senão seria difícil para ele viver na Terra. Se ele fosse capaz de experienciar e de estar cônscio de toda a influência das forças que o cercam e agem sobre ele vinte e quatro horas do dia, ele não sobreviveria. Somos capazes de viver apenas porque não estamos cônscios de tudo que está acontecendo ao nosso redor.
Há também outra lei. Essa lei é de que não podemos estar cônscios das influências acima ou abaixo de um certo limite.
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A extensão de nossa experiência é limitada. Por exemplo, suponha que medimos a temperatura do corpo como estando entre noventa e oito graus no ponto mais baixo e cento e dez graus no ponto mais alto, isso mostra que estamos vivendo dentro destes doze graus.
Se a temperatura cair muito abaixo de noventa e oito graus morreremos, e se ela disparar acima de cento e dez graus também iremos morrer. Mas você acha que a amplitude da temperatura do universo está limitada a somente doze graus? O homem vive dentro da amplitude limitada de doze graus – fora dessa amplitude ele morrerá. O homem vive numa espécie de balança. Ele tem que flutuar entre noventa e oito e cento e dez graus. Similarmente, existe um equilíbrio para tudo.
Estou falando para vocês e vocês podem me ouvir. Se eu falar num tom muito baixo, chegará ao ponto onde vocês não poderão mais me ouvir. Isto vocês podem entender, mas vocês não serão capazes de imaginar que há um ponto mais alto de audibilidade além do qual vocês não podem ouvir. É difícil imaginar que um ruído mais alto possa ser também inaudível.
Os cientistas dizem que temos um certo limite de ouvir e que não podemos ouvir coisa alguma abaixo ou acima desse limite. Grandes estrondos de trovões estão ocorrendo por toda parte ao nosso redor, mas não podemos ouvi-los. Se uma estrela se desintegra ou nasce um novo planeta, tremendos estrondos de trovões são criados ao redor da Terra. Se fôssemos capazes de escutá-los, então naquele mesmo momento ficaríamos surdos. Mas estamos protegidos porque nossos ouvidos não podem ouvi-los. Não podemos ouvir abaixo de certos decibéis e não podemos ouvir acima de certos decibéis; podemos ouvir apenas dentro de uma certa amplitude.
Existem limites até para o cheirar. Os sentidos de todos os seres humanos operam dentro de um certo limite. Por exemplo, um cachorro é capaz de cheirar muito mais que vocês. Seu limite de cheirar é maior; um cachorro pode sentir o cheiro que nós não somos capazes de perceber. O que não somos capazes de ouvir, um cavalo pode. O sentido de audição ou de cheirar do cavalo é muito mais agudo. Um cavalo pode sentir o cheiro da aproximação de um leão a uma milha e meia de distância. Ele irá parar subitamente e não iremos entender o motivo. Seu senso de cheiro é muito poderoso. Mas se vocês tivessem um sentido tão forte de cheiro que vocês pudessem experienciar todos os cheiros que permeiam ao seu redor, vocês ficariam loucos. Um ser humano é fechado dentro de uma espécie de cápsula – ele tem fronteiras.
Quando você liga seu radio você pode ouvir muitas estações. Mas você acha que a música começa apenas quando o radio está ligado? As ondas de radio da música e da fala estão continuamente fluindo no ar, quer seu radio esteja ligado ou não. Mas você só pode ouvi-las quando o radio está ligado. Aqui mesmo nessa sala, as ondas de radio de todas as estações retransmissoras do mundo estão fluindo continuamente, mas você só pode ouvi-las quando você liga o seu radio. Essas ondas de radio estão lá, mesmo quando seu radio não está ligado, mas você não pode ouvi-las.
Neste mundo muitos sons estão passando ao redor de todos nós. Há um grande tumulto. Não somos capazes de ouvi-los, mas não podemos escapar de ser afetados por eles. Somos influenciados por todos esses ruídos – em cada nervo, em cada batida do coração, em cada músculo. Estes ruídos estão operando em nós despercebidamente. Os cheiros que não somos capazes de reconhecer também nos afetam. Se esses cheiros carregarem com eles alguma doença, vocês irão pegar a doença.
Sua consciência ou percepção de algo não é um imperativo para que isso exista.
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A astrologia diz que há campos de energia ao redor de nós que prosseguem nos influenciando continuamente. Logo que nasce uma criança, ela está sujeita a todas as influências do mundo. Na linguagem da ciência, podemos descrever o nascimento como um processo de exposição.
É exatamente como se expuséssemos um filme numa câmara. Você pressiona o botão de exposição da câmara e instantaneamente às janelas das lentes abrem e fecham e tudo que estava em frente da câmara fica instantaneamente registrado no filme. O filme é exposto sem afetar a exposição anterior. O filme capturou a imagem da cena para sempre.
Similarmente, quando uma criança é concebida no útero da mãe, essa é a primeira exposição da criança. No dia que a criança nasce acontece a segunda exposição. Essas duas exposições são registradas na mente sensitiva da criança, como no filme. O mundo como ele é naquele momento é impresso na criança e assim há uma empatia na criança pelo mundo como ele é naquele momento.
Você ficará surpreso de saber que noventa por cento das crianças nascem à noite. Geralmente, de acordo com probabilidades matemáticas, a percentagem de nascimentos à noite seria a mesma para o dia. Poderia ter uma flutuação de quatro a cinco por cento aqui e ali, mas porque noventa por cento nasceria durante a noite? Somente dez por cento dos nascimentos, no máximo, ocorrem durante o dia. Deve haver uma razão para isso – existem muitas razões para isso. Deixe-me explicar.
Se fôssemos perguntar a Buda ou a Mahavira sobre o motivo disto, eles diriam que a maioria das almas nascem à noite porque elas estão dormindo quando nascem. Essas almas não podem escolher o momento do seu nascimento. Existem centenas de outros motivos, mas esse é importante; que a maioria das pessoas estão adormecidas. Elas estão na escuridão e na inatividade.
Aquele que nascer após o amanhecer, nascerá com energia.
Após o pôr do sol, na escuridão da noite, somente os seres adormecidos podem nascer. O nascimento que acontece na hora do sol nascente será um nascimento sob a influência da energia; o nascimento que ocorre após o pôr do sol, sob a capa da escuridão, será um nascimento sob a influência do sono. A exposição será diferente para um filme exposto à noite daquele exposto durante o dia. É necessário entender esse ponto sobre a exposição mais claramente porque a astrologia está profundamente relacionada a isso.
Os cientistas que estão conduzindo pesquisas sobre este assunto da exposição do nascimento dizem que é um acontecimento da maior importância. Essa exposição lhe acompanhará por toda sua vida.
Quando um pinto nasce da galinha, ele imediatamente começa a correr atrás dela. Dizemos que ele está correndo atrás da mãe, mas os cientistas dizem que isso não tem nada a ver com a mãe, dizem que isso é uma questão de exposição e impressão. Os cientistas agora conduziram centenas de experimentos. Um experimento foi com os pintos que estavam para nascer. Os bicos dos pintos estavam emergindo dos ovos e então a galinha foi removida de cena e em seu lugar foi colocado um balão na frente dos pintos. Quando os pintos abriram os olhos eles viram o balão. Vocês ficarão surpresos de saber que os pintos amaram o balão como se fosse sua mãe. Para onde quer que o balão se movesse no ar, eles correriam atrás dele. Eles não deram importância a mãe, onde quer que ela estivesse, mas eles se tornaram surpreendentemente sensíveis ao balão. Quando os pintos ficavam cansados, eles iam e sentavam ao lado do balão. Eles tentariam amar o balão, eles tentariam bicar no balão – não na mãe.
Konrad Lorenz, o cientista que realizou um grande trabalho nesse sentido, diz que o primeiro momento de exposição é o mais importante. O pinto fica intimamente relacionado com a mãe devido a primeira exposição; ele corre atrás da mãe apenas porque ela estava primordialmente disponível para ele.
Agora, mais alguns experimentos estão sendo conduzidos. Crianças masculinas que não são criadas na presença da mãe não são capazes de amar nenhuma mulher. Não houve uma exposição adequada; a imagem de uma mulher não foi adequadamente impressa na mente dessas crianças. Se a homossexualidade está aumentando no Ocidente, uma razão fundamental é uma exposição insuficiente a um dos pais. O amor heterossexual, amor entre sexos opostos, está diminuindo cada vez mais no Ocidente e o amor entre membros do mesmo sexo está aumentando. Embora isso seja um acontecimento não natural, isso está fadado a acontecer.
A atração sexual entre um homem e uma mulher também é condicionada de outra maneira.
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 A quem uma criança será exposta primeiro é um assunto que deve ser levado em consideração. Uma mulher não será feliz por toda sua vida se, quando bebê, ela tiver sido exposta primeiro a mãe. A exposição dela deve ser a um homem. O primeiro impacto sobre a mente de uma menina deve ser do pai dela, só então ela será capaz de amar totalmente um homem. Se os homens sempre superam as mulheres, é porque meninos e meninas são ambos primeiramente expostos e criados pela mãe.
A exposição do menino está correta, mas não a da menina. Assim, quando a primeira exposição de uma menina não for ao pai dela, não será possível para ela se tornar igual a um homem. Nem na política, nem no emprego, nem através da independência econômica ela pode tornar-se igual ao homem, porque de uma perspectiva psicológica, permanece a debilidade na personalidade de uma menina. Até agora nenhuma civilização foi capaz de superar essa fraqueza.
Se um pequeno balão pode exercer tanta influência sobre uma galinha, se isso pode penetrar indelevelmente em sua mente, a astrologia sugere que tudo que nos rodeia – todo o universo – também penetra em nossa consciência no momento da exposição do nascimento quando o filme mental é exposto ao mundo. Isso determina suas simpatias e antipatias por toda sua vida. Todas as constelações que também circundam a Terra naquele momento, de maneira muito profunda, imprimem sua influência sobre a consciência recém-nascida. As constelações estão numa certa posição: a significância básica dessas constelações repousa na influência de sua radiatividade caindo sobre a Terra no momento do nascimento.
Agora cientistas acreditam que todo corpo celestial possui sua própria radiatividade. O planeta Vênus lança raios que são tranquilos, enquanto que a lua possui um tipo muito diferente de ondas de radio. As ondas de radio que nos alcançam de Júpiter são diferentes daquelas que procedem do sol. A razão para a diferença é que cada astro tem uma combinação diferente de camadas gasosas circundando-os, e de cada planeta uma combinação diferente de raios vêm em direção a terra. E quando uma criança nasce, qualquer que seja a constelação, estrelas, planetas, ou supersois longínquos que estejam circundando o horizonte, todos penetram fundo na mente da criança na hora da exposição. A situação cósmica naquele momento, com todas suas debilidades, forças e capacidades, influenciam a criança por toda sua vida.
É como saber o efeito exato do que acontece quando uma bomba atômica explode sobre uma área habitada como Hiroshima.
Antes da bomba atômica ser jogada sobre Hiroshima, se sabia apenas que centenas de milhares de pessoas morreriam. Mas não se sabia que isso também poderia afetar gerações futuras e tudo mais. Para aqueles que morreram em Hiroshima e Nagazaki foi apenas à questão de um momento. Mas as árvores que permaneceram, os animais, os pássaros, os peixes e os seres humanos que sobreviveram, foram todos permanentemente afetados de uma forma desconhecida. O efeito total disso somente será conhecido quando cerca de dez gerações tiverem passado, porque profundas forças radiativas ainda estão operando.
As mulheres que sobreviveram tiveram seus ovários afetados pela radiatividade. Agora esses ovários são incapazes de reproduzir crianças normais, tal como faziam antes de serem afetados pela radiatividade. Uma criança nascida desses ovários pode ser aleijada ou cega, ela pode ter quatro ou até mesmo oito olhos; pode ser qualquer coisa – não podemos afirmar. Seu cérebro pode estar doente, ou pode ser um tal gênio que nunca tenha nascido antes. Não estamos certos de como isso será; sabemos com certeza somente de uma coisa: que ela não será um ser humano ordinário, normal.
Se o poder de uma bomba atômica, que não é comparativamente um poder muito grande, pode causar tanto dano a vida na Terra, então você pode começar a imaginar o poder do sol. É como se milhões de bombas atômicas estivessem explodindo nele simultaneamente. Em Hiroshima e Nagazaki uma bomba atômica matou cento e vinte mil seres humanos. Em comparação, você pode imaginar quanta radiatividade existe no sol?
O sol vem aquecendo a Terra por quatro bilhões de anos, e os cientistas dizem que não há nenhuma possibilidade dele esfriar ainda por milhões de anos. A cada dia ele arremessa um tremendo calor para a Terra e isso também de uma distância de quase cem milhões de milhas. O que quer que tenha acontecido em Hiroshima afetou somente um raio de até dez milhas, enquanto que o sol nos tem dado calor de uma distância de cem milhões de milhas, e por tanto tempo; ele ainda não está exausto. Mas comparado a outros sois no universo, nosso sol é apenas uma minúscula estrela. As estrelas que vemos no céu são muito maiores do que nosso sol, e cada uma delas possui sua própria radiação que está fluindo em nossa direção.
Um grande cientista, Michel Gauquelin, vem pesquisando sobre as forças no universo.
Ele nos diz que não somos capazes de entender nem mesmo um por cento das coisas que são causadas pelas forças que chegam dentro de nossa experiência. Desde que começamos a enviar satélites espaciais para além da Terra, tanta informação nos tem sido transmitida para as quais nós não temos palavras para descrever, nem a ciência ainda é capaz de decifrar a informação transmitida. Nunca imaginamos que tanta energia e tantas forças pudessem estar operando tudo ao nosso redor.
Nesse contexto, vamos entender mais uma coisa. A astrologia não é uma ciência nova que ainda está se desenvolvendo. A posição é bem inversa. Se você tivesse visto o Taj Mahal, você poderia ter percebido algumas paredes incompletas além da margem oposta do Rio Yamuna. A história atual é que Shah Jehan não fez apenas o Taj Mahal para sua esposa Mumtaz, mas que ele também estava construindo uma tumba para si mesmo, da mesma pedra de mármore do Taj Mahal, na margem oposta do Rio Yamuna. Contudo, de acordo com a história, essa tumba não pôde ser concluída. Mas agora isso tem sido pesquisado por historiadores que nos dizem que as paredes que parecem incompletas não são as paredes da tumba que estava sendo construída, mas as ruínas de um grande palácio que existiu tempos atrás.
Nos últimos trezentos anos nos têm sido dito que essas paredes eram as paredes incompletas de uma tumba que Shah Jehan começou a construir. Mas as paredes de uma tumba recentemente construída e as ruínas de algum antigo palácio pareceriam similares, assim fica muito difícil decidir o que exatamente essas paredes são. A pesquisa histórica agora indica que não somente essas paredes já foram um palácio completo, mas que o próprio Taj Mahal não foi construído por Shah Jehan. Era um antigo palácio construído pelos Hindus, o qual Shah Jehan transformou numa tumba. Mas isso frequentemente acontece que não podemos acreditar em qualquer coisa que contradiga o que sempre temos ouvido.
Nenhuma tumba como o Taj Mahal foi construída em nenhum outro lugar do mundo. Uma tumba nunca é construída assim. Ao redor do Taj Mahal existem lugares para alojar soldados e para guardar rifles e armas de fogo. Tumbas não necessitam ser protegidas por rifles e armas de fogo. Era um antigo palácio que foi reformado. Na margem oposta do Yamuna havia também um antigo palácio que desabou e suas ruínas permaneceram como uma testemunha.
A astrologia também é como as ruínas de um grande edifício que uma vez existiu.
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Foi uma ciência completa que se perdeu. Não é nem nova nem está em processo de construção. Pelas paredes que restaram não é possível julgar o tamanho desse edifício. Muitas vezes as verdades são conhecidas apenas para se perderem novamente.
Cerca de duzentos anos antes de Cristo, Aristarco, um cientista grego, descobriu que o sol é o centro de nosso universo e não a terra. Este princípio de Aristarco tornou-se conhecido como o princípio heliocêntrico – que o sol está no centro. Mais tarde, no ano 100 d.C., Ptolomeu mudou novamente essa descoberta e afirmou que a terra era o centro. Após isso, se passaram cerca de mil anos até Kepler e Copérnico restabelecerem que o sol é o centro de nosso universo. A verdade descoberta por Aristarco permaneceu oculta por muito tempo, até que Copérnico abriu o velho livro de Aristarco e o declarou novamente. E as pessoas ficaram chocadas.
No Ocidente foi dito que a América foi descoberta por Colombo. Quando Oscar Wilde foi para a América ele fez uma piada sobre isso que se tornou muito conhecida. Ele disse que a América tinha sido descoberta muito antes por outra pessoa. Isso é verdade; a América foi descoberta muitas vezes, e perdeu-se repetidas vezes quando as relações com ela eram interrompidas. Alguém perguntou a Oscar Wilde: “Se Colombo não descobriu primeiro a América, se ela já havia sido descoberta, porque cada vez ela se perdia?”.
Oscar Wilde jocosamente respondeu: “Ele descobriu a América. Ela foi descoberta muitas vezes, mas toda vez isso era abafado. Cada vez era necessário manter isso em segredo, porque uma coisa tão complicada é melhor esquecer e deixar de lado”.
Na epopeia Mahabharata há referências a América – uma das esposas de Arjuna era do México. Existem antigos templos Hindus no México com ídolos de Ganexa incrustados neles.
Isso acontece muitas vezes que a verdade chega ao nosso alcance e então se perde novamente. A astrologia já foi uma grande verdade: ela já foi conhecida, mas depois se perdeu. Existem dificuldades no caminho para conhecê-la novamente; eis porque estou falando para vocês de muitos pontos de vista diferentes.
Minha intenção de falar sobre astrologia pode ser mal-entendida. Não é como se eu pretendesse falar sobre os mesmos assuntos que são discutidos por um astrólogo comum. Para tal astrólogo você pode pagar uma moeda e ouvir sua sorte. Talvez você pense que vou falar sobre ele ou apoia-lo.
Em nome da astrologia, noventa e nove por cento dos astrólogos são blefes.
Somente um por cento não irá afirmar dogmaticamente que um evento definitivamente acontecerá. Eles sabem que a astrologia é um assunto vasto – tão vasto que alguém só pode penetrá-la hesitantemente.
Quando estou falando sobre astrologia, quero que vocês tenham um retrato de toda a ciência de muitos ângulos, para que vocês possam penetrá-la sem qualquer medo ou hesitação. Quando falo sobre astrologia, não me refiro ao astrólogo comum – coisa tão pequena. Mas a curiosidade média dos homens com respeito à astrologia é apenas para saber se sua filha irá se casar ou não.
A astrologia pode ser dividida em três partes. A primeira parte é o núcleo, a essência; ele é essencial e não pode ser alterado. É a parte mais difícil de entender. A segunda parte é a camada média, na qual se pode fazer qualquer mudança que se queira. É a porção semi-essencial, na qual você pode fazer mudanças se você souber como, mas sem saber como, nenhuma mudança é possível. A terceira parte é a camada mais externa que é não-essencial, mas sobre a qual somos todos muito curiosos.
A primeira é a essência, na qual nenhuma mudança pode ser feita. Quando é conhecida, o único jeito é cooperar com ela. As religiões têm planejado a astrologia a fim de conhecer e decifrar esse destino essencial. À parte semi-essencial da astrologia é tal que se a assimilarmos, poderemos mudar nossa vida – de outra maneira não.
Se não a conhecemos, então o que quer que tenha de acontecer, acontecerá. Se houver conhecimento, haverá alternativas para escolher. Há uma possibilidade de transformação se a escolha correta for feita. A terceira, a parte não-essencial é apenas a periferia, a superfície externa. Não há nada de essencial nela, tudo é circunstancial.
Mas consultamos os astrólogos apenas para as coisas não-essenciais.
Alguém vai e pergunta a um astrólogo quando conseguirá um emprego – o seu emprego não tem nada a ver com a lua e as estrelas. Alguém pergunta se irá se casar ou não – uma sociedade sem casamento é possível. Alguém pergunta se irá permanecer pobre ou se ficará rico – uma sociedade socialista ou comunista onde não haverá ninguém pobre ou rico é possível. Portanto, estas são as questões não essenciais.
Um homem de oitenta anos de idade estava caminhando quando seu pé escorregou numa casca de banana que havia sido jogada na rua. Agora, é possível inquirir um astrólogo, para saber da lua e das estrelas em qual rua e em qual casca de banana o pé irá escorregar? Tais questões são tolices. Mas vocês são curiosos para saber com antecedência se seu pé irá pisar ou escorregar numa casca de banana se você sair hoje para a rua. Isso é não-essencial. Isso não tem nada a ver com seu ser ou com sua alma. Esses eventos acontecem na periferia, e a astrologia não tem nada a ver com eles. Mas devido a que os astrólogos estão ocupados falando apenas a respeito desse tipo de coisas, a grande instituição da astrologia desabou. Essa foi à única razão.
Nenhuma pessoa inteligente vai estar preparada para acreditar que quando ela nasceu, estava escrito em seu destino, que um certo dia, na marina, seu pé pisaria em alguma casca de banana e ela cairia. Nem a queda nem a casca da banana tem qualquer relação com as estrelas. A astrologia perdeu a respeitabilidade porque ficou conectada a esse tipo de coisas.
De vez em quando todos nós temos desejado saber tais coisas dos astrólogos, ainda que sejam coisas não-essenciais. Mas existem certos assuntos semi-essenciais tais como o nascimento e a morte de uma pessoa: se você puder conhecer tudo sobre estes assuntos, você pode tomar suas precauções. Se você nada conhece, você nada pode fazer.
Se nosso conhecimento a respeito de diagnósticos de doenças fosse aperfeiçoado seríamos capazes de prolongar o tempo de vida dos seres humanos – já estamos fazendo isso. Se nossa pesquisa para fazer bombas atômicas mortais tiver êxito seremos capazes de aniquilar milhares de pessoas de uma vez – nós já fizemos isso.
Este mundo semi-essencial apresenta a possibilidade de que possamos ser capazes de fazer certas coisas se soubermos com antecedência o que vai acontecer.
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Se não soubermos, nada pode ser feito. Pelo nosso conhecimento prévio, alternativas podem ser classificadas e selecionadas.
Além disso, existe o mundo do essencial – e sobre este você nada pode fazer. Contudo nossa curiosidade é para conhecer somente sobre coisas não-essenciais. Raramente alguém chega a conhecer o semi-essencial. E nossa curiosidade ou desejo nunca se estende para conhecer aquilo que é essencial ou inevitável, aquilo que não pode ser mudado mesmo se conhecido.
Mahavira passava por um vilarejo com seu discípulo, Goshalak – que mais tarde se tornou seu oponente – quando eles depararam uma pequena planta, e Goshalak disse a Mahavira: “Escute, aqui está uma planta. O que você acha? Ela irá crescer e produzir uma flor ou ela morrerá antes de florescer”?
Mahavira imediatamente fechou seus olhos e sentou-se defronte a planta.
Goshalak espertamente disse: “Não fuja do assunto. O que acontecerá por fechar seus olhos”? Ele não sabia o porquê Mahavira ficou silencioso e fechou seus olhos – que ele estava procurando o essencial. Era necessário ir bem fundo no ser, na alma da planta. Sem fazer isso, não seria possível dizer o que iria acontecer.
Após um momento Mahavira abriu seus olhos e disse: “Essa planta sobreviverá para florescer”.
Goshalak imediatamente arrancou a planta pelas suas raízes, a jogou fora e riu zombeteiramente. Não havia melhor maneira de refutar a declaração de Mahavira.
Mahavira não tinha nada mais para dizer agora porque Goshalak tinha desenraizado a planta e a jogado fora como um desafio. Ele estava rindo, Mahavira estava sorrindo e eles continuaram sua jornada.
Então começou a chover fortemente. Era uma tempestade, e por sete dias continuamente, caíram chuvas torrenciais, assim eles não puderam sair por sete dias completos.
Quando as chuvas amainaram e eles estavam retornando, no caminho eles chegaram ao mesmo ponto onde sete dias antes Mahavira tinha fechado seus olhos para conhecer o ser interior da planta. Eles virão que a planta estava novamente de pé com suas raízes no solo. Devido as fortes chuvas e ventos, a terra tinha ficado úmida e solta, e as raízes da planta haviam cavado nela.
Mahavira novamente fechou seus olhos e ficou de pé ao lado da planta. Goshalak ficou muito embaraçado – ele tinha desenraizado e jogado fora à planta. Quando Mahavira abriu seus olhos, Goshalak disse: “Estou surpreso e confuso. Eu desenraizei essa planta e a joguei fora, e ela está crescendo novamente”.
Mahavira respondeu: “Ela irá sobreviver para florescer. Fechei meus olhos para ver a potencialidade interior e a condição da semente: se ela era capaz de enraizar-se novamente tendo sido uma vez desenraizada, se ela era suicida ou não, se ela tinha um instinto forte ou um desejo de morrer. Se seu instinto fosse suicida ela teria usado sua ajuda para morrer. Eu queria ver se ela estava ansiando por viver; se ela estivesse determinada a viver, ela viveria. Eu sabia que você iria desenraizá-la e jogá-la fora”.
Goshalak perguntou: “O que você está dizendo”?
Mahavira disse: “Quando eu estava olhando dentro do ser interior da planta com meus olhos fechados, também vi você de pé, determinado a arrancá-la. Eu sabia que você iria arrancar a planta. Eis porque era necessário conhecer a capacidade interior da planta de viver, quanta autoconfiança e força de vontade ela tinha. Se ela estivesse esperando morrer e procurando uma desculpa, você teria sido uma desculpa suficiente para ela morrer; senão, a planta desenraizada novamente se enraizaria”.
Faltou coragem a Goshalak desenraizar a planta novamente. Ele estava assustado. Anteriormente Goshalak tinha ido rindo para a vila; desta vez, Mahavira seguiu adiante sorrindo.
Goshalak então perguntou: “Porque você está rindo”?
Mahavira disse: “Eu estava observando e apenas pensando sobre sua capacidade – se você poderia arrancar a planta pela segunda vez ou não”.
Goshalak disse: “Você pode ver se eu faria isso ou não”?
Mahavira respondeu: “Isso era não-essencial. Você podia tê-la arrancado, ou não. Mas o que era essencial e inevitável é que a planta ainda desejava viver. Todo seu ser, toda sua vitalidade queria viver. Isso era essencial. O que era não-essencial era você jogá-la fora ou não, e isso dependia de você. Mas você provou ser mais fraco e menos determinado do que a planta. Você foi derrotado”.
Uma das razões porque Goshalak estava aborrecido com Mahavira foi esse incidente com a planta.
A astrologia de que estou falando se interessa pelo essencial, pelo fundamental.
foundation
 Na melhor das hipóteses sua curiosidade irá até o semi-essencial. Você quer saber quanto tempo você viverá, ou se você irá morrer de repente ou não, mas você não está curioso para saber o que fazer enquanto você vive. Você quer saber como você irá morrer quando chegar a hora, ou o que você estará fazendo naquela hora. Sua curiosidade se estende a eventos, não a alma. O que estou vivendo é somente um evento, mas o que estou fazendo enquanto estou vivendo, ou o que sou, é minha alma. Quando eu morrer isso será um evento, mas no momento da morte, como serei, o que farei, é minha alma. Todos nós morreremos; o evento da morte é comum a todos, mas a maneira de morrer, o momento da morte, será diferente para cada um. Alguém pode até mesmo morrer sorrindo.
Na hora de sua morte, alguém perguntou a Mulla Nasruddin: “O que você acha Mulla? – Quando as pessoas nascem de onde eles vêm”?
Mulla respondeu: “Tenho visto muita criança chorando na hora do nascimento, e na hora da morte todos também parecem estar chorando. Assim eu suponho que as pessoas não estão nem indo nem vindo de um bom lugar. Quando elas chegam estão chorando e quando elas vão também estão chorando”!
Mas pessoas como Nasruddin morrem rindo. A morte é um evento, mas aquilo que está rindo na hora da morte é a alma. Portanto, quando você for a um astrólogo, pergunte a ele como você irá morrer, chorando ou rindo? Vale a pena perguntar isso – mas isso está conectado com a astrologia essencial. Ninguém nessa Terra nunca perguntou a um astrólogo se irá morrer chorando ou sorrindo. Vocês querem saber quando irão morrer – como se morrer tivesse algum valor em si mesmo. Vocês perguntam quanto tempo irão viver – como se apenas viver fosse suficiente.
Porque viverei? Para que devo viver? O que devo fazer enquanto estou vivendo? O que devo me tornar se viver? Tais questões ninguém pergunta. Eis porque a estrutura da astrologia desabou. Qualquer coisa que é construída sobre fundações não-essenciais certamente irá desabar. A astrologia, da qual estou falando, e o que vocês entendem por astrologia, são diferentes.
A astrologia sobre a qual estou falando é qualitativamente diferente e muito mais profunda.
Suas dimensões são diferentes. O que estou dizendo é que algo que é essencial entre sua vida e a do universo está conectado, está numa harmonia rítmica. O mundo todo está participando nisso – vocês não estão sozinhos.
Quando Buda tornou-se iluminado, ele juntou suas mãos em saudação, e curvou sua cabeça até tocar no chão. A história prossegue dizendo que os deuses desceram do céu para prestar homenagem a Buda porque ele havia encontrado a verdade suprema, mas vendo-o com a cabeça curvada tocando o chão, eles ficaram surpresos. Eles perguntaram a Buda para quem ele estava se curvando. Eles disseram que tinham vindo do céu para saudá-lo porque ele estava iluminado, e que eles não sabiam que podia existir algo para o qual até mesmo Buda tinha que oferecer saudações, porque a iluminação é a suprema realização.
Buda então abriu os olhos e disse: “Não estou sozinho no que quer que tenha acontecido comigo; o mundo também participou. Portanto, me curvei para a terra em agradecimento ao mundo inteiro”.
Este é um assunto conectado com a astrologia essencial. Eis porque Buda disse a seus discípulos que quando eles alcançassem a glória interior, eles deveriam imediatamente agradecer ao mundo inteiro porque eles não estariam sozinhos naquela experiência. Se o sol não tivesse surgido ou a lua não tivesse aparecido ou se a cadeia de eventos tivesse diferido ligeiramente, a experiência que eles tiveram estaria perdida. É verdade que, foram eles que tiveram a experiência, mas tudo era instrumental nisso – toda a existência contribuiu para isso. O nome desse relacionamento cósmico interconectado é astrologia.
Buda nunca diria: “Me tornei iluminado”. Ele diria apenas: “O mundo experienciou isso através de mim – este evento da iluminação, essa luz suprema revelou-se ao mundo através de mim. Sou somente uma desculpa, um pretexto. Sou apenas uma encruzilhada onde todas as estradas do mundo se encontram”.
Vocês já pensaram alguma vez que embora uma encruzilhada pareça significante, não é nada em si mesma? Se as quatro estradas que se encontram fossem removidas, o significado da encruzilhada também iria desaparecer. Somos cada um uma encruzilhada onde as forças do mundo se tocam e se encontram num ponto. Nesse ponto, um indivíduo é formado, nasce uma pessoa.
O significado e a essência da astrologia é de que não estamos separados, somos um com o universo.
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 Não apenas somos um com o universo, somos também participantes em cada situação e evento.
Portanto, Buda disse que ele estava oferecendo saudações para todos os Budas que vieram antes dele, e para aqueles que viriam após ele. Então alguém falou para ele que era compreensível que ele oferecesse saudações para aqueles que nasceram antes dele, porque consciente ou inconscientemente, Buda poderia estar em dívida com eles – o conhecimento deles pode tê-lo ajudado – mas porque ele saudaria aqueles que ainda não nasceram? O que ele podia ter recebido deles?
Buda respondeu que ele tinha recebido ajuda não somente daqueles Budas que nasceram antes dele, mas também daqueles que nasceriam após ele – porque onde ele estava naquele momento, o passado e o futuro se encontravam e se tornavam um. Aqueles que passaram encontravam aqueles que estavam vindo, exatamente no ponto onde ele estava. O sol nascente e o sol poente se encontravam naquele ponto. Assim também Buda estava oferecendo saudações para aqueles que ainda estavam para nascer; ele também estava em dívida com eles porque se eles não estivesse sendo protegidos no futuro, Buda também poderia não ter acontecido.
Isso é um pouco difícil de entender. Está conectado com a astrologia essencial. Eu não existiria se alguma coisa do meu passado fosse suprimida ou perdida; sou um elo de uma longa corrente. É compreensível que se meu pai não tivesse nascido eu também não teria nascido, porque meu pai é um elo essencial na cadeia que me alcançou. Até mesmo se meu avô não estivesse lá, eu poderia não ter nascido, porque o elo é essencial. Mas é difícil de entender que se não houvesse nenhum elo ligado a mim em direção ao futuro, também assim eu poderia não ter nascido.
O que tenho que fazer com esse elo futuro? – eu já nasci. Mas Buda diz que se o que quer que aconteça no futuro já não estivesse lá, assim também eu poderia não ter nascido porque sou um elo entre o passado e o futuro. Se houvesse até mesmo uma ligeira mudança no passado ou no futuro, eu poderia não ser o mesmo como sou agora.
O ontem me fez e o amanhã também me fez: isso é astrologia.
Não somente o ontem, mas também o amanhã, não somente o que já chegou, mas também o que está vindo; não somente o sol que surgiu hoje, mas também o sol que surgirá amanhã – todos são participantes.
Os momentos futuros também determinam o momento presente. Este momento presente poderia não existir se não houvesse momentos futuros. O momento presente só pode ocorrer com o suporte dos momentos futuros. Nossas mãos repousam sobre os ombros do futuro; nossos pés estão fincados sobre os ombros do passado. É muito óbvio que se o que está debaixo de mim – sobre o qual estou de pé e que posso ver – desaparecesse, eu também cairia.
Uma vez que alguém se descubra conectado com essa unidade interior do passado e do futuro ele estará capacitado para entender a astrologia. Desse modo, a astrologia se torna religião, assim a astrologia se torna espiritualidade. De outra maneira, se relacionando com o não-essencial, a astrologia se torna meramente um assunto para falsos reveladores da sorte nas ruas, e assim ela não tem nenhum valor. Até mesmo a mais alta ciência é apenas pó nas mãos daqueles que são ignorantes. Seu valor é determinado pelo uso para o qual estamos capacitados de colocar o conhecimento.
Dessa forma, estou tentando empurrá-los através de muitas portas para um objetivo, para que vocês possam entender que tudo está ligado, interconectado. Este universo é como uma família, como um corpo orgânico. Quando estou respirando todo meu corpo é afetado; do mesmo jeito, quando o sol respira a Terra é afetada. A Terra é afetada até mesmo pelo o que os sois mais longínquos fazem. Até mesmo a menor das células vibra em unidade com aqueles sois gigantes. Se vocês puderem entender isso, vocês estarão capacitados a penetrar na astrologia essencial, e assim seremos poupados da futilidade do não-essencial.
Temos associado os assuntos mais triviais com a astrologia. Essas coisas não possuem nenhum valor e dificuldades surgiram porque os conectamos com a astrologia. Por exemplo, conectamos a astrologia com questões sobre uma pessoa que nasce numa família rica ou pobre. Até que vocês possam compreender que tais coisas são não-essenciais, vocês continuarão a conectá-las com a astrologia.
A astrologia só pode se tornar uma ferramenta em suas mãos se vocês distinguirem o essencial do não-essencial.
essentials
Vou lhes contar uma história muito interessante para que vocês possam entender.
Maomé tinha um discípulo chamado Ali. Esse Ali uma vez pediu a opinião de Maomé sobre se um homem é independente e livre para fazer o que quiser ou se ele está atrelado ao seu destino em tudo que faz. Ali perguntou: “Uma pessoa pode fazer o que quer ou não”?
O homem tem feito essa pergunta por muito tempo.
“Se um homem não é capaz de fazer o que ele deseja”, Ali disse, “Então é inútil e tolo pregar para ele não roubar, para não falar mentiras, para não ser desonesto. Ou está destinado que deverá sempre existir alguém para pregar para os outros não roubar ou para não fazer isso ou aquilo? – mesmo sabendo muito bem que também é destino que um homem desonesto permaneça desonesto, que um ladrão permaneça um ladrão, que um assassino permaneça um assassino. Tudo isso parece ser absurdo. Se tudo está predestinado, toda educação é inútil, então todos os profetas, todos os santos, todos os professores são inúteis”.
As pessoas perguntaram tais questões tanto a Mahavira quanto a Buda. Se o que vai acontecer está predestinado, porque deveria Mahavira ou Buda ter tanto trabalho para explicar o que está certo e o que está errado? Assim Ali perguntou a Maomé o que ele pensava sobre este assunto polêmico. Se tal questão fosse perguntada a Mahavira ou a Buda, eles teriam dado uma resposta muito profunda e complicada, mas Maomé deu uma resposta que Ali pôde entender. Muitas das respostas de Maomé eram diretas e francas.
Geralmente, respostas dadas por pessoas incultas ou pouco educadas, por pessoas que são simples aldeões, são diretas e francas. Pessoas como Kabir, Nanak, Maomé e Jesus eram pessoas simples nesse sentido. Respostas de pessoas como Buda, Mahavira e Krishna eram complexas – Buda e Mahavira eram a nata de uma civilização rica e altamente desenvolvida. As palavras de Jesus eram diretas, como um golpe na cabeça. Kabir realmente cantou: “Kabir está de pé no mercado com um martelo nas mãos para golpeá-lo”.
Se alguém chegava perto dele ele podia, por assim dizer, quebrar sua cabeça para remover todo o entulho que estivesse lá dentro.
Maomé não deu nenhuma resposta metafísica. Ele pediu a Ali para levantar uma perna e ficar de pé sobre a outra. Ali apenas perguntou uma questão sobre se um homem é livre para fazer o que ele quiser – porque ele deveria ficar de pé sobre uma perna? Maomé disse: “primeiro levante uma perna”.
O pobre Ali levantou uma perna e ficou em pé sobre a outra.
Maomé então perguntou a ele: “Agora levante a outra perna também”.
Ali ficou perplexo e perguntou como isso era possível. Então Maomé disse: “Se você quisesse você poderia ter erguido primeiro a perna direita, mas agora você não pode. Um homem é sempre livre para erguer a primeira perna – pode ser qualquer uma que ele queira – mas logo que a primeira tenha sido erguida, a outra fica presa a Terra”.
Com relação à parte não-essencial da vida, somos sempre livres para erguer a primeira perna. Mas uma vez feito, isso se torna uma escravidão para a parte essencial. Damos passos que são não-essenciais, ficamos emaranhados e assim não somos capazes de fazer o essencial. Portanto, Maomé disse para Ali que ele tinha toda a liberdade para erguer primeiro à perna direita ou esquerda. Mas uma vez que ele tivesse exercido essa liberdade e erguido sua perna esquerda, ele ficava incapacitado de erguer a outra perna. Assim a liberdade está dentro de certos limites, além desses limites não há liberdade.
Este é um conflito antigo para a mente humana.
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Se o homem é um escravo de seu destino – como os astrólogos geralmente parecem concordar – se tudo é predestinado e inevitável, então todas as religiões são inúteis. Se um homem é livre para fazer tudo, como os assim chamados racionalistas dizem, e se nada é predestinado ou inevitável, então a vida se torna um caos e uma anarquia, então é também possível que um homem possa roubar e ainda alcançar a liberação, que ele possa assassinar pessoas e ainda realizar o divino. Quando nada está relacionado, quando um passo não está relacionado com o outro, então não existem leis e nada está atrelado a lugar nenhum.
Lembro de uma história sobre Mulla Nasruddin: Mulla estava passando por uma mesquita quando subitamente, alguém caiu do minarete da mesquita aonde tinha subido para fazer suas orações. O homem caiu bem nos ombros de Mulla quebrando sua espinha. Então Mulla foi levado para um hospital para tratamento.
Alguns de seus discípulos vieram vê-lo, e devido a que Mulla costumava interpretar todos os eventos, eles lhe perguntaram: “Como você interpreta esse evento? O que isso significa”?
Mulla respondeu: “Está muito claro que não há nenhum relacionamento entre uma ação e seu fruto. Uma pessoa cai e a espinha de outra é quebrada. E assim doravante nunca participe de qualquer controvérsia sobre a doutrina do Karma. Ficou provado que uma pessoa pode cair e a espinha de outra pode quebrar. A pessoa que caiu era saudável e corajosa: ele caiu sobre mim e fiquei numa confusão. Eu não tinha subido no minarete para fazer minhas orações; estava apenas voltando para casa. Não estava preocupado de jeito nenhum com os adoradores, mas ainda assim fui envolvido. Portanto, doravante… Nenhuma conversa mais sobre a doutrina do Karma! Qualquer coisa pode acontecer. Não existe lei – é tudo uma anarquia”.
Mulla estava muito infeliz, naturalmente, porque sua espinha tinha sido desnecessariamente quebrada.
Existem duas hipóteses. Por um lado há o astrólogo que está sentado na beira da estrada sendo perguntado pelo não-essencial. Se ele é o astrólogo de um homem pobre ou de um Morarji Desai, o ministro das finanças, não faz a menor diferença – todos os astrólogos que lidam com o não-essencial, com questões como quem vai ganhar ou perder as eleições, são ordinários. Como as eleições estão conectadas com a lua e as estrelas? O astrólogo ordinário que responde: “Tudo está predeterminado e nenhuma mudança, nem mesmo de uma polegada pode ser feita” – está dando uma declaração falsa.
Por outro lado há o racionalista: Ele afirma que nada está inevitavelmente conectado: O que quer que aconteça é coincidência, circunstancial e por acaso. Não há lei, tudo é anárquico. Ele também está dando uma declaração falsa.
Não há nenhuma lei: Um racionalista nunca é encontrado tão pleno de alegria e felicidade como um Buda.
O racionalista nega Deus, a alma e a religião com a ajuda da lógica, mas ele nunca pode alcançar a alegria de Mahavira. Certamente Mahavira deve ter feito algo para merecer sua alegria, Buda deve ter feito algo que o libertou e Krishna também deve ter feito alguma coisa que tornou possível para ele tocar tais notas mágicas e distintamente únicas através de sua flauta.
A coisa real é a terceira, a qual é a quintessência de tudo, a qual pertence ao âmago interior e que é absolutamente predeterminado. Quanto mais a gente se move para o nosso centro, mais perto chegamos do essencial, da parte predeterminada. Quando nos movemos para a periferia nos movemos em direção à coincidência. Quanto mais falarmos sobre acontecimentos externos, mais coincidências acontecerão. Quando falamos sobre fenômeno interior, as coisas começam a parecer científicas, como se baseadas em uma lei definida, elas se tornam cada vez mais decisivas.
Entre estas duas condições – o essencial e o periférico – há um amplo espaço para efetuar mudanças exercendo nossa liberdade de escolha. Aqui, alguém com consciência fará a escolha correta; enquanto que a pessoa que está nas trevas da ignorância será arrastada para seu destino, suportando o que quer que aconteça em seu caminho.
Portanto, existem três áreas na vida. Na área onde está o núcleo essencial, tudo está predeterminado. Conhecer isso é conhecer a essência da astrologia. Na área que é periférica tudo é incerto. Conhecer isso é conhecer o mundo imprevisível do dia a dia. Existe outra área que está no meio. Conhecendo-a, uma pessoa pode salvar a si mesma de tentar fazer o impossível e ela pode fazer o que é possível. Se uma pessoa vive nas áreas periférica e mediana de tal maneira que ela começa a se mover em direção ao centro, ela se tornará religiosa. Mas se ela vive de tal maneira que ela nunca é capaz de mover-se em direção ao centro, sua vida permanecerá irreligiosa.
Por exemplo: uma pessoa está se preparando para roubar. Roubar não está predeterminado; não se pode afirmar que roubar é inevitável – há completa liberdade de roubar ou não. Mas uma vez consumado o roubo, é como se um pé tivesse sido erguido e o outro pé permanecesse na terra: após cometer o roubo, você não pode desfazer a ação. E o efeito total da ação de roubar se espalhará sobre a personalidade da pessoa que o cometeu. Mas enquanto o roubo não acontece, a outra alternativa está presente e disponível.
A mente balança entre o sim e o não. Se ele diz sim para roubar ela será lançada na direção da periferia; se ela diz não para o roubar ela se moverá em direção ao centro. Assim, no meio, há uma escolha. Se ela fizer a escolha errada ela é lançada na direção da periferia; se ela faz a escolha correta ela se move em direção ao centro, em direção àquela parte da astrologia que é essencial na vida.
Tenho dito a vocês certas coisas sobre a astrologia essencial. Tenho dito a vocês que somos as mãos estendidas do sol, que a Terra nasceu do sol e que nascemos da Terra, que não estamos separados, mas todos unidos. Somos ramificações e folhas que se espalharam do sol. O que quer que aconteça no núcleo do sol vibrará e se espalhará dentro e através de nosso ser, através de cada célula e nervo. Se pudermos entender essa propriedade, saberemos que somos uma família nesse planeta. Então não há nenhuma necessidade de viver encerrado dentro do ego e do orgulho.
O golpe mais pesado da astrologia é sobre o ego.
Ego Sum
Se a astrologia está certa, o ego está errado. Vamos entender isso dessa maneira: se a astrologia está errada, então nada resta para estar certo senão o ego. Se a astrologia está certa então o mundo está certo e somente eu, como uma ilha, estou errado. Sou apenas uma parte infinitesimal e insignificante do mundo – sou tão minúsculo que não posso nem mesmo ser incluído na contagem. Se a astrologia está certa, então não estou lá. Há uma imensa corrente de forças na qual sou apenas uma pequena ondulação.
Às vezes quando pegamos uma grande onda, caímos sob a ilusão que também somos algo especial e esquecemos da grande onda. Essa grande onda também está passeando sobre o oceano do qual estamos completamente desapercebidos. Se o oceano desaparecesse sob ela, a onda também desapareceria e o mesmo aconteceria conosco. Sem nenhuma razão ficamos infelizes sobre a possibilidade de nosso desaparecimento, apenas porque planejamos ser felizes através de nossa crença na nossa própria existência separada. Se tivéssemos entendido que há somente uma grande onda e o vasto oceano e nós que não somos – que é desejo do oceano que brotemos nele, que é desejo do oceano que morramos.
Se surgir uma atitude pela qual compreendemos que somos apenas uma fração do grande desígnio da existência, dessa forma não haverá nenhuma infelicidade.
E com essa atitude, a assim chamada felicidade que queremos desfrutar também não estará presente.
O sentimento de felicidade de pensamentos tais como: “Eu ganhei ou eu alcancei” não estará mais presente. Nem haverá um sentimento de infelicidade de pensamentos tais como: “Estou morrendo, estou acabado, afundei, fui destruído ou derrotado”.
E quando não resta nem felicidade nem infelicidade, entramos no mundo da realidade – o essencial – onde há alegria. Astrologia então se torna a porta para a bem-aventurança.
Se olharmos para a astrologia como uma fusão de nosso orgulho ou como uma desintegração do ego, a astrologia então se torna uma religião. Mas vamos para o astrólogo ordinário, e a fim de proteger nossos egos perguntamos: “Sofrerei alguma perda? Ganharei na loteria? Serei bem sucedido no novo negócio que estou realizando”?
Essas questões são perguntadas para salvar nossos egos, mas o fato é que a astrologia está inteiramente em oposição ao ego. O significado da astrologia é este: você não é, mas o universo é; você não é, mas o cosmos é. Forças muito poderosas estão operando, e você é absolutamente insignificante.
Vocês só podem ver a astrologia nessa luz, se vocês pensarem e sentirem que vocês são uma parte integral desse grande mundo. Eis porque eu lhes disse como toda a família solar está conectada com o sol. Se vocês puderem compreender isso, vocês também entenderão que nosso sol está conectado com muitos outros sóis bem maiores no universo.
Cientistas dizem que existem quatro bilhões de sóis, e que todos nasceram de algum sol maior. Não temos nenhum conhecimento do que possa ser esse sol supremo. Não sabemos como essa Terra está girando em torno de seu eixo e também revolvendo ao redor do sol, nem sabemos ao redor de que centro nosso sol e sua família estão girando. Um grande carrossel universal está dançando.
Nos templos Hindus há uma vereda chamada Parikrama englobando a imagem de uma deidade. Essa vereda é símbolo do fato de que tudo está girando por si próprio e também dando voltas ao redor de algo mais. Desse modo esses dois juntos giram em torno de uma terceira coisa e os três, por sua vez, circulam em torno de uma quarta coisa, e assim por diante, infinitamente.
O centro supremo do infinito é chamado pelos sábios de Brahma, a realidade absoluta. Esse centro supremo não está nem girando nem se revolvendo ao redor de coisa alguma. O que quer que esteja girando em torno de si mesmo estará definitivamente dando voltas ao redor de algo mais, mas aquilo que nem está girando nem se revolvendo é o supremo. Isso também é conhecido como o supremo silêncio ou vazio. Esse é o eixo, o pivô ao redor do qual todo o universo se expande e se contrai.
Hindus pensam que assim como um botão se torna uma flor e a flor depois murcha, semelhantemente o universo também se expande e então se desintegra; assim como tem o dia e a noite, o universo também tem seu dia e sua noite.
Como disse a vocês antes, existem ciclos de onze anos e ciclos de noventa anos. Similarmente, os Hindus pensam que existem ciclos de bilhões e trilhões de anos. Durante tal ciclo um universo nasce, torna-se jovem e envelhece; nascem terras, luas e estrelas que se espalham pelo universo, populações crescem e surgem milhões de seres vivos.
Isso não está acontecendo somente na Terra; cientistas agora dizem que deve haver um mínimo de cinquenta mil planetas sobre as quais existe vida. Pode haver mais, mas isso é o mínimo. Em tal universo infinito é impossível que somente nesta terra haja vida. Existem cinquenta mil planetas ou terras sobre os quais existe vida – isso é uma expansão infinita. E então, tudo se contrai novamente.
Esta terra não estava aqui desde o princípio, nem estará aqui eternamente.
Assim como eu nasci e deixarei de existir, esta terra e o sol também deixarão de existir, tempo virá quando essas luas, estrelas e planetas também desaparecerão. O ciclo de ser e de não ser continua. Somos apenas infinitesimais, girando e nos revolvendo em algum lugar sobre esta roda cósmica. E se ainda pensamos que estamos separados, então somos como Mulla Nasruddin que estava viajando em um avião pela primeira vez:
Mulla Nasruddin entrou no avião e quando este decolou, ele começou a andar pelo corredor do avião. Ele queria alcançar seu destino bem rápido e estava com muita pressa: naturalmente, se você deseja chegar em algum lugar rapidamente, você chegará mais rápido se você andar mais depressa!
Seu co-passageiro o parou e perguntou a ele o que ele estava fazendo.
Mulla Nasruddin respondeu que ele estava com pressa.
Ele estava viajando de avião pela primeira vez e ele estava usando a mesma lógica de quando ele caminha no solo. Lá, ele sempre chegava mais rápido toda vez que andava mais depressa. Ele não entendeu que caminhar no avião era inútil – o próprio avião estava voando e ele apenas se cansaria de andar. Ele não chegaria mais cedo de jeito nenhum, e é possível que, quando ele chegasse estaria tão cansado que não seria capaz de ficar de pé. Ele descansaria, ele fecharia os olhos e descansaria. Mas nem Mulla nem qualquer outro intelectual concordariam com tal conselho.
Chamo alguém de religioso quem está à vontade dentro desse movimento circular cósmico do universo. Alguém que sabe que as forças do universo estão trabalhando, e que não há nenhuma pressa, que ter pressa é inútil, é religioso. Se podemos simplesmente ser um com a harmonia universal, isso é suficiente – e isso é bem-aventurança.
Tenho dito a vocês coisas sobre astrologia, se vocês entenderem essas coisas, então a astrologia pode se tornar uma porta para a obtenção espiritual.
Astrología: La Ciencia de la Unidad Cósmica
Osho, Hidden Mysteries, Número 5
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