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Geografia Astrológica Antiga e Atos 2:9-11

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Christ Pantocrator -- Church Of The Holy Sepulchre
Christ Pantocrator
Bruce Manning Metzger
Capítulo III
Tradução:
Samanta Mello
Tradutora e Professora de Inglês
samattei2@gmail.com
De acordo com o livro de Atos, no dia de Pentecostes, depois que o Espírito Santo apareceu para discípulos e estes começaram a falar em outras línguas, a multidão de judeus peregrinos em Jerusalém ficou surpresa e maravilhada, dizendo: “Não são Galileus todos estes que estão falando? E como é que nós ouvimos, cada um de nós, em sua própria língua materna? Partas, Medos e Elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, Egito e partes da Líbia pertencentes a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los anunciar em nosso próprio idioma as maravilhas de Deus” (2, 7-11). Esta passagem deu origem a várias perguntas que deixaram os comentadores perplexos. Por que, por exemplo, são esses e não outros os países especificados? E, se são esses os países citados, por que são citados na mesma ordem em que eles encontram-se nos dias de hoje?
Em 1948, respostas mais ou menos satisfatórias para ambas as perguntas pareciam ter sido respondidas em um breve artigo de Stefan Weinstock, publicado em um jornal britânico dos clássicos, em que o autor chamou a atenção para uma lista um tanto similar de nomes de países em um tratado astrológico compilado por Paulus de Alexandria, que viveu na última parte do século IV cristão1.  Neste tratado, Paulus atribui aos diversos signos do zodíaco uma dúzia ou mais de terras e nações, cuja semelhança com a lista de Atos surpreendeu Winstock de forma notável. Consequentemente, Weinstock concluiu sobre o autor de Atos que “apesar de estranha, sua lista quis dizer, de fato, ‘o mundo inteiro’ (ou seja) todas as nações que vivem sob os doze signos do zodíaco receberam, de imediato, o dom de compreender (os apóstolos) pregando”.
1. “O Catálogo geográfico em Atos II, 9-11,” JRS, 38 (1948), pp. 43-46. Weinstock indica que a atenção foi atraída para a semelhança entre as listas quando ele se deparou com uma cópia da impressão do artigo de Franz Cumont, pertencente a F.C. Burkitt, de, “La plus ancienne géographic astrologique” (pp. 263-73), em cuja margem Burkitt havia escrito a lápis os nomes dos países e territórios de Atos 2:9-11 oposto ao texto de Paulus. Burkitt não expressou opinião alguma sobre a relação entre as duas listas. Na verdade, Weinstock não foi o primeiro a publicar uma discussão sobre a semelhança entre a lista de países em Paulus Alexandrino e em Atos; no início do século XX, Joseph Halévy incluiu uma breve discussão sobre os dados em seu artigo pouco conhecido, intitulado “Nouvelles considerations sur le cycle turc des animaux”, publicado na revista T’oung Pao, sor. II, 7 (1906), pgs. 270-95, especialmente folha 279. Halévy argumenta que a prioridade pertence à lista em Atos, que foi extraída mais tarde por um astrólogo cristão (uma visão rejeitada por Boll).
Rapidamente o artigo de Weinstock começou a ser citado por comentaristas em Atos: um dos primeiros a fazê-lo foi o Professor F.F. Bruce, cujo interesse e competência nos clássicos são bem conhecidos. Após apresentar um breve resumo do argumento de Weinstock, Bruce concluiu que “Quaisquer que sejam as afinidades literárias de catálogo de Lucas, deixamos de duvidar da presença de considerações astrológicas em sua mente”.
Parece ser apropriado, em um Festschrift (na Academia, o termo alemão Festschrift  ou Festschriften é um livro que homenageia uma pessoa influente ou reconhecida, especialmente um/a pesquisador/a. Geralmente é lançado enquanto o homenageado é vivo. O termo pode ser traduzido como “livro de homenagem” ou “livro de celebração”) em homenagem ao professor Bruce para dar nova atenção para a comparação entre Atos 2: 9-11 e Paulus; primeiro, porque agora está disponível um texto criticamente estabelecido do tratado astrológico de Paulus de Alexandria, baseado em quarenta e oito manuscritos3 (a única edição anterior é o editio princeps, do século XVI, preparado por Andrew Schato4, com base em um único manuscrito); e, em segundo lugar, porque diversos comentaristas contemporâneos fizeram sobre Atos declarações bastante extravagantes sobre o grau de similaridade que se pensava existir entre a lista em Atos e a lista Paulus5 – declarações que tendem a enganar aqueles que não têm acesso imediato ao texto de Paulus Alexandrino.
3. Παύλου ΙΑλεξανδρέως Είσαγωγικά , Pauli Alexandrini Elementa Apotelesmatica, edidit Æ {milie} Boer, Interpretationes astronomicas addidit O. Neugebauer (Bibliotheca Scriptorum Graecorum et Romanorum Teubneriana; Leipzig, 1958).
4. Pauli Alexandrini, Rudimenta, em doctrinam de praedictis natalitiis (Wittenberg, 1586, segunda edição corrigida, 1588). Nada se sabe sobre Schato além do fato de que ele produziu a primeira edição impressa do texto grego de Paulus, acompanhado de uma tradução latina; na verdade, não é de todo certo como o seu nome deve ser escrito, se Schato, Schaton, ou Schatus.
5. Por exemplo, C.S.C. Williams implica que onze duodécimos dos nomes dos países na lista em Atos concordam com aqueles em Paulus Alexandrino (Comentário sobre os Atos dos Apóstolos [Londres e Nova York, 1957], p. 64); G.W.H. Lampe acha que a lista de Paulus “surpreendentemente se assemelha à lista de Lucas em ordem e conteúdo” (in Comentário de Peake sobre a Bíblia, ed. pelo M. Black e H.H. Rowley [Londres e Nova York, 1962], p. 888); e R.P.C. Hanson declara que a lista em Atos é “quase exatamente a mesmo que uma lista astrológica, conhecida de outros escritores, em que cada terra correspondia a um signo do Zodíaco (apenas Judéia está fora de lugar; não era, afinal, uma terra estrangeira; Lucas pode ter substituído outro nome por este)” (Atos, na Revised Standard Version, com introdução e comentários [Oxford, 1967], p. 64). Da mesma forma, J.A. Brinkman, S.J., em seu artigo “A formação literária do “Catálogo das Nações” (Atos 2: 9-11), “. CBQ 25 (1963), pp. 418-27, pensa que “as duas listas são muito semelhantes em ambos conteúdo e sequencia para não terem vindo da mesma tradição “(p. 423).
I
o-troxos-toy-xronou
Ζωδιακός κύκλος
 Antes de considerarmos a atribuição de países e de terras de Paulus aos signos do zodíaco, será útil mencionar vários detalhes relativos Paulus e outros antigos astrolólogos6.
6. Para obter uma lista convenientemente organizada de quase uma vintena de autores astrológicos antigos e tratados anônimos, ver Hans Georg Gundel, Weitbilde and Astrologie in den griechischen Zauberpapyri (= Münchener Beiträge zur Papyrusforschung und antike Rechtsgeschichte, 53) (Munique, 1968), pp. 74-78. É oportuno mencionar neste ponto que o presente escritor é profundamente grato ao Prof. David Pingree do Instituto Oriental da Universidade de Chicago, com quem discuti a primeira versão deste artigo. Além de confirmar o ponto geral do trabalho, o professor Pingree me salvou de fazer mais do que um erro notório sobre os meandros da antiga tradição astrológica.
De Paulus Alexandrino muito pouco se sabe, a não ser o que se pode ser adquirido a partir de seu Rudimentos da Astrologia7. Ele pode ser relativamente chamado de Alexandrinus, porque muitos de seus dados astronômicos combinam apenas com a latitude de Alexandria; este fato é apoiado pela sua utilização dos nomes egípcios dos meses e do período egípcio de quatro anos com um dia intercalar. Que ele tenha florescido na segunda metade do século IV da era cristã parece ser uma dedução justa de sua referência no cap. 20, onde, para ilustrar um argumento, que utiliza o dia 20 do mês Mecheir (sexto mês do calendário Egípcio) do ano 94 da era de Diocleciano (ou seja, 20 de Fevereiro de 378 D.C.)8. Paulus não era cristão, uma vez que acreditava que os planetas eram a morada dos deuses9.
7. O título da obra varia nos manuscritos; alguns lêem Είσαγωγικά (que é adotado por Boer); outros lêem Είσαγωγικαί μέθεδοι, que é expandido em outros ainda pela adição de είς τήν άποτελεσμαρικήν έπιστήμην.
8. Cf. Franz Cumont em Catalogus Codicum Astrologorum Graecorum 1 (Bruxelas, 1898), p. 57, n. 1 e 5 (1904), pp. 194 ff.
9. Cf., por exemplo, o título do cap. 20, Περί τού γνώναι έκάστην ήμέραν, τίνος τών θεών έστιν, e outras passagens mencionadas por Wilhelm Gundel em seu artigo sobre Paulus em PW, XVIII, 4 (1949), col. 2377. Vários dos manuscritos de Paulus ocasionalmente refletem modificações supostamente introduzidas por escribas cristãos no interesse de remover expressões politeístas.
Os Rudimentos da Astrologia de Paulus encontraram rápida aceitação geral, e tornou-se objeto de um comentário, por escrito, de um certo Heliodoro10, o qual tinha sido aluno de Proclus em Atenas e fez observações astronômicas em Alexandria entre 498 e 50911, consideravelmente menor do que o célebre Tetrabiblos de Cláudio Ptolomeu que, floresceu em meados do segundo século cristão, o trabalho de Paulus parece ser uma sinopse de elementos da astrologia antiga. Ele abre com um sumário das propriedades dos doze signos do zodíaco, explica termos e técnicas empregadas pelos astrólogos13 e, em seguida, discute horóscopos e climatéricos.14
10. Texto do Comentário, que foi transmitida de duas formas, foi editado pela Miss Æ. Boer na série Teubner, sob o título, Είς τόν Παύλον <ΙΗλιοδώρου>, Heliodori, dicitur ut, em Paulum Alexandrinum Commentarium, Interpretationes astronomicas addiderunt O. Neugebauer et D. Pingree (Leipzig, 1962). A autoria do comentário continua em dúvida; o nome “Geliodores” é adequadamente atestado pelo mais recente dos dois grupos de manuscritos apenas. O editor considera o nome uma expansão bizantina, mas acha que ele pode ter sido adicionado em boa autoridade, e assim o mantém, embora com uma expressão de alguma dúvida. Em Heliodoro, cujas observações astronômicas existem entre 498 e 509, consulte Boll em Byzantinische Zeitschrift 8 (1899), p. 525, Anm. 1, e em PW VIII, 1 (1912), cols. 18-19, e também Praechter, ibid., col. 1305. Por outro lado, para o que pode ser dito em relação à identificação, ver G. J. Toomer em Gnomon 35 (1963), p. 270.
De acordo com informações gentilmente cedidas pelo Prof Pingree, em um artigo a ser publicado em Byzantinische Zeitschrift, L.G. Westerink argumenta que “o comentário é composto por notas tomadas por um estudante em um curso de palestras ministradas por Olimpiodoro na primavera e no verão de 565 d.C.
11. A declaração feita por Wilhelm Gundel e Hans Georg Gundel (Astrologumena; die astrologische Literatur und in der Antike ihre Geschichte [Sudhoffs Archiv; ViertelJahrsschrift für Geschichte der Medizjn und der Naturwissenschaften dir Pharmazie und der Mathematik, Beiheft 6] [Wiesbaden, 1966], p. 239), que a influência de Paulus se estender até mesmo para a Índia e que o Pauliśasiddhânta, que já não mais existe, foi um comentário sobre seus Rudimentos, aparentemente sem fundamento, que repousa sobre um equívoco; ver David Pingree em Isis 54 (1963), p. 237, n. 63; cf. Também Gnomon 40 (1968), p. 277.
13. Para um glossário inestimável dos termos técnicos usados ​​pelos astrólogos antigos, ver O. Neugebauer e H.B. Van Hoesen, Horóscopos Gregos (= Memórias da Sociedade Filosófica Americana, 48) (Filadélfia, 1959), pp. 191 ff. Para uma introdução geral ao que é comumente chamado de astrologia judicial (que lida com as supostas influências dos corpos celestes sobre as fortunas dos homens e das nações), ver Felix von Oefele, “Sol, Lua e Estrelas (Introdutório)” em HERE 48-62 12 (Edimburgo, 1922), pgs. 48-62. Notas e comentários de H.W. Garrod no livro II de Astronomicon de Manilius (Oxford, 1911) podem ser consultadas, com proveito, a respeito da astronomia antiga, em geral.
14. De acordo com a doutrina astrológica dos anos climatéricos, ou períodos críticos da vida de uma pessoa, são os anos terminando no terceiro, quinto, sétimo, nono períodos de sete anos, a que alguns acrescentam o octogésimo primeiro ano. O sexagésimo terceiro ano foi chamado o grande ou grande climatério. Acredita-se que cada um destes períodos é marcado pela presença de alguma mudança notável em relação à saúde, vida, ou fortuna.
Um horóscopo retratando o caráter de uma pessoa e profetizando (ou descrevendo) eventos em sua vida é feito através da elaboração de um diagrama que representa o céu no momento de seu nascimento e mostrando as posições dos corpos celestes em relação um ao outro e ao horizonte. Como exemplo típico entre os quase duzentos horóscopos gregos de indivíduos que foram preservados desde a antiguidade, o seguinte pode ser citado:
Sol (e) Saturno em Capricórnio, Lua em Escorpião, Júpiter em Leão, Marte em Peixes, Vênus (e) Mercúrio em Aquário, Horóscopo (?) em Virgem, a Parte da Fortuna em Escorpião, o Daimon em Câncer. Então, em oposição ao Daimon, que prevê o intelecto e o espiritual, estava Saturno, estando ele no aspecto dominante da lua cheia (anterior) (em Câncer) e à sua fase na época, e o governador do Lote da Fortuna () estava em oposição ao Horóscopo. Portanto, esta pessoa tinha injúrias nos lugares predestinados, pés sem força e, acima de tudo, era lunática15.
15. Preservado por Vettius Valens em seu Anthologiarum libri, II, 36 (ed. Wilhelm Kroll, p. 113, linhas 3-10). De acordo com os cálculos de Neugebauer e Van Hoesen, cuja tradução Inglês é dada aqui, o horóscopo leva a 106 d.C., 16 de janeiro, cerca de 10 horas da noite (op. cit., 103 p.).
Um aspecto da astrologia antiga trata da geografia astrológica16 ou da colocação de terras e regiões da Terra sob o domínio dos corpos celestes. Embora alguns estudiosos tenham argumentado que a geografia astrológica teve origem na Mesopotâmia, talvez tão antiga quanto a época dos sumérios17, as diferenças entre Paulus e as tradições da Mesopotâmia são numerosas e decisivas. Para aqueles que estavam familiarizados com a Septuaginta, a ideia da correlação de nações com corpos celestes parecia ser encorajada por Deuteronômio 4:19.
16. Em vez de “geografia”, Auguste Bouché-Leclercq prefere a expressão “corografia”; cf. sua contribuição “Chorographie astrologique”, em Mélanges Graux; Recueil de travaux d’erudição classique Dedie um Ia mémoire de Charles Graux (Paris, 1884), pp. 341-51, e sua monografia magisterial, L’Astrologie Grecque (Paris, 1899; reimpresso, Bruxelas, 1963), pp. 328 ff..
17. Cf. B.L. van der Waerden, “História do Horóscopo”, Archiv für Orientforschung 16 (1952-1953), pp. 216-30, e Eckhard Unger, “Fata Morgana as geisteswissenschaftliches Phänomen im Alten Oriente”, Rivista degli studi orientali 33 (1958), pp. 1-51, especialmente pp. 4 ff.
Durante os séculos foram desenvolvidos vários sistemas de geografia astrológica, enquanto mais e mais países e terras passaram a ser atribuídos aos vários signos do zodíaco. Além disso, as diferenças entre as listas não surgiram apenas para, por assim dizer, razões numéricas, mas também como resultado de um esforço para mostrar que a atribuição de países não era despropositada ou arbitrária e que existem razões, pelo menos em certos casos, para associação de terras a signos. Entre os vários sistemas, o preservado por Paulus Alexandrino é o mais simples e, por esta razão, tem sido considerado por alguns estudiosos como o mais antigo (embora este ponto de vista possa ser contestado). De acordo com Housman, “foi concebido quando o mundo era pequeno e nada além do Mediterrâneo Oriental e do oeste da Ásia importava muito. O oeste e norte da Europa são desconhecidos; não há nem Cítia nem mesmo Etiópia ou Arábia alguma; a única terra distante que entra em seu círculo é a Índia”.
Listas mais complicadas são as de (a) Doroteu Sidonius (terceiro trimestre do século I d.C.), que atribui os doze signos do zodíaco a aproximadamente trinta países, (b) de Manilius (fim do século I século a.C. e início do primeiro século d.C.), o qual possui cerca de cinquenta países para dispor, e (c) de Ptolomeu (século II d.C.) que, com mais de setenta países, segue a Eratóstenes de Cirene (que, no século II a.C., calculou com notável precisão a circunferência da Terra) e divide a terra habitada em quatro quadrantes desenhando linhas de oeste para leste e de norte a sul aproximadamente correspondentes ao paralelo e ao meridiano de Rhodes. As terras dentro de cada quadrante são atribuídas a um trígono zodiacal (ou seja, três signos); Além disso, terras situadas no interior do ângulo de um quadrante têm afinidade com o trígono que governa o quadrante diametralmente oposto20. Outros sistemas foram concebidos, acomodados para o progresso da história, nos quais países são atribuídos não a signos, mas a partes de signos e a planetas21.
20. Para obter uma lista dos setenta e dois (ou setenta e três) países que Ptolomeu atribuiu aos doze signos do zodíaco, ver seu Tetrabiblos II, 3 (73).
21. Para um relato desses vários esquemas, consulte Bouché-Leclercq, L’Astrologie Grecque, pp. 332 ff.; Housman, op. cit., pp. XIII ff.; e, mais brevemente, Boll em PW Suppi. IV (1929), col. 656 Anm. para uma coleção conveniente dos textos gregos relativos à geografia astrológica, elaborada a partir de Ptolomeu, Paulus, Doroteu, Valens e outros escritores antigos, ver Arthur Ludwich, Maximus et Ammonis Carminum de actionum auspiciis reliquiae (Leipzig, 1877), “Anecdota astrologica,” Αί χύραι συνοικειούμεναι τοίς ιβ ζώδίοις, pp. 112-19.
II
pantokrator
 Passando agora para a Paulus de Alexandria e seus rudimentos, observa-se que o tema da geografia astrológica ocupa apenas uma parte marginal de sua atenção. No início de seu compêndio, o leitor encontra uma declaração compacta relativa aos poderes astrológicos e o significado de cada um dos doze signos do zodíaco. Depois de dar a breve e sucinta importância aos doze signos, Paulus fornece resumos de informações organizadas de acordo com o tema; por exemplo, todos os signos são considerados masculinos estão reunidos em um grupo, e todos os do sexo feminino em outro grupo. Entre esses parágrafos resumidos, está aquele que lida com a geografia astrológica. Ele é como se segue:
Προσπαθεί  δέ ταίς χώραις τά ζώδια ό μέν Κριός τη Περσίδι, ό δέ Ταύρος τη Βαβυλώνι, οί δε Δίδυμοι τη Καππαδοκίά, ό δέ Καρκίνος τη Αρμενίά, ό δέ Λέων τη Ασίά, ή δέ Παρθένος τη Ἑλλάδι ό δέ Ζυγός τη Λιβύη, ό δέ Σκορπίος τη Ιταλίά, ό δέ Τοξότης τη Κρήτή, τού Αίγοκέρωτος τη Συρίά άπονενεμημένου, τού Υδροχόου τήν Αϊγυπτον λαχόντος, τών Ιχθύων τήν Ινδικήν χώραν προσώκειωμένων.
Quando os itens deste parágrafo (chamado daqui por diante de Paulus II) são comparados com a variedade de especificações que Paulus atribuiu anteriormente, em seu tratado, a cada signo zodiacal, quatro diferenças são aparentes, todas envolvendo descrições um pouco mais completas de áreas geográficas atribuídas aos signos individuais (chamados a daqui por diante de Paulus I).
Assim, a Virgem são atribuídos Grécia e Lonia; a Libra, Líbia e Cirene; a Sagitário, Cilícia e Creta; a Peixes, o Mar Vermelho e a Índia. Iremos agora examinar as duas listas de Paulus, colocadas lado a lado com a lista de Atos 2: 9-11.
Tabela
III
El monasterio de Dafni o únicamente Dafni (en griego Δάφνι)
O problema levantado por um exame destas listas é se o grau de semelhança ou de dissimilaridade entre a lista em Atos e as listas derivadas de Paulus é como fazer com que seja provável que (a) Paulus se baseou no livro de Atos; ou (b) que Paulus reproduziu uma lista muito mais antiga, de origem pré-cristã, da qual Lucas foi também, de alguma forma, dependente para sua lista em Atos; ou que (c) não há, de fato, nenhuma relação discernível entre Atos e as fontes utilizadas por Paulus.
A visão de Halévy de que Paulus dependia, direta ou indiretamente, da lista de Atos, é totalmente improvável. Não só Paulus não mostra nenhuma (outra) similaridade com o Novo Testamento, como também a forma como ele incorpora os dados geográficos um a um em sua série de parágrafos, descrevendo os poderes dos doze signos e as diferenças entre as duas listas, mantém-se firmemente contra tal suposição.
Cumont tentou levar o protótipo da lista de Paulus de volta ao tempo do Império Persa, apontando que (a) a lista é encabeçada pela Pérsia e (b) cada um dos três pares de países (incluídos em Paulus I) envolve um país livre e um satrapia24. Está aberta a questão, no entanto, se esses fatos têm qualquer influência significativa sobre a data da composição da lista.
24. Franz Cumont, “La astrologique mais ancienne géographie”, Klio 9 (1909), pp. 263-73. Cumont também relatou (p. 273) uma sugestão que lhe foi comunicada por F.C. Burkitt, no sentido de que a data de início é apoiada pela circunstância de que em Dan. 08:20, um carneiro, representando o rei dos medos e dos persas, é atacado por um bode (= Capricórnio), representando o rei dos gregos e, portanto, o autor ou redator do livro de Daniel deve ter sido familiarizado com a lista. De acordo com Paulus, no entanto, Libra é atribuído à Síria, não à Grécia, e é precário argumentar, como Cumont tenta fazer, que esta atribuição apenas revela que o motivo era mais anterior a Selêucida e assim, o núcleo da lista ainda pode pertencer ao período persa do quarto século a.C.
 Pode-se também comparar o comentário de Cícero em De Divinitate 1, 121 (53): [A Vontade Divina] nos envia sinais de que a história preservou numerosos exemplos. Encontramos o seguinte registrado: “Quando logo antes do sol nascer, a lua foi eclipsada no signo de Leão, isto indicou que Dario e os persas seriam derrotados na batalha pelos macedônios sob Alexandre, e que Dario iria morrer”. (Loeb edição, tradução por William A. Falconer).
Boll sugeriu que a lista de Paulus era conhecida por Teucros da Babilônia, que floresceu cerca de 10 a.C. Como, no entanto, Teucros sobrevive apenas nos escritos de um editor do sexto século, Rhetorius, o egípcio, que também estava familiarizado com o tratado de Paulus, é possível que Rhetorius tenha assumido o material de Paulus ao invés de Teucros.
Aqueles que tentam rastrear a ancestralidade da geografia astrológica de Paulus em uma data pré-cristã geralmente assumem que, porque Paulus menciona menos países do que aqueles incluídos em listas compiladas por outros autores, o seu material representa uma fase anterior à deles. Esta hipótese deve ser desafiada. À parte de se saber se é provável que um astrólogo do século IV tenha desejado preservar o que era, nessa teoria, uma lista astrológica arcaica, é mais objetivo observar que Paulus não estava preocupado em fornecer listas totalmente consistentes de países designados aos signos do zodíaco. O fato de que Paulus não inclui em seu sumário de tabulação mais de um país para cada signo zodiacal, enquanto que, nos parágrafos anteriores, ele inclui um par de regiões sob cada quatro dos doze signos, nos dá uma pista de que sua intenção era fornecer um epítome da sabedoria astrológica. Essa dica torna-se ainda mais significativa quando se observa quão numerosos são os países listados por escritores como Hiparco, Doroteu, Vettius Valens, Ptolomeu e outros astrólogos antigos, alguns dos quais teriam sido conhecidos por Paulus27. Por exemplo, sob o segundo signo zodiacal, o de Touro, Hiparco lista Media, Cítia, Armênia, Chipre; Doroteu lista a Media, Arábia, Egito; Vettius Valens lista a Media, Babilônia, Cítia, Chipre, Arábia, Pérsia, Cáucaso, Etiópia, Elymais, Carchedonia, Armênia, Índia, Alemanha; e Ptolomeu lista a Partia, a Media, Persis, Cyclades, Chipre, Ásia Menor; – enquanto Paulus dá apenas a Babilônia. Em vista de dados como estes, parece ser um tanto inútil e sem sentido debater, como Weinstock, Brinkman e outros fazem, em quais sentidos Lucas ou Paulus preservam com mais precisão a atribuição “original” de uma terra individual ou país a um determinado signo zodiacal.
27. O Professor Pingree me deu permissão para dizer que, em sua opinião, “Paulus inspirou-se em uma ação mais completa da tradição astrológica, mas que é sem sentido considerar (a lista) como um documento anterior ao século IV d.C.”.
 IV
Μονή Αγίου Γεωργίου
Μονή Αγίου Γεωργίου
Neste ponto, é oportuno levantar a questão fundamental de que a maioria dos estudiosos tem tomado por certa: são, de fato, as semelhanças entre a lista em Atos e Paulus significativas o suficiente para justificar a colocação de ambos de volta a uma origem comum? Ou são as duas listas não mais próximas do que seria esperado se dois autores antigos criassem listas compreendendo quinze países e povos representativos, independentemente?
 Em qualquer tentativa de analisar os pontos de contato entre Lucas e Paulus, é obviamente ilícito reorganizar a ordem da lista em Atos (como Weinstock e, em seguida, Brinkman fizeram), movendo o Egito do sétimo para o décimo primeiro lugar e, portanto, aumentando a semelhança entre as duas listas. Não só a posição do Egito difere nas duas listas, como também o texto geralmente aceito de Atos não tem nada correspondente à Síria na lista da Paulus (a este respeito, consulte o adendo abaixo). Além disso, parece impossível, apesar dos muitos argumentos engenhosos e às vezes rebuscados, para correlacionar a Grécia e a Ionia de Paulus com a Frígia e a Panfília de Lucas, ou a Armênia de Paulus com Ponto de Lucas.
 À luz de tais diferenças óbvias, impressiona também a escassez de reais semelhanças entre as listas. Quando se busca por equivalentes precisos entre Atos e qualquer uma das listas de Paulus, os resultados são bastante escassos. Dos dezesseis nomes de países ou povos em Atos, apenas cinco são idênticos aos do Paulus: ou seja, Capadócia, Ásia, Líbia, Creta e Egito. Certamente é enganoso ao extremo representar as listas como “quase exatamente as mesmas”. Na verdade, tudo o que pode ser dito sem distorcer a imagem é que tanto Lucas como Paulus começam a partir de países ou povos na parte superior do Crescente Fértil e depois passam para o ocidente em geral, se voltando eventualmente ao sul e, finalmente, do sul para o leste – embora cada lista se afaste mais de uma vez de uma sequencia rígida29. Tendo sido dezesseis países ou povos mencionados na lista em Atos, cinco que mencionados também por Paulus, talvez não seja tão notável, afinal30.
29. Pingree gentilmente chamou minha atenção para Dimensuratio provinciarum de pseudo-Jerome (em Geographi latini minores, ed. Alexander Reise [Heilbronn, 1878], pp. 9-14), que segue um padrão de listagem de áreas da Ásia Maior, Europa e África, apesar de novo, com algumas exceções de países que se destacam fora desta sequencia (por exemplo, a lista fecha com Bretanha). Em comparação com esse regime, pensa-se na contribuição de Eusébio à obra dos apóstolos que evangelizaram o mundo inteiro, da Pérsia à Grã-Bretanha.
30. Não se pode negar que na antiguidade pode muito bem ter havido uma conexão remota entre geografia e astrologia, revelada talvez no costume de começar a enumerar uma lista de terras e países a partir do Oriente (ao nascer do sol). Ao mesmo tempo, no entanto, é duvidoso que os escritores gregos e romanos mais ou menos aculturados seriam mais conscientes de tal conexão do que os Ingleses modernos são cientes da matriz astrológica a partir da qual a palavra “desastre” surgiu.
V
ζαρνατα ζωωδοχου τοιχογ
 ζαρνατα ζωωδοχου τοιχογ
O ponto principal deste trabalho a ter sido realizado, a saber, foi o de avaliar o grau de similaridade entre as listas de países em Atos e em Paulus; semelhança esta que parece ser muito menos impressionante do que por vezes se pensou. Uma abordagem muito mais construtiva para a lista em Atos, como parece para os escritores atuais, será a análise da sequencia de nomes em termos da dinâmica interna do próprio catálogo. Como já foi apontado recentemente por um autor na Theologische Zeitschrift, a sequencia de nomes em Atos 2 apresenta uma vivaz e espontânea forma de expressão, com seu ritmo e estrutura próprios, divulgados parcialmente pelo uso de conectivos (καί and τε καί) pelo autor. Mesmo a “coda” de encerramento, “cretenses e árabes”, que à primeira vista parece ser apenas um complemento, tem muitos paralelos em outros exemplos do que pode ser chamado de “a forma de catálogo”. Até onde Lucas pode ter sido influenciado em sua escolha de países que incluiu na lista, seguindo uma lista mantida pelos líderes da igreja em Antioquia, de terras para as quais as missões cristãs foram enviadas antes do ano 50 d.C., é uma especulação interessante proposta por Reicke34, mas que não precisa ser buscada aqui. Muito já foi dito, espera-se, para definir em perspectiva mais sóbria a conexão muito duvidosa imaginada existir, por Weinstock e outros entre a lista em Atos 2 e as especulações astrológicas, eventualmente, incorporadas em Rudimentos da Astrologia de Paulus de Alexandria.
34. Embora Reicke suponha que a lista na igreja de Antioquia foi originalmente redigida com um olho, por assim dizer, em um protótipo assumido da geografia astrológica de Paulus, esta hipótese não é uma parte necessária de sua principal especulação. Para uma reação negativa ao Reicke, ver as observações de E. Haenchen em sua Apostelgeschichte (Göttingen, 1965), pp. 133 f., Anm. 3.
Adendo ao Atos 2: 9
greece church of aghios ioannis zodiac fresco
Greece Church of Aghios
O problema com o qual se defronta o crítico textual em Atos 2: 9 é a unanimidade quase total de evidências externas apoiando a leitura tradicional ΙΙουδαίαν contra uma variedade de dificuldades internas – dificuldades que vários estudiosos têm procurado remover por emendas. A inclusão de ΙΙουδαίαν um em um catálogo de Judeus da Diáspora pareceu ser, a muitos comentaristas, totalmente inadequada em relação aos seguintes aspectos: (a) a palavra está em uma sequencia incomum na lista (entre a Mesopotâmia, no leste e Capadócia, no norte); (b) é propriamente um adjetivo e, portanto, quando usado substantivamente (como em Atos 2: 9) deveria ser precedida pelo artigo definido; e (c) envolve a anomalia curiosa de que os habitantes da Judéia deveriam se surpreender ao ouvir os apóstolos falando sua própria língua (Atos 2: 6).
Tendo em vista essas dificuldades, têm sido propostos os nomes de outros países. Assim, Tertuliano e Agostinho (uma vez) substituíram Armeniam, Jerome substituiu (habitantes da) Síria, e Crisóstomo substituiu ΙΙνδίαν. Estudiosos modernos têm sugerido uma ampla variedade de conjecturas em lugar de ΙΙουδαίαν incluindo Idumaea (Caspar, Spitta, Lagercranz), Lonia (Cheyne), Bitínia (Hemsterhuis, Valckenaer), Cilícia (Mangey), Lídia (Bentley, Bryant), Índia ([seguinte a Crisóstomo] Erasmus, Schmid), Gordyaea (Greve, Burkitt), Yaudi (Gunkel), Adiabene (Eberhard Nestle), e Aramaea (Hatch). Outros, incluindo Eusébio, von Harnack e C.S.C. Williams, omitiram  ΙΙουδαίαν, considerando-o uma interpretação da escrita. Talvez a conjectura menos violenta é a proposta feita por Hilgenfeld para Μεσοποταμίαν (embora o porquê de Mesopotâmia mereça ser chamado “judia” não seja facilmente explicado).
Em meio a tanta diversidade entre conjecturas propostas, nenhuma das quais ganhou aprovação geral, provavelmente a solução menos satisfatória para um problema reconhecidamente difícil seja aceitar a leitura atestada pelo peso esmagador das testemunhas.
Ιουδαία in the Geographical List of Acts 29-11 and Syria as Greater Judea
Paulus Alexandrinus and Olympiodorus
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A Dança dos Signos

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Ciro Marchetti
Aos Filhos dos Signos
O espetáculo musical a “Dança dos Signos”, de Oswaldo Montenegro, entrou em cartaz pela primeira vez em 1982, no Rio de Janeiro.
Desde então, tem uma história de sucesso tanto de público como de crítica. Mais de um milhão de pessoas, por todo o Brasil, já assistiram “A Dança dos Signos”.
Dentro de um universo de luz, sombras e poesia, o espetáculo passeia pelos doze signos do zodíaco.
Oswaldo Montenegro
Zoe
Aos Filhos de Áries
Áries, o primeiro signo, do carneiro apaixonado
Tem em Marte seu designo e no fogo seu reinado
Nas estrelas seu delírio, seu amor enciumado
Nos limites, seu martírio, seu mistério revelado
Louco signo das correntes e emoções arrebatadas
Ariana dos repentes e explosões descontroladas
Ariana, como o fogo, nunca será dominada
Decisiva como o jogo, e a primeira namorada
Signo da sinceridade, da vermelha cor do dia
Signo da velocidade, da impulsão e eu nem sabia
Que era tanta madrugada a derramar no coração
Como a rosa serenada se transforma e pinga ao chão
Derretendo ao fogo da paixão.
Aos Filhos de Touro
Mas eu topei
com a estrela bailarina na rua dançando rock
de frente uma vitrine toda sexy
vidrada num anúncio de baton no vidro
preso com durex
(dura lex – sed lex)
um carro, um vestido e um brinco de ouro
presente de um rico industrial do signo de touro
(dura lex – sed lex)
quando é touro
é um meio fecundo
em cada semente plantada
um sorriso de gratidão
haja bom tempo ou não.
Aos Filhos de Gêmeos
Curioso, dispersivo, você sempre tem algo a dizer
Signo dos opostos, signo dos vizinhos gêmeos, há de ser
Cada planeta, cada riso em cada esquina que houver
Cada extremo reunido, cada homem gêmeo da mulher.
Gêmeos como a luz do dia é vizinha do anoitecer
Gêmeos chuva e, quem diria, o sol que brilhará, dor e prazer
Cada planeta, cada riso em cada esquina que houver
Cada extremo reunido, cada homem gêmeo da mulher.
Aos Filhos de Câncer
Caranguejo, signo da última estação do segundo lugar
Do primeiro desejo que não há
Como dissimulando se esconder no porão
Caranguejo da canceriana, solidão de horizontalizar
No canteiro de beijos que não dá
Como dissimulando se esconder no porão do ser
Caranguejo cada vez que a gente se encontrar no cio
Pode ser que não, mas eu quase adivinho
que no coração alguém vai batucar
Caranguejo é o signo de quem só me chama de filho
E do meu coração, e do Gilberto Gil,
Caetano é leão e sempre vai reinar
Pois é
Caranguejo, símbolo da réplica fusão do que não caberá
Mas no primeiro ensejo brilhará como volatizando
Se acender um balão.
Aos Filhos de Leão
Cada diamante ama o sândalo e o cravo
ama o ouro, e alaranjado
o globo azul rodeia o sol
cada diamante imita a mágica
das tropicais florestas
onde reina o leão, Deus dos animais
cada brilho seu reflete o coração dourado
o fogo, o poder, a vitalidade, o pai
cada raio seu forma uma rua
que vai dar na luz da lua
doces caminhos astrais.
Aos Filhos de Virgem
Virgem como a natureza do desconhecido
virgem como quem se muda e como quem virá
virgem como a fruta esperando a tal mordida
virgem como o garoto que espera atento a hora do jantar
virgem como a nuvem que ainda não choveu e o guia
e como é virgem toda noite enquanto o dia não pintar
virgem como a tela branca da pintora linda ainda é virgem
como a lua antes do sol iluminar
virgem como o olho de quem não dormiu e o guia
virgem como a planta do pé de quem não andar
virgem como o pássaro desvirginou o dia
quando desenhou no céu o mapa de onde o sol pode brilhar
virgem como a música do cantor que era mudo
e como o passarinho é virgem quando não puder voar
virgem como a bailarina sem coreografia
e como a pérola azulada que ainda não saiu do mar.
Aos Filhos de Libra
Era de libra como a lua vista assim é de cor de sal
era de libra como a luz das sete estrelas
forma algum sinal
era de libra quando dá um passo atrás
pra caminhar legal
era a balança universal
era harmonia como o ritmo da vida e o carnaval
era de libra como a brisa quando passa
e ondula o trigal
mas tinha medo de saber que o jogo da verdade
era fatal
era a balança universal
era de libra e amava a paz e a justiça natural
era de libra pra poder unir a idéia
ao seu material
o simbolismo da figura da mulher
paixão arterial
era a balança universal
era de libra como a valsa, o antigo Egito e afinal
era de libra e tem a crença da beleza
e do encanto geral
a natureza da firmeza e oscilação
a simpatia e tal
era a balança universal.
Aos Filhos de Escorpião
É o reino da força
vermelho é a cor do teu coração
ferro em brasa na casa da morte
é o escorpião
a força criadora que habita o mundo
o animal da auto-regeneração
o homem que renova, signo fecundo
o fim planta o início
é a transmutação
cabala do grande sinal
cabala da força do ….
Aos Filhos de Sagitário
Era claro e sábio
Era manso metade animal
E livre como ancião
Que já não teme o final.
Eu amava e amava
Adormecia com gosto de sal
Na boca
E amava assim
Com a devoção natural
Dos deuses, dos animais
Ah, quanto tempo atrás
Ah, quantas noites passei
A galopar em você, doce centauro
Amo você, doce centauro.
Aos Filhos de Capricórnio
Madrepérola de cor
a teimosia tá no ar
signo da terra, da percussão
a dúvida não tem lugar
signo de capricórnio, ser
ser como se fosse escalar
a montanha negra do dia a dia
não saberia sonhar
signo da segurança total
signo da persistência, e afinal
na versão mais infinita do ser
capricórnio inda precisa aprender
que da estranha forma do caracol
foi que se inventou a clave de sol
simbolismo do prazer
tudo mágica ser.
Aos Filhos de Aquário
Brilho do signo do novo
do futuro – aquário
silfos da magia – ar virão
serpentina da revolução
brilho do signo do novo
do futuro – aquário.
Aos Filhos de Peixes
É peixe quando pula e descortina
A clara possibilidade de mudar de opinião
É peixe quando sem ligar a seta muda o rumo
Inverte a coisa, embola o pensamento e então
É peixe quando o germe da loucura
Se transforma em claridade e anda pela contramão
É peixe quando anda no oceano de quarenta correntezas
Sem nenhuma embarcação
É peixe quando salta o precipício da responsabilidade
E tem uma queda pra ilusão
É peixe quando anda contra o vento, desafia o sofrimento
E carrega o mundo com a mão
É peixe quando a luz do misticismo
Se transforma na procura do princípio e da razão
É peixe quando anda no oceano de quarenta correntezas
Sem nenhuma embarcação.
Oswaldo Viveiros Montenegro (Rio de Janeiro, 15 de março de 1956) é um músico brasileiro. Além de cantor, compõe trilhas sonoras para peças teatrais, balés, cinema e televisão. Foi casado com a atriz Paloma Duarte. Tem uma das parcerias mais sólidas da MPB ao lado de Madalena Salles, que o acompanha com suas flautas.
Biografia
“Ainda em 82, escrevi para o Núcleo Artístico de Belo Horizonte, A Dança dos Signos. Nessa época, Roberto Menescal era diretor artístico da Polygram e comprou os direitos do Cristal. Arquivou o projeto e lançou o disco A Dança dos Signos, com doze canções do ballet, cada uma sobre um signo do zodíaco.”
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